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Tudo se cria, tudo se transforma

Idéias que batem de frente com modos estabelecidos de pensar ou fazer são geralmente vistas com ceticismo. Foi assim com o Linux, sistema operacional criado no princípio dos anos 1990 por Linus Benedict Torvalds. Hoje, são ícones, ele próprio e sua criatura, da indústria do software livre, que tem a IBM, por exemplo, entre seus mais ilustres associados. E o sistema Windows, da Microsoft, ganhou um concorrente respeitável. “The Wealth of Networks”, de Yochai Benkler, professor de direito em Yale, é um livro inspirado em experiências como a de Torvalds, possibilitadas pela tecnologia que se mistura com filosofia nos princípios que regem a criação e o funcionamento de redes de relacionamento, via internet, para a produção cooperativa de um bem informacional ou cultural. O livro, agora lançado pela Yale University Press, pode ser comprado na Amazon ou na Powell´s (US$ 40), mas também está disponível na internet, para download gratuito, e inteiramente aberto a colaborações ( http:// www.benkler.org/wealth-of- net works/index.php/Main-Page ).
É a “peer production”, aquela que se faz nos limites de uma comunidade de pessoas que se identificam no interesse por um assunto – e que, como diz Benkler no livro, “constitui um duro desafio para o pensamento convencional a respeito da economia da produção de informação”. Mas não se trata de excepcionalidades, coisas efêmeras, afirma o autor. “É um erro pensar que temos somente duas formas básicas de transações livres – aquelas dos mercados e suas relações de contrato e propriedade, e empresas hierarquicamente organizadas. Temos três, e a terceira é o compartilhamento e a troca de caráter social.”
Benkler argumenta que, se o domínio da propriedade intelectual, das marcas registradas e das patentes não parou de se expandir, nos últimos poucos anos também ganharam ímpeto forças sociais que agem em sentido contrário.
A visão de Benkler não é de todo utópica. Que o digam Torvalds e os milhares de participantes da comunidade mundial que ele criou. Ou a IBM, que aderiu ao Linux e o instalou em seus servidores, para fazer frente ao Windows da Microsoft. São fatos. Benkler não tem dúvida: o futuro da economia da informação está nas redes, lugares virtuais em que já se comprova ser possível mudar os modos como se cria e troca informação, conhecimento e cultura. Idéias para um “novo capitalismo”?

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