Crescimento é mais importante que lucro
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Depois de estudar o comportamento das empresas brasileiras por três décadas, a Fundação Dom Cabral (FDC), prestigiada escola de negócios do País, concluiu que a resposta para a longevidade das companhias brasileiras está diretamente relacionada a um crescimento vigoroso e contínuo.
A capacidade de gerar lucros, diferentemente do que se poderia supor, não é definitiva, segundo o professor da FDC, Carlos Arruda. “Mais importante do que ser grande ou lucrativo é estar em constante processo de crescimento”, diz. “A boa empresa é aquela que cresceu no passado e construiu condições para continuar crescendo nos anos seguintes.”
No período analisado (1973 a 2006), 77% das empresas deixaram o grupo das 500 maiores. Desse total, um terço foi comprado. “A capacidade de ser boa e gerar bons resultados não bastava. Vimos que as melhores eram as primeiras a serem adquiridas”, explica Arruda. As empresas que sobreviveram tinham pelo menos uma característica em comum: não deixavam de crescer nunca.
Crescer é uma estratégia de alto risco. Além de dinheiro, exige um inconformismo eterno, que alguns empresários gostam de chamar de “zona de desconforto”. Segundo Arruda, é essa cultura que está por trás de empresas brasileiras como Petrobrás, Vale e Gerdau.
O crescimento, em tese, é algo conflituoso. Se a empresa cresce, é porque teve de investir. E, para isso, distribuiu menos dividendos aos acionistas. É claro que é possível crescer sem abrir mão do retorno aos acionistas. Poucas empresas conseguem fazer isso bem.
As megaempresas brasileiras estão rompendo esse ciclo. “Elas não só crescem muito rapidamente como hoje já aparecem entre as maiores geradoras de valor do mundo”, diz o diretor da consultoria The Boston Consulting Group, Fernando Machado. “É um feito considerável.”
A internacionalização foi um passo fundamental nesse processo. No fim dos anos 90, as empresas brasileiras começaram a perceber que tinham práticas de gestão e eficiência muito próximas das globais. Muitas já exportavam, mas começaram a ver que as oportunidades de crescimento no exterior eram enormes.
“Elas viram que era mais fácil crescer lá fora que disputar mercado aqui. Nos anos 80 e 90, nosso crescimento, salvo duas ou três ocasiões, foi muito baixo”, diz o professor da FDC, Álvaro Cyrino.
A Gerdau, hoje um colosso, com faturamento de R$ 27,5 bilhões em 2006 e valor de mercado de quase US$ 20 bilhões, é considerada a empresa mais globalizada do País num ranking organizado pela FDC. A expansão internacional começou nos anos 90. Até setembro (último dado disponível), 36% da sua receita total já vinha da operação na América do Norte.
A empresa, que nasceu em 1901 como fabricante de pregos em Porto Alegre, corre alguns riscos para continuar sendo um personagem importante na cena mundial do aço. Em 2007, a Gerdau fez 12 aquisições internacionais. Para isso, desembolsou US$ 6,3 bilhões, o maior volume já gasto desde que iniciou sua aventura no exterior.
A compra mais ambiciosa foi a Chaparral Steel – segunda maior produtora de aço da América do Norte -, por US$ 4,22 bilhões. A operação foi atropelada pela crise financeira dos Estados Unidos. A empresa precisou rever o modelo do financiamento, mas concluiu o negócio com sucesso. Para essas empresas, vale a máxima: quem não arrisca não petisca.