Archive for janeiro 28th, 2008
É hora de comprar, dizem analistas
Rosangela Dolis
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A onda de queda das bolsas internacionais na sexta-feira, depois da recuperação nos dois dias anteriores, reforça a idéia de que a volatilidade no mercado não será passageira – na sexta-feira, feriado em São Paulo, a Bovespa não funcionou e pode reproduzir neste início de semana o mau humor do mercado naquele dia. “As bolsas devem continuar voláteis, dificilmente vão se acalmar em menos de um mês”, avalia Fabiano Gomes, superintendente-adjunto da Santander Asset Management.
“A crise de hipotecas de alto risco americana ainda não mostrou todas as suas garras e prejuízos”, alerta Carlos Daniel Coradi, presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
A turbulência no mercado financeiro já fez a Bolsa paulista recuar 10% este ano, trazendo o preço das ações para níveis que levam os analistas a recomendar a compra. “Há consenso de que este é um momento de compra. Raras vezes nos últimos meses tive tanta certeza de que era hora de comprar como agora”, comenta Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos.
O problema para o investidor tirar proveito dessa “janela de oportunidade” é que, segundo Coradi, a Bovespa é uma das bolsas mais voláteis do mundo, conforme um índice calculado pela EFC, que considera a menor e a maior pontuação no período de um ano. “Em 2007, o índice foi de 49%.” A vantagem é que ela tem se mostrado a mais rentável. “Em um ano foi a que mais subiu no mundo”, diz Coradi.
Para este ano, entretanto, analistas não esperam que ela repita o sucesso de 2007, quando a alta foi de 43,65%. A expectativa é de valorização de 20% a 25%. “Apostar em mais que isso seria otimismo exagerado”, diz Cerbasi.
Diante de um investimento volátil que, porém, acena com ganho melhor que o da renda fixa, para o investidor, o melhor é assimilar conceitos que previnam sustos.
“Essa crise é um evento importante para a educação do investidor”, diz Gomes. “Há lições a tirar dessa crise”, concorda Fábio Colombo, administrador de investimento.
Andrew Frank Storfer, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), também diz que muito do estresse dos investidores hoje tem a ver com falha na sua educação financeira. “Durante anos, a bolsa ficou em plano secundário por causa do juro alto na renda fixa. Agora, com a queda dos juros, a classe média vai à bolsa despreparada.” Veja a orientação dos consultores.
SEPARAÇÃO DO DINHEIRO
“Para a bolsa deve ir o dinheiro para o qual não há compromisso”, diz Cerbasi. “O certo é não investir em bolsa o dinheiro que será necessário em data certa no futuro”, reforça Fábio Colombo, administrador de investimentos.
TRAÇAR PERFIL
É em momento de crise que o investidor pode conhecer o seu perfil. Se na semana passada teve alto nível de estresse, quis vender ou vendeu suas ações por causa do sobe-e-desce, deve concentrar-se na renda fixa, não em bolsa. Se encarou as oscilações como próprias do mercado, está apto a arriscar-se.
DIVERSIFICAR
Colombo comenta que muitos investidores erram duas vezes em momentos de grandes valorizações na bolsa: concentram seus investimentos nela e compram ações de uma única empresa. “O investidor tem de distribuir seus recursos de acordo com seu perfil (tolerância a perdas) entre ações, renda fixa (como fundos DI, de renda fixa, caderneta), imóveis comerciais e até fundos cambiais e ouro, para proteção nas crises.”
VISÃO DE LONGO PRAZO
O quadro atual confirma que bolsa é opção de longo prazo. Storfer observa que quem entrou há mais tempo na bolsa está com ganho substancial, mesmo depois da volatilidade da semana passada. Já quem entrou há menos tempo, a partir de outubro, está contabilizando prejuízo (ver gráfico).
COMEÇAR AOS POUCOS
As primeiras compras devem ser feitas gradualmente, nos momentos de baixa e com vistas à diversificação. “Quem aplica em fundos de ações já faz essa diversificação, mas quem aplica sozinho precisa ir compondo uma carteira com de 10 a 12 papéis de vários setores”, orienta Colombo. Para Coradi, uma carteira com cinco ações já é uma boa estratégia. Ele recomenda Petrobrás, Vale, Gerdau, Embraer e, no setor financeiro, Bradesco ou Itaú.
COMPRAR NA BAIXA E VENDER NA ALTA
Os movimentos de entrada e saída em bolsa devem ser sempre graduais, pois nunca é possível saber se na baixa ela já atingiu o fundo do poço e se na alta já atingiu o pico. Segundo Colombo, a estratégia vale tanto para formar uma carteira como para calibrar o porcentual de recursos já aplicados em ações.
Se o investidor definiu que vai concentrar 20% dos seus recursos em ações, uma alta da bolsa vai elevar essa exposição, e aí ele deve vender o suficiente para retornar ao limite de 20%.
Do contrário, quando uma desvalorização da bolsa reduzir sua exposição, ele deve comprar ações até restabelecer a margem de 20%. “Assim, o investidor vai sempre fazer o certo, comprar na baixa e vender na alta.”
TER UMA ESTRATÉGIA
Para Storfer, o investidor precisa ter uma estratégia tanto para os momentos de alta como para os períodos de queda. Ele pode estabelecer um porcentual “x” de ganho e, uma vez alcançado o objetivo, fazer o resgate. Ou definir um “x” de perda e fazer o resgate nesse piso, para reduzir ao mínimo o prejuízo.
EVITAR SUPERAPLICAÇÃO
Com o sucesso da bolsa em 2007, muita gente aplicou quantia acima da sua tolerância a perda. Segundo Colombo, ao ser pego nessa situação, o investidor tem dois caminhos: vender parte das ações até trazer o volume aplicado para um nível mais razoável ou manter a posição e correr o risco de sofrer perdas maiores.
Site vai oferecer mais de 25 milhões de músicas gratuitas
Como parte do acordo, artistas e gravadoras serão pagos conforme o número de acessos às suas músicas e ainda receberão uma fatia do que for arrecadado com os anúncios publicitários feitos na página da Qtrax. Empresas como Microsoft, Mc Donald’s e Ford já revelaram que serão alguns dos anunciantes.
O anúncio foi feito pela empresa americana durante a abertura da 42ª edição do Midem (Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical), a feira mundial da música, em Cannes, na França.
Para acessar as músicas, o usuário terá de ir ao site da Qtrax e baixar um software específico. Atrelada à nova ferramenta, está o software Digital Rights Management (gerenciamento de direitos digitais, em tradução livre), que permitirá às gravadoras checarem quantas vezes suas músicas foram baixadas e tocadas.
O serviço será disponibilizado por meio de uma rede “peer-to-peer” (P2P) de compartilhamento de arquivos pela internet.
Ipod
As músicas que poderão ser baixadas pelo Qtrax não serão compatíveis – pelo menos em um primeiro momento – com o iPod. Mas a empresa, que passou os últimos cinco anos desenvolvendo a nova ferramenta, já anunciou que está estudando uma “solução para o iPod”, a ser disponibilizada em 15 de abril. Cerca de US$ 30 milhões (R$ 53 milhões) foram investidos pela Qtrax na nova tecnologia.
O chefe-executivo da empresa, Allan Klepfisz, disse que os consumidores “agora poderão compartilhar música legalmente pela internet”. “Nós queremos poder disponibilizar música de graça num ambiente de total legalidade que permitirá que os artistas sejam pagos”.
Fundador do LinkedIn mostra seu toque de Midas
Poucos empreendedores da internet realmente fazem o que pregam de forma tão devotada quanto Reid Hoffman, co-fundador da LinkedIn, cujos negócios giram em torno de sua crença de que a boa sorte emana dos bons relacionamentos. Hoffman, de 40 anos, colocou o princípio para funcionar explorando sua própria e vasta rede de conexões no Vale do Silício, para tirar a sorte grande na internet uma vez atrás da outra.
| Um colega da universidade levou Hoffman ao (serviço de pagamentos on-line) PayPal e a seu primeiro golpe de sorte, quando o eBay comprou a empresa por US$ 1,5 bilhão, em 2002. Desde então, tornou-se ainda mais rico, investindo em outras companhias iniciantes da internet, que descobria por meio de amigos e ex-companheiros de trabalho. |
| Ao longo do caminho, Hoffman também usou parte dos recursos obtidos com o PayPal para ajudar a lançar o site LinkedIn, uma rede de relacionamentos de negócios na internet, que ajuda profissionais como ele a materializar o valor de seus contatos do passado e presente. |
| Com mais de 1 milhão de pessoas juntando-se à rede mensalmente e uma receita projetada entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões neste ano, a empresa parece ser outra atividade de grande retorno para Hoffman. “O LinkedIn é uma grande expressão de que Reid é”, observa John Lilly, executivo-chefe da Mozilla, criadora do programa de navegação na internet Firefox, da qual Hoffman é um dos integrantes do conselho de administração. A empresa “é realmente seu cérebro na web”. |
| O LinkedIn tenta ajudar pessoas que se conheceram em algum lugar a encontrar mais facilmente outras pessoas que possam ajudar em suas carreiras. Por exemplo, se Mary e Bob integram a rede de Fred, então Mary pode pedir a Fred referências sobre Bob, que pode decidir se gostaria de passar a relacionar-se com Mary. |
| O foco do LinkedIn em redes profissionais o distingue de redes de recreio social como MySpace, da News Corp., e Facebook, nas quais os usuários são encorajados a compartilhar suas vidas pessoais inserindo fotos e preferências, como suas bandas favoritas. Embora possa não soar muito divertido, o LinkedIn parece prosperar. Cerca de 18 milhões de pessoas têm seus perfis no site, quase o dobro de um ano atrás. |
| Hoffman, que continua como presidente do conselho de administração e maior acionista do LinkedIn cinco anos após sua fundação, afirma que a empresa provavelmente vai entrar com o pedido para uma oferta pública inicial de ações antes de 2010. Isso caso ele não se sinta tentado a vendê-la a algum dos que vêm sondando o negócio. Hoffman não diz quem são esses interessados. “Sei que valeremos muito mais em um ou dois anos”, afirma o empresário. “Tivemos conversas (sobre a aquisição) com todos os suspeitos habituais, mas acredito que uma oferta pública inicial de ações é, de longe, o desenlace mais provável.” |
| O LinkedIn, contudo, tem seus detratores, que o vêem como pouco mais que uma ferramenta para caçadores de emprego e recrutadores de funcionários, uma versão ligeiramente diferente dos serviços de classificados de emprego, como o Monster.com ou o HotJobs, do Yahoo. Além de vender anúncios, o site recebe o pagamento de recrutadores e de outros que desejam acesso mais amplo aos seus membros. |
| Embora não seja tão áspero, Keith Rabois, ex-executivo do LinkedIn, acredita que Hoffman teria de buscar a oferta de ações o quanto antes possível, para criar uma agitação maior sobre o serviço. “Neste momento, o LinkedIn não parece estar no centro do universo da internet e uma oferta pública inicial de ações seria uma oportunidade fantástica de marketing”, afirma Rabois, que deixou a LinkedIn no ano passado para juntar-se a outra empresa iniciante de alto crescimento, a Slide. |
| Até agora, o LinkedIn não gerou o mesmo alvoroço que o Facebook, que vem atraindo vários de seus usuários. Com 60 milhões de usuários, o Facebook, de capital privado, ostenta um valor de mercado de US$ 15 bilhões e deu sinais de que irá atrás de uma oferta pública inicial de ações em 2009 ou 2010. |
| Hoffman, por acaso, também possui participação no Facebook, comprovando seu talento especial para identificar oportunidades promissoras na internet em seus estágios iniciais. “É como se ele fosse capaz de olhar para a internet e descobrir como todas as peças se encaixam”, comenta Mark Kvamme, sócio da empresa de participações Sequoia Capital e membro do conselho de administração do LinkedIn. |
| Embora possa trazer o que seria o maior retorno de investimento de Hoffman, o Facebook também ameaça tornar-se uma pedra no sapato, se reduzir o tempo que as pessoas gastam no LinkedIn. |
| Para contra-atacar, nos últimos meses o LinkedIn passou a adotar funções mais parecidas com as do Facebook. As mudanças permitiram aos usuários exibir fotos ao lado de seus perfis pessoais e abriram o site para que pessoas de fora pudessem inserir pequenos aplicativos de software, conhecidos com “widgets”, idealizados para ajudar pessoas com conexões comuns a compartilhar informações. |
| Apesar das imitações, Hoffman insiste que não está preocupado com o Facebook, que ele considera muito casual e superficial para as ambições dos profissionais que usam o LinkedIn. |
| Hoffman credita os investimentos de sucesso a suas próprias conexões. “Toda vez que há pessoas realmente boas envolvidas com um produto potencialmente bom, eu penso que provavelmente deveria entrar com pelo menos um pouco de dinheiro, caso tenha a chance”, diz. |
| Isso não significa que ele investe em qualquer empreendimento iniciado por algum conhecido, embora, às vezes, lamente-se por não fazê-lo. Hoffman não se sentiu atraído a investir no YouTube, o que o privou de um grande retorno quando o Google comprou o popular site de vídeos por US$ 1,76 bilhão, em 2006. Em vez de investir, o LinkedIn cedeu espaço para os escritórios dos fundadores do YouTube, Chad Hurley e Steve Chen, que haviam trabalhado com Hoffman no PayPal. |
| Hoffman, contudo, não erra com freqüência. Das empresas iniciantes nas quais investiu, três foram vendidas a partir de 2005 por um valor total de mais de US$ 1,1 bilhão, embora Hoffman tenha ficado apenas com uma pequena fatia disso. O site de compartilhamento de fotos Flickr foi adquirido pelo Yahoo; a rede de música Last.fm foi comprada pela CBS; e a empresa de segurança de computadores IronPort foi comprada pela Cisco Systems. |
| Além do Facebook, a lista de empresas promissoras no portfólio de Hoffman inclui a Six Apart, fabricante de programas para blogs; a Technorati, serviço de busca em blogs; a Digg, na qual os usuários fazem avaliações sobre o conteúdo encontrado na web; e a Ning, outra rede de relacionamento social. Ele também tem participações em várias empresas iniciantes e menos conhecidas. |
| As conexões e investimentos de Hoffman freqüentemente têm laços com o PayPal, no qual acumulou ações quando foi diretor e, depois, um alto executivo. Ele conheceu o co-fundador e executivo-chefe do PayPal, Peter Thiel, quando ambos estudavam na Stanford University, nos anos 80. |
| Thiel, um dos primeiros investidores do LinkedIn e, agora, capitalista de risco e diretor do Facebook, é uma das mais de 1,5 mil conexões que Hoffman lista no LinkedIn. “Dispenso muita atenção a desenvolver relações”, diz. Ele admira-se de como a filosofia parece funcionar tão bem para Hoffman. “Todos no Vale do Silício estão a menos de dois graus de separação de Reid”, afirma. (Tradução de Sabino Ahumada) |