janeiro 2008
D S T Q Q S S
« nov   fev »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Brasil Brokers capta 13 vezes a receita

Nem passado glorioso, nem projeto detalhado. Muito menos, nome conhecido na praça. Mesmo sem se encaixar no perfil das tipicamente mais atrativas, a recém-constituída Brasil Brokers conseguiu um feito no mercado de aberturas de capital do pós-crise. A companhia encontrou espaço para fazer uma colocação secundária de ações do tamanho da primária. Foram R$ 608 milhões no total: metade com papéis dos acionistas e o restante, com novas ações, para capitalizar a empresa.
Neste ano, excluindo a Bovespa Holding, só Cremer, Wilson Sons, Log-in e Tegma conseguiram um mix parecido na oferta, entre primária e secundária. É o quinto caso num universo de 60 estréias na bolsa. E o primeiro desde que o discurso de seletividade do investidor começou a ganhar força.
O inusitado da Brasil Brokers é ainda maior considerando que se trata de uma companhia do setor imobiliário e que a colocação foi destinada a investidores “qualificados” – que possuem familiaridade com o universo financeiro e aplicações de, no mínimo, R$ 300 mil. Quando foi apresentada ao mercado, há meses circulavam comentários de que não haveria mais espaço para operações do setor de construção, dada a grande quantidade de ofertas ocorridas no primeiro semestre. Com a emissão primária, a Brasil Brokers colocou R$ 304 milhões em seu caixa: valor quase 13 vezes superior ao faturamento líquido do primeiro semestre, de R$ 23,5 milhões. Essa posição pode chegar a R$ 425,6 milhões, ou 18 vezes a receita dos seis primeiros meses do ano, caso a operação alcance os R$ 821 milhões potenciais com o lote suplementar de papéis, que pode ser vendido até fim de novembro.
A companhia é resultado da união de 16 imobiliárias. A idéia do negócio nasceu em fevereiro e todas as aquisições ocorreram neste segundo semestre do ano. Algumas delas só se concretizaram depois de pedido o registro da oferta de ações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No prospecto preliminar, só foram apresentadas 11 subsidiárias.
Pelo preço das ações na oferta inicial, os investidores atribuíram valor de R$ 1,6 bilhão à Brasil Brokers. O montante é mais do que o dobro dos R$ 639 milhões encontrados pela Z3M Planejamento, na avaliação solicitada pelo fundo Gulf I de Investimentos em Participações, sócio controlador até a oferta.
Segundo o prospecto da operação, a Brasil Brokers tem 3 mil corretores, em 363 pontos de venda, considerando as 16 subsidiárias. No momento da oferta de ações, tinha 33,6 mil imóveis prontos para revenda. Na carteira, considerando os projetos ainda no papel, são 190 mil unidades. O valor geral de vendas (VGV) potencial deles é de R$ 33,7 bilhões, sendo que o equivalente a R$ 26,9 bilhões ficará pronto para comercialização até o fim de 2009.
O negócio da empresa é, basicamente, corretagem imobiliária. A idéia de constituição da companhia teve como objetivo criar uma companhia de atuação nacional. Dada a juventude da iniciativa, 10% do que for arrecadado na oferta terá que ser destinado para efetivamente reunir as empresas compradas. Os recursos serão usados para aquisição e implantação de sistemas de tecnologia da informação e treinamento.
A maior parte da captação, 80% do total, será direcionada para novas aquisições. Na prática, significa que o projeto e a própria a companhia ainda estão ganhando forma.
Na oferta secundária, além dos sócios herdados da união das 16 imobiliárias, o fundo de investimento e sócio majoritário Gulf I foi o que mais arrecadou, junto da PDG Realty. A carteira da Gulfinvest obteve R$ 152 milhões na venda de ações, podendo chegar a R$ 202,6 milhões.
É no Gulf I que está o idealizador da empresa Ney Prado Júnior (45% do patrimônio). O fundo teve sua fatia na Brasil Brokers reduzida de 48% para 29% – podendo cair até 24%.
A PDG têm 25% da carteira desse fundo e embolsou R$ 43 milhões da oferta secundária. O valor pode subir para R$ 54 milhões, no caso de venda do lote suplementar. A companhia ajudou a compor a Brasil Brokers com a imobiliária Avance. Embora a unidade contribua com menos de 7% do VGV a ser lançado, a PDG ficou com 14% do montante arrecadado pelos acionistas.
O discurso de seletividade ganhou corpo ao longo deste ano, por conta do grande volume de operações, e intensificou-se após a crise nos mercados financeiros internacionais. Mais crítico, além de preferir emissões primárias, nas quais o dinheiro vai para o crescimento da companhia, às secundárias, em que os recursos vão direto para o bolso dos acionistas, o mercado passou a exigir também bons projetos para justificar a captação. Ao longo de todo este ano foram levantados R$ 29,5 bilhões em ofertas primárias nas aberturas de capital e, apenas R$ 12,2 bilhões em secundárias.
Poucos dias antes do pico da crise, feito semelhante foi o da Invest Tur, que constituía-se, exclusivamente, de um projeto no papel. Captou R$ 945 milhões na Bovespa. O objetivo é explorar projetos imobiliários voltados ao turismo no Nordeste. A empresa vendeu a idéia pela experiência dos sócios, uma vez que foram os criadores do Txai Itacaré (BA) – Joaquim Ferraz, José Romeu Ferraz Neto e Marcio Botana Moraes, donos da GR Capital Consultoria. Após a capitalização, a Invest Tur comprou o resort baiano Txai da família de um dos sócios originais, por R$ 15,5 milhões. Os fundadores recebem ainda, por meio da GR Capital, cerca de R$ 2,5 milhões a cada três meses, por serviços de consultoria prestados à empresa.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.