Archive for janeiro 4th, 2006
ISE busca a excelência entre as empresas brasileiras
ISE busca a excelência entre as empresas brasileiras
Rubens Mazon
ABolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) lança em 1º de dezembro o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Primeiro do gênero na América Latina, o ISE tem como objetivo estabelecer um padrão para as melhores práticas de gestão da sustentabilidade empresarial e um instrumento de mercado para incentivar a disseminação destas práticas nas companhias brasileiras.
O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (GVces), com apoio do Conselho do ISE (Cise), desenvolveu a metodologia para seleção das empresas que farão parte do índice. O Cise é composto por oito entidades da sociedade civil que atuam nas áreas de mercado de capitais e sustentabilidade.
O primeiro passo envolveu uma revisão bibliográfica e a análise de experiências internacionais. Os principais índices de sustentabilidade no mundo são o Dow Jones Sustainability Index (DJSI), lançado em 1999 em Nova York, o FTSE4good, criado em 2001 em Londres, e o Socially Responsible Index (SRI), instituído pela Bolsa de Valores de Joanesburgo em 2003.
Ao contrário do FTSE4, que deixa de fora as indústrias bélica, nuclear e tabagista, o ISE não exclui nenhum setor e opta pelo “positive screening”, que incentiva as companhias a rever e mudar suas práticas. Todos os elementos relativos à sustentabilidade de cada setor serão avaliados, incluindo riscos potenciais e impactos adversos associados à natureza dos produtos e serviços de cada empresa.
O conceito-base do ISE é o de “triple bottom line” (TBL), que avalia elementos econômico-financeiros, sociais e ambientais de forma integrada. Seguindo o exemplo de Joanesburgo, foi acrescentada uma quarta dimensão, composta por critérios e indicadores de governança corporativa. Além disso, as empresas serão avaliadas de acordo com uma quinta dimensão, formada por indicadores gerais e de natureza do produto.
Para analisar as dimensões econômico-financeira, social e ambiental foram criados quatro conjuntos de critérios: políticas (indicadores de comprometimento); gestão (planos, programas, metas e monitoramento); desempenho (indicadores de performance); e cumprimento legal (postura frente à legislação de concorrência, do consumidor, ambiental). A dimensão de governança corporativa avaliará as empresas de acordo com os critérios: propriedade, conselho de administração, gestão, auditoria e fiscalização, conduta e conflito de interesses.
A partir das cinco dimensões e seus critérios, um questionário está em elaboração e será enviado às 125 empresas cujas ações possuem maior liquidez na bolsa.
O processo de formulação do questionário foi participativo e aberto. Em uma série de workshops, especialistas das áreas ambiental, social e de governança corporativa, assim como as empresas e demais interessados, fizeram sugestões e críticas. Uma audiência pública no dia 10 de agosto fez parte do processo de consulta pública que se estende de 21 de julho a 22 de agosto.
As empresas devem responder o questionário até o fim de outubro. Com as respostas, o Cise avaliará as empresas em duas etapas. A primeira emprega a análise de agrupamento ou cluster. A análise de agrupamento é usada há 70 anos em diversas áreas do conhecimento e, no caso do ISE, trata-se de ferramenta adicional para auxiliar na seleção das empresas que farão parte do índice.
Ao contrário de uma simples média ponderada, esta técnica permite identificar grupos de empresas com características em comum. Em uma segunda etapa, serão analisadas as características de cada grupo. Aquele que apresentar excelência em todas as dimensões comporá o índice.
O ISE englobará até 40 empresas que se aproximam da excelência na gestão de sustentabilidade – companhias que almejam a perenidade ao administrar aspectos ambientais, sociais e de governança corporativa, sem deixar de criar valor para os acionistas.
Depois de formado o ISE, a Bovespa poderá solicitar esclarecimentos por amostragem ou se ocorrer fato relevante incompatível com as respostas apresentadas. Os questionários serão assinados pelos diretores de relações com investidores das empresas, responsáveis interna e externamente pela veracidade das informações. Caso seja confirmado o envio de informações falsas, o Cise excluirá a empresa do índice.
A metodologia do ISE foi desenvolvida com o objetivo de disseminar as melhores práticas no ambiente empresarial brasileiro. Isso explica a opção pela inclusão em vez da exclusão, pela excelência em todas as dimensões em vez de sua média e pelo debate transparente e aberto a todos os atores envolvidos. (Colaborou Mario Monzoni)
Informatização chega a quase todas as companhias brasileiras
Equipamentos
Pesquisa diz que 99% das empresas com dez funcionários ou mais têm PCs e 96% usam a internet
Informatização chega a quase todas companhias no país
Ricardo Cesar De São Paulo
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos Opinion revela que a informatização tornou-se realidade em praticamente todas as empresas do Brasil de pequeno porte para cima. Segundo o levantamento, 98,76% das companhias nacionais usaram um computador e 96,29% acessaram a internet nos últimos 12 meses. Os dados foram coletados por telefone entre agosto e setembro deste ano junto a 2.030 empreendimentos com dez funcionários ou mais em todas as regiões do país.
O resultado ficou acima do esperado pelo Comitê Gestor da Internet, órgão que regula o funcionamento da web no Brasil, que encomendou o trabalho. “O nível de informatização das empresas surpreendeu positivamente”, disse Rogério Santanna, conselheiro do comitê e secretário de logística e tecnologia do Ministério do Planejamento.
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O menor índice de uso de computadores e acesso à internet foi registrado nas empresas de dez a 19 funcionários. Mesmo assim, o resultado é muito elevado: 98% das companhias desse porte usaram um PC e 94,9% acessaram a web nos últimos 12 meses.
Como a pesquisa está em sua primeira edição, não há base histórica para mostrar a evolução da informatização nas companhias. No entanto, um levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 2003 no Estado de São Paulo concluiu que 81% dos pequenos negócios tinham um PC na época.
Entre os microempreendimentos – aqueles com até nove empregados no comércio e serviços e até 19 na indústria -, contudo, o índice do Sebrae caiu para 40%. A média de acesso a recursos de informática entre micro e pequenas empresas do Estado ficou em 47%. Não houve uma nova edição da pesquisa, mas, segundo Marco Aurélio Bede, gerente responsável pelo estudo, historicamente o índice cresce de 1% a 2% ao ano.
A pesquisa do Instituto Ipsos revelou ainda outros indicadores do grau de informatização das companhias brasileiras. Cerca de 65% delas usaram a internet para interagir com órgãos públicos. Nesse item, o principal destaque é a declaração e a consulta de imposto de renda, o que é feito on-line por 82% das companhias.
Mais de 44,5% das empresas substituíram em alto grau o correio tradicional pelo e-mail. Além disso, 44% compraram por meio de pedidos por e-mail e 57,9% venderam produtos ou serviços dessa forma. Na média, 17,6 funcionários por empresa usam computadores pessoais.
O lado negativo da informatização também apareceu na pesquisa: 50,3% das companhias com acesso à internet sofreram ataques de vírus nos últimos 12 meses. Nesse item, a boa notícia é que o grau de conscientização quanto aos procedimentos de segurança é elevado. Mais de 92% dos empreendimentos usam softwares antivírus e 71,7% atualizam a ferramenta ao menos semanalmente.
Cartões corporativos
Dinheiro de Plástico
Amex oferece descontos para atrair as empresas
Administradoras focam no cartão corporativo
Altamiro Silva Júnior De São Paulo
Os bancos e bandeiras de cartões de crédito resolveram apostar forte nos cartões corporativos, o segmento que mais cresce no mercado de cartões. As pequenas e médias empresas são as mais cobiçadas. Visa, MasterCard e American Express, além do Santander Banespa, desenvolveram produtos específicos para essas companhias, que gastam mais de US$ 40 bilhões por ano com viagens e compras de materiais, mas que usam os plásticos para pagar menos de 7% disso.
“É um mercado ainda subexplorado”, destaca Cassius Schymura, superintendente de meios de pagamento do Santander. Apenas este ano, o volume movimentado pelos cartões comerciais cresceu 50%, revela um estudo da Visa.
Na American Express, 50% do lucro da unidade brasileira vêm desses cartões. Além disso, 30% do faturamento vêm dos plásticos corporativos, informa Francisco Rocha Campos, vice-presidente de cartões corporativos da Amex. Em 2005, o faturamento com plásticos de empresas subiu 25% e a previsão é de crescer mais 30% em 2006.
De olho nas pequenas e médias empresas, a Amex está lançando o Programa de Reembolsos Corporate, que restitui de 4,5% a 20% dos gastos anuais feitos pelas empresas na Rede Accor (hotéis), Hertz (locadora de veículos), Tok&Stok e Officenet (material para escritórios). Estes quatro locais foram definidos a partir de pesquisas de onde os clientes da Amex mais gastam. Segundo Campos, outros estabelecimentos vão entrar no programa nos próximos 60 dias.
A Amex tem 15 mil empresas como clientes. A estimativa é que o programa de reembolso gere uma redução de 5% nos gastos anuais (considerando os itens viagens e compras de materiais) das empresas de porte médio que participarem.
Já o Santander Banespa optou por lançar ontem três cartões voltados para pequenas e médias empresas que permitem a programação de gastos. “As pesquisas indicam que o controle de gastos é a principal demanda delas”, diz Schymura. Com o novo cartão, a companhia pode definir o limite de crédito para cada funcionário e o tipo de estabelecimento em que ele pode comprar.
Segundo o executivo, o objetivo é emitir 30 mil cartões de crédito e 70 mil de débito já no início de 2005. Os plásticos serão apenas para os clientes do Banespa (para os do Santander, será lançado nas próximas semanas). Outro objetivo do Banespa é trazer 70 mil novas pequenas e médias empresas para o banco em 2006.
Os cartões do Banespa terão apenas a bandeira MasterCard. A bandeira, aliás, começou em 2004 uma campanha para incentivar os bancos a explorarem o mercado de cartões corporativos, conta Regina Rocha, diretora de vendas e produtos corporate da MasterCard. “A estratégia deu certo”, diz. A MasterCard conseguiu dobrar o faturamento de seus cartões corporativos nos primeiros nove meses deste ano. Mesmo com o crescimento, esses plásticos representam só 4% do faturamento total dos cartões da bandeira. “Isso mostra o quanto ainda pode crescer este mercado”, diz Regina.
A Visa também fez o mesmo trabalho com os bancos que emitem seus cartões. O resultado é que o cartão Visa Empresarial cresceu 58% em número de plásticos e 41% em volume transacionado este ano. “As pequenas empresas são uma prioridade para a Visa”, confirma Eduardo Chedid, vice-presidente da bandeira.
Google e o Brasil
Google planeja ir além da ferramenta de busca no BrasilPor Valor Econômico – 02/01/2006 – 17:33:24SÃO PAULO – A mais popular ferramenta de busca na internet em todo o mundo já estabeleceu os planos para sua operação brasileira em 2006: ir além da busca. Pelo menos do tradicional serviço que permite localizar web sites. Cinco meses após abrir oficialmente seu escritório comercial no país, o Google fixou como meta tornar seus demais produtos conhecidos no mercado nacional – e ganhar dinheiro com eles.
Para viabilizar essa estratégia, a empresa planeja uma série de ” localizações ” – jargão empregado para o processo de adaptação de um software a outro país, incluindo a tradução para o idioma oficial – e o subseqüente lançamento de ferramentas que já fazem sucesso nos Estados Unidos. A primeira delas, que deve estrear em versão brasileira ainda em janeiro, será o Google Earth, que oferece mapas e imagens de satélite por meio dos quais o internauta consegue localizar estabelecimentos e pontos geográficos.
Outro produto que será tropicalizado em 2006 é o Local, que realiza buscas com base em dois parâmetros: o que o internauta procura e onde ele procura. Quem pesquisa opções de pizzaria, por exemplo, poderá delimitar o bairro dos estabelecimentos listados nas respostas. Essa possibilidade dá margem a uma série de outros serviços, como links para críticas gastronômicas, por exemplo. E, claro, torna o Google – que obtém quase toda a sua receita de publicidade – mais atraente para os anunciantes.
” Há 22 milhões de brasileiros acessando nosso site mensalmente, mas eles não conhecem todas as ferramentas que oferecemos ” , diz Alexandre Hohagen, diretor-geral da subsidiária nacional do Google. ” Em 2006, nosso desafio é realizar um trabalho de educação no mercado, fazendo os serviços que temos gerarem receita. Para isso, vamos investir em localização. Os produtos precisam ter a cara do Brasil. ”
O centro de pesquisa do Google para a América Latina, situado em Belo Horizonte (MG), está auxiliando nesse trabalho. Fruto da aquisição da Akwan, uma empresa brasileira que desenvolvia tecnologias de busca na internet, o centro reporta-se diretamente aos engenheiros da sede da companhia, nos EUA, mas interage com a equipe comercial que trabalha no escritório de São Paulo, sede da subsidiária nacional.
Em parte, os esforços de localização já começaram. Exemplo disso foi o lançamento do Google News, serviço que lista notícias on-line de diversas fontes, e a oferta em português do Picasa, um software para organizar e modificar fotografias e imagens. Outra novidade que ganhou uma versão para o Brasil é o Google Desktop, que facilita a pesquisa de todo o tipo de arquivos no computador do usuário.
Os dois últimos produtos são um claro exemplo da estratégia mundial do Google de transformar a web no centro da experiência de computação, retirando esse papel dos softwares que rodam nas máquinas. Essa iniciativa afeta diretamente a Microsoft, cujo sistema operacional Windows está instalado em mais de 90% dos PCs de todo o mundo. Embora também tenha uma presença forte na rede mundial por meio do portal MSN, que concorre com o Google, no mundo on-line a empresa de Bill Gates não desfruta da mesma liderança que obteve nos computadores.
Curiosamente, o Orkut – site de comunidades virtuais do Google que se tornou uma verdadeira febre no país – não faz parte dos planos de localização da companhia. Com apenas 20 mil usuários mensais nos Estados Unidos, o serviço é visitado por mais de 6 milhões de brasileiros todos os meses. ” O Orkut teve uma aceitação surpreendente no Brasil, mas ainda não conseguimos uma fórmula para obter receita com ele – e diria que isso está longe de acontecer ” , diz Hohagen.
Parte da explicação para isso é que o modelo de negócios do Google é inteiramente calcado nos chamados links patrocinados – os pequenos textos de publicidade que são exibidos ao lado das respostas listadas após uma busca -, que aparentemente ainda não se ajustaram ao Orkut.
(Ricardo Cesar | Valor Econômico )
Ganhos ou seu dinheiro de volta
Carteiras de capital garantido despontam como opção para investidor que quer testar aplicações mais agressivas, mas sem embarcar nos vaivéns do mercado
Ganhos ou seu dinheiro de volta
Por Adriana Cotias De São Paulo
Com a bolsa batendo seus níveis máximos históricos e o dólar em um de seus menores preços, muitos investidores se sentem desconfortáveis em aplicar nesses segmentos. Ao mesmo tempo, juros em queda podem ser um convite irresistível à renda variável ou a investimentos mais agressivos. Essa combinação de temor e atratividade faz com que ressurjam os fundos de capital garantido, uma alternativa para quem gosta de risco, mas nem tanto.
Como o próprio nome diz, o fundo de capital garantido dá a segurança ao investidor de que, apesar de aplicar em mercados de maior risco, ele não perderá o principal aplicado se houver uma mudança drástica no cenário, para pior. Em linhas gerais, a estratégia dessas carteiras é investir uma pequena parcela do patrimônio no mercado de ações ou de derivativos, buscando uma rentabilidade maior do que na renda fixa convencional. Se a bolsa tiver um bom desempenho, por exemplo, essas carteiras ganham somente uma parte desses resultados. Já se o Ibovespa despencar, o investidor tem a segurança de que terá, pelo menos, o valor aplicado de volta, excluindo a taxa de administração, que varia de 2% a 3,5% ao ano. Vale lembrar que essas carteiras normalmente têm carência para resgates e datas específicas para captação.
Bancos como Bradesco, Citibank, Itaú, Safra e Santander Banespa têm o produto na prateleira. No primeiro semestre de 2006, será a vez da Fator Administração de Recursos e do Banco Real estrearem na categoria. “Tem se falado bastante nesse tipo de produto”, diz Luiz Maia, responsável pela ABN Amro Asset Management. “O cenário de juros em queda e bolsa em alta propiciam bastante esse tipo de fundo.”
Apesar de ser uma carteira de gestão um pouco mais sofisticada, há opções no varejo. O Banco Itaú, por exemplo, aceita aplicações a partir de R$ 250 para o Itaú Principal Garantido Multimercado, que acaba de ser reformulado. A instituição juntou oito portfólios de capital garantido numa única carteira. O prazo de captação e de carência é de 90 dias. Os períodos para aplicação e resgate são os últimos dias úteis de fevereiro, maio e novembro de cada ano. Nessas datas, se tudo der errado, o investidor pode sacar sem maiores prejuízo.
“É um fundo que tem apelo, principalmente, quando a tendência para os juros é de baixa, estimulando o investidor a buscar alternativas mais atraentes de rentabilidade”, afirma o diretor de Fundos de Investimentos do Itaú, Moacyr Castanho. Ele conta que a carteira, com patrimônio de R$ 30,2 milhões, é dominada por clientes que concentram seus investimentos em renda fixa e começam a colocar um pé na renda variável. Cerca de 95% da carteira está em títulos de renda fixa – públicos ou privados – e a parcela restante é destinada a estratégias com opções de ações. O fundo busca atingir pelo menos 40% da rentabilidade do Ibovespa.
O Banco Safra tem três carteiras de capital garantido e uma delas é cambial. O Safra Capital Garantido FX Total, com carência semestral, faz aplicações em dólar nos momentos de baixa e, independente da variação da moeda, o investidor tem o valor do principal investido em reais de volta. Em caso de alta, o cotista ganha 85% da valorização, limitada a 15% no período.
Até o fim da década de 90, os fundos de capital garantido chegaram a ser uma coqueluche no mercado brasileiro, com fundos com aniversários semanais. Em 1999, existiam 69 carteiras, de 15 administradores diferentes, com um patrimônio que beirava os R$ 500 milhões. Hoje, a categoria está limitada a sete fundos (um exclusivo, do BNP Paribas), que reúnem R$ 104,1 milhões, sem contar os fundos do Santander Banespa, que se distinguem dos demais por garantir não só o principal investido como a rentabilidade da poupança ao combinar uma apólice de seguro ao investimento. As carteiras são classificadas como mistas.
Como nos outros fundos do mercado, há janelas de captação periódicas e a próxima deve ser aberta no primeiro trimestre do ano que vem, diz o diretor-executivo da Santander Banespa Asset Management, Edvaldo Morata. Na última rodada, finalizada em outubro, o Multi Retorno Mais atraiu R$ 500 milhões e a carteira já conta com mais de R$ 1,1 bilhão, soma que ficará protegida por dois anos. Em outubro de 2004, o banco já tinha colocado na rede o Multi Retorno, com um seguro válido por um ano, captando R$ 500 milhões.
E, conforme antecipa Morata, o banco não vai parar por aí. Para 2006, outras carteiras estão sendo desenhadas. “Vamos ter uma família de capital garantido no varejo, todas de multimercados.” A expertise vem de fora. Na Europa o controlador, o espanhol Grupo Santander, tem tradição na oferta de fundos mistos e de capital garantido.
Ambiente para o ressurgimento da categoria há, conforme demonstrou a segunda venda do fundo Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB). A oferta atraiu quase 122 mil investidores de varejo para o R$ 1,725 bilhão em cotas da carteira que replica o IBrx-50, o índice que reúne as 50 ações mais líquidas da Bovespa. O sucesso da operação, que totalizou R$ 2,285 bilhões, foi atribuído ao compromisso do BNDES de recomprar as cotas entre o 12º e 15º mês de aplicação pelo valor originalmente investido, caso a bolsa desande.
O Banco Pactual já teve fundos de capital garantido no passado e tem feito algumas operações pontuais, em notas estruturadas, para clientes private e empresariais. Daí para a criação de carteiras com garantia de principal é só uma questão de tempo. “Basta ter um custo de oportunidade menor que o aplicador se interessa por investimentos em renda variável”, diz o sócio Marcelo Mesquita, responsável pela área de Gestão de Recursos. “Num primeiro momento, o investidor belisca esse tipo de produto antes de ir propriamente à bolsa.” (Colaborou Luciana Monteiro)
Empresário lança de rede de contatos com video on-line
Empresário lança rede de contatos com vídeo on-line
Ronald Grover BusinessWeek, de Los Angeles
Existe redenção no ciberespaço? Eis a questão para Brad Greenspan, um empresário do setor de internet, de 32 anos, que criou a primeira companhia em seu dormitório na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e ajudou a lançar um dos maiores sucessos da web atualmente, o popular site MySpace.com, que cria redes de amigos, ao investir na companhia em 2003.
Agora, ele aposta no que acredita ser a próxima febre na internet: um site de redes de amigos chamado Vidilife que usa vídeos on-line para atrair os usuários, uma espécie de MySpace para os adeptos dos vídeos. O tráfego vem mostrando-se promissor até agora: 220 mil usuários em outubro, seis semanas depois de ter sido lançado, de acordo com a agência comScore Media Metrix, que mede a audiência o público na internet.
Ainda está bem longe dos 24,3 milhões de usuários do MySpace, mas não está nada mal para um site sem nada de marketing. “Será que (Greenspan) fará o raio cair duas vezes no mesmo lugar? Provavelmente, não”, observa o analista sênior de mídia John Tinker, da ThinkEquity Partners LLC. “Mas é bastante tráfego para um site do qual eu não tinha conhecimento algum.”
Greenspan pode estar com algo nas mãos, especialmente agora que qualquer garoto com um computador pessoal pode colocar vídeos na internet. Sites como o Heavy.com conseguem 10 milhões de usuários por mês, a maior parte para ver vídeos amadores feitos por algum futuro Steven Spielberg. A idéia não é muito diferente do atrativo de poder formar comunidades instantâneas na rede, que fez o MySpace tão popular. O Vidilife pode nem sempre se ater aos bons costumes – há muitos vídeos de garotas, algumas com poucas roupas – mas provavelmente atrairá uma multidão de solteiros com menos de 30 em todo o mundo.
O Vidilife é mais do que apenas uma jogada empresarial para Greenspan. Ele precisa disso para ajudar a recuperar sua imagem de magnata da internet. Isso porque ele nunca conseguiu celebrar o imenso sucesso do MySpace. Ele foi sacado da empresa que fundou, a eUniverse, apenas alguns meses depois de ter investido US$ 1 milhão para financiar o lançamento do MySpace. Greenspan desentendeu-se com os membros do conselho de administração, que mudaram o nome da empresa para Intermix Media, logo depois de sua saída. Entre as disputas: os lucros tiveram de ser revisados durante seu comando, o que levou a Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) a realizar uma investigação informal de suas contas (agora já encerrada) e a uma interrupção temporária de sua listagem na Nasdaq.
Em setembro, Greenspan e a empresa, separadamente, chegaram a acordos com o promotor público de Nova York, Eliot Spitzer, por acusações de que teriam colocado softwares para espionar os hábitos de navegação na internet de seus clientes. Nenhum deles admitiu ser culpado.
Greenspan, que afirma não ter acompanhado de perto as operações enquanto a eUniverse estava se expandindo, afirmou em processo que foi sacado da companhia por executivos que se aliaram a investidores em empresas iniciantes para proteger seus empregos. A Intermix considerou que a ação não tinha “mérito” em registro na SEC e não quis fazer comentários sobre o assunto para a “BusinessWeek”.
Greenspan tentou recuperar sua empresa por duas vezes em batalhas com a ajuda de procurações de acionistas – como a fracassada manobra, em setembro, de atrapalhar oferta de US$ 580 milhões da News Corp. pela Intermix. “Definitivamente foi um caminho acidentado e eu aprendi algumas lições”, observou Greenspan na sala de estar do L´Ermitage Hotel, vestido de jeans e camisa, com uma barba de cinco dias. Ele ganhou mais de US$ 47 milhões com a aquisição pela News Corp., mas lançar um site bem-sucedido contra a rival MySpace poderia ser seu retorno definitivo.
O Vidilife se parece muito com o MySpace, na barra de ferramenta e outros dispositivos. E a idéia do Vidilife foi levada a ele, conta Greesnpan, por um ex-executivo do MySpace. Posteriormente, o empresário diz que pretende lançar um novo site destinado a famílias e que provavelmente terá sócios capitalizados para ajudá-lo a se expandir.
“Não tenho qualquer ilusão de superar (o MySpace)”, diz. “Apenas quero ter o melhor serviço de vídeos possível.” Talvez. Mas no ardente mundo das redes sociais, no qual a tecnologia torna o sucesso instantâneo, Greenspan ainda pode ter uma carta na manga para buscar a redenção que procura.
