Google e o Brasil
Google planeja ir além da ferramenta de busca no BrasilPor Valor Econômico – 02/01/2006 – 17:33:24SÃO PAULO – A mais popular ferramenta de busca na internet em todo o mundo já estabeleceu os planos para sua operação brasileira em 2006: ir além da busca. Pelo menos do tradicional serviço que permite localizar web sites. Cinco meses após abrir oficialmente seu escritório comercial no país, o Google fixou como meta tornar seus demais produtos conhecidos no mercado nacional – e ganhar dinheiro com eles.
Para viabilizar essa estratégia, a empresa planeja uma série de ” localizações ” – jargão empregado para o processo de adaptação de um software a outro país, incluindo a tradução para o idioma oficial – e o subseqüente lançamento de ferramentas que já fazem sucesso nos Estados Unidos. A primeira delas, que deve estrear em versão brasileira ainda em janeiro, será o Google Earth, que oferece mapas e imagens de satélite por meio dos quais o internauta consegue localizar estabelecimentos e pontos geográficos.
Outro produto que será tropicalizado em 2006 é o Local, que realiza buscas com base em dois parâmetros: o que o internauta procura e onde ele procura. Quem pesquisa opções de pizzaria, por exemplo, poderá delimitar o bairro dos estabelecimentos listados nas respostas. Essa possibilidade dá margem a uma série de outros serviços, como links para críticas gastronômicas, por exemplo. E, claro, torna o Google – que obtém quase toda a sua receita de publicidade – mais atraente para os anunciantes.
” Há 22 milhões de brasileiros acessando nosso site mensalmente, mas eles não conhecem todas as ferramentas que oferecemos ” , diz Alexandre Hohagen, diretor-geral da subsidiária nacional do Google. ” Em 2006, nosso desafio é realizar um trabalho de educação no mercado, fazendo os serviços que temos gerarem receita. Para isso, vamos investir em localização. Os produtos precisam ter a cara do Brasil. ”
O centro de pesquisa do Google para a América Latina, situado em Belo Horizonte (MG), está auxiliando nesse trabalho. Fruto da aquisição da Akwan, uma empresa brasileira que desenvolvia tecnologias de busca na internet, o centro reporta-se diretamente aos engenheiros da sede da companhia, nos EUA, mas interage com a equipe comercial que trabalha no escritório de São Paulo, sede da subsidiária nacional.
Em parte, os esforços de localização já começaram. Exemplo disso foi o lançamento do Google News, serviço que lista notícias on-line de diversas fontes, e a oferta em português do Picasa, um software para organizar e modificar fotografias e imagens. Outra novidade que ganhou uma versão para o Brasil é o Google Desktop, que facilita a pesquisa de todo o tipo de arquivos no computador do usuário.
Os dois últimos produtos são um claro exemplo da estratégia mundial do Google de transformar a web no centro da experiência de computação, retirando esse papel dos softwares que rodam nas máquinas. Essa iniciativa afeta diretamente a Microsoft, cujo sistema operacional Windows está instalado em mais de 90% dos PCs de todo o mundo. Embora também tenha uma presença forte na rede mundial por meio do portal MSN, que concorre com o Google, no mundo on-line a empresa de Bill Gates não desfruta da mesma liderança que obteve nos computadores.
Curiosamente, o Orkut – site de comunidades virtuais do Google que se tornou uma verdadeira febre no país – não faz parte dos planos de localização da companhia. Com apenas 20 mil usuários mensais nos Estados Unidos, o serviço é visitado por mais de 6 milhões de brasileiros todos os meses. ” O Orkut teve uma aceitação surpreendente no Brasil, mas ainda não conseguimos uma fórmula para obter receita com ele – e diria que isso está longe de acontecer ” , diz Hohagen.
Parte da explicação para isso é que o modelo de negócios do Google é inteiramente calcado nos chamados links patrocinados – os pequenos textos de publicidade que são exibidos ao lado das respostas listadas após uma busca -, que aparentemente ainda não se ajustaram ao Orkut.
(Ricardo Cesar | Valor Econômico )