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Empresas que investem em TI crescem nove vezes mais

Nos países emergentes, companhias que investem em tecnologia da informação avançam mais rápido do que rivais que não destinam recursos para essa área, mostra pesquisa do Banco Mundial

EXAME  Se alguém ainda duvida sobre os ganhos de competitividade gerados por investimentos em tecnologias da informação e de comunicações (TIC), basta ver os resultados da pesquisa Information and Communications for Development 2006, do Banco Mundial (Bird). O documento mostra que, nos países em desenvolvimento, as companhias que investem em TIC cresceram 9,5 vezes mais que os rivais que não possuem projetos na área, entre 2000 e 2003. Enquanto o primeiro grupo viu suas vendas subirem 3,8% no período, os últimos avançaram apenas 0,4%.Crescendo rapidamente, as empresas que investiram em TIC também abriram mais postos de trabalho, efeito de grande impacto social para os países em desenvolvimento. De acordo com o Bird, no período pesquisado, o número de funcionários das companhias que implementaram políticas de TIC subiu 5,6%, contra 4,5% entre as que não implantaram nenhum projeto nesse setor.

A modernização gerada pelas novas tecnologias também aumentou a taxa de lucro das empresas. Aquelas que apoiaram ações nessa área registraram uma taxa de lucro de 9,3%, ante os 4,2% das demais. Por último, o valor agregado por funcionário foi de 8 712 dólares nas empresas com programas bem estruturados de TIC, ante 5 288 dólares nas concorrentes.

Espaço para avançar

Segundo o estudo, as nações em desenvolvimento apresentaram vários avanços em tecnologias de informação e de comunicações nos últimos anos. Na área de telefonia, por exemplo, esses países responderam por 60% das linhas fixas e móveis de todo o mundo em 2005. Na década de 80, essa participação era de menos de 20%. Neste período, a população desse países cresceu 50%, seu PIB mais do que dobrou, mas o número de assinantes de telefonia saltou 28 vezes.

A privatização dos sistemas estatais de telecomunicações também contribuiu para a captação de investimentos estrangeiros diretos (IED) por esses países. Entre 1990 e 2003, 122 dos 154 países em desenvolvimento financiaram a expansão do setor por meio de IED, canalizados para cerca de 460 projetos. No total, esses países receberam 194 bilhões de dólares no período, destinados ao setor de telecomunicações.

Os dez países que mais receberam investimentos neste período responderam por 70% do total de IED aplicado no setor. O Brasil liderou as captações, segundo o Bird, com um total de 51 bilhões de dólares no período.

Apesar do desempenho, o Bird afirma que os países em desenvolvimento ainda têm muito espaço para avançar em relação a projetos de TIC. Os governos locais deveriam se esforçar mais para aumentar o acesso da população a esses serviços. Uma das deficiências citadas no documento é a falta de critérios objetivos para avaliar o desempenho de algumas metas, como a inclusão digital. Os programas públicos não possuem meios objetivos de aferir o aumento da conectividade nas escolas, por exemplo.

“O estudo mostra que a competição no setor privado continua o principal vetor de expansão das telecomunicações para bilhões de pessoas”, afirma Kathy Sierra, vice-presidente do Bird para a área de infra-estrutura. “Mas a cooperação entre empresas e governos também é uma ponto importante para assegurar mais progresso”, diz.

O futuro da mídia

O Melhor da Mídia
Os mais céticos perguntariam se a imprensa tradicional pode dar-se ao luxo de vislumbrar algum horizonte à frente das atribulações que azucrinam a vida até de ícones como “The Wall Street Journal” e “Financial Times. Diriam, quem sabe, que o fim se anunci

O futuro dos jornais
Por Matías M. Molina, para o Valor

O Valor publicou uma série de artigos com o perfil de 17 dos principais jornais do mundo. A escolha foi em boa parte subjetiva, influenciada pelas idéias e preconceitos do autor. São publicações com características formais muito diferentes entre si. Enquanto alguns têm circulações enormes, superiores aos 12 milhões de exemplares por dia, como é o caso do “Asahi Shimbun”, ou mais de 6,5 milhões, como o “Nihon Keizai Shimbun”, o maior jornal de economia do mundo, ambos japoneses, outros mal conseguem chegar às 150 mil cópias diárias, como o suíço “Neue Zürcher Zeitung”. Mas todos se destacam pela relevância. A série mostrou as origens, evolução e influência de cada um desses jornais em seus respectivos países. Foi uma olhada ao passado e ao presente. Mas deixou uma pergunta no ar.

Qual é o futuro dos grandes jornais? – se é que têm algum. Conseguirão adaptar-se e continuar desempenhando seu papel de informar e refletir sobre a sociedade, estabelecendo como até agora a agenda dos debates e as prioridades e objetivos de seus respectivos países? Ou são, sem sabê-lo, os dinossauros da história da comunicação, destinados a desaparecer lentamente, devorados pelo avanço da tecnologia, tendo como sua última contribuição à humanidade a preservação das florestas? O que segue é uma tentativa de avaliar como os jornais de elite se preparam para enfrentar essa questão.

Um fator que surpreende, quando se olha o conjunto desses jornais, é a sua longevidade. Dois deles foram fundados no século XVIII, onze no século XIX e apenas quatro no século XX, como herdeiros diretos de jornais muito mais antigos. Quando Martin Walker escreveu “Powers of the Press – The World´s Great Newspapers”, editado em 1982, não quis incluir o jornal espanhol “El País”, fundado em 1976, por ser demasiado jovem. Apesar de sua enorme influência, faltava-lhe algo que só a idade e a experiência conferem: a habilidade para sobreviver aos mais diferentes ambientes, característica que dá a um jornal maior capacidade para enfrentar o futuro. A longevidade da maioria destes jornais de elite pode ser um indício de sua capacidade de adaptação.

Mas, coletivamente, esses jornais já estão enfrentando problemas que podem afetar sua sobrevivência. Sua circulação – com a exceção de três ou quatro – está em declínio lento e contínuo. Para reverter esta situação, alguns deles decidiram mudar o tamanho. Deixaram o formato “standard”, em princípio mais adequado para a sobriedade que se espera de um jornal formador de opinião, e se transformaram em tablóides, esperando assim atrair mais leitores jovens. Entre os jornais incluídos na série, este foi o passo dado por “The Times”, de Londres. Também foi uma medida tomada por “The Independent”, de Londres, e o “Dagens Nyheter”, de Estocolmo. “El País” não precisou fazer mudanças, pois já nasceu tablóide, mas “Le Monde”, que circula em formato “berlinês”, intermediário entre o “standard” e o tablóide, diminuiu recentemente seu tamanho, assim como seu concorrente na França, “Le Figaro”. O diário londrino “The Guardian” investiu 80 milhões de libras esterlinas (US$ 150 milhões) em novas rotativas que lhe permitissem adotar o formato berlinês. “The Wall Street Journal” circula nos EUA com suas grandes páginas tradicionais, mas as edições internacionais, “The Asian Wall Street Journal” e “The Wall Street Journal Europe”, que nasceram sob o padrão “standard”, hoje são tablóides.

O resultado inicial foi satisfatório. A circulação, embora sem saltos dramáticos, subiu de maneira moderada. Mas essa mudança provocou novos problemas com a venda de publicidade, ante a dificuldade de adaptar as tabelas de anúncios de um formato para outro, devido à mudança dos tamanhos e especificações desses anúncios. O resultado foi que, em vários casos, esse embate provocou a queda da receita de publicidade. Além disso, há o temor de que os ganhos de circulação com a mudança de formato sejam apenas temporários.

Mas, além das eventuais perdas ocasionadas pela adaptação dos formatos, os jornais sofreram prejuízos muito maiores quando os anúncios classificados – o “maná de ouro” da imprensa – foram deslocando-se para a internet, principalmente os de empregos, imóveis e veículos. Esta perda parece irreversível e causa profundos desequilíbrios nas finanças dos jornais.

A maioria dos diários examinados enfrenta problemas econômicos, em alguns casos os maiores de sua longa história. Sobre o “Financial Times” e “The Wall Street Journal” persistem os rumores de que poderão ser vendidos. O “Los Angeles Times” foi vendido há poucos anos e tem feito contínuos cortes nas despesas. “The Globe & Mail”, de Toronto, antes sólido e rentável, oscila em torno do ponto de equilíbrio. “The Guardian” é deficitário. “The Times” só não perdeu dinheiro em dois ou três anos dos últimos quarenta. “Le Monde”, com elevados prejuízos, teve que ser socorrido por “El País”, de Madri, e pelo grupo Lagardère, que tem um pé no negócio da comunicação e outro na indústria de armamentos. “Le Figaro” foi comprado há menos de dois anos por um fabricante de armas. O “Frankfurter Allgemeine Zeitung” e o “Süddeutsche Zeitung” (SZ) enfrentaram nesta década a pior crise de sua existência e o SZ teve que admitir um novo sócio que cobriu o passivo. O “Neue Zürcher Zeitung” ainda procura uma saída para seus problemas.

Os jornais de elite têm uma relação peculiar com o dinheiro. Hubert Beuve-Méry, o fundador do “Le Monde”, desconfiava do poder e da influência do mundo das finanças e procurou nunca endividar o jornal – uma política que não foi seguida por todos seus sucessores. Sem chegar a este limite, a maioria dos grandes jornais não tem como objetivo maximizar os lucros, mas conseguir um retorno que lhes permita a continuidade das operações e garantir sua independência. Poucas coisas seriam mais fáceis, por exemplo, do que aumentar, no curto prazo, a rentabilidade do “New York Times”: bastaria eliminar sua rede de correspondentes no exterior e cortar vários dos escritórios domésticos e a metade da redação. Mas este seria também o caminho mais rápido para diminuir sua qualidade e seu lugar especial na imprensa.

Quase todos os grandes diversificaram e se tornaram pequenos conglomerados. Quando abriram seu capital, sentiram a pressão dos investidores profissionais, para os quais a margem dos lucros é mais importante do que a qualidade do conteúdo. Alguns, como é o caso do “Washington Post” e do “New York Times”, conseguiram resistir. Outros precisam cortar despesas além da prudência e outros correm o perigo de perder a independência.

Nos EUA, a margem de lucro das grandes cadeias de jornais está entre as mais altas de todos os setores da economia. Praticamente dobrou nos últimos vinte anos. No entanto, a pressão dos analistas e dos gestores das empresas é para manter um aumento contínuo dessas margens, seja qual for o entorno econômico. Em tempos de recessão, o lucro é mantido mediante a redução dos custos. Esta situação leva ao paradoxo de empresas jornalísticas muito rentáveis se mostrarem enfraquecidas estruturalmente.

A principal interrogação no futuro dos jornais é de natureza tecnológica. A função dos jornais – e isto não mudou ao longo do tempo – é informar, analisar, orientar e entreter. Mas o impacto e alcance desses jornais mudam em função das condições materiais. Quando a impressora a vapor substituiu a prensa manual, os jornais puderam imprimir um número maior de cópias com um custo mais baixo e ampliar o número de leitores. O trem permitiu levar o jornal a longas distâncias, em grandes quantidades. A educação universal transformou analfabetos em leitores. O telégrafo possibilitou a transmissão instantânea de notícias que antes levavam dias ou semanas para serem recebidas. As linotipos e rotativas aumentaram ainda a velocidade e a escala da produção. A função do jornal continuou a mesma; a tecnologia permitiu multiplicar seu impacto.

  A maioria dos grandes jornais busca apenas um retorno que permita a continuidade das operações e garanta a independência  

Com o rádio e a televisão, o jornal perdeu o monopólio da informação e teve que ceder espaço para os novos meios. A internet, para os jornais, pode ser uma ameaça fatal ou uma inesperada oportunidade. Uma ameaça está no enorme volume de informações e opiniões gratuitas disponíveis na rede – muitas delas fornecidas pelos próprios jornais – que tornaria redundante a existência da imprensa. Outra ameaça, talvez pior, é que os jovens, seduzidos pela internet e pelo fascínio do telefone celular, lêem hoje menos jornal do que em qualquer época das últimas décadas.

A oportunidade está nas possibilidades que a internet oferece para distribuir o conteúdo do jornal. As empresas jornalísticas já se convenceram de que seu principal ativo, o conteúdo, pode ser adaptado para distribuição por qualquer meio, impresso ou eletrônico.

Há vários anos, “The New York Times” constatou que existe um mercado estimado em uns 40 milhões de pessoas, no mundo inteiro, que, pela sua educação, renda, profissão, interesses e conhecimentos da língua inglesa, seriam leitores potenciais do jornal. Por questões logísticas, eles não podem receber diariamente a edição impressa, mas podem receber pela internet a edição integral.

A digitalização das coleções de jornais e seu acesso pela internet também permitem aos jornais resgatar informações antigas que, de outra maneira, seriam de difícil acesso, oferecendo, além da informação do dia, a possibilidade de pesquisar o passado.

A questão, para os jornais, é como ganhar dinheiro na internet. O modelo econômico inicial de distribuir notícias de graça, que os jornais adotaram nos anos 1990, esperando ganhar dinheiro com a publicidade, afetou as finanças das empresas. Os anúncios não vieram, os investimentos não foram recuperados e o leitor se acostumou a receber gratuitamente pela internet a informação pela qual teria que pagar se comprasse o um exemplar impresso.

Os jornais já estão adequando seu modelo de negócios à internet. Em relação aos classificados, eles mesmos criaram modelos híbridos de anúncios que aparecem simultaneamente na rede e na forma impressa, desviando para eles mesmos uma parte dos que migram para a internet. Eles têm a vantagem de um longo e profundo conhecimento do mercado e de antigas relações com os anunciantes.

Hoje, a tendência entre os jornais de opinião é passar a cobrar pelo conteúdo que distribuem na internet. Os jornais econômicos levam aqui uma grande vantagem, pois sua informação é matéria-prima imprescindível para o mundo dos negócios. “The Wall Street Journal” adotou um modelo pago desde o início. Hoje tem cerca de 800 mil assinantes na rede que pagam pelas informações. Começou cobrando US$ 29,00 por ano pelo acesso eletrônico para os assinantes da edição impressa e US$ 49,00 para os não-assinantes. Hoje, cobra US$ 49,00 e US$ 99,00, respectivamente, e as assinaturas não param de crescer. Notícias com mais de 60 dias custam US$ 2,90 cada uma. O “Financial Times”, que inicialmente dava a informação de graça – e perdeu mais de US$ 300 milhões – hoje cobra US$ 110 pela assinatura e US$ 300,00 com acesso a uma base de dados de outras fontes. O diário econômico japonês “Nihon Keizai Shimbun” também cobra pelo acesso.

A maioria dos jornais generalistas europeus formadores de opinião cobra pelas informações. É o caso de “El País”, “Le Monde”, “Corriere della Sera”, “Neue Zürcher Zeitung”, “Süddeutsche Zeitung”, “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, além do japonês “Asahi Shimbun” e do canadense “The Globe & Mail”. As receitas ainda são baixas e é improvável que paguem o custo da operação. Mas a mudança é significativa.

A percepção de que não se ganha dinheiro com informação na internet é totalmente errada. Há empresas com milhares de assinantes para as quais a internet foi um meio de expandir o mercado e reduzir os custos de distribuição. São empresas que, como os jornais de elite, produzem informação e análises de alta qualidade, imprescindíveis para diversos tipos de atividades profissionais, em áreas como finanças, legislação, tributação, medicina, ciência e pesquisa científica, educação, engenharia.

Estas empresas editavam revistas, “newsletters”, estudos e livros especializados. Os preços de venda eram elevados. No fim dos anos 1980 e na década de 1990, passaram a digitalizar e colocar todo seu acervo em bancos de dados. A internet foi para eles não um meio de dar de graça esse conteúdo, mas de aproveitar as possibilidades oferecidas pela tecnologia para melhorar e flexibilizar a distribuição e de permitir o acesso pago aos tesouros contidos em seus arquivos eletrônicos. O custo de entrega ao assinante diminuiu e a internet permitiu aumentar o número de assinantes.

O volume de negócios dessas empresas é impressionante. A Thomson, canadense, que foi proprietária do “Times” e é a maior acionista do “Globe & Mail”, é também a maior empresa de informação profissional do mundo, com uma receita de US$’ 8,76 bilhões em 2005. A Reed Elsevier, anglo-holandesa, teve em 2004 uma receita de US$ 8,4 bilhões. A Wolters Kluwer, holandesa, faturou US$’ 4 bilhões em 2004. Há empresas menores, como as britânicas Informa e Economist Intelligence Unit, que fornecem informação de alta qualidade, vendida por preços elevados. Todas elas aproveitam a internet como veículo de distribuição.

  Mudar de tamanho foi uma tentativa de solução que se mostrou insuficiente para modificar um quadro de problemas que só se agravaram  

Estes exemplos mostram que a internet pode ser usada não apenas para dar acesso gratuito, modelo seguido no início pelos principais jornais, como para aumentar o alcance da distribuição de informação paga de alta qualidade. A maioria dos jornais está trilhando agora este caminho. Não é certo que consigam adotar este modelo de maneira satisfatória, mas é necessário assinalar que isto é possível e que já foi feito com sucesso.

Ainda que encontrem um modelo satisfatório de distribuição eletrônica das informações, a questão original continua em pé: os jornais impressos conseguirão sobreviver? A pergunta, no fundo, é se a palavra impressa terá futuro no mundo digital.

Até há poucos anos, os apologistas da Nova Economia falavam do “fim do papel” e do “paperless office”, o escritório sem papel. Pois bem, nunca se usou tanto papel como hoje nos escritórios. As pessoas que usam o computador gostam de imprimir qualquer mensagem que tenha mais de alguns parágrafos. O papel cansa menos a vista do que a tela do computador e permite uma maior concentração no texto.

Produtos que começaram no meio eletrônico, como o canal de esportes ESPN, sentiram necessidade de ter uma versão impressa e lançaram uma revista em papel – como as tradicionais. Diversos sites, que nasceram na internet, agora publicam revistas. E até o grande produto virtual, o Google, está preparando uma enorme campanha de publicidade na mídia impressa americana, jornais e revistas – a pedido dos anunciantes de seu projeto AdWorks.

Com relação ao jornal, afirma-se que a queda da circulação geral é irreversível. No entanto, em alguns países europeus, a leitura de jornais está aumentado graças ao lançamento de dezenas de novos diários distribuídos gratuitamente, que atraem a atenção principalmente dos leitores jovens. È provável que no futuro haja uma polarização. Por um lado, os leitores de jornais grátis. No outro extremo, um grupo minoritário disposto a pagar para ter informações e análises que os outros meios não têm condições de fornecer.

O jornal oferece uma quantidade e variedade de informações muito superiores às de qualquer outro veículo. Tem também a grande vantagem de oferecer o inesperado, algo que o leitor não está procurando, mas que o surpreende ante o imprevisto. Além disso, o jornal é muito mais adequado à análise e à reflexão. Não há certeza de que estas características vão ser suficientes para garantir o futuro do jornal.

No entanto, alguns indícios são favoráveis. Quando surgiram os boatos de que o “Financial Times” estaria à venda, os preços que circularam oscilavam em torno de US$ 1 bilhão, o que seria um preço exagerado se os compradores potenciais achassem que estavam comprado um dinossauro cansado, com poucos anos de vida. Diversas empresas jornalísticas, como a News Corporation, de Rupert Murdoch, encomendaram recentemente equipamentos gráficos no valor de bilhões de dólares. O próprio Murdoch, que no passado quis comprar o “Financial Times”, agora está interessado no “Wall Street Journal”. Kenneth Thomson, o principal acionista da Thomson, que não é conhecido por jogar dinheiro fora, tornou-se, em dezembro último, o maior acionista da empresa que controla “The Globe & Mail”.

Dias atrás, Roy Greenslade, o comentarista de mídia do “Daily Telegraph”, observava que a maneira de avaliar o impacto dos jornais não era correta. Os institutos que medem a circulação ignoram os leitores que visitam os sites da imprensa e o conteúdo que está sendo dirigido para celulares e “podcasts”. Algo que mudaria a atitude dos anunciantes.

Há um consenso entre os observadores do mundo da comunicação de que o futuro dos jornais depende em parte da qualidade da informação que conseguirem colocar à disposição do leitor. É também provável que haja, de certa maneira, uma volta ao modelo do século XIX, quando os jornais de elite custavam mais caro, mas eram lidos por uma elite. Um modelo possível é que esses jornais tenham no futuro uma circulação inferior à atual, talvez com menos páginas, mas com preço de venda mais elevado. O futuro dos jornais é incerto. Mas não é certo que não tenham nenhum futuro.

E-mail: molina@ cdn.com.br