Archive for janeiro, 2008

É hora de comprar, dizem analistas

segunda-feira, janeiro 28th, 2008
Para especialistas, crise internacional abre oportunidades para se comprar ações por preços mais baratos

Rosangela Dolis

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A onda de queda das bolsas internacionais na sexta-feira, depois da recuperação nos dois dias anteriores, reforça a idéia de que a volatilidade no mercado não será passageira – na sexta-feira, feriado em São Paulo, a Bovespa não funcionou e pode reproduzir neste início de semana o mau humor do mercado naquele dia. “As bolsas devem continuar voláteis, dificilmente vão se acalmar em menos de um mês”, avalia Fabiano Gomes, superintendente-adjunto da Santander Asset Management.

“A crise de hipotecas de alto risco americana ainda não mostrou todas as suas garras e prejuízos”, alerta Carlos Daniel Coradi, presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.

A turbulência no mercado financeiro já fez a Bolsa paulista recuar 10% este ano, trazendo o preço das ações para níveis que levam os analistas a recomendar a compra. “Há consenso de que este é um momento de compra. Raras vezes nos últimos meses tive tanta certeza de que era hora de comprar como agora”, comenta Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos.

O problema para o investidor tirar proveito dessa “janela de oportunidade” é que, segundo Coradi, a Bovespa é uma das bolsas mais voláteis do mundo, conforme um índice calculado pela EFC, que considera a menor e a maior pontuação no período de um ano. “Em 2007, o índice foi de 49%.” A vantagem é que ela tem se mostrado a mais rentável. “Em um ano foi a que mais subiu no mundo”, diz Coradi.

Para este ano, entretanto, analistas não esperam que ela repita o sucesso de 2007, quando a alta foi de 43,65%. A expectativa é de valorização de 20% a 25%. “Apostar em mais que isso seria otimismo exagerado”, diz Cerbasi.

Diante de um investimento volátil que, porém, acena com ganho melhor que o da renda fixa, para o investidor, o melhor é assimilar conceitos que previnam sustos.

“Essa crise é um evento importante para a educação do investidor”, diz Gomes. “Há lições a tirar dessa crise”, concorda Fábio Colombo, administrador de investimento.

Andrew Frank Storfer, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), também diz que muito do estresse dos investidores hoje tem a ver com falha na sua educação financeira. “Durante anos, a bolsa ficou em plano secundário por causa do juro alto na renda fixa. Agora, com a queda dos juros, a classe média vai à bolsa despreparada.” Veja a orientação dos consultores.

SEPARAÇÃO DO DINHEIRO

“Para a bolsa deve ir o dinheiro para o qual não há compromisso”, diz Cerbasi. “O certo é não investir em bolsa o dinheiro que será necessário em data certa no futuro”, reforça Fábio Colombo, administrador de investimentos.

TRAÇAR PERFIL

É em momento de crise que o investidor pode conhecer o seu perfil. Se na semana passada teve alto nível de estresse, quis vender ou vendeu suas ações por causa do sobe-e-desce, deve concentrar-se na renda fixa, não em bolsa. Se encarou as oscilações como próprias do mercado, está apto a arriscar-se.

DIVERSIFICAR

Colombo comenta que muitos investidores erram duas vezes em momentos de grandes valorizações na bolsa: concentram seus investimentos nela e compram ações de uma única empresa. “O investidor tem de distribuir seus recursos de acordo com seu perfil (tolerância a perdas) entre ações, renda fixa (como fundos DI, de renda fixa, caderneta), imóveis comerciais e até fundos cambiais e ouro, para proteção nas crises.”

VISÃO DE LONGO PRAZO

O quadro atual confirma que bolsa é opção de longo prazo. Storfer observa que quem entrou há mais tempo na bolsa está com ganho substancial, mesmo depois da volatilidade da semana passada. Já quem entrou há menos tempo, a partir de outubro, está contabilizando prejuízo (ver gráfico).

COMEÇAR AOS POUCOS

As primeiras compras devem ser feitas gradualmente, nos momentos de baixa e com vistas à diversificação. “Quem aplica em fundos de ações já faz essa diversificação, mas quem aplica sozinho precisa ir compondo uma carteira com de 10 a 12 papéis de vários setores”, orienta Colombo. Para Coradi, uma carteira com cinco ações já é uma boa estratégia. Ele recomenda Petrobrás, Vale, Gerdau, Embraer e, no setor financeiro, Bradesco ou Itaú.

COMPRAR NA BAIXA E VENDER NA ALTA

Os movimentos de entrada e saída em bolsa devem ser sempre graduais, pois nunca é possível saber se na baixa ela já atingiu o fundo do poço e se na alta já atingiu o pico. Segundo Colombo, a estratégia vale tanto para formar uma carteira como para calibrar o porcentual de recursos já aplicados em ações.

Se o investidor definiu que vai concentrar 20% dos seus recursos em ações, uma alta da bolsa vai elevar essa exposição, e aí ele deve vender o suficiente para retornar ao limite de 20%.

Do contrário, quando uma desvalorização da bolsa reduzir sua exposição, ele deve comprar ações até restabelecer a margem de 20%. “Assim, o investidor vai sempre fazer o certo, comprar na baixa e vender na alta.”

TER UMA ESTRATÉGIA

Para Storfer, o investidor precisa ter uma estratégia tanto para os momentos de alta como para os períodos de queda. Ele pode estabelecer um porcentual “x” de ganho e, uma vez alcançado o objetivo, fazer o resgate. Ou definir um “x” de perda e fazer o resgate nesse piso, para reduzir ao mínimo o prejuízo.

EVITAR SUPERAPLICAÇÃO

Com o sucesso da bolsa em 2007, muita gente aplicou quantia acima da sua tolerância a perda. Segundo Colombo, ao ser pego nessa situação, o investidor tem dois caminhos: vender parte das ações até trazer o volume aplicado para um nível mais razoável ou manter a posição e correr o risco de sofrer perdas maiores.

Site vai oferecer mais de 25 milhões de músicas gratuitas

segunda-feira, janeiro 28th, 2008
CANNES - Após passar uma década tentando combater a pirataria de músicas pela internet, parte da indústria fonográfica decidiu liberar, a partir desta segunda-feira, 28, o acesso gratuito a mais de 25 milhões de canções pela internet.O serviço de música online Qtrax anunciou, no domingo, 27, uma parceria com grandes gravadoras, incluindo EMI, Sony BMG, Universal Music e Warner Music, que vai possibilitar que usuários baixem de graça títulos dos mais variados gêneros, desde grandes hits da atualidade até clássicos e raridades.

Como parte do acordo, artistas e gravadoras serão pagos conforme o número de acessos às suas músicas e ainda receberão uma fatia do que for arrecadado com os anúncios publicitários feitos na página da Qtrax. Empresas como Microsoft, Mc Donald’s e Ford já revelaram que serão alguns dos anunciantes.

O anúncio foi feito pela empresa americana durante a abertura da 42ª edição do Midem (Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical), a feira mundial da música, em Cannes, na França.

Para acessar as músicas, o usuário terá de ir ao site da Qtrax e baixar um software específico. Atrelada à nova ferramenta, está o software Digital Rights Management (gerenciamento de direitos digitais, em tradução livre), que permitirá às gravadoras checarem quantas vezes suas músicas foram baixadas e tocadas.

O serviço será disponibilizado por meio de uma rede “peer-to-peer” (P2P) de compartilhamento de arquivos pela internet.

Ipod

As músicas que poderão ser baixadas pelo Qtrax não serão compatíveis – pelo menos em um primeiro momento – com o iPod. Mas a empresa, que passou os últimos cinco anos desenvolvendo a nova ferramenta, já anunciou que está estudando uma “solução para o iPod”, a ser disponibilizada em 15 de abril. Cerca de US$ 30 milhões (R$ 53 milhões) foram investidos pela Qtrax na nova tecnologia.

O chefe-executivo da empresa, Allan Klepfisz, disse que os consumidores “agora poderão compartilhar música legalmente pela internet”. “Nós queremos poder disponibilizar música de graça num ambiente de total legalidade que permitirá que os artistas sejam pagos”.

Fundador do LinkedIn mostra seu toque de Midas

segunda-feira, janeiro 28th, 2008

Poucos empreendedores da internet realmente fazem o que pregam de forma tão devotada quanto Reid Hoffman, co-fundador da LinkedIn, cujos negócios giram em torno de sua crença de que a boa sorte emana dos bons relacionamentos. Hoffman, de 40 anos, colocou o princípio para funcionar explorando sua própria e vasta rede de conexões no Vale do Silício, para tirar a sorte grande na internet uma vez atrás da outra.

Um colega da universidade levou Hoffman ao (serviço de pagamentos on-line) PayPal e a seu primeiro golpe de sorte, quando o eBay comprou a empresa por US$ 1,5 bilhão, em 2002. Desde então, tornou-se ainda mais rico, investindo em outras companhias iniciantes da internet, que descobria por meio de amigos e ex-companheiros de trabalho.
Ao longo do caminho, Hoffman também usou parte dos recursos obtidos com o PayPal para ajudar a lançar o site LinkedIn, uma rede de relacionamentos de negócios na internet, que ajuda profissionais como ele a materializar o valor de seus contatos do passado e presente.
Com mais de 1 milhão de pessoas juntando-se à rede mensalmente e uma receita projetada entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões neste ano, a empresa parece ser outra atividade de grande retorno para Hoffman. “O LinkedIn é uma grande expressão de que Reid é”, observa John Lilly, executivo-chefe da Mozilla, criadora do programa de navegação na internet Firefox, da qual Hoffman é um dos integrantes do conselho de administração. A empresa “é realmente seu cérebro na web”.
O LinkedIn tenta ajudar pessoas que se conheceram em algum lugar a encontrar mais facilmente outras pessoas que possam ajudar em suas carreiras. Por exemplo, se Mary e Bob integram a rede de Fred, então Mary pode pedir a Fred referências sobre Bob, que pode decidir se gostaria de passar a relacionar-se com Mary.
O foco do LinkedIn em redes profissionais o distingue de redes de recreio social como MySpace, da News Corp., e Facebook, nas quais os usuários são encorajados a compartilhar suas vidas pessoais inserindo fotos e preferências, como suas bandas favoritas. Embora possa não soar muito divertido, o LinkedIn parece prosperar. Cerca de 18 milhões de pessoas têm seus perfis no site, quase o dobro de um ano atrás.
Hoffman, que continua como presidente do conselho de administração e maior acionista do LinkedIn cinco anos após sua fundação, afirma que a empresa provavelmente vai entrar com o pedido para uma oferta pública inicial de ações antes de 2010. Isso caso ele não se sinta tentado a vendê-la a algum dos que vêm sondando o negócio. Hoffman não diz quem são esses interessados. “Sei que valeremos muito mais em um ou dois anos”, afirma o empresário. “Tivemos conversas (sobre a aquisição) com todos os suspeitos habituais, mas acredito que uma oferta pública inicial de ações é, de longe, o desenlace mais provável.”
O LinkedIn, contudo, tem seus detratores, que o vêem como pouco mais que uma ferramenta para caçadores de emprego e recrutadores de funcionários, uma versão ligeiramente diferente dos serviços de classificados de emprego, como o Monster.com ou o HotJobs, do Yahoo. Além de vender anúncios, o site recebe o pagamento de recrutadores e de outros que desejam acesso mais amplo aos seus membros.
Embora não seja tão áspero, Keith Rabois, ex-executivo do LinkedIn, acredita que Hoffman teria de buscar a oferta de ações o quanto antes possível, para criar uma agitação maior sobre o serviço. “Neste momento, o LinkedIn não parece estar no centro do universo da internet e uma oferta pública inicial de ações seria uma oportunidade fantástica de marketing”, afirma Rabois, que deixou a LinkedIn no ano passado para juntar-se a outra empresa iniciante de alto crescimento, a Slide.
Até agora, o LinkedIn não gerou o mesmo alvoroço que o Facebook, que vem atraindo vários de seus usuários. Com 60 milhões de usuários, o Facebook, de capital privado, ostenta um valor de mercado de US$ 15 bilhões e deu sinais de que irá atrás de uma oferta pública inicial de ações em 2009 ou 2010.
Hoffman, por acaso, também possui participação no Facebook, comprovando seu talento especial para identificar oportunidades promissoras na internet em seus estágios iniciais. “É como se ele fosse capaz de olhar para a internet e descobrir como todas as peças se encaixam”, comenta Mark Kvamme, sócio da empresa de participações Sequoia Capital e membro do conselho de administração do LinkedIn.
Embora possa trazer o que seria o maior retorno de investimento de Hoffman, o Facebook também ameaça tornar-se uma pedra no sapato, se reduzir o tempo que as pessoas gastam no LinkedIn.
Para contra-atacar, nos últimos meses o LinkedIn passou a adotar funções mais parecidas com as do Facebook. As mudanças permitiram aos usuários exibir fotos ao lado de seus perfis pessoais e abriram o site para que pessoas de fora pudessem inserir pequenos aplicativos de software, conhecidos com “widgets”, idealizados para ajudar pessoas com conexões comuns a compartilhar informações.
Apesar das imitações, Hoffman insiste que não está preocupado com o Facebook, que ele considera muito casual e superficial para as ambições dos profissionais que usam o LinkedIn.
Hoffman credita os investimentos de sucesso a suas próprias conexões. “Toda vez que há pessoas realmente boas envolvidas com um produto potencialmente bom, eu penso que provavelmente deveria entrar com pelo menos um pouco de dinheiro, caso tenha a chance”, diz.
Isso não significa que ele investe em qualquer empreendimento iniciado por algum conhecido, embora, às vezes, lamente-se por não fazê-lo. Hoffman não se sentiu atraído a investir no YouTube, o que o privou de um grande retorno quando o Google comprou o popular site de vídeos por US$ 1,76 bilhão, em 2006. Em vez de investir, o LinkedIn cedeu espaço para os escritórios dos fundadores do YouTube, Chad Hurley e Steve Chen, que haviam trabalhado com Hoffman no PayPal.
Hoffman, contudo, não erra com freqüência. Das empresas iniciantes nas quais investiu, três foram vendidas a partir de 2005 por um valor total de mais de US$ 1,1 bilhão, embora Hoffman tenha ficado apenas com uma pequena fatia disso. O site de compartilhamento de fotos Flickr foi adquirido pelo Yahoo; a rede de música Last.fm foi comprada pela CBS; e a empresa de segurança de computadores IronPort foi comprada pela Cisco Systems.
Além do Facebook, a lista de empresas promissoras no portfólio de Hoffman inclui a Six Apart, fabricante de programas para blogs; a Technorati, serviço de busca em blogs; a Digg, na qual os usuários fazem avaliações sobre o conteúdo encontrado na web; e a Ning, outra rede de relacionamento social. Ele também tem participações em várias empresas iniciantes e menos conhecidas.
As conexões e investimentos de Hoffman freqüentemente têm laços com o PayPal, no qual acumulou ações quando foi diretor e, depois, um alto executivo. Ele conheceu o co-fundador e executivo-chefe do PayPal, Peter Thiel, quando ambos estudavam na Stanford University, nos anos 80.
Thiel, um dos primeiros investidores do LinkedIn e, agora, capitalista de risco e diretor do Facebook, é uma das mais de 1,5 mil conexões que Hoffman lista no LinkedIn. “Dispenso muita atenção a desenvolver relações”, diz. Ele admira-se de como a filosofia parece funcionar tão bem para Hoffman. “Todos no Vale do Silício estão a menos de dois graus de separação de Reid”, afirma. (Tradução de Sabino Ahumada)

A receita dos vencedores

segunda-feira, janeiro 21st, 2008

A lição dos vitoriosos para ser bem-sucedido nos negócios

Paulo Veras, diretor do Instituto Endeavor: “Temos de buscar o caminho para crescer e sermos os maiores”

1 Empresa pequena é apenas uma empresa que está no começo

2 Mire em ser o melhor do mundo em sua atividade. Se chegar perto disso, já é um sucesso

3 Sobreviver sem crescer é condenação ao fracasso.  É preciso crescer sempre

4 Seu produto tem de fazer a diferença. Chegar tarde para fazer a mesma coisa é sinônimo de derrota

5 Ambiente de negócio hostil não é desculpa.  É preciso vencer em qualquer situação

6 Desafios e crises são coisas do cotidiano, e não exceções

7 Seu mercado é o planeta

8 Deve haver transparência total nos objetivos e na contabilidade. O informal está condenado a ser pequeno

9 Grandes idéias nascem e prosperam em pequenos grupos, não em assembléias

10 Seus clientes querem satisfação, e não que você se esgote correndo atrás das novidades de seus competidores

Extra! Extra! Aperto financeiro ameaça jornalismo investigativo

quarta-feira, janeiro 9th, 2008

No fim de 1999, o jornal que eu editava, The Wall Street Journal, estava nadando em dinheiro.

Graças ao boom das pontocom e à publicidade abundante que ele gerava, nós rodávamos as impressoras a plena capacidade praticamente todos os dias, e chegávamos a ter que recusar anúncios por falta de espaço.

Mas enquanto os bons tempos aconteciam, dois nomes sem ligação com jornais não paravam de despontar. Recordo-me de ficar estupefato quando soube que o principal lugar em que nossos próprios leitores checavam as cotações de ações era a seção de finanças do Yahoo.

Uma dupla de meninos da Stanford havia lançado um buscador chamado Google. E muitos de meus colegas já o usavam.

Menos de seis meses depois, a bolha de tecnologia começou a desinflar. Centenas de empresas morreram, levando consigo seus orçamentos publicitários. Mas a indústria da Web seguiu adiante e, dentro de poucos anos, triturou o modelo de negócios dos jornais que funcionava havia décadas.

Esse choque hi-tech no meu setor não era algo que eu pudesse ter imaginado no dia de julho de 1966 em que eu entrei num prédio industrial de San Francisco para começar a trabalhar como repórter para o WSJ. Máquinas históricas da Linotype cuspiam versões em metal quente das matérias, uma linha de cada vez.

Uma indústria de jornais sob controle familiar estava embarcando num período importante de poder e lucro em alta.

Amanhã eu vou recolher meus últimos pertences e me afastar de um jornal onde passei 26 dos meus 41 anos no jornalismo, entre os quais 16 como diretor de redação do WSJ. Atualmente, ao meu redor há um setor em polvorosa, com receitas e ações em queda acentuada, demissões e aquisições de editoras que dez anos atrás pareciam impossíveis de conquistar. Só em dezembro, a News Corp., do empresário Rupert Murdoch, concluiu sua aquisição da Dow Jones & Co., a editora do WSJ, e o magnata americano do mercado imobiliário Sam Zell conquistou o controle efetivo da Tribune Co. – que publica entre outros jornais o Los Angeles Times e o Chicago Tribune. Os editores do WSJ me pediram que eu revisitasse minhas experiências das últimas quatro décadas em busca de observações sobre como tudo isso aconteceu, o que pode acontecer a partir de agora e as implicações de todas essas mudanças para os leitores, o país e a sociedade como um todo. Para os leitores, as implicações são claras: um contraste marcante de abundância e escassez. A abundância de notícias nas esferas nacional, internacional, de negócios, esportes e especialmente editoriais disponíveis de graça na Web é de uma riqueza sem paralelo histórico. Qualquer um com um fato, um comentário, uma foto ou um vídeo pode publicar por conta própria e instantaneamente concorrer com os profissionais.

Ao mesmo tempo, a ampla gama de repórteres investigativos e de correspondentes estrangeiros mantidos pelos jornais em várias décadas está sendo reduzida em praticamente todas as publicações, à medida que os jornais sucumbem às pressões para cortar custos. Menos de 50 anos atrás, os jornais americanos eram na maioria relativamente pequenos, pouco rentáveis, de controle familiar, tinham foco local e eram altamente competitivos. Aí, no começo dos anos 60, a indústria se transformou numa série de minimonopólios. Uma nova onda de consolidaçào formou grandes empresas de capital aberto de bilhões de dólares. O resultado foi a idade de ouro do jornalismo americano. Os jornais diários estavam dispostos a enviar repórteres a campo em busca de reportagens que expusessem a corrupção ou explicassem o mundo. Alguns passaram a ter correspondentes fixos não somente em Londres, Moscou e Tóquio, mas também em lugares como Sydney e São Paulo. Eu não recordo exatamente quando as rachaduras começaram a aparecer. Nos anos 80, tínhamos um certo medo da televisão, cada vez mais a fonte de notícias preferida pelas pessoas.Aí nos anos 90 vieram as redes digitais e a internet. Em 1995 dezenas de jornais, entre eles o WSJ, tinham edições online.

Os primeiros executivos da edição online do Journal referiam-se a ela como a “mata-jornal”, para grande irritação dos colegas do lado impresso. Mas a frase era apta: a Web podia distribuir palavras e números praticamente à velocidade da luz sem o custo de impressão, papel ou caminhões de entrega, e tudo podia ser arquivado e recuperado em buscas. Em resposta, os jornais tentaram fazer três coisas: cortar custos, diversificar e, acima de tudo, abraçar a nova tecnologia. O corte de custos primeiro seguiu uma trilha aberta nos anos 70, de usar computadores para eliminar vagas na cadeia produtiva fora das redações. Atualmente, nada além de elétrons fica entre as mentes e mãos dos jornalistas e a imagem fotográfica usada para produzir uma chapa de impressão. Mas esses cortes geralmente não foram o bastante, e os jornais passaram a congelar vagas e ao final, a demitir. Os cortes foram particularmente fortes nas sucursais estrangeiras e no chamado jornalismo investigativo, que estão entre as categorias de custo mais alto. Os empreendimentos de editoras jornalísticas na internet quase sempre tiveram sucesso limitado.

Parte do problema foi que os que estavam encarregados da publicidade impressa e da circulação desconfiavam de seus coletas no lado online, e vice-versa. No WSJ, eu vi isso freqüentemente.

A certa altura, a turma do impresso sugeriu que as assinaturas online fossem dadas de graça para assinantes do jornal impresso.

A turma do online retrucou, dizendo que a idéia relegava seu site a um status de “brinde”.

Um problema maior foi que os jornais geralmente tentavam copiar muito de perto na Web o que eles faziam no impresso, em vez de oferecer novos produtos que fizessem um proveito maior da digitalização. Os produtos novos mais criativos vieram principalmente de empresas com pouca ligação com jornais. E, em pouco tempo, para qualquer dado que a gente contava com os jornais para obter – resultados de jogos, previsão do tempo, cotações, horário dos filmes – havia websites oferecendo mais informações, mais rápido, e de graça.

O que vai acontecer agora? Uma mudança, acelerada e em grande parte imprevisível. Quase toda empresa no setor precisa de uma nova fonte importante de receita, grandes reduções de custos ou uma saudável dose de cada.

Uma palavra final: Na semana que vem eu começo a trabalhar para uma organização sem fins lucrativos chamada Pro Publica, como presidente e editor-chefe. Quando ela estiver com seu quadro preenchido, seremos uma equipe de 24 jornalistas dedicados a noticiar os abusos de

poder cometidos por quem quer que detenha poder: governos, empresas, sindicatos, universidades, sistemas educacionais, médicos, hospitais, advogados, tribunais, ONGs, imprensa. Nós publicaremos em nosso website e também possivelmente por meio de jornais, revistas e programas de TV, oferecendo nosso material de graça se eles tiverem.

Empresas virtuais

sábado, janeiro 5th, 2008
Um país pode ter uma política de investimentos diversificados, embora concentrando recursos apenas em atividades nas quais tenha as melhores condições de competitividade. Esse país entrará e sairá facilmente de outros investimentos, nos quais não seja competitivo, que serão apenas financeiros, não físicos. E administrará seu perfil de risco sem expor-se a situações de dano incontornável, como no caso de insucesso do investimento numa indústria não competitiva. Tudo isso seria possível com a aplicação do conceito de swap de risco-país, desenvolvido por Robert Merton, Prêmio Nobel de Economia de 1997, com base naquilo que já se faz habitualmente nos mercados financeiros por meio do intercâmbio de posições de investimento em operações destinadas a reduzir os “custos de transação”. Merton aposta que essa prática deverá tornar-se comum em menos tempo do que se possa imaginar, como disse ao Valor.
“O swap não é um procedimento invasivo. Não requer nenhuma grande alteração nas estruturas de emprego ou industriais, nem no sistema financeiro. Além disso, a política é reversível. Se você fizer um grande swap hoje para modificar os padrões de risco e, daqui a dois anos, decidir que não era isso que queria fazer, tudo bem. Mas se você construir fisicamente uma indústria, não há como voltar atrás”, explicou.
A operação de swap tem sido usada por bancos e empresas de investimento em vários países, para minimizar a exposição a diferentes tipos de risco, como os do câmbio, das taxas de juros e do mercado de ações. Mas o sistema de swap de risco-país seria aplicável, por exemplo, ao caso de um país que seja competitivo na produção de automóveis e tenha uma indústria inexpressiva de componentes eletrônicos.
Para reduzir problemas decorrentes do fato de ser dependente de um só setor da economia, esse país tenderia a investir pesadamente no setor em que não é competitivo. Com o swap, porém, poderá fazer um acordo de troca de riscos com um país competitivo em eletrônica, por exemplo, com base em determinado valor, de forma que cada qual pagaria retornos sobre um portfólio internacional de ativos do respectivo setor. Assim, a exposição ao risco do primeiro país ficaria reduzida à diferença de retornos do portfólio do setor automotivo (o seu) e do setor eletrônico.
Apesar de o Brasil ser um país com economia diversificada e recursos naturais, Merton avalia que o swap encontraria campo de aplicação também aqui, por ser um instrumento para promover o crescimento econômico a longo prazo. “O compartilhamento eficaz de riscos e a existência de um sistema financeiro eficaz podem ser elementos importantes para o crescimento e o desenvolvimento econômico”, afirma Merton.
Aos 61 anos, Merton é professor da Universidade de Harvard. Ganhou o Nobel pela criação de um “novo método para determinar o valor dos derivativos”. Derivativos são contratos ou títulos cujo valor está relacionado aos movimentos de preço de um outro título, instrumento ou índice. Pode ser utilizado como instrumento de hedge, simplesmente, mas também é conhecido pelo uso amplo em operações que visam apenas a especulação. Para a Academia Sueca de Ciências, a fórmula desenvolvida por Merton “propiciou novos tipos de instrumentos financeiros e facilitou o gerenciamento de riscos na sociedade”.
O objetivo de Merton, agora, é dar prosseguimento à difusão de sua nova tese e à aplicação prática do conceito de risco-país. Para isso, fundou a Integrated Finance Limited, dedicada à consultoria de empresas e países interessados nessas operações.
Embora seja um economista respeitado, Merton não traz apenas idéias bem-sucedidas em seu currículo. Foi um dos fundadores da empresa de hedge-fund Long-Term Capital Management, que quebrou em 1998, apenas um ano após o professor receber o Nobel. O colapso do fundo quase provocou um cataclisma financeiro global em plena crise do Sudeste Asiático.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Valor.

Valor: O senhor tem defendido que uma saída para oferecer menos riscos a uma nação, que hoje precisa diversificar sua produção industrial para ser competitiva, é recorrer à operação que denomina de swap de risco-país. Como esse mecanismo poderia contrabalançar o perigo de perdas?
Robert Merton: A idéia central é reduzir a troca entre a busca da vantagem comparativa e a diversificação eficaz dos riscos, que tipicamente leva um país a investir em muitas áreas diferentes, não relacionadas. Esses dois fatores são conflitantes. Sugiro um canal para compartilhar riscos de modo mais eficaz em escala internacional. O problema da diversificação industrial é que, para inaugurar um novo setor num país é preciso investir, contratar funcionários, treiná-los, abrir firmas e protegê-las até que comecem a ter autonomia e, mesmo assim, é quase certo que este país não será tão competitivo quanto outros mais avançados naquela área. Para abrir este novo setor também será preciso mudar o modo como se fazem as coisas naquele determinado país. É preciso que os trabalhadores se qualifiquem para os novos postos, para desempenhar funções diferentes, ao passo que, com a aplicação do swap de risco, o país se livra do alto risco desses investimentos. As pessoas vão para o trabalho hoje exatamente como foram ontem. Nada muda fisicamente na administração dos negócios, nos empregos, nos padrões de comportamento, na estrutura industrial.
Valor: A idéia é que um país busque sua vantagem comparativa na produção em relação ao mercado internacional e se faça o swap num portfólio internacional do setor?
Merton: Isso é o que recomendo. Alguns de meus colegas recomendam o mesmo tipo de procedimento, principalmente em países onde é predominante a produção de certas mercadorias, como o cobre no Chile, o petróleo no México. Não é o caso do Brasil, que possui uma economia muito mais diversificada. É preciso arrecadar o valor capitalizado daquilo que se tem, não os fluxos anuais. Não é apenas o PIB alcançado em determinado ano ou a receita de determinado ano que se torna um fator de risco. Trata-se do valor capitalizado, a receita futura de um setor que gera mais risco. Se você possui ações de uma companhia, não está exposto apenas aos ganhos ou dividendos em determinado ano, mas também aos de anos seguintes, isto é, ao valor capitalizado.
Valor: Mesmo um país como o Brasil, com recursos naturais e recursos de produção, poderia se beneficiar do swap de risco país?
Merton: Claro que sim. Obviamente, países menores, com menos vantagens comparativas, provavelmente se beneficiariam mais. Mas em todos esses casos estamos falando de desenvolvimento econômico de longo prazo. O compartilhamento eficaz de riscos e a existência de um sistema financeiro eficaz podem ser elementos importantes para o crescimento e o desenvolvimento econômico. O swap não é um procedimento invasivo; não requer nenhuma grande alteração nas estruturas de emprego ou industriais, nem no sistema financeiro. Além disso, a política é reversível. Se você fizer um grande swap hoje para modificar os padrões de risco e, daqui a dois anos, decidir que não era isso que queria fazer, tudo bem. Mas se construiu uma indústria fisicamente, não há como voltar atrás.
Valor: O senhor vê conexões com este mecanismo de operação e o usado nas operações de crédito de carbono?
Merton: Em alguns aspectos, se equivalem. Os contratos de crédito de carbono são para trocar direitos ou oportunidades, que podem reduzir alguns riscos. O swap de risco país é uma aplicação um pouco diferente. A maioria dos países não tem risco diversificado. Grande parte possui relativamente poucos setores nos quais apresenta vantagem comparativa. O ideal seria que, com relação à produção e ao desenvolvimento, os países se concentrassem em sua vantagem comparativa. Digamos que você inaugura uma indústria automobilística e, cinco anos mais tarde, quando tem cem mil pessoas trabalhando, decide que não foi uma boa idéia; não há como voltar atrás. Mas no caso do swap você pode voltar atrás. É só fazer um contrato de “off-setting” – quase sem nenhum impacto sobre a vida no país. No entanto, em se tratando de exposição a riscos, o ideal seria que esses países pudessem diversificá-los globalmente. E a melhor política em termos de diversificação é fazer negócios no mundo inteiro.
Valor: Aqueles que se orientam pela engenharia econômica se concentram nos aspectos tecnológicos. Acreditam que tecnologia por si só pudesse produzir ganhos econômicos reais para determinado país ou região. Eles estão certos?

“O problema da diversificação industrial é que para inaugurar um novo setor é preciso investir, contratar, treinar e proteger

Merton: É claro que a tecnologia é muito importante – se não há tecnologia, não há base para crescimento. No entanto, você pode ter toda a tecnologia, mas se ela não for desenvolvida ou transformada em realidade econômica, não terá vantagem alguma. E, ao que parece, essa transformação, para aqueles que a estudaram historicamente, é altamente influenciada pela capacidade não só de obter capital, mas também de gerenciar e distribuir riscos. Não se pode fazer uma comparação direta, mas é algo parecido com a discussão sobre como lidar com a fome no mundo. O problema não é a inexistência de alimento em quantidade suficiente, e sim a distribuição: fazer com que o alimento chegue até as pessoas que precisam dele. Esse sistema de distribuição é intangível e a comparação que faço é a seguinte: existe muita tecnologia por aí, mas, a menos que se descubra um meio de implementá-la efetivamente na economia, não haverá crescimento. Se você fala com um ortopedista, ele se concentra em seus ossos; se você fala com um cardiologista, ele se concentra em seu coração; você está falando com um especialista em finanças, que se concentra no sistema financeiro.
Valor: Mas os países têm questões de soberania. Se os estrangeiros detêm uma grande parcela das ações de uma companhia, não podem surgir conflitos com relação à política governamental?
Merton: Realmente, podem surgir questões políticas, como quando se ouve dizer que o país vendeu seus melhores bens a um preço muito baixo. Também acontece de investidores estrangeiros temerem expropriações, ou a imposição de controles de capital. Existem aspectos positivos e riscos para ambas as partes.
Valor: Que importância teria para a eficácia de um swap de risco-país o fato de investidores locais controlarem um setor competitivo
Merton: É como o mercado mundial de chips, de cobre ou qualquer outro. Os investidores locais ainda detêm controle sobre o setor, as ações ainda são negociadas em mercados locais, se houver um mercado de ações. Assim, evita-se parte do risco de vender as jóias da coroa do país.
Valor: A melhor estratégia seria começar aplicando swaps aos fundos de pensão e, em seguida, adotar medidas de redução de riscos?
Merton: Essa pode ser uma maneira natural de implementar o swap, começando pelos fundos de pensão. Gostaria de ser mais preciso e dizer que é assim que se deve fazer, mas estou fornecendo um conceito. Os detalhes da implementação devem ser adaptados para atender ao conjunto de necessidades, o ambiente institucional, a cultura de cada país etc. Não se trata de importar um modelo, porque se trata de um conceito, o conceito de transferir grandes riscos e permitir que o país em questão trabalhe com suas vantagens comparativas, concentrando investimentos em uma variedade relativamente pequena de áreas.
Valor: De que maneira um sistema financeiro ideal favoreceria o progresso tecnológico?
Merton: A natureza das coisas é a adaptação para criar conjuntos de instituições e mercados. Uso o termo instituição no sentido amplo, incluindo regulamentos, impostos etc. É preciso tirar proveito das tecnologias financeiras comprovadamente eficazes e das novas tecnologias físicas – telecomunicações, computação e assim por diante – para criar o maior número possível de canais para investimento e compartilhamento de riscos, para tentar incentivar o empreendedorismo, não necessariamente o empreendedorismo individual, mas também em ambientes empresariais de grande porte. É preciso criar um sistema de distribuição que permita de fato a transformação do progresso tecnológico em realidade econômica, em uma escala que possa ter um impacto significativo sobre um país ou região.
Valor: É por isso que o senhor diz que as instituições são muito importantes para esse tipo de negócio? Elas representam uma garantia aos investidores estrangeiros?
Merton: As vantagens de se utilizar swap em vez de empréstimos, investimento direto com recursos domésticos ou investimento direto estrangeiro é que esta transação financeira, por natureza, minimiza bastante o risco de expropriação, porque não há um montante principal a ser expropriado. Em outras palavras, um swap de US$ 1 bilhão em risco de chips de computador é diferente de um investimento estrangeiro de US$ 1 bilhão nesse setor ou de um empréstimo de US$ 1 bilhão. Se houver medidas de controle de capital ou simplesmente uma aquisição, US$ 1 bilhão será a quantia expropriada, mas, no caso de um swap, não há um montante principal, apenas uma troca de retornos. Logo, a quantia passível de expropriação é muito menor.
Valor: O senhor acha que será mais fácil para os mercados emergentes a aplicação deste mecanismo de swap de risco-país?
Merton: Bem, não sou macroeconomista, mas quantas vezes você já ouviu falar de receitas segundo as quais políticas fiscais e monetárias, estabilizações, moedas etc. são importantes para o crescimento e o desenvolvimento econômico? Esses fatores obviamente são importantes, mas no curto prazo.
Valor: Essa é uma abordagem do FMI: ser muito cuidadoso com a política monetária. No Brasil segue-se essa receita.
Merton: Sim, mas não estou criticando essas receitas em particular. Só estou dizendo que a ênfase da discussão deve ser outra. Talvez seja adequado dedicar recursos para analisar a estrutura financeira local e encontrar melhores meios de distribuição de riscos, melhores canais de investimento e assim por diante. Não se trata de escolher entre uma ou outra receita. Só estou afirmando que, em geral, a ênfase é colocada nesses elementos que citei. Pessoas como o professor Douglass North [professor da Universidade de Wahington e ganhador do Nobel de 1993] publicaram várias obras indicando que um sistema financeiro em bom funcionamento é um ingrediente importante para incentivar o crescimento econômico de longo prazo, principalmente quando esse sistema tira proveito do progresso tecnológico.
Valor: O desenvolvimento de um sistema financeiro mais eficaz é a solução definitiva para o desenvolvimento e o crescimento econômico?
Merton: Só digo que é um fator importante. Existem muitas tecnologias financeiras. Estou falando de tecnologias comprovadas, não experimentais. Elas podem gerar benefícios, estou concentrado nesses benefícios.
(Robinson Borges)