Archive for fevereiro 6th, 2008
A hora e a vez das novas redes sociais ditarem as regras
| Os processos de construção colaborativa de conhecimento tornaram-se moda nos últimos anos, com a expansão da internet, mas é preciso tornar mais clara a novidade: trata-se da evolução do modelo “um para muitos” (MIT) para um modelo “muitos para muitos” (Wikiuniversity) no âmbito da própria internet. Essa é a novidade central do que se convencionou chamar de web 2.0. |
| A importância do conhecimento apenas relativamente estruturado, como o que se produz continuamente em cursos de complementação, MBAs e outras formas de estudo do tipo “pós- graduação” nas empresas precisa ser urgentemente reconhecida, medida e premiada. |
| No entanto, enquanto a maioria da instituições ditas “acadêmicas” não reconhece e não incentiva este tipo de abordagem, surgem ambientes virtuais onde os trabalhadores de uma instituição compartilham conhecimentos para desenvolver soluções capazes de resolver problemas específicos de outras organizações. |
| O grau de “disclosure”, ou seja, de compartilhamento, obviamente varia de empresa para empresa, de organização para organização, de pessoa para pessoa. Essa disposição e as competências para a inovação aberta tornaram-se um aspecto essencial, talvez o mais crítico, no desenho das estratégias tecnológicas nos modelos de negócios contemporâneos. |
| Cada vez mais, o grau de abertura para as redes sociais pode ser decisivo para a riqueza dos sistemas empresariais e produtivos. Essa é a lição estampada tanto em projetos projetos mais “sérios” ou profissionalizantes de conexão aberta entre indivíduos e organizações (como a Cidade do Conhecimento da USP e redes profissionais globais como “Linked In”) quanto em espaços desenhados com foco no entretenimento ou auto-ajuda (como Orkut e outras redes juvenis, de orientação sexual ou solidariedade e demais serviços sociais). |
| A “educação à distância” já foi apontada como uma das grandes promessas da internet. Hoje, manchetes de jornais mostram estudantes revoltados com o uso por mantenedoras de sistemas de informação para reduzir custos, rebaixar o nível do ensino e ampliar a receita com mensalidades e outras taxas. A verdade é que pouco mudou, ainda, no ensino e na aprendizagem, apesar da rápida difusão da internet 1.0. |
| Professores e alunos encontram-se nas salas de aula, onde as dinâmicas de ensino e aprendizagem permanecem iguais às de antigamente. Novas possibilidades de educação a distância têm sido experimentadas, é verdade; porém, grande parte das iniciativas elaboradas são pontuais, ou seja, desenvolvidas em contextos específicos e sem possibilidade de serem replicadas em outros ambientes. Mais importante, até hoje não existem métricas capazes de comparar as iniciativas entre diferentes instituições de ensino ou empresas que funcionam como organizações que aprendem. |
| A difusão de redes sociais digitais prenuncia em pleno capitalismo do conhecimento o surgimento de uma economia da colaboração, a consolidação de ações do terceiro setor e de responsabilidade social empresarial e a revalorização de ações e instituições de interesse público. |
| É a emergência do Capitalismo 3.0 a partir da Web 2.0. O termo, criado por Peter Barnes (eleito em 1995 o empresário socialmente responsável do ano nos EUA), coloca em primeiro plano a necessidade de mudanças sociais e econômicas para que o potencial das novas tecnologias seja melhor aproveitado. |
| Nem tudo ao Estado, nem dominância absoluta do mercado, ganham importância nos novos direitos associados a redes intangíveis que refletem uma inteligência cívica tão importante para cidadãos quanto para empresas e organizações sociais. O “creative commons” é o exemplo hoje mais conhecido de reforma capitalista associada ao controle social das redes digitais. Na Web 2.0 não faz sentido separar o real do digital. A competição e o mercado jamais serão os mesmos agora que o ecossistema capitalista combina territórios proprietários e não-proprietários. |
| O exemplo mais recente da migração para novas formas de vida digital é o Second Life, onde a Cidade do Conhecimento 2.0 lidera a criação de territórios de interesse público, sem fins lucrativos, autênticas incubadoras de projetos sociais, educacionais, ambientais, culturais e de empreendedorismo tecnológico associados à emergente semântica web. |
| A economia global começa a mudar seu sistema operacional. A vivência digital imersiva, marcada pela percepção não-linear, audiovisual e em profundidades e campos novos intriga pesquisadores, mercados e governos. Diante da inovação tecnológica acelerada, a única resposta possível é intensificar nossa capacidade de criar sistemas produtivos onde ocorram “pari passu” processos de crescimento e distribuição de riqueza, renda e poder. |
| As redes digitais, operadas como processos de construção colaborativa de conhecimento e informação, podem guardar a chave para participarmos como sociedade aberta e criativa, em condições de igualdade, nos novos mercados competitivos globais . |
| Gilson Schwartz e André Leme Fleury são líder e vice-líder da Cidade do Conhecimento |
Fundo americano compra 10% da BM&F por R$ 1 bi
| Em meio a uma guerra de liminares, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) aprovou ontem de manhã a venda de 10% de seu capital para a gestora americana Global Atlantic por R$ 1 bilhão. Também foi aprovada a criação da BM&F S.A., empresa aberta que terá ações listadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). |
| O lançamento de ações deve acontecer ainda este ano e será bilionário. Por conta das expectativas de crescimento dos negócios da BM&F, o valor de mercado da bolsa hoje está na casa dos R$ 10 bilhões, quase dez vezes seu patrimônio, de R$ 1,28 bilhão. |
| Patricia Hedley, vice-presidente sênior do Global Atlantic, define a gestora como um time de investidores em ações de alto desempenho e crescimento. A executiva não comenta sobre a compra dos 10% da BM&F. Mas disse ao Valor que o fundo vem atuando há quase 10 anos na América Latina ajudando as empresas de sua carteira a crescerem e se expandirem pela região. Entre elas, Patricia cita a MercadoLivre e a ProPay (empresa especializada na terceirização de serviços de recursos humanos) Na BM&F, o fundo terá que ficar com as ações por pelo menos dois anos. |
| Cada corretora vai vender ao fundo uma participação proporcional ao que detém na BM&F. Ou seja, o R$ 1 bilhão vai para os cofres das corretoras, que ainda vão ganhar mais alguns milhões com as vendas das ações que possuem da Bovespa, que também está em processo de abertura de capital. |
| Na assembléia de ontem foi definido que cada ação da BM&F tem valor de R$ 1,00. Assim, quem possui um título de corretor de mercadoria, que vale R$ 4,898 milhões, terá agora 4,898 milhões de ações. Foi justamente esta regra de conversão que quase provocou o adiamento da assembléia extraordinária, que foi realizada ontem de manhã. |
| Ainda na madrugada de quarta-feira, uma das quatro liminares que pedia a suspensão da reunião foi cassada pelos advogados da BM&F. A razão é que os 387 detentores dos chamados títulos de sócios efetivos estão descontentes com as regras. Este título tem valor de R$ 10 mil, que não é corrigido há mais de dez anos. Pelas regras, eles terão agora 10 mil ações, muito menos do que as outras categorias da BM&F -além do corretor de mercadorias, há o membro de compensação (R$ 4,961 milhões) e o operador especial (R$ 1,335 milhão). |
| Bension Coslovsky, advogado que representa um destes sócios, disse que o valor atual do título de sócio efetivo teria que estar em R$ 1,6 milhão. |
| Apesar da aprovação na assembléia de ontem, os sócios efetivos prometem continuar na luta pela correção do valor e pela igualdade de condições com os outros sócios da bolsa. Ontem, eles decidiram criar uma associação, que terá assembléia de constituição dia 10 de outubro. Coslovsky conta que já há adesão de 34 sócios. “Há ainda muitos outros, de outros Estados e do interior que sequer estão sabendo do que aconteceu hoje (ontem) por falta de comunicação da BM&F”, disse. Segundo o advogado, ainda há uma liminar não cassada, da 15ª Vara Civil de São Paulo que suspende os efeitos da assembléia, ou seja, tudo o que foi decidido perde o valor. |
| Procurada pelo Valor, a BM&F informou que está em período de silêncio por causa da abertura de capital e não pode se pronunciar. Ainda ontem, a bolsa divulgou os membros eleitos para seu conselho de administração. Entre eles, estão o economista Luiz Gonzaga Belluzzo e o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Além disso, terá um conselho de auto-regulação, formado entre outros pelo economista Gustavo Loyola. |
| O processo de desmutualização da BM&F – sua transformação de sociedade fechada, sem fins lucrativos, em empresa que tem que dar resultados – começou em agosto do ano passado. Em dezembro, foi aprovado pelas corretoras. A operação foi conduzida pelo banco Rothschild, que também deu assessoria financeira para a venda dos 10%. |
| Os dados mais recentes da BM&F mostram que os negócios continuam crescendo. Em agosto, foram negociados 44,9 milhões de contratos, alta de 72%. |
Nutriplant estréia Bovespa Mais dia 30
| A companhia de fertilizantes Nutriplant colocou na rua a tão aguardada distribuição inicial de ações. A operação, a despeito do tamanho, é de grande importância para o mercado de capitais brasileiro, pois marca a estréia do Bovespa Mais, segmento de negociação criado em dezembro de 2005, mas inativo até o momento. |
| Trata-se de um espaço especial dedicado às empresas de menor porte, interessadas em pequenas emissões, mas, nem por isso, com menos governança. As exigências estatutárias se assemelham bastante às do Novo Mercado. |
| A companhia pretende obter entre R$ 29 milhões e R$ 42 milhões com uma oferta primária de ações ordinárias – que traz recursos para o caixa do negócio. O valor almejado pela companhia é aproximadamente 10% do volume médio dos lançamentos ocorridos no Novo Mercado em 2007, excluídas as duas maiores colocações (Bovespa e BM&F). Os papéis da nova empresa devem ser negociados pela primeira vez no dia 30. |
| Com receita líquida de R$ 18,8 milhões de abril a setembro de 2007, a Nutriplant deve ser a primeira de uma safra de empresas de pequeno porte a ingressar no Bovespa Mais. O fomento desse novo segmento de negociação da bolsa paulista contará com impulso do HSBC, coordenador líder da operação. O banco pretende atuar com força nesse mercado. |
| O desenvolvimento do Bovespa Mais terá também uma mãozinha da nova lei contábil, a 11.638. A legislação deixa a CVM mais confortável para revisar a instrução 202, que trata da obtenção e da manutenção do registro de companhia aberta. |
| Há tempos, a CVM fala em criar níveis de registro de empresa aberta, conforme o tamanho da companhia e da emissão. A revisão dessas regras está na agenda de prioridades da autarquia para este ano. Desde a reforma da Lei das Sociedades por Ações, em 2001, o regulador tem poderes para classificar as empresas em categorias diferentes, conforme os papéis emitidos (debêntures, notas promissórias, ações, entre outros). Porém, a Lei 11.638 agora torna explícito que essa segmentação também pode ser feita conforme o porte da companhia. |
| Assim, empresas com faturamento e patrimônio menores poderão cumprir uma rotina mais flexível de divulgação de informações financeiras, tanto na periodicidade, como no conteúdo do relatório da administração. Porém, a Nutriplant, estreante do Bovespa Mais, inaugurará o segmento sem contar com tais benefícios. (GV) |
As boas e as más notícias para o investidor em 2008
| cenário otimista nos convida a investir no Brasil, destinando até 30% de nossas reservas em ações. A indicação é ficar atento a 10 papéis em diversos setores (empresas de consumo, bancos e infra-estrutura) que se valorizam quando a economia cresce: |
| - Bradesco (BBDC4) – melhorou no quesito empréstimos e ampliou a oferta de produtos financeiros; |
| - Cesp (CESP6) – a companhia é uma das preferidas para 2008 devido à expectativa de privatização; |
| - Cyrela (CYRE3) – é uma “blue chip” do setor da construção que resiste bem às baixas do Ibovespa; |
| - Duratex (DURA4) – seu desempenho está ligado ao ritmo da construção civil, que deverá passar por um período próspero em 2008; |
| - Embraer (EMBR3) – a companhia oferece aeronaves que se ajustam a cenários de aquecimento e retração de demanda, com crescente exposição na aviação executiva; |
| - Gerdau (GGBR4) – a siderúrgica continua se beneficiando da forte demanda por aço longo destinado ao boom da construção civil; |
| - Lojas Americanas (LAME4) – a empresa possui uma ampla rede de lojas físicas para clientes de todas as faixas de renda e um forte canal de vendas pela internet; |
| - Petrobras (PETR4) – muito beneficiada pelo anúncio da descoberta do poço de Tupi e pelo alto preço do petróleo no cenário internacional. Outro fato positivo é a expectativa de crescimento da companhia, que investirá cerca de US$ 112,4 bilhões entre 2008 e 2012 (uma média de US$ 22,5 bilhões por ano), sendo 87% no Brasil e 13% no exterior – aumento de 29% em relação ao último plano estratégico; |
| - Vale (VALE5) – a mineradora se beneficia muito do crescimento de países em desenvolvimento como China, Índia e o próprio Brasil. Existe ainda a previsão de reajuste do preço do minério para o próximo ano na casa dos 30%; |
| - Weg (WEGE3) – a fabricante de motores é considerada uma empresa de referência no mercado, muito eficiente na gestão e no controle de custos, e investe continuamente em inovação. |
| Para quem busca retorno via dividendos – lucro distribuído pelas empresas -, destaque para a carteira de ações ligada ao setor elétrico, destinada a investidores mais conservadores, que objetivam renda no longo prazo: Eletropaulo (ELPL6), AES Tietê (GETI4) e CPFL Energia (CPFE3). No primeiro semestre de 2008, podemos apontar ainda a possibilidade de ganhos iniciais expressivos com a provável abertura de capital (IPO) das companhias VisaNet (Cartão de Crédito) e Cutrale (Agroindústria). |
| Outra dica interessante são os fundos multimercados, que destinam apenas uma porcentagem dos recursos para a renda variável. São opções de investimento que buscam retorno financeiro aplicando em diversas classes de ativos como dólar, títulos de dívidas públicas e ações, por exemplo. Em função das altas taxas de administração cobradas para pequenos volumes de recursos, em vez de repartir esta quantia entre um fundo de renda fixa e um fundo de ações, a escolha do fundo multimercado é mais inteligente pois, em geral, as taxas de administração cobradas baixam à medida que o volume de recursos aplicado aumenta. |
| A má notícia é que, apesar das perspectivas positivas de crescimento, segundo a agência de classificação de risco Fitch Ratings, o Brasil não deve atingir em 2008 o chamado “grau de investimento”, que determina quais países oferecem menor risco a aplicações estrangeiras. O fato é que o país precisa de um plano de desenvolvimento de longo prazo e não de um plano de estabilização da economia amarrado à alta carga tributária, ao excesso de burocracia e a uma taxa básica de juros de dois dígitos para conquistar o posto de local seguro para investimentos externos. |
| Marcos Crivelaro é professor PhD da FIAP – Faculdade de Informática e Administração Paulista e da Faculdade Módulo, especialista em matemática financeira e consultor em finanças |