Por Angelo Pavini, de São Paulo
16/07/2008
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anna Carolina Negri / Valor

Tendolini: muitas empresas foram para o Novo Mercado, mas não estavam preparadas para a governança que anunciaram
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De olho no potencial das empresas novatas, que ainda pretendem ir para a bolsa, a Fator Administração de Recursos (FAR) está separando uma parte da carteira de seu fundo de ações de governança, o Sinergia 4, para buscar oportunidades nesse segmento. Segundo Fernando Tendolini, gestor da família de fundos Sinergia – que completa 11 anos -, a quarta versão da carteira vai destinar de 20% a 25% dos recursos para investir em empresas que estejam a um passo de estrear no mercado acionário. “Vamos procurar aquelas companhias que precisam de um último empurrão, uma linha de crédito para uma aquisição de outra empresa ou um último investimento para poder chegar ao mercado”, diz.
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| A idéia é buscar empresas que já superaram a fase pós-private equity e estejam na fase chamada de pré-IPO (oferta inicial em inglês) e negociar com elas o investimento, que seria feito mediante debêntures conversíveis em ações. “Não seria um investimento tão longo, quanto o do private equity, que entra na empresa para ajudar a estruturar o negócio e fica cinco, dez anos, queremos a fase final, que possibilite uma saída em, no máximo, um ano e meio”, diz. Assim, o fundo ganharia todo o potencial de alta que a empresa teria ao ir para a bolsa e com isso acelerar seu crescimento. “Vamos negociar para participar da empresa antes de ela abrir o capital”, diz. |
| Para Tendolini, os exemplos recentes de problemas com a governança de algumas empresas que estrearam recentemente na bolsa mostram que o Novo Mercado não é uma garantia para o investidor. O enfoque dos investidores mais ativos, que no passado era mostrar que a governança era importante nas empresas, vencendo a resistência dos controladores à participação dos minoritários nos conselhos, mudou. Agora, o importante é a gestão da governança corporativa. “Muitas empresas vieram com selo do Novo Mercado, mas não estavam preparadas para praticar a governança que anunciaram.” |
| Por isso, a idéia do Sinergia 4 é buscar as empresas que tiveram um processo de participação de fundos de private equity e ajudar na finalização do processo de abertura. “Vemos que as empresas que tiveram private equities em sua estrutura se deram muito melhor após a abertura, caso de Totvs ou Dasa“, diz ele, lembrando que esses fundos exigem das empresas transparência e respeito aos minoritários, além de eliminar a figura do único dono, que confunde o caixa da empresa com o particular. “O dono perde um pouco a capacidade de interferir na empresa”, diz. |
| A idéia é estar um passo antes do mercado de ações e um depois do de private equity, explica José Carlos Borja, diretor comercial da FAR. “É uma estratégia pioneira, pois estamos aumentando o campo de visão das oportunidades do mercado para além das empresas já em bolsa”, diz o executivo. Segundo ele, muitos investidores mostravam interesse por private equity. “Queríamos oferecer algo semelhante, mas sem perder a característica do Sinergia”, explica. |
| Borja lembra que a estrutura do Sinergia permite esse tipo de operação porque é um fundo fechando, que não permite resgates, e com prazo de maturação longo, de sete anos. “Não dá para tentar fazer isso em fundos abertos para saques, pois se temos uma onda de resgates, quem fica acaba perdendo toda a liquidez e corre o risco de levar papel para casa”, afirma ele. |
| As carteiras do Sinergia foram pioneiras no que o mercado chama de fundos de governança. A carteira compra participações em empresas pouco negociadas, mas com potencial, e busca participar de seu conselho, aumentando a transparência e a qualidade da gestão das companhias. A receita tem dado certo nos últimos 11 anos. |
| O Sinergia 4 ainda está em fase de captação. A carteira, aberta em dezembro, acumulou rentabilidade de 33,82% até o dia 31 de maio, para um Índice Bovespa de 10,34% no período. O bom desempenho se explica pela escolha dos papéis, dos setores agrícola, como fertilizantes e terras agrícolas, e infra-estrutura. Há também uma participação em siderurgia, com Ferbasa. A aplicação inicial é de R$ 300 mil, pois a carteira se destina somente a investidores qualificados. A idéia é que o fundo capte entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão. Mas as aplicações nas empresas pré-IPO devem começar apenas quando a carteira atingir R$ 500 milhões. “O mínimo necessário para esse tipo de operação tem de ser R$ 100 milhões”, explica Tendolini. |