Archive for julho, 2008

Até pequenos negócios aderem à terceirização

quarta-feira, julho 16th, 2008

Pete Engardio, BusinessWeek
14/07/2008

Do lado de fora, o prédio cinza em estilo vitoriano, com janelas de vitrais, parece a típica casa dos sonhos da classe média. Mas ele também é a sede do que se pode chamar de uma micromultinacional. Randy e Nicola Wilburn administram companhias imobiliárias, de consultoria, design e alimentos para bebês a partir de sua casa, em uma quadra reurbanizada de Dorchester, Massachusetts. Eles fazem isso levando a terceirização ao extremo.

Profissionais de todas as partes do mundo prestam serviços para a dupla. Por US$ 300, um artista indiano desenhou a bela logomarca de um bebê olhando com curiosidade para as palavras “Baby Fresh Organic Baby Foods” e o papel timbrado da companhia. Um “freelancer” de Londres redigiu material promocional. Randy contratou “assistentes virtuais” em Jerusalém para transcrever mensagens de voz, atualizar seu site na internet e elaborar gráficos no PowerPoint. Corretores aposentados de Virgínia e Michigan cuidam da papelada da unidade imobiliária.
A terceirização global deixou de ser uma coisa só para as grandes corporações. Cada vez mais, empresas que incluem de revendedores de automóveis a agências de propaganda acham mais fácil transferir o desenvolvimento de software, a contabilidade, os serviços de apoio e os trabalhos de design para terras distantes. A Elance - empresa de serviços on-line de Mountain View, na Califórnia, e principal conexão dos Wilburn com a força de trabalho cibernética -, tem 48,5 mil pequenas empresas como clientes, um número 70% superior ao do ano passado. Por mês, a companhia registra 18 mil novos projetos. Sites como Guru.com, Brickwork India, DoMyStuff.com e RentACoder também apresentam crescimento acelerado.
Desde o início dos anos 90 ouvem-se previsões de que a internet revolucionaria o trabalho ao criar um vasto mercado global para os profissionais. John Doerr, a lenda do capital de risco, pensou tanto na idéia em 1999 que sua empresa, a Kleiner Perkins Caufield & Byers, apostou quase tanto na Elance quanto no Google e na Amazon. Raymond J. Lane, sócio-gerente da Kleiner, é o presidente do conselho da companhia.
Mas, enquanto outras formas de comércio eletrônico pegaram rapidamente, apenas recentemente os sites da internet para “freelancers” começaram a ganhar força. A Evalueserve, uma empresa de pesquisa de mercado, estima que as receitas dos mercados de serviços on-line vão crescer 20% em 2008, para US$ 190 milhões. Algo distante do alarde inicial.
Por que levou mais tempo para os compradores e vendedores de serviços se sentirem confortáveis negociando on-line do que as companhias que lidam com bens físicos? Um eBay para serviços, diz Fabio Rosati, executivo-chefe da Elance “foi uma idéia brilhante que começou cedo demais”. Mas a melhoria dos programas de computador, mecanismos de busca e novas ferramentas estão dando impulso ao setor. Vários sites já permitem que os compradores vejam amostras de trabalho detalhadas e que os clientes dêem notas para milhares de vendedores de serviços. O Guru lançou um sistema de pagamentos para mediar disputas e permite aos compradores fazer depósitos em garantia até que o trabalho seja recebido. A Elance desenvolveu um software para monitorar o andamento dos trabalhos e realizar cobranças, pagamentos e registrar impostos.
Essas melhorias começam a fazer a diferença. A Elance, que faz dinheiro cobrando assinaturas e uma parcela de 4% a 6% de cada projeto, prevê um crescimento de 50% do faturamento total este ano, para US$ 60 milhões. O Guru prevê um crescimento parecido, para US$ 26 milhões.

O vendedor de carros Ariel Tehrani, de Nova York, encomendou a brasileiros a criação de seu site de vendas

Os pequenos empreendedores são a maior fonte do crescimento. Ariel Tehrani, revendedor (das marcas de carros) Lincoln Mercury do Queens, em Nova York, contratou brasileiros para desenvolver um site multimídia para a venda de automóveis on-line. Jonathan Fleming, agente imobiliário de San Francisco, usa designers gráficos de Portugal, gerenciadores de bancos de dados da Índia e redatores da Hungria em seu blog.
Os Wilburn começaram comprando designs gráficos por meio da Elance em 2000. Eles afirmam que mudaram para a terceirização radical depois de ler, em 2007, o best-seller “Trabalhe 4 Horas por Semana”, de Timothy Ferriss, que enaltece os méritos de se conseguir mais tempo livre contratando “assistentes virtuais” em países de mão-de-obra mais barata para a realização de tarefas de rotina.
A ajuda remota vem permitindo a Randy Wilburn, de 38 anos, lidar melhor com as oscilações da economia. Seus negócios na área imobiliária esfriaram e agora ele passa mais tempo mostrando a organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos como elas podem ajudar proprietários de residências a evitar que suas hipotecas sejam executadas. Assistentes virtuais cuidam da correspondência de rotina e juntam material de negócio enquanto ele está viajando, tudo isso por menos de US$ 10 mil por ano. Ele calcula que uma secretária trabalhando em período integral lhe custaria US$ 45 mil por ano.
Nicola, uma designer de 35 anos, decidiu trabalhar em casa depois que teve seu segundo filho. Agora, ela encomenda trabalhos de design para “freelancers” e está começando a vender alimentos orgânicos para bebês que ela mesma prepara. Para expandir o negócio, ela começou a montar um site na internet, oferecendo US$ 500 pelo trabalho de design. Dos 20 interessados que responderam, via Elance, 18 são de fora dos Estados Unidos.
O casal usa dois vendedores de serviços de terceirização. Um é a GlobeTask, uma empresa de Jerusalém que emprega dezenas de artistas gráficos, designers da internet, redatores e assistentes virtuais em Israel, na Índia e nos EUA. Geralmente, cobra US$ 8 a hora. A outra é a Webgrity de Calcutá, que possui 45 funcionários e cobra de US$ 1 a US$ 1,20 a hora.
Cinco anos atrás, diz o fundador Amit Keshan, de 32 anos, a Webgrity criava sites na internet para clientes indianos. Agora, ele faz todo esse negócio por meio da Elance, lidando com até 300 trabalhos por mês para clientes americanos, britânicos e australianos. Por US$ 125, a Webgrity criou uma logomarca para a empresa imobiliária dos Wilburn. Segundo Randy Wilburn, a tarefa teria custado até US$ 1 mil nos Estados Unidos.
Um mercado mundial em que a terceirização dos negócios das empresas familiares tenha um apelo mais amplo ainda pode estar a anos de distância. Mas empresários de micromultinacionais como os Wilburn poderão não ser raridades por muito mais tempo. “As pessoas vão fazer as coisas à moda antiga enquanto não ficar óbvio que é melhor fazer da maneira nova”, prevê Rosati, da Elance.

Carteira da Fator terá papel de companhias pré-IPO

quarta-feira, julho 16th, 2008

Por Angelo Pavini, de São Paulo
16/07/2008

anna Carolina Negri / Valor

Tendolini: muitas empresas foram para o Novo Mercado, mas não estavam preparadas para a governança que anunciaram

De olho no potencial das empresas novatas, que ainda pretendem ir para a bolsa, a Fator Administração de Recursos (FAR) está separando uma parte da carteira de seu fundo de ações de governança, o Sinergia 4, para buscar oportunidades nesse segmento. Segundo Fernando Tendolini, gestor da família de fundos Sinergia – que completa 11 anos -, a quarta versão da carteira vai destinar de 20% a 25% dos recursos para investir em empresas que estejam a um passo de estrear no mercado acionário. “Vamos procurar aquelas companhias que precisam de um último empurrão, uma linha de crédito para uma aquisição de outra empresa ou um último investimento para poder chegar ao mercado”, diz.

A idéia é buscar empresas que já superaram a fase pós-private equity e estejam na fase chamada de pré-IPO (oferta inicial em inglês) e negociar com elas o investimento, que seria feito mediante debêntures conversíveis em ações. “Não seria um investimento tão longo, quanto o do private equity, que entra na empresa para ajudar a estruturar o negócio e fica cinco, dez anos, queremos a fase final, que possibilite uma saída em, no máximo, um ano e meio”, diz. Assim, o fundo ganharia todo o potencial de alta que a empresa teria ao ir para a bolsa e com isso acelerar seu crescimento. “Vamos negociar para participar da empresa antes de ela abrir o capital”, diz.
Para Tendolini, os exemplos recentes de problemas com a governança de algumas empresas que estrearam recentemente na bolsa mostram que o Novo Mercado não é uma garantia para o investidor. O enfoque dos investidores mais ativos, que no passado era mostrar que a governança era importante nas empresas, vencendo a resistência dos controladores à participação dos minoritários nos conselhos, mudou. Agora, o importante é a gestão da governança corporativa. “Muitas empresas vieram com selo do Novo Mercado, mas não estavam preparadas para praticar a governança que anunciaram.”
Por isso, a idéia do Sinergia 4 é buscar as empresas que tiveram um processo de participação de fundos de private equity e ajudar na finalização do processo de abertura. “Vemos que as empresas que tiveram private equities em sua estrutura se deram muito melhor após a abertura, caso de Totvs ou Dasa“, diz ele, lembrando que esses fundos exigem das empresas transparência e respeito aos minoritários, além de eliminar a figura do único dono, que confunde o caixa da empresa com o particular. “O dono perde um pouco a capacidade de interferir na empresa”, diz.
A idéia é estar um passo antes do mercado de ações e um depois do de private equity, explica José Carlos Borja, diretor comercial da FAR. “É uma estratégia pioneira, pois estamos aumentando o campo de visão das oportunidades do mercado para além das empresas já em bolsa”, diz o executivo. Segundo ele, muitos investidores mostravam interesse por private equity. “Queríamos oferecer algo semelhante, mas sem perder a característica do Sinergia”, explica.
Borja lembra que a estrutura do Sinergia permite esse tipo de operação porque é um fundo fechando, que não permite resgates, e com prazo de maturação longo, de sete anos. “Não dá para tentar fazer isso em fundos abertos para saques, pois se temos uma onda de resgates, quem fica acaba perdendo toda a liquidez e corre o risco de levar papel para casa”, afirma ele.
As carteiras do Sinergia foram pioneiras no que o mercado chama de fundos de governança. A carteira compra participações em empresas pouco negociadas, mas com potencial, e busca participar de seu conselho, aumentando a transparência e a qualidade da gestão das companhias. A receita tem dado certo nos últimos 11 anos.
O Sinergia 4 ainda está em fase de captação. A carteira, aberta em dezembro, acumulou rentabilidade de 33,82% até o dia 31 de maio, para um Índice Bovespa de 10,34% no período. O bom desempenho se explica pela escolha dos papéis, dos setores agrícola, como fertilizantes e terras agrícolas, e infra-estrutura. Há também uma participação em siderurgia, com Ferbasa. A aplicação inicial é de R$ 300 mil, pois a carteira se destina somente a investidores qualificados. A idéia é que o fundo capte entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão. Mas as aplicações nas empresas pré-IPO devem começar apenas quando a carteira atingir R$ 500 milhões. “O mínimo necessário para esse tipo de operação tem de ser R$ 100 milhões”, explica Tendolini.


Empresa que planeja oferta tem de superar informalidade

quinta-feira, julho 10th, 2008

Por Ana Paula Ragazzi, de São Paulo
10/07/2008


A abertura de capital é um processo pelo qual a empresa passará uma só vez e que transformará totalmente suas atividades. Para realizar a operação, a companhia precisa estar atenta a aspectos como governança corporativa, planejamento estratégico e financeiro, capacidade administrativa, porte, estrutura societária, contábil, controles internos e comunicação. Em poucas palavras, alcançar a profissionalização.
Os especialistas dizem que a informalidade ainda é muito presente no país, mas destacam a nova lei contábil, que passará a exigir que, a partir de determinado porte, companhias fechadas tenham balanços auditados e facilitará o trabalho futuro se, eventualmente, elas optarem pela bolsa.
“A preparação para a oferta demanda trabalho intenso e se a empresa não tiver a parte contábil estruturada, por exemplo, vai demonstrar fraqueza”, diz Ivan Clark, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC). Ele ressalta que muitas companhias brasileiras são familiares e, antes de pensar em olhar para fora, lançando ações, precisam olhar para dentro. “Várias possuem fazendas, aviões ou viviam na informalidade”, afirma.
Pedro Lanna Ribeiro, advogado e sócio do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão, pondera que algumas vezes o fato de a empresa ser familiar pode facilitar o processo. “Às vezes a família já está fechada em favor da operação. Com vários sócios, pode haver divisão de controle”, diz.

Outra característica frequente é a empresa estar presente em vários ramos de negócio. Por exemplo, uma companhia concentra uma cadeia de escolas, mas também tem um braço imobiliário e outro de móveis. “A empresa precisa definir o objetivo da oferta, promover uma reorganização societária e decidir qual atividade será o foco da operação”, diz André Viola Ferreira, sócio da Terco Grant Thornton.
O caminho trilhado até a oferta deve ser observado também pelo investidor no momento de ler o prospecto e decidir pela adesão ou não à operação.
“O investidor pode verificar se a companhia vinha sendo auditada ao longo de três anos ou se esse trabalho foi retroativamente feito, nos últimos três meses, por exemplo”, diz José Diaz, sócio do escritório de advocacia e Almeida. O mesmo raciocínio vale para observar há quanto tempo os atuais administradores estão na empresa. Na avaliação dele, as companhias “mais óbvias” já foram a mercado e, agora, o país vive uma espécie de entressafra, em que as empresas estão se preparando para operações.
Do ponto de vista da governança, o compromisso é com a transparência na divulgação de quaisquer dados e coerência com as metas definidas.
“Governança corporativa é admitir que a empresa tem um novo sócio, o mercado. E ele participará ativamente da vida da companhia”, afirma Diaz, do Demarest.
A comunicação da empresa merece atenção especial – tanto para o público externo, na área de relações com investidores, quanto internamente, para que os funcionários compreendam a nova realidade da empresa.
A companhia tem ainda que ter claro seu plano de negócios. “Pode parecer óbvio, mas ela precisa saber para onde ir. Se o norte transmitido aos investidores não for condizente com o passado e sustentável em relação ao presente e ao futuro, ficará claro que terá dificuldades de entregar o prometido”, diz Kan Wakabayashi, da consultoria Cypress Associates.

Outro foco são os controles internos, que acompanham as atividades da empresa para diminuir a probabilidade de problemas financeiros, como fraudes, e operacionais, como insatisfação de clientes e fornecedores.

Oferta privada é opção para empresas de pequeno porte

quarta-feira, julho 2nd, 2008

Por Ana Paula Ragazzi e Silvia Fregoni, de São Paulo
06/05/2008

 

Se a porta para as ofertas públicas de ações ficou entreaberta no início deste ano, os bancos de investimento encontraram na sala ao lado uma janela para as colocações privadas de papéis. Em vez de vender a todo tipo de investidor a participação em empresas, as instituições financeiras passaram a oferecê-las a grupos seletos, cuidadosamente escolhidos para irem ao encontro das necessidades das companhias.

O grau de investimento conquistado pelo Brasil poderá reaquecer as ofertas públicas, mas, de acordo com os especialistas, não interferirá no já estabelecido segmento de colocações privadas. O que poderá acontecer é que, de agora em diante, elas serão a alternativa para as distribuições pequenas, uma vez que o aperto de liquidez nos mercados internacionais ainda tornará mais favorável o ambiente para as ofertas públicas bilionárias.
O vice-presidente da área de Investment Banking do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin, afirma que o tão esperado dinheiro das seguradoras e dos fundos de pensão estrangeiros virá, primeiramente, para empresas de grande porte. “Para algumas companhias menores, as ofertas privadas não serão uma opção, mas a única saída para levantar recursos”, diz.
Rodolfo Riechert, responsável pela área de Investment Banking do UBS Pactual, calcula que 80% das empresas que cancelaram aberturas de capital neste ano tenham sido procuradas para realizar emissões privadas.
“Esse tipo de operação é indicada para aquelas que ainda não estão preparadas para as ofertas públicas. Para elas, é mais interessante buscar investidores com pensamento de longo prazo, que não estejam preocupados com as cotações diárias, para crescer e ganhar um outro porte”, diz.
As ofertas privadas aumentaram neste início de ano com o fechamento do mercado para operações públicas, devido à crise financeira mundial. A crise enxugou a liquidez global e afetou, em particular, o fluxo de recursos destinado às pequenas operações. Apesar dessa situação de mercado, dizem especialistas, sempre houve recursos interessados no Brasil. “O pano de fundo ainda permanecia o de que a dinâmica da economia brasileira é positiva, com forte perspectiva de expansão”, afirma Riechert. Ou seja, investidores já contavam com o grau de investimento, ainda que para 2009 apenas.
“Este ambiente econômico é propício para os empreendedores e também para investidores de prazo mais longo e que tenham desejo de assumir riscos”, diz o executivo do UBS Pactual.
Os bancos de investimento procuraram esse perfil de investidor de longo prazo, que não precisa fazer escolhas atento a uma referência e às oscilações diárias das cotações. No caso de quem aplica em ações no Brasil, o referencial é, normalmente, o Ibovespa, o IBRX ou o MSCI (Morgan Stanley Capital International), muito acompanhado pelos estrangeiros.
Em todos esses índices, as blue chips brasileiras Petrobras e Vale têm grande peso, da ordem de 40%, e, nos últimos meses, os dois papéis têm apresentado performance muito sólida, em razão de notícias positivas para ambas, como as recentes descobertas da estatal ou as ambições internacionais da mineradora.
Ainda que mesmo antes do grau de investimento o mercado já até identificasse papéis listados mais baratos na bolsa, muitos gestores preferiam não arriscar, uma vez que as principais ações do mercado estavam em trajetória ascendente.
“As novatas estavam competindo com empresas do porte de Vale e Petrobras. Quem tem de marcar a mercado seus ativos diariamente acabou vendo opção mais fácil em concentrar apostas nessas companhias do que se arriscar com os novos papéis”, diz Riechert.
A saída foi estruturar operações para aqueles que estivessem dispostos a investir no Brasil, mas sem a preocupação com o desempenho de curto prazo da companhia. Este investidor deseja se posicionar agora, acompanhar o desenvolvimento do negócio, ter pedaços maiores das empresas domésticas, com alguma ingerência. Futuramente, pode até mesmo deixar o investimento via oferta pública.
“São reunidos geralmente de dois a dez investidores, que aceitam não ter liquidez no curto prazo e fazer a transição da companhia”, diz Etlin, do Itaú BBA.
Essas operações são indicadas para investidores com a mesma cabeça de um private equity, portanto. Uma diferença entre essas operações está na forma de adquirir a participação. “Normalmente os fundos fazem pesquisas, compram 30%, 40% de uma companhia e buscam parceiros para coinvestir nas empresas”, explica Riechert. No caso da oferta privada, um pequeno grupo de investidores compra diretamente participação na companhia e, normalmente, não de controle, como ocorre geralmente nos private equities.
As distribuições privadas também diferem das públicas por serem mais flexíveis. Nas públicas, os bancos já saem com uma determinada quantidade de ações à venda e uma faixa de preço sinalizada. Nas privadas, tudo isso pode ser mais rapidamente modificado, adaptado e estruturado durante o processo. Algumas operações, inclusive, mesclam a venda de ações com papéis de renda fixa da empresa.
Riechert, do UBS Pactual, afirma, também, que, ao menos antes do grau de investimento, a venda privada não era necessariamente destinada apenas a pequenas somas. “Estamos trabalhando em três operações privadas de US$ 300 milhões cada.”
Para Kan Wakabayashi, da consultoria Cypress Associates, agora, com a perspectiva de retomada de ofertas públicas, o mercado deverá ficar atento e observar se, eventualmente, algumas dessas empresas que estão em operações privadas não poderão voltar a migrar para as públicas.