Archive for janeiro 26th, 2006
Bancos focados em empresas médias
Balanços
Bancos ganham com foco no crédito para as empresas de médio porte e pouco consignado
BicBanco e Pine divulgam resultado
Maria Christina Carvalho De São Paulo
Dois bancos médios divulgam hoje o balanço de 2005 com resultados que mostram que é possível lucrar concedendo crédito para empresas, sem embarcar totalmente na onda do empréstimo com desconto em folha.
Especializados no middle market, o BicBanco e o Banco Pine mantiveram o foco no crédito para empresas e apenas marginalmente concederam crédito consignado. O BicBanco teve um lucro líquido de R$ 82 milhões em 2005, 20,1% inferior aos R$ 103 milhões de 2004. O forte do banco é o crédito para empresas médias e apenas 7,7% da carteira é de consignado. No Pine, o lucro líquido mais do que dobrou, crescendo 111,7% para R$ 67,9 milhões, sendo de 11,6% a fatia do consignado em carteira.
O BicBanco aumentou em 20,4% a carteira de crédito para R$ 2,776 bilhões – um ritmo de crescimento inferior ao da expansão de 50,9% dos ativos totais, que fecharam o ano em R$ 6,759 bilhões.
O vice-presidente do BicBanco, Milto Bardini, explicou que dois acontecimentos levaram o banco a ser cauteloso no crédito, fazendo com que a carteira deslanchasse apenas nos últimos meses, contendo as receitas. Primeiro, foram as reverberações da quebra do Banco Santos sobre a liquidez dos bancos de pequeno e médio porte que marcaram o início do ano. Depois, quando o aperto afrouxou, veio a crise política. “O volume médio do crédito acabou ficando abaixo do registrado em 2004. Mas isso foi transitório. Este ano promete ser bem diferente e ter um retorno “, disse Bardini, prevendo um aumento de 30% no crédito e um retorno sobre o patrimônio mais próximo dos 25,3% de 2004 do que dos 17,2% de 2005.
O foco, disse, continuará nas operações de maior retorno, como capital de giro e descontos, além da conta garantida, que representaram 37,8% e 18,3% respectivamente, da carteira em 2005. A fatia do consignado mais do que dobrou de 2,9% em 2004 para 7,7% em 2005. Bardini informou que a meta é chegar a 10% e vender o que exceder o percentual.
No Pine, disse o vice-presidente Luiz Cláudio de la Rosa, a cessão de crédito consignado representou cerca de um terço do resultado de 2005. A maior parte do resultado – os dois terços restantes – veio do crédito para pessoas jurídicas. O Pine ampliou em 12,6% a carteira de crédito em 2005, para R$ 823,9 milhões, excluindo finanças, enquanto os ativos totais aumentaram em 43,7% para R$ 1,99 bilhão.
Mais da metade – R$ 495 milhões – são empréstimos a pessoas jurídicas garantidos por recebíveis; e R$ 93 milhões .
Mas o Pine gerou bem mais do que isso em consignado. A produção total de consignado atingiu R$ 446 milhões, sendo que o total de cessões somou R$ 418 milhões.
Tanto o BicBanco quanto o Pine fecharam o balanço de 2005 com significativa melhora na captação. O BicBanco ampliou em 30,1% os depósitos para R$ 1,906 bilhão. No Pine, os depósitos totais cresceram no mesmo ritmo, 31%, para R$ 552,5 milhões. De la Rosa notou que o banco também levantou mais R$ 100 milhões com um fundo de recebíveis e US$ 33 milhões no exterior.
Mas o Pine gerou bem mais do que isso em consignado. A produção total de consignado atingiu R$ 446 milhões, sendo que o total de cessões somou R$ 418 milhões.
Tanto o BicBanco quanto o Pine fecharam o balanço de 2005 com significativa melhora na captação. O BicBanco ampliou em 30,1% os depósitos para R$ 1,906 bilhão. No Pine, os depósitos totais cresceram no mesmo ritmo, 31%, para R$ 552,5 milhões. De la Rosa notou que o banco também levantou mais R$ 100 milhões com um fundo de recebíveis e US$ 33 milhões no exterior.
Pulverização
Mercado de capitais
Objetivo é alinhar novo sócio com a companhia
Cliente e funcionário são novo alvo da pulverização
Carolina Mandl e Catherine Vieira De São Paulo e do Rio
| Foto: Sergio Zacchi / Valor | |
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| Urbinati, da Porto Seguro: “Dois terços dos funcionários venderam as ações” |
O embalador da Renar Maçãs, o engenheiro da construtora Company e o passageiro da Gol já podem se tornar sócios das empresas onde trabalham ou da qual são consumidores. Cada vez mais as ofertas iniciais de ações incluem vantagens para estimular funcionários e clientes a comprarem seus papéis.
Ao mesmo tempo em que se preparam para estrear em bolsa, empresas estruturam suas ofertas de modo a tornar seus próprios empregados e clientes também seus sócios. Companhias como a construtora Gafisa, a fabricante de softwares Totvs e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) estão reservando parcelas que vão de 1% a 5% da oferta de ações para esse público.
Além de pulverizar mais os papéis, o direcionamento para empregados e consumidores tem objetivos que visam a favorecer a própria operação da companhia.
“As empresas querem alinhar os seus interesses com o dos funcionários. Na hora de cortar custos, por exemplo, um empregado vai sentir rapidamente no preço da ação o resultado do seu trabalho”, afirma Felipe Rebelli, consultor-sócio da Towers Perrin, consultoria de recursos humanos que estruturou diversos projetos desse tipo. O retorno de um projeto pode acabar vindo antes mesmo do aumento de salário.
Do lado dos clientes, a intenção é fidelizar consumidores, fazer com que na hora de comprar produtos e serviços, eles favoreçam a empresa da qual são acionistas.
A vantagem de se separar uma parcela das operações para um público-alvo é que ele não precisará concorrer pelas ações com todos os demais investidores. Nas últimas ofertas, a demanda pelos papéis superou em diversas vezes o lote à venda. Com isso, houve rateios nos quais as pessoas levaram muito menos ações do que queriam. Com uma parcela reservada só para eles, clientes e funcionários disputam as ações com menos gente. E, em alguns casos, levam até vantagens financeiras para comprá-las, como financiamentos sem juros e até remunerações extraordinárias.
Esse fatiamento das ofertas começou a aparecer de forma tímida e vem se intensificando. Das seis ofertas de lançamento de ações em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quatro separam parte de seus papéis para empregados ou clientes.
“À medida que o mercado de ações vai se consolidando, é possível sofisticar as operações e ampliar o leque de investidores”, afirma Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM que criou em 2003 a instrução que permite o direcionamento das ofertas de ações a públicos específicos como funcionários, clientes e fornecedores.
A Porto Seguro foi uma das empresas que colocou em prática a instrução da CVM. Segundo o diretor de relações com investidores da companhia, Mário Urbinati, foram reservadas 200 mil ações e cerca de 400 funcionários do total de cinco mil da empresa compraram papéis. “O controlador achou interessante trazer os funcionários para a operação, para que eles se interessassem mais e entendessem o processo”, disse Urbinati.
A política foi a de oferecer 20% de desconto sobre o preço de subscrição, o que fez com que as ações saíssem por cerca de R$ 15 para os funcionários. Mas para obter o desconto havia uma carência de seis meses para a venda do papel.
Com a soma da alta das ações no período e o desconto interessante oferecido, muitos funcionários decidiram, no entanto, embolsar esses lucros após os seis meses. “Cerca de um terço dos que compraram inicialmente permanecem com o papel”, afirma o diretor.
Por enquanto, a estratégia tem sido acertada, pois, após algumas oscilações, o papel voltou a subir e neste ano atingiu R$ 30. Para Urbinati, isso faz parte do processo de familiarização com a cultura da renda variável e aqueles que continuaram com a ação foram os que mais se adaptaram à lógica do mercado.
“A capacidade de poupança do brasileiro é pequena, ainda mais no longo prazo. Então, é naturaMercado de capitais
Objetivo é alinhar novo sócio com a companhia
Cliente e funcionário são novo alvo da pulverização
Carolina Mandl e Catherine Vieira De São Paulo e do Rio
| Foto: Sergio Zacchi / Valor | |
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| Urbinati, da Porto Seguro: “Dois terços dos funcionários venderam as ações” |
O embalador da Renar Maçãs, o engenheiro da construtora Company e o passageiro da Gol já podem se tornar sócios das empresas onde trabalham ou da qual são consumidores. Cada vez mais as ofertas iniciais de ações incluem vantagens para estimular funcionários e clientes a comprarem seus papéis.
Ao mesmo tempo em que se preparam para estrear em bolsa, empresas estruturam suas ofertas de modo a tornar seus próprios empregados e clientes também seus sócios. Companhias como a construtora Gafisa, a fabricante de softwares Totvs e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) estão reservando parcelas que vão de 1% a 5% da oferta de ações para esse público.
Além de pulverizar mais os papéis, o direcionamento para empregados e consumidores tem objetivos que visam a favorecer a própria operação da companhia.
“As empresas querem alinhar os seus interesses com o dos funcionários. Na hora de cortar custos, por exemplo, um empregado vai sentir rapidamente no preço da ação o resultado do seu trabalho”, afirma Felipe Rebelli, consultor-sócio da Towers Perrin, consultoria de recursos humanos que estruturou diversos projetos desse tipo. O retorno de um projeto pode acabar vindo antes mesmo do aumento de salário.
Do lado dos clientes, a intenção é fidelizar consumidores, fazer com que na hora de comprar produtos e serviços, eles favoreçam a empresa da qual são acionistas.
A vantagem de se separar uma parcela das operações para um público-alvo é que ele não precisará concorrer pelas ações com todos os demais investidores. Nas últimas ofertas, a demanda pelos papéis superou em diversas vezes o lote à venda. Com isso, houve rateios nos quais as pessoas levaram muito menos ações do que queriam. Com uma parcela reservada só para eles, clientes e funcionários disputam as ações com menos gente. E, em alguns casos, levam até vantagens financeiras para comprá-las, como financiamentos sem juros e até remunerações extraordinárias.
Esse fatiamento das ofertas começou a aparecer de forma tímida e vem se intensificando. Das seis ofertas de lançamento de ações em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quatro separam parte de seus papéis para empregados ou clientes.
“À medida que o mercado de ações vai se consolidando, é possível sofisticar as operações e ampliar o leque de investidores”, afirma Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM que criou em 2003 a instrução que permite o direcionamento das ofertas de ações a públicos específicos como funcionários, clientes e fornecedores.
A Porto Seguro foi uma das empresas que colocou em prática a instrução da CVM. Segundo o diretor de relações com investidores da companhia, Mário Urbinati, foram reservadas 200 mil ações e cerca de 400 funcionários do total de cinco mil da empresa compraram papéis. “O controlador achou interessante trazer os funcionários para a operação, para que eles se interessassem mais e entendessem o processo”, disse Urbinati.
A política foi a de oferecer 20% de desconto sobre o preço de subscrição, o que fez com que as ações saíssem por cerca de R$ 15 para os funcionários. Mas para obter o desconto havia uma carência de seis meses para a venda do papel.
Com a soma da alta das ações no período e o desconto interessante oferecido, muitos funcionários decidiram, no entanto, embolsar esses lucros após os seis meses. “Cerca de um terço dos que compraram inicialmente permanecem com o papel”, afirma o diretor.
Por enquanto, a estratégia tem sido acertada, pois, após algumas oscilações, o papel voltou a subir e neste ano atingiu R$ 30. Para Urbinati, isso faz parte do processo de familiarização com a cultura da renda variável e aqueles que continuaram com a ação foram os que mais se adaptaram à lógica do mercado.
“A capacidade de poupança do brasileiro é pequena, ainda mais no longo prazo. Então, é natural que a qualquer ganho ele queira vender os papéis”, explica Haroldo Levy Neto, presidente da Apimec-SP, associação dos analistas de mercado de capitais.
Já na CPFL Energia, boa parte dos que participaram da compra ainda continuam com as ações. Segundo o vice-presidente da área financeira, José Filippo, a idéia foi trazer os colaboradores para a nova cultura das companhias abertas. “Ao comprar as ações, eles se interessam ainda mais em acompanhar os indicadores e o valor de mercado da empresa”, diz.
l que a qualquer ganho ele queira vender os papéis”, explica Haroldo Levy Neto, presidente da Apimec-SP, associação dos analistas de mercado de capitais.
Já na CPFL Energia, boa parte dos que participaram da compra ainda continuam com as ações. Segundo o vice-presidente da área financeira, José Filippo, a idéia foi trazer os colaboradores para a nova cultura das companhias abertas. “Ao comprar as ações, eles se interessam ainda mais em acompanhar os indicadores e o valor de mercado da empresa”, diz.
Capitalismo Natural
Proposta é coordenar o desenvolvimento sustentável com soluções para a competitividade
A possível emergência de um capitalismo natural
Por Paulo R. Haddad
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Apesar dos grandes avanços que as políticas brasileiras de preservação e de conservação dos recursos naturais têm atingido, ainda é inquietante a intensidade que vêm sendo utilizados, de forma predatória e não sustentável, os diferentes ecossistemas do país.
Da mesma forma, em escala mundial há uma inquietação quanto à capacidade de resistência da base de recursos naturais do planeta para acomodar a intensificação dos níveis de produção e de consumo de milhões e milhões de habitantes que vêm sendo incorporados aos diversos mercados de bens e serviços. Esta incorporação se dá por força dos incessantes ganhos de produtividade decorrentes da terceira revolução científica e tecnológica, da irreversível entrada da China na lógica da economia capitalista, da melhoria da distribuição de renda em muitos países emergentes etc.
Somam-se a tudo isto os impactos destrutivos que as mudanças climáticas têm provocado sobre os ecossistemas mundiais, os quais têm colocado em dúvida a possibilidade de que haja tempo suficiente para que os processos de implementação das experiências bem sucedidas de desenvolvimento sustentável possam contra-arrestar os colapsos ou desastres ecológicos que vêm crescendo em número e em intensidade. Estima-se que grandes desastres anuais, provocados pelas mudanças climáticas, aumentaram rapidamente em escala mundial nos anos 90, passando de 200 antes de l996, para 392 em 2000.
Em função destas inquietações, tem surgido um grande número de propostas para se construir uma nova ordem econômica internacional baseada numa concepção abrangente e ampliada de desenvolvimento sustentável. Entre estas propostas, destaca-se a que afirma estarmos caminhando para uma nova revolução industrial, na qual se processam mudanças radicais na produtividade dos recursos materiais e de energia, e na qual a emergência do capitalismo natural se torna inevitável pelo uso da lógica dos mercados.
O sistema de preços relativos de mercado tem, em geral, a capacidade de emitir sinais para produtores e consumidores sobre a escassez relativa dos bens e serviços para o consumo da sociedade no presente e, também, no futuro, assim como os custos de oportunidade na produção de bens e serviços, ou seja, o valor real dos recursos utilizados na alternativa mais desejada. Por meio de mecanismos de intervenção indireta (política fiscal e financeira, regulamentações etc.), o poder público poderá alterar os custos e os preços relativos que se formam nos mercados e, assim, estimular ou desestimular a produção e o consumo dos bens e serviços de acordo com sua contribuição positiva ou negativa para o processo de desenvolvimento sustentável. Na verdade, o uso de instrumentos econômicos nas políticas ambientais complementam os esforços dos mecanismos de comando e controle e os de gestão compartilhada dos recursos naturais.
| Há inquietação quanto à capacidade de resistência dos recursos naturais para acomodar o aumento da produção e do consumo |
O ponto central e distinto do capitalismo natural é a hipótese que está se criando uma nova revolução industrial a partir dos aumentos radicais da produtividade dos recursos (matérias, energia) que trarão três grandes benefícios: a diminuição da exaustão dos recursos em uma ponta da cadeia de valor, a diminuição dos níveis de poluição na outra ponta, e a formação de uma base para ampliar o emprego de qualidade em escala mundial. Propõe que haja reinvestimentos na sustentação, na restauração e na expansão dos estoques de capital natural, a fim de que a biosfera possa produzir serviços de ecossistemas e recursos naturais mais abundantes. Tem a expectativa de que, dentro de uma geração, as nações possam ter um acréscimo de até dez vezes na eficiência com que usam energia, recursos naturais e outros materiais.
O capitalismo natural propõe, também, um novo modelo industrial, no qual nem todos os produtos sejam apenas manufaturados e vendidos, mas que surja uma economia de serviços em que os consumidores adquirem serviços de bens duráveis por meio de aluguel e arrendamento. Desta forma, a indústria será responsabilizada pelo ciclo completo de materiais; deve lidar com os resíduos e os problemas resultantes de danos ambientais (toxicidade, segurança etc.), deve recuperar os produtos e tratá-los como ativos etc., o que termina por aumentar a produtividade dos materiais e da energia. Os provedores de serviços (de máquinas de lavar, de automóveis, de geladeiras, de televisores, de computadores etc.) teriam um incentivo para manter seus ativos produtivos pelo maior tempo possível, em lugar de sucateá-los prematuramente a fim de vender substitutos de reposição e disporiam de tecnologias e de economias de escala para a reciclagem de materiais residuais. Muitas destas propostas já estão sento implementadas nas três últimas décadas, dentro de incentivos de mercado economicamente realistas, os quais contribuem para completar os laços do circuito econômico com menor carga residual sobre o meio ambiente.
Quando o Brasil encerrar esta longa seqüência de políticas de curto prazo, que já dura mais de duas décadas, e vier a buscar uma melhor articulação entre as políticas econômicas (de curto prazo) e as políticas de desenvolvimento sustentável (de longo prazo), certamente terá que construir um projeto nacional de desenvolvimento. Neste momento, é preciso selecionar algumas questões de desenvolvimento que, pela sua abrangência temática e pela sua interdependência estrutural, poderão se constituir no núcleo estratégico de organização técnica e político-administrativa deste projeto. O que a nova revolução industrial do capitalismo natural propõe é coordenar adequadamente o processo de desenvolvimento sustentável com soluções inovadoras para a promoção da competitividade sistêmica. E que, para haver prosperidade no futuro, a sociedade tem de usar seus recursos naturais, energia e outros materiais de forma imensamente mais produtiva.
Operacionalmente, o que se propõe é considerar, na construção de um projeto nacional de desenvolvimento, o meio ambiente não apenas como um fator de produção a mais e residual, mas como o elemento pivotal que contém, provisiona e sustenta toda a economia. Ou seja, devem-se abandonar as idéias antigas de se tentar identificar os elementos setoriais dinâmicos que possam vir a promover um novo ciclo de expansão, para se construir um novo paradigma de desenvolvimento que seja, ao mesmo tempo, economicamente eficiente, socialmente justo e ambientalmente sustentável.
Teles x Conteúdo: ao estilo Apple x ITunes
Telefonia
Segmento novo deve absorver R$ 1 bilhão dos R$ 2,4 bilhões de investimentos previstos para o ano
Telemar aposta em conteúdo audiovisual
Heloisa Magalhães De Belo Horizonte
Dos R$ 2,4 bilhões que o grupo Telemar planeja investir este ano, quase R$ 1 bilhão entram na cesta dos recursos destinados a uma nova área de atuação, na qual a operadora vai entrar em 2006 que é a distribuição de conteúdo audiovisual. O cliente vai poder, por exemplo, comprar filmes e buscar diferentes serviços pela rede multimídia que a companhia começa implantar este ano. Os fornecedores da infra-estrutura estão sendo avaliados. Serão escolhidos até fevereiro, disse o presidente da companhia, Ronaldo Iabrudi.
Os testes vão começar pelos bairros com maioria de moradores das classes A e B no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória e Salvador. O serviço vai marcar uma nova fase de atuação, que parte para ampliar presença na chamada convergência. A proposta é que o cliente contrate um pacote de serviços. A banda larga será a base de transmissão, que, futuramente, poderá ser fixa ou móvel.
Segundo Iabrudi, em 2000 se dizia que a operadora de telefonia que não oferecesse mobilidade não iria sobreviver. A avaliação hoje é de que empresas que não entrarem na distribuição de conteúdo irão sucumbir. Ele disse que a Telemar vai entrar na distribuição de conteúdo, e não na criação. “Pretendemos usar o que já existe no país”, disse. Iabrudi esteve ontem na capital mineira participando do seminário “O ano de 2006 e o mercado futuro”.
Segundo o presidente da Telemar, o ano de 2006 vai se caracterizar pela fase de implantação de rede multisserviços baseadas no protocolo IP, o chamado protocolo da internet, que cria condições para a comunicação entre si das diversas redes das operadoras de telefonia. A telefonia fixa continua tendo seu lugar, mas começa a mudar a era em que a rede fixa era só para telefone fixo e a móvel para o celular. A tendência é de uma grande plataforma de software com modens de alta velocidade se intercomunicando.
Ele destacou que a TV digital será um caminho que une todas as tecnologias. O usuário poderá usar a mesma infra-estrutura para ter acesso a internet e a TV paga.
Para Iabrudi, a concorrência será mais acirrada na oferta de serviços. Ele citou como exemplo o Hemisfério Norte, onde as grandes operadoras uniram esforços com prestadoras de serviços. Nos Estados Unidos, encontram-se no mesmo barco empresas como Verizon e MCI ou AT&T e SBC. Na Europa, a France Telecom hoje opera com a Orange.
Segundo ele, o número de clientes de telefonia fixa não está em expansão. Vem se mantendo estável em torno de 15 milhões nos últimos três anos. Mesmo assim, a Telemar vem crescendo 18,5% ao ano, devido ao aumento da demanda da rede e outros serviços. Os próprios investimentos em telefonia fixa encontram-se em crescimento. Este ano, só para adequar-se ao novo perfil de plataforma multisserviços, a área de transmissão vai ficar com investimentos de R$ 200 milhões em soluções de software e outros segmentos que irão integrar as plataformas de rede. Banda larga vai absorver entre R$ 500 milhões a R$ 800 milhões. Já a área móvel, por meio da Oi, absorverá cerca de R$ 1 bilhão.
No seminário de ontem, Iabrudi defendeu a criação de uma licença única para as operadoras de telecomunicações, e não mais separadas para telefonia fixa ou celular. Usou como argumento o perfil de serviços que as empresas passarão a oferecer, os quais serão baseadas nas plataformas multimídia que a Telemar pretende começar a operar comercialmente no fim do ano.
Iabrudi engrossou o coro das operadoras de telefonia que criticam o governo federal pelo destino dado ao Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust). As operadores reclamam que o Fust tem mais de R$ 4 bilhões arrecadados para projetos de inclusão social, mas até agora nada foi investido.
Este ano, as teles vão destinar aos cofres do governo mais R$ 650 milhões para o Fust. O presidente da Telemar sugeriu a criação de uma espécie de concorrência pública de oferta de serviços voltados à inclusão digital.

