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Jean Paul Jacob: três drivers para antever o futuro

1- Quais tecnologias estão em desenvolvimento atualmente em todo mundo?

2- O que as pessoas realmente desejam?

3- Quais os grandes problemas que se tenta resolver atualmente?

Para Stuhlberger, Brasil tenta criar “moto-contínuo tropical”

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Análise: Executivo ironiza visão de alguns integrantes do governo de que é possível a economia crescer sem fazer as reformas necessárias.

O Brasil está tentando criar o moto-contínuo tropical. É assim que Luís Stuhlberger – um dos gestores mais conhecidos do mercado brasileiro e responsável por R$ 8 bilhões aplicados na badalada família de fundos Verde – descreve a tentativa do governo brasileiro de fazer a economia crescer por auto-alimentação, sem as reformas necessárias. A análise está no relatório sobre o desempenho da carteira em junho, enviada aos clientes do Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG).

Stuhlberger lembra que o conceito do moto-contínuo nasceu durante a Renascença. Seria uma máquina de movimento perpétuo que reutilizaria indefinidamente a energia gerada por seu próprio movimento. As leis da física, no entanto, provaram que isso é impossível.

Ele compara essa definição com algumas visões de integrantes do governo. A primeira delas, de que é possível turbinar a demanda sem criar condições para ampliar a oferta. É o primeiro teorema a ser provado: a demanda gera sua própria oferta, ironiza o gestor.

A segunda crítica é sobre a tese de que quanto mais servidores públicos e benefícios sociais houver, melhor para o país. “A seguridade social deixou de ser um passivo para ser um ativo”, dispara o gestor. Ele ataca a ideia de que uma carga tributária de 35% do PIB não é problema, o que, segundo ele, seria o mesmo que dizer que “carga tributária em excesso e de má qualidade não geram problemas de competitividade”. E critica também a máxima de que o pré-sal “será a redenção” do nosso déficit externo.

Outra teoria que o gestor contesta é a de que a dívida pública bruta pode atingir 80% do PIB porque “o ativo é de boa qualidade: BNDES, Petrobras, Eletrobrás, Caixa, Banco do Brasil etc”. Assim, esse ativo poderia ser usado para financiar e multiplicar o crescimento do PIB do país, o que significaria dizer, na visão do gestor, que “o moto-contínuo existe e Deus é Brasileiro”.

Para o gestor, “este é o moto-contínuo tropical”. “Desde a idade média, como vimos, ninguém conseguiu inventar um. Terá havido uma solução tupiniquim para o problema?”, desafia.

Analisando o mercado externo, Stuhlberger chama a atenção para o fato de o primeiro semestre ter surpreendido negativamente os analistas, já que os ativos não se comportaram da maneira otimista esperada pela maioria. E acrescenta: “Acreditamos que a deflação é um fenômeno que veio para ficar nas economias desenvolvidas, e podemos ver juros até mais baixos que as atuais”. Para ele, “Estados Unidos e Europa devem cada vez mais se parecer com o Japão.”

O comportamento da economia chinesa, observa, também pegou muita gente de surpresa. “Seis meses depois, as óbvias dificuldades de gerenciar o maior estímulo fiscal e monetário do mundo ficaram evidentes, e o governo chinês vem tentando controlar a economia para evitar uma bolha de ‘real state’”, lembra Stuhlberger. “Fica a lição para os investidores brasileiros: crescimento do PIB nem sempre equivale a bons retornos de ações.”

Já no caso da Europa, “a débâcle da Grécia representa o fim de uma ideia e o colapso de um modelo”, escreve o gestor, lembrando que cada vez mais se discute o fim da moeda única. “Continuamos a esperar que o Sul da Europa traga mais volatilidade para os mercados, estendendo a queda do euro”, acrescenta.

O fundo multimercado CSHG Verde apresentou rentabilidade de 1,94% em junho, acumulando no primeiro semestre do ano 4,62%, para 4,28% do CDI.

Por Luciana Monteiro, de São Paulo

Carteira de crédito do Gerador vai a R$ 53 mi

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Foto Destaque
Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador: atuação em mercados que os grandes bancos não entram

Com menos de um ano, o Banco Gerador, de Pernambuco, já acumula ativos de R$ 87,9 milhões e uma carteira de crédito de R$ 53,4 milhões no fechamento do ano. O rápido crescimento, de 38% no último trimestre, se deve em parte à recuperação da economia no pós-crise, que coincidiu com a inauguração da instituição, em março de 2009, mas também à ocupação de nichos esquecidos pelos grandes bancos.

O foco da instituição é o consignado, que concentra 75% da carteira. Em dezembro, o banco contava com 105 convênios com pequenas prefeituras do Nordeste e outros 25 com empresas privadas da região. Os 25% restantes do estoque de empréstimo são adiantamentos de recebíveis para companhias nordestinas com faturamento de até R$ 10 milhões e que estejam inseridas em alguma cadeia produtiva.

Segundo Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador, a única forma de um banco pequeno sobreviver é atuando em nichos que os grandes não têm interesse. Ele conta que as transações de consignado com os funcionários dessas prefeituras são conferidas uma a uma, pois são governos pequenos, que não têm sistemas informatizados. “Os grandes bancos não atuam nesse mercado.”

Todo esse trabalho rende ao banco uma margem média líquida de 2,5% ao mês com a intermediação financeira, algo na casa dos 34% ao ano, entre operações com pessoas físicas e jurídicas, num total de 11 mil clientes. “No próximo semestre já vamos fechar o balanço com lucro e esperamos recuperar o investimento de R$ 4 milhões feito pelos sócios”, diz.

Com o crescimento acelerado de 2009, os sócios já mudaram os planos e pensam em buscar um parceiro a partir do meio do ano para aportar mais recursos e levar o banco “para outro patamar”, nas palavras do presidente. “Pode ser um fundo ou mesmo uma oferta de ações na bolsa”, afirma.

Junho é uma data estratégica, avalia Dalla Nora, pois nesse momento o banco poderá atingir números simbólicos de R$ 50 milhões em patrimônio líquido, estoque de crédito de R$ 100 milhões e ativos na casa dos R$ 150 milhões. “Hoje estamos mais limitados pelo funding do que pelo tamanho do mercado”, diz, lembrando que espera que os convênios com as prefeituras dobrem, assim como o número de empresas clientes.

Hoje o Gerador pertence aos empresários Paulo Sérgio Freire Macedo – dono do Grupo Nordeste, de transportes de valores, com faturamento anual próximo a R$ 1 bilhão – e Severino José Carneiro de Mendonça, dono também de uma empresa de correspondente de crédito consignado. O pesquisador Antonio Lavareda, sócio do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e que no fim do ano passado se filiou ao PSDB, completa o quadro.

Além da receita com crédito, o banco também fechou no fim do ano passado parceria com a Companhia Excelsior de Seguros e com a Finacap Consultoria Financeira, para venda cruzada de produtos. Ainda nas receitas de serviços, o Gerador estruturou R$ 34 milhões em Cédula de Crédito Bancário (CCB) para empresas, todas repassadas para fundos de crédito. Desde a inauguração, o banco dobrou de tamanho em termos administrativos, pulando de 22 funcionários para os 40 atuais, a maior parte alocada no back-office.

Fernando Travaglini, de São Paulo

O que os profissionais buscam hoje em uma empresa

1- Bom ambiente de trabalho

2- Desenvolvimento profissional

3- Qualidade de vida

4- Possibilidade de crescimento

5- Boa imagem no mercado de trabalho

Empresas aderem à ‘venda’ de produtos grátis no Brasil

http://economia.estadao.com.br/

Público tem a chance de experimentar produtos diversos antes mesmo de chegarem às prateleiras dos supermercados

Reuters

SÃO PAULO -

O crescente poder de compra da população brasileira motivou o surgimento de lojas que já devem ter povoado o imaginário de consumidores mais ávidos por novidades.

Nelas, o público tem a chance de experimentar produtos diversos antes mesmo de chegarem às prateleiras dos supermercados. E sem precisar abrir a carteira.

Apoiadas em experiências de sucesso em países como Japão, Estados Unidos e Austrália, duas lojas de produtos “gratuitos” se estabeleceram no Brasil nos últimos meses a fim de atender a uma necessidade das próprias empresas de bens de consumo, lançando mão do perfil participativo do consumidor brasileiro.

Do lado das empresas, pesa a favor a possibilidade de ter uma pesquisa sobre seus produtos com baixo investimento, o chamado “tryvertising”. Já os consumidores usufruem do direito de testar novos produtos em tamanho e versões originais, fugindo do conceito de pequenas amostras gratuitas.

No início de maio, dois empresários deram o pontapé ao inaugurar o Clube Amostra Grátis, em São Paulo. Com 130 empresas e cerca de 200 produtos disponíveis, o clube conta com mais de 14 mil pessoas cadastradas até o momento, se aproximando da meta de 20 mil usuários nos próximos meses.

A boa aceitação levou o Clube a planejar mais seis lojas ainda este ano em outras capitais, sendo que uma delas, em Curitiba, será aberta no final deste mês, segundo Luiz Gaeta, um dos sócios da companhia.

“Tivemos 91 por cento das pesquisas respondidas no primeiro mês… A aceitação da indústria foi muito maior do que esperávamos, o que mostra que isso pode se tornar uma tendência”, afirmou Gaeta, acrescentando que a loja tem capacidade para cerca de 120 mil clientes por mês.

Nos mesmos moldes, a Sample Central desembarcou no Brasil em junho, como uma franquia da australiana Sample Lab, instalada no Japão em 2007. Hoje, a companhia já contabiliza 25 mil usuários na capital paulista, superando a estimativa de seus criadores de 20 mil cadastrados até o final do ano. Em cinco anos, a Sample Central espera atingir cinco outras capitais brasileiras, além de prever novas lojas em São Paulo.

O gerente-geral da Sample Central, João Pedro Borges, espera uma demanda cada vez maior por esse modelo de negócios. “O ambiente da loja e todo o diferencial em relação a lojas tradicionais de varejo são atrativos para o consumidor”, disse.

Com cerca de 230 produtos disponíveis, a Sample Central está localizada perto da avenida Paulista, região central da capital, se beneficiando de um fluxo intenso de pedestres diariamente.

A curiosidade de muitos que se deparam com a fachada amarela da loja, contudo, pode ser ainda mais aguçada, dado que as visitas só podem ser realizadas após agendamento prévio via Internet.

Após a primeira visita, com um cartão magnético em mãos, o consumidor tem a liberdade de visitar a loja quantas vezes desejar, sob a condição de não poder levar para casa os produtos adquiridos em visitas anteriores.

Mas, quem espera encontrar um ambiente similar ao de um supermercado pode se surpreender. O espaço, menor, enche os olhos do visitante com cores, prateleiras forradas de lançamentos e arquitetura moderna. Para as “compras”, uma cesta com capacidade bastante superior a cinco itens aos quais cada consumidor tem direito faz as vezes do carrinho convencional.

Em ambos os casos, a empresa interessada em testar seus produtos paga pelo uso das prateleiras por 15 dias e pelo acesso ao resultado das pesquisas. No caso da Sample Central, que tem o Ibope como parceiro, o valor vai de 4.800 a 5.400 reais. N do Clube Amostra Grátis, de 6.000 a 10.000 reais.

Já o consumidor desembolsa 15 reais anuais para se tornar cliente da Sample Central, enquanto o valor da anuidade pelo Clube da Amostra Grátis é de 50 reais.

Em troca dos cinco produtos a que tem direito de escolha a cada visita às lojas, os consumidores têm 15 dias, em média, para responder as pesquisas de avaliação dos mesmos.

“O investimento (para as empresas) é muito menor do que em uma pesquisa tradicional. O resultado, em poucas semanas, é imparcial, pois o consumidor não é convidado para uma ação específica de uma única empresa”, assinalou Gaeta, do Clube Amostra Grátis.

Buscando melhor conhecer o perfil dos consumidores, empresas como Sadia, Cosan, AmBev e Grupo Bertin, e estrangeiras como Unilever e Kellogg’s, têm apostado na ferramenta como estratégia para pré-lançamento ou reformulação de produtos.

“Além de uma ferramenta de pesquisa ágil para ampliar a atuação num mercado tão competitivo, serve de laboratório para uma pesquisa maior ou para decisões que não tenham risco alto, como nova cor de rótulo ou nova embalagem”, comentou a gerente de marcas de higiene e beleza do Grupo Bertin, Lucia Rolla.

A interação com o tipo de cliente ativo, que se manifesta no caso de não aprovação de um produto após a compra, é apontada como outra vantagem do negócio.

“Essa deve ser a primeira iniciativa antes de uma expansão nacional”, aposta a gerente de produto da União, pertencente à Cosan, Daniela Bolletta, que participa da Sample Central.

A Sadia, por sua vez, quantificou um aumento maior que o esperado nas vendas do produto na Sample Central, de acordo com a gerente de marketing de conveniência da empresa, que pertence à Brasil Foods, Patrícia Cattaruzzi.

Por Vivian Pereira

Eyephone

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Por Rafael Cabral

Uma lente de US$ 1 que, ligada a um smartphone qualquer, faz complexos exames de vista em menos de dois minutos – e sem a necessidade da presença de um médico especializado. Ao final do teste, um aplicativo mostra o seu problema na tela do celular.

Foi essa a invenção que garantiu ao estudante brasileiro Vitor Pamplona (foto) o segundo lugar no MIT Ideas, uma competição de ideias inovadoras para o serviço público. “Você consegue fazer o teste sozinho. Ele detecta miopia, hipermetropia e astigmatismo”, explica, em entrevista ao Link.

Cursando o doutorado em computação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Vitor Pamplona é desde outubro um dos pesquisadores visitantes do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Um mês depois de sua chegada, começou o projeto da Netra (ou EyePhone, como a revista Fast Company apelidou a lente). A ideia era fabricar um equipamento oftalmológico com materiais acessíveis para todos.

Para desenvolvê-lo, ele contou com a ajuda de seu orientador, o professor Manuel de Oliveira, e também com sugestões de Ankit Mohan e Ramesh Raskar, acadêmicos do MIT. Já em janeiro deste ano, os primeiros testes já haviam sido finalizados e o projeto aceito para a Siggraph, a maior conferência do mundo de computação gráfica.

Samsung Behold II e Nexus One já foram testados (Foto: Divulgação)

No programa usado com o equipamento, o usuário vê duas linhas: uma vermelha e uma verde. No atual protótipo, elas são projetadas em diferentes ângulos e a tarefa do paciente é movê-las, com os botões do smartphone, até que se sobreponham. Se o usuário possuir uma visão perfeita, as linhas já estarão sobrepostas e ele não precisará fazer nada. Em casos de miopia, astigmatismo ou hipermetropia, elas estarão separadas – e cabe ao software identificar o problema e quantos graus o óculos terá.

Como a Netra é um dispositivo médico, é necessário fazer uma série de testes e obter certificados internacionais para que possa começar a ser comercializada. “Os próximos passos são os testes clínicos lado a lado com os equipamentos oftalmológicos profissionais. Para nós, é muito mais importante mapear os casos de falha do que os de sucesso”, diz o catarinense.

O inventor conta que o seu fascínio pela área surgiu conforme se aprofundava no assunto. “Ao contrário do que se pensa popularmente, ainda há muito o que pesquisar no sistema visual. Como a minha formação é em computação, eu posso ajudar outros pesquisadores e profissionais criando novas tecnologias e melhores meios de extrair informações do corpo humano”.

Seu objetivo é levar a tecnologia para lugares onde a oftalmologia é cara, rara ou inexistente, como áreas pobres da África, da Índia e do Brasil. Nesses três lugares, celulares não faltam.

“Há boas propostas surgindo para a popularização da medicina. Palavras-chave como Saúde 2.0 e Medicina Participativa vieram para ficar”, acredita. O equipamento criado pela equipe tem justamente esse espírito: democratiza os exames, que podem ser feitos por um agente local ou pelo próprio paciente. Habitantes de pequenas cidades e vilarejos poderiam se tornar provedores de saúde, participando de alguns treinamentos.

Vitor não pensa em ocupar o lugar do oftalmologista, mas oferecer mais uma ferramenta para o trabalho deles em lugares em que não há equipamentos ou onde há poucos médicos. “Quero facilitar o acesso à informação médica para a população.”

“No passado, para tirar uma simples fotografia era necessário ir a um especialista treinado em operar um dispositivo caro, complexo e sensível. Hoje em dia, todos possuem uma câmera no bolso, mas a profissão de fotógrafo ainda existe e continua sendo lucrativa. Dá para fazer uma analogia. Daqui a cinquenta anos, grande parte dos testes talvez já possam ser feitos em casa e apenas a parte importante precisará do auxílio de especialistas”, diz.

Para popularizar sua invenção, ele e os outros desenvolvedores criaram a PerfectSight, o braço comercial do projeto, que pretende vender o dispositivo no mundo todo. “Podemos mudar a vida de muitas pessoas com um dispositivo barato assim.”