Salvem os bancos pequenos
www.valor.com.br
Salvem os bancos pequenos
No fim do ano passado, o governo editou medidas de corte da remuneração de compulsório com o objetivo de estimular o modelo dos bancos pequenos. Com o recrudescimento da crise, o advento do Banco PanAmericano, que prejudicou a venda de carteiras, e as evidentes necessidades de funding, essas instituições poderiam enfrentar dificuldades no médio prazo. Realmente, foi necessário agir e o Banco Central acertou na medida.
No entanto, é preciso alargar o debate. Há dois aspectos que nos parecem relevantes nessa discussão: primeiro, quanto à concentração do sistema financeiro, e, segundo, quanto ao papel dos bancos pequenos no mercado, sua importância relativa e relevância no processo.
No que diz respeito à concentração bancária no Brasil, os maiores bancos privados detêm mais de 67% dos ativos de todo o sistema financeiro. Considerando o sistema como um todo, o setor público responde por 28% e o privado, por 53% (e os bancos estrangeiros, por 18%). Assim, podemos inferir que quase 80% dos ativos privados estão concentrados em cinco instituições financeiras privadas, sendo todos bancos. Se aplicado outro critério, o de patrimônio líquido, verifica-se um índice igualmente preocupante: 85% do total do patrimônio líquido do sistema financeiro nacional está concentrado em dez instituições privadas. Se a concentração dos bancos no sistema financeiro tende a aumentar, o processo de downsizing, ou seja, a redução da representatividade do sistema financeiro no Produto Interno Bruto (PIB), também tende a se intensificar. Apenas para dar um exemplo, em 1993, último ano antes do Plano Real, o sistema financeiro era responsável por 15% do PIB. Em 1996, essa participação caiu para 8,3% e hoje está em torno de 3% (2010).
Se elevar concentração bancária, a queda da participação do sistema financeiro no PIB tende a se intensificar
A necessidade de proteção à poupança popular e os efeitos do multiplicador de moeda fazem com que, além de importante variável macroeconômica, o sistema financeiro exija pesada regulamentação como atividade intermediadora de recursos. Portanto, a concentração bancária e os movimentos ligados à concorrência entre os bancos são de interesse especial do Estado para obter os fins maiores de sua política econômica, por meio da expansão ou contração dos meios de pagamento.
Por sua vez, a quebra de um banco significa um grande transtorno público aos pequenos depositantes de boa-fé, e é natural que o Estado procure, por todas as formas, evitar que um banco que se tornou ilíquido contamine os demais do setor. É evidente que, quanto maior o banco (e maiores os interesses envolvidos), maiores serão os riscos de sua quebra.
Sabendo disso, muitos bancos que já estão com dificuldades podem se engajar em operações de alto risco, o que ficou conhecido na doutrina econômica como o problema da “moral hazard”. Em decorrência desse fato, a doutrina econômica passou a analisar outra tese, a do “too big to fail” (grande demais para quebrar), na qual bancos grandes, por apresentarem risco sistêmico forte, são impedidos pela autoridade monetária de ser liquidados. Assim, a concentração bancária – inevitável nos dias de hoje – apresenta algumas desvantagens consideráveis.
Bancos pequenos sólidos – e ressalte-se aqui que as exigências de capital mínimo para abrir um banco no Brasil são as mais elevadas do mundo, o que não impede bancos de cometerem imprudências – são fundamentais ao sistema, já que podem oferecer uma alternativa à concentração e às dificuldades expostas acima. Em outros países, longe de nossa realidade, o caso é, todavia, emblemático. Lá, sólidos bancos pequenos oferecem uma alternativa à concentração e, mesmo depois da crise de 2008-09, buscam nichos de atuação. Além disso, bancos pequenos, ou butiques financeiras, podem propiciar uma grande diferenciação de canais de distribuição, por se destacarem com serviços e produtos personalizados.
Finalmente, os ganhos de escala em bancos de grande porte – rede de agências, estruturas e amplitude de produtos – fazem com que seja difícil a um banco menor se tornar o único banqueiro do cliente, mesmo que exista o argumento de que, no banco menor, privilegiam-se mais a confidencialidade e as soluções personalizadas.
Para abrir um banco é necessário um projeto de viabilidade que combine competência, capital e idoneidade. Um banqueiro pequeno pode ter tudo isso com a vantagem de oferecer um relevante serviço ao sistema financeiro nacional em matéria de concorrência.
Jairo Saddi, pós-doutor pela Universidade de Oxford, é professor de direito do Insper.
Volta à cena duelo homem versus máquina
www.valor.com.br
Robôs trabalham em uma fábrica da Volkswagen no Estado americano do Tennessee: para economistas, o que tira emprego é a falta de demanda, não a automaçãoOs Estados Unidos produzem, hoje, quase um quarto a mais de bens e serviços do que em 1999, mas empregam praticamente o mesmo número de trabalhadores. É como se US$ 2,5 trilhões em produtos – o equivalente a toda a economia americana por volta de 1958 – se materializasse do nada.
Embora as empresas não tenham contratado muita gente, elas com certeza estão usando mais máquinas. Os gastos com equipamentos e softwares atingiram um pico histórico no terceiro trimestre de 2011. “Enormes avanços tecnológicos têm permitido às empresas fazer mais com menos”, exterminando empregos de todo tipo: de metalúrgicos a agentes de viagens, advertiu, em dezembro, o presidente Barack Obama.
Estarão os robôs abocanhando todos os bons empregos? Este ano poderá oferecer a resposta, à medida que a economia ganha impulso. A maioria dos economistas, animados por 540 mil contratações desde o Dia do Trabalho [1º de setembro, nos EUA], dizem que a tecnologia destrói inevitavelmente alguns empregos, ao mesmo tempo em que acaba criando novos. Mas com mais de 20 milhões de americanos ainda desempregados ou subempregados, outros economistas temem que algo fundamental tenha mudado. “O que é diferente agora é a velocidade e a escala do que está acontecendo”, diz Erik Brynjolfsson, diretor do Centro para Negócios Digitais do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Brynjolfsson e Andrew McAfee, coautores do livro “Race Against the Machine” (Corrida contra a Máquina, em tradução literal), publicado recentemente, argumentam que a economia está nos estágios iniciais de uma “Grande Reestruturação” que está esvaziando o mercado de trabalho e intensificando as desigualdades.
Bobagem, dizem alguns economistas, entre eles James D. Hamilton, da Universidade da Califórnia em San Diego. Não há nada novo no fato de máquinas substituírem pessoas. Em 1900, 41% dos americanos trabalhavam em fazendas. Hoje, graças a tratores e colheitadeiras que poupam trabalho, o número é inferior a 2%. No entanto, ex-trabalhadores em fazendas encontraram novos empregos. E à medida que a atividade manufatureira ficou mais enxuta, nas últimas décadas, os trabalhadores das fábricas – ou seus filhos – migraram para os setores financeiro, de informática, de saúde e outros em crescimento.
“Em 2005, o trabalhador médio americano foi capaz de produzir o que teria exigido duas pessoas em 1970, quatro pessoas em 1940 e seis pessoas em 1910″, escreveu Hamilton, em um e-mail. “O resultado desse progresso tecnológico não foi mais desemprego, mas, sim, aumento dos salários reais. As evidências dos últimos dois séculos são inequívocas: ganhos de produtividade resultam em mais riqueza, e não pobreza.”
Os americanos vêm se preocupando com um futuro distópico desde quando o primeiro robô industrial (denominado “Unimate”) começou a trabalhar em uma fábrica da General Motors em Ewing Township, Nova Jersey, em 1961. As preocupações ficaram mais agudas no ano passado, marcado por uma recuperação sem crescimento do emprego. Chris Matthews, apresentador do programa Hardball, da rede MSNBC, comentou no ar, recentemente, sobre onipresentes quiosques automatizados, bem como sobre a substituição de “sete ou oito cameramen”, em seu programa, por máquinas. “Vemos robôs por toda parte”, disse ele.
No ano passado, o Google apresentou carros que andam sem motoristas. A Lionbridge Technologies está recebendo pedidos para um serviço de tradução automatizada desenvolvido pela companhia. A Boston Scientific, fabricante de dispositivos médicos, está automatizando seu centro de distribuição em Quincy (Massachusetts), o maior da companhia, com robôs produzidos pela Kiva Systems, de North Reading, do mesmo Estado.
A tecnologia não está revolucionando apenas a linha de montagem. Estagiários em escritórios de advocacia não conseguem competir com programas de computador ao realizar buscas precisas, em milhares de documentos, por palavras ou padrões específicos. Novos aplicativos produzem facilmente melhores resumos jornalísticos sobre eventos esportivos rotineiros do que um jornalistas recém-formados. “Estamos em uma era na qual o leque de tarefas passíveis de automação está se ampliando rapidamente, e em áreas nas quais costumávamos pensar que se tratavam das nossas melhores habilidades, coisas que exigem raciocínio”, diz David Autor, um economista de trabalho no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Com a disseminação da tecnologia digital, a relação clássica entre aumento da produção e crescimento do emprego, conhecida como a Lei de Okun, parece, agora, ter deixado de funcionar. Se a lei, que postula que todo aumento de 3% na produção deveria reduzir a taxa de desemprego em um ponto percentual, ainda valesse, então a taxa atual de quase 9% seria de cerca 1%.
As longas filas de desempregados em busca de vagas, no entanto, não são, necessariamente, um sinal de que as máquinas estão ganhando uma luta de soma zero contra os humanos. O surto de gastos com automação e sistemas de tecnologia da informação, por exemplo, é um dos mais fortes pilares da economia. No terceiro trimestre, os investimentos não residenciais, que incluem máquinas para economizar trabalho, contribuíram com 1,41 ponto percentual para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano, perdendo apenas para os gastos dos consumidores. A Lincoln Electric Holdings, fabricante de equipamentos para solda por robôs, registrou um lucro de US$ 55,5 milhões no terceiro trimestre, com aumento de 71% em relação ao mesmo período em 2010.
As empresas estão gastando mais em tecnologia agora porque gastaram muito pouco durante a recessão. Mas os gastos totais de capital ainda mal superaram os custos de substituição. “A maior parte do investimento que estamos vendo é simplesmente substituição de coisas desgastadas”, diz o economista Paul Ashworth, da Capital Economics, empresa de pesquisa especializada em macroeconomia.
Assim, se as máquinas não são responsáveis pela escassez de empregos, qual é a razão? Simples: ausência de demanda. A indústria está usando menos da sua capacidade produtiva, hoje, do que no ponto mais baixo da recessão de 1990-91, segundo o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. “Precisamos de uma nova fonte de demanda”, diz o autor do MIT. “Se as pessoas não estão comprando coisas, então ninguém está contratando trabalhadores.”
A próspera década de 90 revelou o poder da demanda de, simultaneamente, provocar aumento do emprego e gastos com máquinas. Na década de 90, as empresas embarcaram em uma farra de compra de novos equipamentos e de softwares ainda maior do que hoje, mas a taxa média de desemprego ficou em 4,4%, observa o economista Dean Baker, do Centro para Pesquisa Econômica e Política, em Washington, DC. Desde o primeiro trimestre de 1997 até o fim de 2000, apesar de um crescimento de 14% na produtividade, a demanda por bens e serviços foi tão grande que o setor privado criou mais de 9 milhões de empregos.
Uma coisa é diferente agora: em vez de “içar todos os barcos”, como anteriormente, a tecnologia está dividindo os trabalhadores em vencedores e perdedores. Nas últimas três décadas, o crescimento do emprego tem sido mais rápido entre os empregos de alta e de baixa qualificações, enquanto as ocupações de capacitação média se atrofiaram, de acordo com os economistas Jaison Abel e Deitz Richard, do Federal Reserve em Nova York. Embora a economia tenha criado quase 50 milhões de novos postos de trabalho não agrícolas nesse período, a tecnologia dizimou as fileiras de alguns pilares da força de trabalho, como operadores de máquinas, em mais de metade.
Padrões de vida sem alterações e um mercado de trabalho proporcionando acesso apenas a empregos nos extremos – de altos e de baixos salários – é mais um dado sobre uma assustadora nova era. Apesar de suas preocupações, Brynjolfsson e McAfee permanecem “otimistas digitais”. Em algum momento, dizem eles, as tecnologias revolucionárias criarão novas empresas e empregos inimagináveis. Existe, certamente, espaço para elas. Pelos cálculos do Birô de Orçamento do Congresso, a produção total no terceiro trimestre ficou 5% abaixo do potencial. Isso representa quase US$ 800 bilhões de demanda ausente – o suficiente para ocupar tanto homens como máquinas. (Tradução de Sergio Blum)
Horário flexível incentiva funcionários a cuidar melhor da saúde
www.valor.com.br
SÃO PAULO - Um ambiente de trabalho flexível melhora o bem-estar dos funcionários e pode até resultar em uma melhor noite de sono. Um estudo da Universidade de Minneapolis com mais de 600 colaboradores de uma empresa que implementou um sistema de remuneração baseado em resultados— independentemente da carga horária— revelou que esse tipo de ambiente incentiva os funcionários a cuidarem melhor da saúde física e mental.
O método analisado foi o “Results Only Work Environment” (conhecido nos Estados Unidos como ROWE, em português significaria “Ambiente de trabalho baseado apenas em resultados”), usado em empresas americanas como a BestBuy, que foi o objeto da pesquisa, a Gap e a Banana Republic. O método também é amplamente elogiado pelo jornalista Daniel Pink, autor do best-seller sobre motivação no ambiente de trabalho “Motivação 3″ (leia entrevista concedida ao Valor).
Com a implementação da iniciativa, os colaboradores passaram a ter liberdade para escolher seu horário e local de trabalho diariamente, sem terem que pedir permissão aos gerentes. O desempenho dos profissionais passou a ser medido inteiramente pelos resultados alcançados.
No geral, a flexibilidade permitiu com que os funcionários equilibrassem melhor o trabalho e a família, o que diminuiu o nível de cansaço e estresse e proporcionou melhorias na qualidade de vida. A pesquisa apontou que aqueles que participaram do sistema passaram a dormir pelo menos uma hora a mais durante a noite e a prestar mais atenção à própria saúde. Ao contrário dos colaboradores que mantiveram o sistema tradicional, profissionais com jornadas flexíveis usavam mais o tempo livre para se consultar com um médico.
(Leticia Arcoverde | Valor)
Direct Edge chega para desafiar BM&F
www.valor.com.br
Uma novo concorrente estrangeiro tem planos de quebrar a hegemonia da BM&FBovespa no mercado brasileiro de negociação de ações. Após a Bats Global Markets anunciar no início deste ano a intenção de atuar no país, a Direct Edge, responsável por 10% do volume de ações negociado no mercado americano, oficializa nesta segunda-feira os planos de criar uma bolsa alternativa no Brasil.
O objetivo da companhia é dar início às operações no quarto trimestre de 2012, após obter todas as aprovações regulatórias, disse ao Valor, por telefone, o presidente da Direct Edge, William O’Brien. A unidade brasileira, que terá sede no Rio de Janeiro, deve ser a primeira fora dos Estados Unidos. A empresa vem estudando o mercado nacional há um ano e meio, segundo o executivo.
Criada em 1998 como uma plataforma de negociação, a Direct Edge começou a atuar como companhia independente em 2007 e, no ano passado, obteve aprovação da SEC (a comissão de valores mobiliários americana) para operar como bolsa de valores. Entre os sócios da empresa estão pesos-pesados do setor financeiro, como o Goldman Sachs e o J.P. Morgan, além de International Securities Exchange, Knight Capital e Citadel Derivatives Group.
De acordo com O’Brien, a Direct Edge negocia diariamente em torno de US$ 27 bilhões, o que representa mais de seis vezes o volume médio da BM&FBovespa. Apesar das cifras menores, o executivo vê potencial local. “Enxergamos uma grande oportunidade no Brasil, que possui uma comunidade financeira sofisticada e uma estrutura regulatória que permite a entrada de um competidor”, diz.
A chegada de concorrentes provoca reação da BM&FBovespa. Na semana passada, em entrevista ao Valor, seu presidente, Edemir Pinto, qualificou os concorrentes como “oportunistas”, dispostos apenas a “beliscar” um pedaço do mercado e depois ir embora.
Ao contrário do Brasil, onde a BM&FBovespa é a única instituição autorizada a atuar como bolsa, o mercado americano é altamente fragmentado. Além das bolsas autorizadas a funcionar, algumas corretoras desenvolveram sistemas próprios de negociação.
A principal barreira de entrada para plataformas concorrentes de negociação no país é a falta de alternativas para os sistemas de liquidação (clearing) e custódia de ativos. A bolsa brasileira, que possui a CBLC, trabalha com um sistema integrado, e não abre mão da exclusividade nesse serviço.
Edemir Pinto contou que foi sondado pela Direct Edge, mas descartou uma possível parceria. O’Brien confirma o encontro, mas diz que a recusa da bolsa não abalou os planos para o país. “Estamos em busca de alternativas para a clearing, que esperamos anunciar em breve”, afirma.
Ao se instalar no Brasil, a Direct Edge está de olho não apenas no mercado da BM&FBovespa como também das operações que hoje são realizadas no exterior, via American Depositary Receipts (ADRs, recibos de ações, na sigla em inglês). “Acreditamos que podemos atrair para o Brasil parte dos negócios que hoje são feitos em Nova York”, afirma.
Por enquanto, ainda não há planos para uma equipe local de direção da Direct Edge. A companhia avalia ainda a possibilidade de atuar com um parceiro local, nos moldes da Bats, que se uniu à gestora de recursos Claritas. O escritório de advocacia Demarest e Almeida Advogados é o assessor legal da companhia no país. O lançamento oficial da Direct Edge Brazil acontece em evento marcado para o próximo dia 29, no Rio. (Colaborou Daniele Camba)
Credit Suisse lança bolsa de longo prazo
www.valor.com.br
Mathisson: ideia é abrir mão das operações de alta frequência e criar um mercado voltado para investidor de longo prazo
A Credit Suisse Securities, a corretora de valores que administra o maior “dark pool” (bolsa informal) de ações do mundo, começará a operar um mercado de ações até o fim de março, segundo informou Dan Mathisson, presidente da unidade de negociações eletrônicas da firma.A praça, chamada Light Pool, será a primeira rede eletrônica de comunicações (ECN na sigla em inglês) dos Estados Unidos a ser iniciada em cinco anos. A ECN será voltada para investidores institucionais como fundos mútuos, fundos de hedge, fundos de pensão e fundos de doações. Ao contrário das bolsas existentes, a Light Pool vai empregar um sistema para classificar os usuários pela maneira como eles negociam, como meio de estabelecer os preços e manter afastados os especuladores indesejados.
A unidade do Credit Suisse Group está lançando a praça enquanto executivos do setor e alguns investidores criticam a fragmentação dos mercados entre as 13 bolsas de valores existentes nos Estados Unidos, 3 redes de comunicações eletrônicas (ECNs) e mais de 40 dark pools, que são plataformas privadas administradas por corretoras para negociar ações sem a revelação de ofertas de compra e venda. Uma ECN é um sistema de computadores que comparam ordens de compra e venda e compete com a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e com o mercado de ações da Nasdaq.
“Há uma necessidade real de um novo tipo de mercado exposto em que todas as regras sejam estabelecidas tendo em mente os investidores de longo prazo”, disse Mathisson. As operações de alta frequência, que englobam as estratégias conduzidas por computadores e cujo ponto em comum é a rápida apresentação e execução das ordens, respondem por pelo menos metade de todo o volume de ações negociado nos Estados Unidos, segundo a Securities and Exchange Commission (SEC). “Nossa ideia é abrir mão dessa parcela do mercado e criar um mercado de nicho com regras voltadas para os investidores de longo prazo”, disse ele.
A automação e a competição crescentes já reduziram as participações da NYSE e da Nasdaq nos negócios com ações que elas listam em até 80% na última década. Agora, menos de 30% dos negócios ocorrem em suas principais bolsas, uma vez que as ordens estão dispersas por mais de 20 praças concorrentes, quase todas totalmente eletrônicas. Vinte anos atrás, menos de 10 bolsas competiam pela maior parte dos negócios com ações nos EUA.
As firmas que não conseguirem atender os padrões voltados para a proteção dos investidores de longo prazo não poderão participar diretamente da praça do Credit Suisse, disse Mathisson, presidente do grupo de Serviços de Execuções Avançadas da corretora, formado por 250 pessoas. O Crédit Suisse vai subsidiar a ECN, que não deverá ser lucrativa inicialmente, como um serviço aos seus clientes institucionais, afirmou Mathisson.
A Light Pool foi construída com a mesma tecnologia usada no Crossfinder, o dark pool da corretora. Esse sistema negociou 2,8% do volume de ações movimentado nos EUA, quase o mesmo tanto que os outros dois maiores sistemas – o Sigma X do Goldman Sachs de Nova York, e o Getco Execution Services de Chicago – juntos, segundo um relatório divulgado em 21 de dezembro pela corretora Rosenblatt Securities.
Algumas ordens poderão ser transferidas do dark pool para o novo mercado, mas a Light Pool vai aumentar o volume geral negociado pela corretora Crédit Suisse, afirma Dmitri Galinov, diretor de estratégias de liquidez, que supervisiona a negociação de produtos incluídos nessas plataformas. A Credit Suisse começou a testar a Light Pool no mês passado, com vários clientes negociando ações da General Electric (GE). Na semana passada ela ampliou os negócios para uma dezena de ações.
O desenvolvimento da Light Pool começou há um ano, como uma proteção contra potenciais restrições reguladoras aos dark pools. Os executivos-chefes de operadoras de bolsas como a NYSE Euronext de Nova York e a Nasdaq OMX Group vêm exortando a SEC a impor mais exigências aos dark pools, que cresceram a ponto de responder por mais de 12% dos negócios com ações em novembro, contra menos de 9% há dois anos, segundo mostram dados da corretora Rosenblatt.
Como suas preocupações regulatórias diminuíram em 2010, o Crédit Suisse mudou seu foco para a criação de um mercado público exposto para os investidores institucionais que temiam não estar conseguindo execuções adequadas nas bolsas que atendem firmas de alta frequência.
A ECN poderá eventualmente conseguir uma participação de mercado de “uns poucos pontos porcentuais”, mas o objetivo não é construir uma concorrente para a NYSE ou outros mercados, afirma Mathisson. O objetivo é reduzir o que os operadores chamam de seleção negativa, ou a possibilidade dos clientes terem ordens executadas quando o mercado estiver se movimentando contra eles, banindo certos usuários e eliminando ordens e práticas que agradam as firmas de alta frequência.
“O foco está na minimização do vazamento de informações”, diz Galinov. “Queremos incentivar as ordens de limite na Light Pool, reduzir a seleção negativa e o número de vezes que os clientes são alvejados por outros operadores.”
Nos últimos anos, as bolsas vêm competindo por volume com as firmas de alta frequência como a Getco LLC, a Tradebot Systems e a Hudson River Trading, que substituíram muitos formadores de mercado tradicionais, expulsos pela automatização crescente e pelos incrementos de cotação de um centavo, em vez de oitavos de dólar.
A competição das firmas de volumes elevados, que perseguem uma série de estratégias que dependem da velocidade, vem ocorrendo às custas dos investidores de longo prazo, que negociam com participantes que oferecem liquidez mesmo enquanto tentam evitar aqueles que tendem descobrir quais instituições estão comprando ou vendendo, diz Mathisson.
A Bats Global markets de Kansas City (Missouri) e Jersey City e a Direct Edge Holdings de Nova Jersey, que operam duas bolsas cada, começaram como ECNs antes de se transformarem em bolsas. A Light Pool não tem planos de se tornar uma bolsa, em parte porque a SEC exige que corretoras donas de bolsas mantenham sua participação abaixo de 20%, explica Mathisson.
A Bats, que começou a operar em 2006, é controlada por um consórcio de 11 bancos e firmas que negociam carteiras próprias, enquanto a Direct Edge é controlada principalmente pela Knight Capital Group de Nova Jersey, Goldman Sachs, Citadel e International Securities Exchange de Nova York, a terceira maior bolsa de opções dos EUA. A Bloomberg LP, controladora da Bloomberg News, opera uma ECN, assim como o Citigroup.
A Credit Suisse superou corretoras concorrentes ao reivindicar quase 9% dos negócios com ações realizados por clientes institucionais nos EUA, com base nas comissões pagas por ação, segundo consta em um relatório divulgado em junho pela Greenwich Associtates, uma firma de pesquisas de Stamford, Connecticut. A companhia também é uma das cinco principais fornecedoras de algoritmos para 69% das administradoras de ativos que participaram de uma pesquisa conduzida pela Tabb Group de Nova York e divulgada em dezembro.
Os clientes da corretora e firmas que acessarem a Light Pool serão classificados automaticamente, com base em um período inicial de comportamento das negociações e inseridos em uma de três categorias: colaboradores, usuários neutros e operadores oportunistas. Galinov diz que o critério de definição de uma firma será automatizado e objetivo, “sem nenhuma intermediação humana”, que é exigida para os mercados públicos. O objetivo é determinar se as firmas estão lucrando sistematicamente com seus negócios de maneira que isso possa afetar os clientes institucionais, continua ele.
As firmas oportunistas, que segundo Galinov incluem algumas companhias de negociações de alta frequência, serão excluídas da plataforma e impedidas de apresentar ordens ou executar programas de computador contra ofertas de compra e venda diretamente pela Light Pool. Em vez disso, elas terão que usar a National Stock Exchange de Jersey City, onde a Light Pool também divulgará suas cotações.
As ECNs precisam tornar públicas suas cotações, através de uma bolsa registrada como a NSX, ou uma plataforma operada pela Financial Industry Regulatory Authority. Como as negociações na Light Pool serão mais caras e lentas para essas firmas, elas provavelmente não usarão a ECN, reduzindo a experiência de seleção negativa dos investidores, afirma Galinov.
Os colaboradores, que incluirão os investidores de longo prazo, receberão um desconto “significativo” quando negociarem contra ordens que estiverem paradas na Light Pool, enquanto as firmas neutras, ou aquelas cujos comportamentos ficaram abaixo dos de outros grupos, poderão ou não receber descontos, diz Galinov
Embora a formação dos preços ainda não tenha sido finalizada, ele diz que os descontos para os colaboradores que tomarem liquidez poderão ser os maiores do setor – atualmente de 14 centavos de dólar por 100 ações na Chicago Board Options Exchange e na Nasdaq OMX BX.
Motivadas pelas ECNs uma década atrás, as maiores bolsas de valores dos EUA vêm adotando programas de formação de preços que recompensam as corretoras por elas inserirem propostas de compra e venda em suas plataformas, depois que anos de reformas reduziram a lucratividade da atividade de formação de mercado. Computadores mais potentes e medidas como a formação de preços das ações em incrementos de centavos, reduziram o spread dos preços que antes compensava os profissionais pelo fornecimento de liquidez, estimulando as bolsas a darem descontos para as corretoras que realizam uma função similar através de estratégias de alta velocidade.
Overall Scores and Ranks IT Industry Competitiveness Index 2011
Source: Economist Intelligence Unit
Business Software Alliance
Rank Score / 100
2011 YoY 2011 YoY
1 – United States 80.5 +1.6
2 – Finland 72.0 -1.6
3 +6 Singapore 69.8 +1.6
4 -1 Sweden 69.4 -2.1
5 +1 United Kingdom 68.1 -2.1
6 +2 Denmark 67.9 -0.7
7 -3 Canada 67.6 -3.7
=8 +3 Ireland 67.5 +0.6
=8 -1 Australia 67.5 -1.2
=10 -5 Netherlands 65.8 -4.9
=10 +3 Israel 65.8 +1.5
12 +2 Switzerland 65.4 +1.9
13 +2 Taiwan 64.4 +1.0
14 -4 Norway 64.3 -2.8
15 +5 Germany 64.1 +6.0
16 -4 Japan 63.4 -1.7
17 +5 Austria 61.4 +4.4
18 +1 New Zealand 61.3 +2.5
=19 -3 South Korea 60.8 -1.9
=19 +2 Hong Kong 60.8 +3.3
21 -4 France 59.3 +0.1
22 -5 Belgium 57.7 -1.5
23 +1 Italy 50.7 +2.2
24 +1 Spain 50.4 +3.0
25 +4 Slovenia 48.8 +3.5
26 +3 Portugal 47.1 +1.8
27 -1 Czech Republic 46.1 -0.9
28 -1 Hungary 45.4 -0.7
29 -6 Estonia 45.0 -10.6
30 +5 Poland 44.6 +3.8
31 +11 Malaysia 44.1 +8.5
32 -5 Chile 43.2 -2.9
33 +1 Slovakia 42.1 +0.7
Rank Score / 100
2011 YoY 2011 YoY
=34 -1 Latvia 41.6 -1.0
=34 +10 India 41.6 +7.5
36 -4 Greece 40.7 -2.3
37 -1 Romania 40.4 +0.8
38 +1 China 39.8 +3.1
39 +1 Brazil 39.5 +2.9
40 -3 Croatia 39.0 +0.7
=41 +5 Turkey 38.7 +4.9
=41 -10 Lithuania 38.7 -4.6
43 +4 Bulgaria 38.1 +4.5
44 +4 Mexico 37.0 +5.0
45 -4 Argentina 36.2 -0.3
46 -8 Russia 35.2 -1.6
47 -4 South Africa 35.0 -0.3
48 -3 Saudi Arabia 34.1 +0.2
49 +3 Colombia 33.7 +5.3
50 -1 Thailand 30.5 -1.3
51 -1 Ukraine 28.9 -2.5
52 -1 Philippines 27.9 -0.6
53 +3 Vietnam 27.1 +2.1
54 -1 Egypt 26.3 -0.5
55 – Peru 25.5 -0.5
56 +2 Sri Lanka 25.0 +1.1
57 +2 Indonesia 24.8 +2.0
58 -1 Venezuela 24.5 +0.1
59 +1 Ecuador 23.1 +0.4
60 -6 Kazakhstan 22.8 -3.6
61 +2 Pakistan 22.3 +2.3
62 +3 Nigeria 21.4 +2.6
63 -1 Bangladesh 20.6 -0.5
64 -3 Azerbaijan 20.3 -1.0
65 -1 Algeria 19.5 -0.3
66 – Iran 18.8 +1.7
