Com a compra da FControl, BuscaPé avança no seu quebra-cabeça digital
João Luiz Rosa
06/03/2008
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Davilym Dourado/Valor

Romero Rodrigues, fundador e presidente do BuscaPé: objetivo é atuar durante todo o processo de compra on-line
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Em 1999, quando Romero Rodrigues – então um estudante de engenharia de 21 anos – criou o site BuscaPé, a atuação da empresa estava concentrada em um pedaço bem específico do comércio eletrônico: a comparação de preços. Nos últimos meses, porém, Rodrigues vem montando um quebra-cabeça para dar à companhia, cujo faturamento chegou a cerca de R$ 70 milhões em 2007, o controle sobre todas as partes, em vez de apenas um naco, do processo de compra via internet.
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| A peça mais recente é a aquisição de 70% da FControl, cuja tecnologia ajuda os lojistas a identificarem possíveis fraudes em uma transação on-line. “Os pequenos e médios varejistas sofrem muito com fraudes, como cartões de crédito falsos e endereços errados”, diz Rodrigues. “Com a redução da ocorrência de fraudes, a margem dessas companhias aumenta.” |
| Embora o negócio da FControl esteja baseada em um software, a empresa não ganha dinheiro vendendo licença de uso do programa. Em vez disso, cobra uma taxa por transação analisada, no formato de serviço. O varejista envia os dados referentes a uma tentativa de compra em seu site à FControl. A empresa avalia os dados e diz ao lojista quais as chances de que a transação seja fraudulenta. |
| “Vamos supor que um lojista submeta à análise uma transação relacionada a um Cep que guarda muitas fraudes. O sistema reconhece a suspeita de fraude e recomenda ao lojista tomar algumas medidas, como pedir o telefone do cliente, para diminuir o risco”, explica Rodrigues. |
| A expansão do BuscaPé começou em maio de 2006, quando a empresa incorporou um concorrente direto – o Bondfaro. Na época, a entrada da Great Hill Partners, uma empresa de participações sediada em Boston, ajudou a financiar a aquisição, conta Rodrigues. |
| A Great Hill Partners entrou no BuscaPé no fim de 2005, ao adquirir a participação acionária que antes pertencia à Merrill Lynch, ao Unibanco e à Brazil Warrant (holding da família Moreira Salles). Os três sócios haviam ingressado em 2000 e estavam perto da fase de sair do investimento. |
| Com a consolidação em sua área original, a direção do BuscaPé se sentiu mais confortável em entrar em novos negócios. Em julho de 2007, a companhia adquiriu a E-bi, especializada em pesquisas de mercado e marketing on-line, e em janeiro deste ano comprou 85% da Pagamento Digital, cujo negócio é facilitar o pagamento de compras on-line, à semelhança do americano PayPal, controlado pelo eBay. |
| O valor das aquisições não é revelado, incluindo o acordo com a FControl, mas os negócios recentes foram feitos integralmente com recursos próprios, diz Rodrigues. “O BuscaPé tem zero de dívida e a Great Hill não fez nenhum investimento adicional para as compras.” |
| No novo mapa expandido de Rodrigues, o Bondfaro está na ponta do processo, ao fornecer ao consumidor informações sobre os produtos disponíveis nas lojas e um sistema de comparação de preços, que também é o foco do site BuscaPé. O E-Bit mostra ao lojista, em relatórios, como está seu desempenho em relação à media do mercado. Já o Pagamento Digital faz a intermediação das compras on-line. Se o usuário não receber o produto em 14 dias, ele consegue a restituição do valor pago. Completam o quadro o QueBarato!, um serviço de classificados gratuitos, e, agora, a FControl. |
É uma empresa bem mais ampla que o BuscaPé original, mas Rodrigues acha que a engrenagem pode ficar ainda maior. “Faltam algumas peças”, diz ele. Os complementos podem vir tanto de novas aquisições – “ha conversas ativas, mas nada adiantado” – ou serviços criados internamente, a exemplo do QueBarato! “Temos projetos no forno”, afirma o executivo.