Por Ana Paula Ragazzi, de São Paulo
10/07/2008
| A abertura de capital é um processo pelo qual a empresa passará uma só vez e que transformará totalmente suas atividades. Para realizar a operação, a companhia precisa estar atenta a aspectos como governança corporativa, planejamento estratégico e financeiro, capacidade administrativa, porte, estrutura societária, contábil, controles internos e comunicação. Em poucas palavras, alcançar a profissionalização. |
| Os especialistas dizem que a informalidade ainda é muito presente no país, mas destacam a nova lei contábil, que passará a exigir que, a partir de determinado porte, companhias fechadas tenham balanços auditados e facilitará o trabalho futuro se, eventualmente, elas optarem pela bolsa. |
| “A preparação para a oferta demanda trabalho intenso e se a empresa não tiver a parte contábil estruturada, por exemplo, vai demonstrar fraqueza”, diz Ivan Clark, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC). Ele ressalta que muitas companhias brasileiras são familiares e, antes de pensar em olhar para fora, lançando ações, precisam olhar para dentro. “Várias possuem fazendas, aviões ou viviam na informalidade”, afirma. |
| Pedro Lanna Ribeiro, advogado e sócio do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão, pondera que algumas vezes o fato de a empresa ser familiar pode facilitar o processo. “Às vezes a família já está fechada em favor da operação. Com vários sócios, pode haver divisão de controle”, diz. |
| Outra característica frequente é a empresa estar presente em vários ramos de negócio. Por exemplo, uma companhia concentra uma cadeia de escolas, mas também tem um braço imobiliário e outro de móveis. “A empresa precisa definir o objetivo da oferta, promover uma reorganização societária e decidir qual atividade será o foco da operação”, diz André Viola Ferreira, sócio da Terco Grant Thornton. |
| O caminho trilhado até a oferta deve ser observado também pelo investidor no momento de ler o prospecto e decidir pela adesão ou não à operação. |
| “O investidor pode verificar se a companhia vinha sendo auditada ao longo de três anos ou se esse trabalho foi retroativamente feito, nos últimos três meses, por exemplo”, diz José Diaz, sócio do escritório de advocacia e Almeida. O mesmo raciocínio vale para observar há quanto tempo os atuais administradores estão na empresa. Na avaliação dele, as companhias “mais óbvias” já foram a mercado e, agora, o país vive uma espécie de entressafra, em que as empresas estão se preparando para operações. |
| Do ponto de vista da governança, o compromisso é com a transparência na divulgação de quaisquer dados e coerência com as metas definidas. |
| “Governança corporativa é admitir que a empresa tem um novo sócio, o mercado. E ele participará ativamente da vida da companhia”, afirma Diaz, do Demarest. |
| A comunicação da empresa merece atenção especial – tanto para o público externo, na área de relações com investidores, quanto internamente, para que os funcionários compreendam a nova realidade da empresa. |
| A companhia tem ainda que ter claro seu plano de negócios. “Pode parecer óbvio, mas ela precisa saber para onde ir. Se o norte transmitido aos investidores não for condizente com o passado e sustentável em relação ao presente e ao futuro, ficará claro que terá dificuldades de entregar o prometido”, diz Kan Wakabayashi, da consultoria Cypress Associates. |
Outro foco são os controles internos, que acompanham as atividades da empresa para diminuir a probabilidade de problemas financeiros, como fraudes, e operacionais, como insatisfação de clientes e fornecedores.