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Teles x Conteúdo: ao estilo Apple x ITunes

Telefonia
Segmento novo deve absorver R$ 1 bilhão dos R$ 2,4 bilhões de investimentos previstos para o ano

Telemar aposta em conteúdo audiovisual
Heloisa Magalhães De Belo Horizonte

Dos R$ 2,4 bilhões que o grupo Telemar planeja investir este ano, quase R$ 1 bilhão entram na cesta dos recursos destinados a uma nova área de atuação, na qual a operadora vai entrar em 2006 que é a distribuição de conteúdo audiovisual. O cliente vai poder, por exemplo, comprar filmes e buscar diferentes serviços pela rede multimídia que a companhia começa implantar este ano. Os fornecedores da infra-estrutura estão sendo avaliados. Serão escolhidos até fevereiro, disse o presidente da companhia, Ronaldo Iabrudi.

Os testes vão começar pelos bairros com maioria de moradores das classes A e B no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória e Salvador. O serviço vai marcar uma nova fase de atuação, que parte para ampliar presença na chamada convergência. A proposta é que o cliente contrate um pacote de serviços. A banda larga será a base de transmissão, que, futuramente, poderá ser fixa ou móvel.

Segundo Iabrudi, em 2000 se dizia que a operadora de telefonia que não oferecesse mobilidade não iria sobreviver. A avaliação hoje é de que empresas que não entrarem na distribuição de conteúdo irão sucumbir. Ele disse que a Telemar vai entrar na distribuição de conteúdo, e não na criação. “Pretendemos usar o que já existe no país”, disse. Iabrudi esteve ontem na capital mineira participando do seminário “O ano de 2006 e o mercado futuro”.

Segundo o presidente da Telemar, o ano de 2006 vai se caracterizar pela fase de implantação de rede multisserviços baseadas no protocolo IP, o chamado protocolo da internet, que cria condições para a comunicação entre si das diversas redes das operadoras de telefonia. A telefonia fixa continua tendo seu lugar, mas começa a mudar a era em que a rede fixa era só para telefone fixo e a móvel para o celular. A tendência é de uma grande plataforma de software com modens de alta velocidade se intercomunicando.

Ele destacou que a TV digital será um caminho que une todas as tecnologias. O usuário poderá usar a mesma infra-estrutura para ter acesso a internet e a TV paga.

Para Iabrudi, a concorrência será mais acirrada na oferta de serviços. Ele citou como exemplo o Hemisfério Norte, onde as grandes operadoras uniram esforços com prestadoras de serviços. Nos Estados Unidos, encontram-se no mesmo barco empresas como Verizon e MCI ou AT&T e SBC. Na Europa, a France Telecom hoje opera com a Orange.

Segundo ele, o número de clientes de telefonia fixa não está em expansão. Vem se mantendo estável em torno de 15 milhões nos últimos três anos. Mesmo assim, a Telemar vem crescendo 18,5% ao ano, devido ao aumento da demanda da rede e outros serviços. Os próprios investimentos em telefonia fixa encontram-se em crescimento. Este ano, só para adequar-se ao novo perfil de plataforma multisserviços, a área de transmissão vai ficar com investimentos de R$ 200 milhões em soluções de software e outros segmentos que irão integrar as plataformas de rede. Banda larga vai absorver entre R$ 500 milhões a R$ 800 milhões. Já a área móvel, por meio da Oi, absorverá cerca de R$ 1 bilhão.

No seminário de ontem, Iabrudi defendeu a criação de uma licença única para as operadoras de telecomunicações, e não mais separadas para telefonia fixa ou celular. Usou como argumento o perfil de serviços que as empresas passarão a oferecer, os quais serão baseadas nas plataformas multimídia que a Telemar pretende começar a operar comercialmente no fim do ano.

Iabrudi engrossou o coro das operadoras de telefonia que criticam o governo federal pelo destino dado ao Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust). As operadores reclamam que o Fust tem mais de R$ 4 bilhões arrecadados para projetos de inclusão social, mas até agora nada foi investido.

Este ano, as teles vão destinar aos cofres do governo mais R$ 650 milhões para o Fust. O presidente da Telemar sugeriu a criação de uma espécie de concorrência pública de oferta de serviços voltados à inclusão digital.

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