Archive for setembro, 2006

USP lança modelo de fábrica de software para pequena e média empresa

segunda-feira, setembro 18th, 2006
São Paulo – O modelo desenvolvido pela USP utiliza padrões e tecnologias reconhecidas mundialmente e está acessível a todas as empresas.
Para quem desenvolve software, uma boa notícia: o Laboratório de Tecnologia de Software (LTS) da Escola Politécnica da USP, lançou esta semana um modelo de fábrica de software voltado para pequenas e médias empresas, baseado em tecnologias que permitem definir processos de desenvolvimento de software, com o objetivo de facilitar a exportação.

O melhor de tudo é que este modelo já está acessível às empresas que se interessarem, conta Jorge Risco, professor do LTS responsável pelo desenvolvimento do modelo. Ele diz que basta mandar um e-mail para ele, jorge.becerra@poli.usp.br, ou para o professor Fabio Levy Siqueira, levy.siqueira@poli.usp.br, que também faz parte do projeto. A aplicação do modelo tem um custo, que varia de acordo com a empresa, sua cultura, maturidade dos processos e até tamanho da equipe, detalha Siqueira.

Jorge Risco explica que, ao definir processos, fica mais fácil controlar, supervisionar e assegurar a qualidade do programa que é desenvolvido. “Também se torna possível integrar estas fábricas com empresas de desenvolvimento de software que atuem em mercados mais exigentes, como a Comunidade Européia”, exemplifica o acadêmico.

Esta idéia era voltada, inicialmente, para utilização em células produtivas que tinham intenção de exportar softwares. Normalmente, estas células são compostas por até três desenvolvedores e consultores que criam softwares para dispositivos móveis,web services e ERPs, por exemplo, detalha o professor. O acadêmico adianta que o LTS já pensa em ampliar esse padrão para o desenvolvimento de games tanto para consoles quanto para celulares, além de um modelo de integração de middleware para SMBs.

Segundo ele, o modelo foi desenvolvido por professores e pesquisadores do LTS a partir de processos modelados em Business Process Modeling (BPM), com arquitetura baseada no padrão Open Distributed Processing (ODP), e configurados em ferramentas de mercado e de código-aberto. A qualidade dos programas é guiada pelo padrão mundial CMMI.

O professor Risco diz que o laboratório já entrou em contato com o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (CIETEC) para que suas incubadoras comecem a implantar tal modelo.

Caso você seja um desenvolvedor e queira saber mais sobre este modelo de fábrica de software, também pode contatar o professor Risco pelo telefone 3091-5200 ou 3091-5368.

Localização de Empresas nos EUA

domingo, setembro 17th, 2006

O pequeno Estado americano de Delaware, no eixo entre Nova York e a capital, Washington, tem sido escolhido por inúmeras empresas brasileiras interessadas em investir de volta no Brasil. O Estado é um paraíso fiscal, mas não integra a lista de paraísos da Receita Federal. Por essa razão, investimentos vindos de lá gozam da isenção concedida a estrangeiros nas aplicações em bolsa de valores e, mais recentemente, em títulos públicos.

Empresas colocam EUA no mapa dos paraísos fiscais

Vanessa Adachi e Tatiana Bautzer
20/06/2006

O pequeno Estado americano de Delaware, no eixo entre Nova York e a capital, Washington, tem sido escolhido por inúmeras empresas brasileiras interessadas em investir de volta no Brasil. O Estado é um paraíso fiscal, mas não integra a lista de paraísos da Receita Federal. Por essa razão, investimentos vindos de lá gozam da isenção concedida a estrangeiros nas aplicações em bolsa de valores e, mais recentemente, em títulos públicos. Além disso, qualquer outro rendimento obtido no país pelo investidor sediado em paraíso fiscal é tributado em até 25%. No caso de Delaware, o imposto chega a uma alíquota máxima de 15%. “Tudo isso somado cria uma diferença muito relevante, que afeta diretamente o quanto vai sobrar no bolso do investidor ao final”, diz a advogada Ana Cláudia Utumi, do Tozzini Freire Advogados.

A Receita Federal diz que tem observado o grande volume de negócios que transita por Delaware e que, no médio prazo, deve haver uma alteração na legislação para fechar essa brecha.

Estão lá fundos de “private equity” que controlam companhias no Brasil. É o caso, por exemplo, de empresas da GP Investimentos sócias na concessionária de ferrovias América Latina Logística. Uma outra sociedade, constituída com o Banco Pactual, controla a Equatorial Energia. Fundos hedge, como o Gávea, de Armínio Fraga, também executam operações via Delaware. Como esses, há muitos outros casos. Mais da metade das empresas americanas com ações em bolsa, entre as quais Wal-Mart, Coca Cola e Google, escolheram Delaware como sua sede legal.

Fora do alcance do Fisco, Delaware seduz as empresas brasileiras

Vanessa Adachi
20/06/2006

Um verdadeiro paraíso na terra. O lugar chama-se Delaware e não se trata de algum destino turístico dos sonhos. O paraíso, no caso, é fiscal. Mas tampouco é uma ilha no meio do oceano, como as visadas Cayman ou Bahamas. Delaware está em terra bem firme e não poderia ter localização mais privilegiada e insuspeita: em pleno território americano. Mais precisamente, no eixo do poder político e econômico dos Estados Unidos, entre a capital Washington e Nova York.

Esse, que é um dos menores Estados americanos, tem sido o local escolhido para sediar inúmeras empresas de brasileiros. Há por lá subsidiárias americanas de companhias brasileiras, como a Petrobras. Mas, na maioria das vezes, o que se vê são companhias constituídas para investir de volta no Brasil.

É o caso de vários dos fundos da GP Investimentos, a maior gestora de private equity brasileira. É por meio de empresas constituídas em Delaware, como Emerging Markets Capital Investments LLC e Ralph Partners LLC, que a GP controla a concessionária de ferrovias América Latina Logística. Esse é apenas um dos exemplos.

O Banco Pactual também adota Delaware para fazer alguns de seus negócios de private equity. Em sociedade com a GP, constituiu no estado americano uma companhia para controlar a holding do setor elétrico Equatorial Energia, que foi batizada de Brasil Energia I LLC.

Esse modelo não se aplica apenas a investimentos de private equity. O Gávea, fundo hedge do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, também faz parte de suas operações no Brasil via Delaware.

Procurados, GP, Pactual e Gávea preferiram não comentar o tema. Mas, como eles, há centenas de outros investidores adotando a mesma fórmula.

A grande vantagem de Delaware é que, embora o Estado ofereça um tratamento fiscal diferenciado dentro dos Estados Unidos, que faz com que mereça ser conhecido como paraíso fiscal mesmo pelos americanos, ele não é considerado como tal pela Receita Federal brasileira.

O Fisco tem uma lista de localidades tidas como paraísos fiscais, da qual fazem parte Cayman e tantos outros, e que recebem um tratamento tributário diferenciado no Brasil, como forma de compensar os benefícios obtidos fora. Mas Delaware não consta da relação. O mesmo vale para o Uruguai.

Isso quer dizer que o investimento que vem de Delaware pode se beneficiar da Resolução 2689, do Banco Central, que isenta os estrangeiros de Imposto de Renda nas transações em bolsa e, mais recentemente, também com títulos públicos. Os paraísos fiscais tradicionais, que estão na lista da Receita, não podem gozar esse benefício e pagam o IR normal sobre o ganho de capital de 15%.

Além disso, qualquer outro rendimento obtido no país pelo investidor que está em paraíso fiscal é tributado em até 25%. No caso de Delaware, o imposto chega a uma alíquota máxima de 15% (é a alíquota aplicada a todos os países não-paraíso). “Tudo isso somado cria uma diferença muito relevante, que afeta diretamente o quanto vai sobrar no bolso do investidor ao final”, diz a advogada Ana Cláudia Utumi, do escritório Tozzini Freire Advogados, que tem muitos clientes que se utilizam do paraíso americano em seus negócios.

O tipo de empresa mais comumente constituída em Delaware é a sociedade de responsabilidade limitada, ou LLC na sigla em inglês. Os veículos criados lá são o que os tributaristas chamam de “transparentes” para efeitos fiscais. Ou seja, não são taxados dentro dos Estados Unidos. Quem é tributado é o investidor que aplica por meio da empresa e essa tributação ocorre onde quer que ele seja residente.

Numa situação normal, haveria tributação em três esferas: no Brasil, no veículo de investimento e também na pessoa física do investidor. No tipo de modelo que se utiliza de Delaware, há isenção ou tributação reduzida no Brasil, o veículo de investimento também está isento e só acontece a taxação na figura do investidor. Ou seja, a taxação ocorre em uma única esfera. Às vezes, simplesmente não ocorre, supondo os casos em que o dinheiro depositado no exterior não é declarado ao Fisco do país de residência.

“É a mesma situação de se constituir uma empresa no Uruguai, que também está ausente da lista de paraísos da Receita. Mas entre Delaware e Uruguai, os investidores têm preferido o primeiro por questões de imagem”, diz Andréa Bazzo, advogada sócia do Mattos Filho.

O volume crescente de operações realizadas via Delaware não tem passado despercebido pelo Fisco, diz o delegado de Assuntos Internacionais da Receita, Francisco Labriola. “É corriqueiro encontrarmos estruturas montadas em Delaware durante as fiscalizações.”

No entanto, a posição da Receita é de mera observadora, pois não há o que fazer. “Trata-se de uma área cinzenta da legislação. É claro que não haveria interesse em permitir toda essa vantagem fiscal, mas a lei não proíbe”, observa Henrique Maluf, chefe da divisão de tributação da delegacia.

“A lista de paraísos brasileira é fraca. Quem tem dinheiro e sabe como fazer, contorna facilmente a legislação”, diz Celso Grisi, advogado em Nova York do escritório Fox, Horan & Camerini. De acordo com ele, países com legislação mais moderna referente a paraísos fiscais não distinguem países e sim regimes fiscais. Assim, dentro de um mesmo país, regimes fiscais distintos podem receber tributações também diferentes. Maluf, da Receita, é da mesma opinião. “Ainda nos falta essa modernidade.”

De acordo com Labriola, a tendência é que, no médio prazo, essa brecha existente hoje seja fechada. “Temos dado subsídios à Receita para que se altere a legislação no futuro.”

Um grande escritório de advocacia, com muitos clientes em Delaware, foi procurado para a reportagem e preferiu não participar. A explicação foi que facilmente a Receita Federal poderia fechar a brecha. Mas não deve ser algo tão simples assim pois, dizem alguns especialistas, incluir uma localidade americana numa lista de paraísos fiscais envolve questões diplomáticas delicadas.

O advogado Celso Grisi diz que a incorporação em Delaware já está ficando bastante visada. Por isso diz ele, outros paraísos em terra firme têm sido recomendados para cumprir o mesmo papel. As preferências têm recaído sobre Reino Unido e Holanda, que oferecem possibilidades de estrutura tributária semelhante à de Delaware.

Representantes dizem desconhecer donos das sociedades

Tatiana Bautzer
20/06/2006

“Não conheço ninguém das empresas e não sei dizer exatamente a razão da incorporação aqui em Delaware.” Essa é a resposta mais comum ouvida de “agentes de representação” do Estado de Delaware quando perguntados sobre empresas específicas das quais constam como responsáveis. Ninguém gosta de falar, mas a vantagem fiscal é evidente. Uma empresa incorporada no Estado paga apenas US$ 200 em “taxa de franquia” para o governo estadual, independente do valor de seu lucro líquido. Se a empresa emitir ações, paga uma taxa proporcional ao número de papéis – a taxa é de US$ 35 anuais para menos de mil ações.

Pela legislação local, a única responsabilidade do agente de representação é receber eventuais ações judiciais contra a companhia e encaminhá-las à sede da companhia ou escritório de advocacia indicado pela empresa quando foi incorporada. Há uma discussão no Estado para aumentar o contato dos administradores com as companhias, mas não houve nenhuma mudança na lei até agora.

O vice-presidente de operações da Corporation Trust Company (CT), Dick Ford, afirma não ter informações sobre os fundos de investimento localizados em sua subsidiária em Wilmington. Muitos dos veículos de investimentos de fundos brasileiros, como GP Investimentos e Gávea, estão incorporados no escritório da CT, no número 1209 da Orange Street. Os executivos da CT autorizados a falar com a imprensa, entretanto, ficam todos em Nova York. “Temos centenas de milhares de empresas incorporadas no Estado, não sei ao certo o número. Mas se fôssemos obrigados a ter contato com as empresas que representamos, seria um outro negócio, totalmente diferente do que fazemos hoje”, afirma Ford.

A empresa incorporada em Delaware, se quiser estabelecer-se e fazer negócios em outros Estados dos EUA, precisa pedir autorização e licenças de operação nos locais onde pretende se instalar. A CT atua apenas na incorporação de empresas nos EUA e, por isso, Ford diz não ter termos de comparação com outros paraísos fiscais.

Num prédio novo de escritórios no número 1220 da Market Street, apenas parcialmente ocupado, Sidney Garnett, vice-presidente executivo da Registered Agents Ltd (RAL), reagiu com desconfiança à visita do Valor, feita depois de uma conversa inicial por telefone. Quando as empresas brasileiras foram mencionadas, perguntou se estaria havendo alguma “investigação” sobre elas.

Repetiu que não tem contato com as companhias e que administra milhares delas. “Do ponto de vista administrativo, os custos em Delaware são baixos. Acredito que este seja um dos motivos da incorporação. Também é muito rápido abrir uma empresa (LLC) em Delaware”, afirma Garnett. A maior parte das empresas não tem presença física em Delaware, é apenas um arquivo nos escritórios de incorporação.

“Não fazemos muitas perguntas às empresas nem nos envolvemos em seus negócios”, disse Garnett, quando perguntado sobre os setores mais comuns de incorporação. Discreto, Garnett disse que preferia não ser fotografado.

Entre os pequenos empresários do ramo, há uma atitude menos desconfiada. O advogado Vincent Ramunno, do escritório Ramunno & Ramunno P.A., a duas quadras da sede da RAL, não usa gravata e diz que o seu principal negócio é litígio relacionado a acidentes com veículos. Alguns advogados amigos da Califórnia, entretanto, recomendam seu nome a empresas e ele também atua no ramo de agente de representação. “Tenho umas 200 empresas, eu acho. Cobro só US$ 100 por ano, o que, no fim do ano, dá uns US$ 20 mil.”

A pequena taxa de franquia cobrada de cada empresa por Delaware representa uma boa parcela da receita estadual. Segundo dados do Estado, no ano passado a sua receita cresceu 4%, principalmente por maior arrecadação de tributos sobre empresas. Delaware arrecadou US$ 915 milhões em taxas sobre empresas incorporadas no Estado, correspondentes a 45% da sua receita total.

Ramunno diz acreditar que o sistema jurídico de Delaware é o principal chamariz para as empresas. “Além de ser muito fácil fazer a incorporação, os tribunais aqui são muito favoráveis às corporações”, diz o advogado.

A Câmara de Comércio dos EUA divulga pesquisas anuais nas quais classifica os Estados de acordo com a qualidade de seu sistema judiciário – o que inclui, claro, a propensão de proferir decisões favoráveis às empresas. Pelo quinto ano consecutivo, os tribunais de Delaware foram considerados os melhores do país pelo empresariado.

Para os bancos, especificamente, há uma vantagem adicional da incorporação em Delaware: o Estado não tem leis de usura que penalizem taxas de juros “extorsivas”.

Grandes corporações têm sede no Estado

De Wilmington e de São Paulo
20/06/2006

O que o site de buscas Google e o Wal-Mart, maior rede de supermercados do mundo, têm em comum? Embora o primeiro tenha sede em Mountain View, no coração do Vale do Silício, na Califórnia, e a segunda tenha seu quartel-general na cidade de Bentonville, no Arkansas, ambos foram “incorporados” no Estado de Delaware, na costa leste americana.

Estão lá ainda a rede de fast food McDonald’s, a fabricante de bebidas Coca Cola, a companhia aérea Delta, a livraria Barnes & Noble, o laboratório Pfizer, a transportadora FedEx e até a joalheria Tiffanys. Nenhuma dessas empresas tem operações significativas em Delaware, mas escolheram o Estado como sua sede legal, atraídas pelos benefícios fiscais, pela moderna legislação societária e por um sistema judiciário amplamente favorável às corporações.

Segundo informações do governo estadual, mais de meio milhão de empresas fizeram o mesmo, incluindo mais de 50% das empresas com ações negociadas nas bolsas americanas e 60% das que estão na lista das 500 maiores empresas dos EUA da revista ‘Fortune’.

A maior parte das empresas que resolvem se estabelecer por lá, escolhem a cidade de Wilmington, que, com isso, se tornou a maior do Estado. Apesar de todo o poder econômico que circula por ela, entretanto, a cidade tem proporções tímidas. Com exceção de algumas quadras no centro da cidade, com arranha-céus de vidro e concreto, logotipos de algumas das maiores corporações americanas e um hotel relativamente luxuoso, Wilmington é uma típica cidade americana de médio porte. Uma caminhada de menos de dez quadras da praça central leva a ruas tranqüilas com pequenas casinhas de estilo inglês do século XIX.

Um olhar mais atento nas ruas próximas ao centro mostra que a maior parte das casinhas de estilo inglês tem placas na porta que as identificam como escritórios de advocacia ou empresas de incorporação. Os pequenos empresários fazem parte do principal negócio do Estado, a incorporação de grandes empresas. Delaware, cuja colonização começou em 1638 por suecos, tem uma tradição de mais de um século na incorporação de empresas. O slogan do Estado, usado nas placas de carros, é o “primeiro Estado”, ou seja, o primeiro Estado a ratificar a Constituição dos Estados Unidos como uma federação, em 1787.

A estação de trem é apenas um salão com um quadro indicando os horários de trens do corredor leste dos EUA. Wilmington é uma pequena parada na linha Washington/Nova York/Boston, um dos trechos de maior tráfego de passageiros do país. (TB e VA)

Consultoria propõe maior eficiência nas vendas

sexta-feira, setembro 8th, 2006

Fundada pelo ex-presidente da SAP Brasil, Augusto Pinto, a Positioning é uma consultoria voltada para o estabelecimento de políticas estratégicas de marketing e comunicação, independente do porte da empresa. Também faz parte da organização, Luis Soldatelli, ex-diretor da Progress no Brasil, que junto com consultores experientes, contratados de acordo com a especialidade, ajudam na elaboração de um plano de atuação de acordo com o perfil de cada cliente.

Nessa entrevista, Augusto Pinto, fala sobre modelos de marketing, sobre canais de vendas, concorrência e como obter maior eficiência em vendas em TI.

P – Com a redução das verbas de comunicação e marketing, como as médias empresas de tecnologia podem criar e manter uma proposta de valor para suas marcas?

R – Na realidade, as empresas de TI gastam mal suas verbas de marketing/comunicação, Marcom, no nosso linguajar. O Marcom das empresas de TI se limita a PPT´s de vendas, participação em business shows (de eficácia duvidosa), seminários de vendas, alguns folhetos e conteúdo de web site/portais. Não há nenhuma lógica na formação do que chamamos de Marketing Essência (ou seja, o mix de marcom) mais adequado para o momento do negócio.

Se a empresa levar em consideração sua situação em relação ao mercado (se está atrasada em relação à onda tecnológica, ou adiantada, se o mercado é verde, ou se é maduro, ou declinante, etc), poderá definir um Marketing Essência mais realístico e, na maioria das vezes, muito mais barato do que o atual. Para explicar, além disso, teria que te apresentar nossa metodologia de construção de um Plano Estratégico de Marcom.

P – A atuação através de canais indiretos muitas vezes pode ser um fator de redução de custos fixo, mas também de perda de receitas e oportunidades. Como estabelecer um plano de vendas factível, levando-se em consideração que a maioria das revendas não oferece exclusividade?

R – Os modelos de vendas, ou modelos Go-to-Market das empresas de TI são empíricos. O mercado de TI passou de um padrão exclusivo de vendas diretas (IBM like até meados dos anos 80) para um modelo em que se tenta padronizar os canais indiretos como ideais. O modelo ideal é, na verdade, multi-channel (account manager (direto), reseller de volume, reseller de valor, televendas, web sales, etc). Para se desenhar e implementar um modelo go-to-market ideal para uma empresa seria preciso analisar o contexto por seis ângulos:

•Complexidade do ciclo de vendas
•Diferentes custos dos diferentes canais
•Classificação de valor dos produtos
•Classificação de valor dos clientes (Peppers & Rogers)
•Restrições externas (mercado) e internas (empresa)
•Modelo de vendas dos concorrentes

Após essa análise o modelo teria que ser dimensionado para máxima eficiência (quantos recursos de que tipos para levar quais produtos para quais mercados). Ao final, a exclusividade dos indiretos não é necessariamente o caminho crítico.

P – Como conquistar, avaliar e treinar esse canal para os objetivos de vendas propostos?

R – É comum um box mover (vendedor de lata, no linguajar do mercado) evoluir para a categoria de provedor de serviços. Nesse momento ele tenta adaptar seus canais ao novo desafio e, via de regra, isso não funciona. Nesse momento a empresa deveria recrutar nos canais, com perfil adequado (de valor, não de volume) e treiná-los adequadamente.

Aí reside também outro problema: o ex-box mover também não sabe vender consultivamente e por isso não consegue treinar. Nesse momento ele deveria buscar no mercado treinamentos em venda consultiva (tipo solution selling) para seus canais. Conhecendo melhor vendas consultivas a empresa saberá avaliar melhor o perfil requerido para recrutar.

P – Como estabelecer métricas para os parceiros de negócios e vice-versa?

R – Radicalizando, as únicas métricas que funcionam em vendas são: atingimento de objetivos de volume, venda com as margens pretendidas e taxa de churn. Se o parceiro faz a quota, não dá descontos exagerados e não deixa uma bomba relógio, que depois vira churn, então este parceiro é bom.

Outras métricas, tais como penetração em mercados estratégicos, colocação de novos produtos, produtividade por região, homogeneidade de resultados ao longo do ano, etc, são sofisticações que deveriam ser deixados para um segundo momento (depois que volume, margem e churn baixo) estiverem garantidos.

P – Como avaliar a concorrência, tendo em vista que as informações de mercado vêm de uma rede de agentes espalhados geograficamente e de culturas empresariais diversas?

R – Inteligência de mercado é a parte do marketing (analítico) não delegável para os parceiros. Pesquisas de mercado e pesquisas junto à base de clientes deveriam ser feitas pela própria empresa, como a parte mais nobre do trabalho de marketing.

O mapeamento de mercado é algo que as empresas acham que precisam fazer uma só vez, para segmentar, e depois “never more”. Não é bem assim. O mapeamento continuo permitirá o reposicionamento rápido, pegando o concorrente literalmente “de calças curtas”, além de permitir melhor avaliar o desempenho dos canais.

P – A avaliação do potencial de mercado deve ser feito levando-se em consideração quais pontos primordiais?

R – Avaliação de oportunidades é parte (subproduto) do mapeamento de mercado. Alguns aspectos são primordiais. O potencial pode ser de curto prazo (pipeline presente), ou de médio prazo (pipeline futura, ou desenvolvimento de mercado). A quantidade esperada de cada tipo de pipeline dependerá muito da maturidade da oferta. Ofertas mais “verdes” terão mais pipeline futura, e isso não é errado.

Ofertas mais “maduras” devem ter mais pipeline presente. Mesmo no caso de ofertas maduras, certa dosagem de pipeline futura é bom, pois os melhores negócios são aqueles que nossa empresa desenvolve até na influência do conteúdo da RFP – Request for Proposal (isso é regra predominante nos grandes negócios, que são sempre provenientes de desenvolvimento de mercado).

Isso significa que o trabalho de mapeamento de mercado deve ser feito por grupo estratégico de ofertas (bloco de oferta, mercados-alvo e set de concorrentes que disputam esse mercado).

P – Há uma forte tendência de mercado onde o serviço é o principal fator de sucesso, levando a reboque os produtos, sejam de hardware ou de software. Como se destacar quando toda a concorrência tem o mesmo discurso?

R – Os serviços vão sendo agregados em camadas, em cima da oferta do box mover:

• Camada 1: serviços profissionais agregados ao produto vendido (ex.: outsourcing de impressão, manutenção de hardware, help desk, etc). Estes serviços são commodities de baixo valor agregado.

• Camada 2: Integração de sistemas

• Camada 3: Consultoria em processos de negócios, para adequar às soluções propostas pelo integrador aos processos existentes.

Os serviços realmente de valor agregado estão nas camadas 2 e 3, que são difíceis. Digamos que eu queira vender impressoras e outsourcing de impressão. O início ideal seria fazer um projeto para otimização do parque de impressão: onde estão as impressoras, para que são usadas, quais são os custos envolvidos, por centro de custo, por tipo de utilização, etc.

Com base nesse projeto será possível oferecer ao cliente algumas soluções alternativas, desde a otimização com insourcing (gestão dentro da casa do cliente), passando por um mix de insourcing e outsourcing (processar grandes volumes fora, num print center, enviando os resultados diretamente para o cliente final ==> exemplo contas de luz), até a simples proposta de regras para otimizar a impressão sob gestão do próprio cliente. Nesse caso sim estar-se-ia vendendo solução, com alto valor agregado. Vender solução é discurso de todos, mas realmente oferta de poucos.

P – Como atuar junto ao mercado de Governo? Quais as prioridades que uma empresa deve levar em conta para ter sucesso junto área governamental, onde existe concorrência por menor preço, o nem sempre significa a melhor solução?

R – Governo para TI hoje significa compras eletrônicas, ou leilões via web. Funciona bem quem se prepara para participar dessas licitações com alta produtividade. Uma empresa do setor mantém um time junto ao cliente coletando informaçõess sobre os critérios de concorrência e fazendo relacionamento, enquanto uma “linha de produção” de informações para propostas fica a postos e plugada no escritório da empresa.

Durante a licitação eletrônica o time que atua junto ao cliente fica em frente ao computador fazendo lances, enquanto o time de retaguarda supre com informações. É uma máquina de guerra para ganhar concorrências. Trata-se de um case muito interessante.

P – Quais são as áreas de mercado que você considera promissoras para o segundo semestre?

R – Considero mobile business, BI (com uma visão mais de CPM – Corporate Performance Management), ERP middle (parte baixa da faixa) e small (parte alta da faixa), ERPs Verticalizados (saúde, educação, varejo, agro-negócio), redes sem fio, web EDI, VoIP, gestão de conteúdos e web services (esses dois últimos,vagarosamente).

Associação mundial de outsourcing entra em operação no Brasil

sexta-feira, setembro 8th, 2006

Segunda-feira, 24 de Julho de 2006, 18h59

A Associação de Profissionais de Outsourcing, entidade internacional conhecida pela sigla inglês IAOP, entra em operação no Brasil em 15 de agosto. O lançamento será em São Paulo com a presença de Michael Corbetti, atual presidente da entidade, que estará no País para apresentar a empresários de TI o modelo de atuação da IAOP.

A IAOP será representada no País por Flavio Grynszpan, coordenador do programa Brasil Outsourcing. A associação mundial reúne cerca de 37 mil profissionais, entre compradores de serviços de outsorucing das empresas usuárias e vendedores de fornecedores ao redor do mundo.

A entidade tem como objetivo promover os profissionais que atuam neste mercado, desenvolver as melhores práticas de negócios, compartilhar estratégias e criar padrões de qualidade para clientes e prestadores de serviços. É seu papel também certificar profissionais e implantar a gestão de relacionamentos de terceirização.

Grynszpan explica que os associados da IAOP vão poder trocar experiências na área de outsoursing e interagir com uma comunidade internacional. Ele diz que a entidade vai desmistificar a idéia de que só podem entrar no jogo do offshore quem tiver o selo CMMI, emitido pelo Instituto de Engenharia de Software dos Estados Unidos.

Mais importante que o selo internacional, segundo ele, o executivo é ter profissionais capacitados. Ele afirma que a IAOP conta com 16 tipos de certificação para habilitar os times que lidam com contratos de outsourcing.