Fundador do LinkedIn mostra seu toque de Midas

Poucos empreendedores da internet realmente fazem o que pregam de forma tão devotada quanto Reid Hoffman, co-fundador da LinkedIn, cujos negócios giram em torno de sua crença de que a boa sorte emana dos bons relacionamentos. Hoffman, de 40 anos, colocou o princípio para funcionar explorando sua própria e vasta rede de conexões no Vale do Silício, para tirar a sorte grande na internet uma vez atrás da outra.

Um colega da universidade levou Hoffman ao (serviço de pagamentos on-line) PayPal e a seu primeiro golpe de sorte, quando o eBay comprou a empresa por US$ 1,5 bilhão, em 2002. Desde então, tornou-se ainda mais rico, investindo em outras companhias iniciantes da internet, que descobria por meio de amigos e ex-companheiros de trabalho.
Ao longo do caminho, Hoffman também usou parte dos recursos obtidos com o PayPal para ajudar a lançar o site LinkedIn, uma rede de relacionamentos de negócios na internet, que ajuda profissionais como ele a materializar o valor de seus contatos do passado e presente.
Com mais de 1 milhão de pessoas juntando-se à rede mensalmente e uma receita projetada entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões neste ano, a empresa parece ser outra atividade de grande retorno para Hoffman. “O LinkedIn é uma grande expressão de que Reid é”, observa John Lilly, executivo-chefe da Mozilla, criadora do programa de navegação na internet Firefox, da qual Hoffman é um dos integrantes do conselho de administração. A empresa “é realmente seu cérebro na web”.
O LinkedIn tenta ajudar pessoas que se conheceram em algum lugar a encontrar mais facilmente outras pessoas que possam ajudar em suas carreiras. Por exemplo, se Mary e Bob integram a rede de Fred, então Mary pode pedir a Fred referências sobre Bob, que pode decidir se gostaria de passar a relacionar-se com Mary.
O foco do LinkedIn em redes profissionais o distingue de redes de recreio social como MySpace, da News Corp., e Facebook, nas quais os usuários são encorajados a compartilhar suas vidas pessoais inserindo fotos e preferências, como suas bandas favoritas. Embora possa não soar muito divertido, o LinkedIn parece prosperar. Cerca de 18 milhões de pessoas têm seus perfis no site, quase o dobro de um ano atrás.
Hoffman, que continua como presidente do conselho de administração e maior acionista do LinkedIn cinco anos após sua fundação, afirma que a empresa provavelmente vai entrar com o pedido para uma oferta pública inicial de ações antes de 2010. Isso caso ele não se sinta tentado a vendê-la a algum dos que vêm sondando o negócio. Hoffman não diz quem são esses interessados. “Sei que valeremos muito mais em um ou dois anos”, afirma o empresário. “Tivemos conversas (sobre a aquisição) com todos os suspeitos habituais, mas acredito que uma oferta pública inicial de ações é, de longe, o desenlace mais provável.”
O LinkedIn, contudo, tem seus detratores, que o vêem como pouco mais que uma ferramenta para caçadores de emprego e recrutadores de funcionários, uma versão ligeiramente diferente dos serviços de classificados de emprego, como o Monster.com ou o HotJobs, do Yahoo. Além de vender anúncios, o site recebe o pagamento de recrutadores e de outros que desejam acesso mais amplo aos seus membros.
Embora não seja tão áspero, Keith Rabois, ex-executivo do LinkedIn, acredita que Hoffman teria de buscar a oferta de ações o quanto antes possível, para criar uma agitação maior sobre o serviço. “Neste momento, o LinkedIn não parece estar no centro do universo da internet e uma oferta pública inicial de ações seria uma oportunidade fantástica de marketing”, afirma Rabois, que deixou a LinkedIn no ano passado para juntar-se a outra empresa iniciante de alto crescimento, a Slide.
Até agora, o LinkedIn não gerou o mesmo alvoroço que o Facebook, que vem atraindo vários de seus usuários. Com 60 milhões de usuários, o Facebook, de capital privado, ostenta um valor de mercado de US$ 15 bilhões e deu sinais de que irá atrás de uma oferta pública inicial de ações em 2009 ou 2010.
Hoffman, por acaso, também possui participação no Facebook, comprovando seu talento especial para identificar oportunidades promissoras na internet em seus estágios iniciais. “É como se ele fosse capaz de olhar para a internet e descobrir como todas as peças se encaixam”, comenta Mark Kvamme, sócio da empresa de participações Sequoia Capital e membro do conselho de administração do LinkedIn.
Embora possa trazer o que seria o maior retorno de investimento de Hoffman, o Facebook também ameaça tornar-se uma pedra no sapato, se reduzir o tempo que as pessoas gastam no LinkedIn.
Para contra-atacar, nos últimos meses o LinkedIn passou a adotar funções mais parecidas com as do Facebook. As mudanças permitiram aos usuários exibir fotos ao lado de seus perfis pessoais e abriram o site para que pessoas de fora pudessem inserir pequenos aplicativos de software, conhecidos com “widgets”, idealizados para ajudar pessoas com conexões comuns a compartilhar informações.
Apesar das imitações, Hoffman insiste que não está preocupado com o Facebook, que ele considera muito casual e superficial para as ambições dos profissionais que usam o LinkedIn.
Hoffman credita os investimentos de sucesso a suas próprias conexões. “Toda vez que há pessoas realmente boas envolvidas com um produto potencialmente bom, eu penso que provavelmente deveria entrar com pelo menos um pouco de dinheiro, caso tenha a chance”, diz.
Isso não significa que ele investe em qualquer empreendimento iniciado por algum conhecido, embora, às vezes, lamente-se por não fazê-lo. Hoffman não se sentiu atraído a investir no YouTube, o que o privou de um grande retorno quando o Google comprou o popular site de vídeos por US$ 1,76 bilhão, em 2006. Em vez de investir, o LinkedIn cedeu espaço para os escritórios dos fundadores do YouTube, Chad Hurley e Steve Chen, que haviam trabalhado com Hoffman no PayPal.
Hoffman, contudo, não erra com freqüência. Das empresas iniciantes nas quais investiu, três foram vendidas a partir de 2005 por um valor total de mais de US$ 1,1 bilhão, embora Hoffman tenha ficado apenas com uma pequena fatia disso. O site de compartilhamento de fotos Flickr foi adquirido pelo Yahoo; a rede de música Last.fm foi comprada pela CBS; e a empresa de segurança de computadores IronPort foi comprada pela Cisco Systems.
Além do Facebook, a lista de empresas promissoras no portfólio de Hoffman inclui a Six Apart, fabricante de programas para blogs; a Technorati, serviço de busca em blogs; a Digg, na qual os usuários fazem avaliações sobre o conteúdo encontrado na web; e a Ning, outra rede de relacionamento social. Ele também tem participações em várias empresas iniciantes e menos conhecidas.
As conexões e investimentos de Hoffman freqüentemente têm laços com o PayPal, no qual acumulou ações quando foi diretor e, depois, um alto executivo. Ele conheceu o co-fundador e executivo-chefe do PayPal, Peter Thiel, quando ambos estudavam na Stanford University, nos anos 80.
Thiel, um dos primeiros investidores do LinkedIn e, agora, capitalista de risco e diretor do Facebook, é uma das mais de 1,5 mil conexões que Hoffman lista no LinkedIn. “Dispenso muita atenção a desenvolver relações”, diz. Ele admira-se de como a filosofia parece funcionar tão bem para Hoffman. “Todos no Vale do Silício estão a menos de dois graus de separação de Reid”, afirma. (Tradução de Sabino Ahumada)

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