Archive for agosto, 2008
The great American freedom machine
Let’s hear it for automobiles.
They are the great American freedom machines.
They offer us enormous opportunities to go where we want, when we want. They are even more energy-efficient than the mass transit systems touted by “smart growth” advocates.
Autos dramatically expand the geographical area in which people can work, shop, eat, attend school or just enjoy themselves without the extra time needed to match public transit schedules or to walk or bike. With extra range of movement comes a huge range of extra opportunity.
It’s quite convenient to live near where you work –but why limit your choices of where and how to live and raise your family? Even if you find a place that combines a great job setting with a good place to live, is it permanent? Every year, four in 10 Americans change jobs. Those aged 18 to 34 typically change jobs nine times before they turn 35.
No other transportation mode offers the flexibility of the automobile, including the ability to separate our place of work from our place of abode and from our places of recreation.
Yet professional planners have persuaded government to sink billions into trying to push us into mass transit. Since 1970, more than half a trillion dollars have been pumped into mass transit subsidies. The result? More than 95 percent of America’s workers still drive to work.
Indeed, mass transit’s share of overall commuter miles traveled has dropped steadily for decades, until this year’s $4-a-gallon gas.
The higher prices pushing us off our roads are being hailed by some. The Washington Post editorialized that rising fuel prices are “a happy development for proponents of public transportation.” But not everyone is thrilled with the prospect of having to sacrifice our freedom of mobility because “green” politicians chose to “save the planet” by hampering our country’s ability to produce affordable energy.
By condemning Americans for our supposed addiction to automobiles, green extremists (and many in the media) try to make us feel guilty so that we’ll accept their agenda meekly. Yet Al Gore and his entourage arrived at his recent “Save the Planet” speech in air-conditioned limousines and an SUV, even after encouraging “other people” to ride bikes or take mass transit. The convenience of the automobile is so great that it outweighed the guilt for limousine liberals!
Liberals also assert that it’s cheaper to ride than to drive, a claim that depends upon perspective. Those who shift from cars to mass transit can save money for themselves (at a cost of less personal convenience), but it’s not an overall saving of money or energy. Public bus and rail systems get 75 percent of their operating costs from taxpayer subsidies, and only 25 percent from riders’ fares, so that expense is simply shifted to taxpayers when people shift to transit.Nor does transit save energy. U.S. Department of Transportation figures show that transit buses actually consume more energy (in BTUs) per passenger mile than autos do! Further, as charted by the U.S. Department of Energy, American buses average 4,650 BTUs per passenger mile, compared to only 3,702 for autos. Rail travel does slightly better, with 3,172 on average, but rail’s energy consumption figures are higher in cities due to stop-and-go nature of commuter rail.
Then there’s the congestion argument. The New York Times’ John Tierney reported, “As documented by the Texas Transportation Institute, when you take population growth into account, traffic congestion has been increasing more rapidly in the cities that haven’t been building roads. The reason for Los Angeles’ traffic morass is that it didn’t build enough freeways, incredible as that sounds.”
Roads have gone unbuilt because the “user pays” principle of transportation has been violated. Highway trust funds (your highway user taxes) have been siphoned off. Whereas other forms of transportation receive subsidies, drivers pay subsidies.
Supposedly our fuel taxes go to build and maintain roads and bridges. But for many years at least a fifth of the money has been diverted into high-priced mass transit projects, bicycle paths and tourist attractions instead. That’s a huge factor in the backlog of unbuilt and unkempt roads and highways.
Until it pays its own way, mass transit will be a parasite on the road system, worsening that system’s ill health.
The recent drop in driving is lowering fuel tax collections and generating interest in new options for highway funding. But killing the car is not a good option. Cars may evolve into vehicles that burn something other than gasoline, or are electric-powered, but personal vehicles will always serve a great purpose. Still, the smart-growth crowd would rather eradicate autos by the millions.
Can cars be improved? Absolutely. We should want to make them safer, more fuel-efficient and less polluting, so long as the vehicles also are affordable, reliable and practical. When government dictates the “improvements” rather than market forces, those mandates instead make vehicles more expensive, fragile and impractical.
Consumer demand is already generating positive change in the automotive market, as it always does. Government dictates can do more harm than good.
Trying to force everyone onto mass transit will never work. But be prepared for those who will use today’s challenges to push us in that direction – perhaps as brutally as the professional pushers who cram riders into the cars of the Tokyo subway system.
It’s time for drivers to stand up against efforts to demonize the automobile. Forcing people to use a particular mode of travel is not the American way. Life is better when you have the freedom to drive, not just find a ride or wait at bus stops.
Fontes de financiamento
Como escolher o seu porquinho
Quais são as principais alternativas para a obtenção de recursos ao alcance das pequenas e médias empresas que precisam se expandir — e o que levar em conta para identificar a que melhor se ajusta às suas necessidades
Por Gladinston Silvestrin
EXAME Esses tempos melancólicos deram lugar a um cenário mais animado.“Não falta dinheiro para pequenas e médias empresas com bons planos de negócios e perspectivas reais de crescimento”, diz Kan Wakabayashi, da Cypress Associates, consultoria especializada nesse mercado.
Como não é de hoje que se diz isso e a maioria dos empreendedores brasileiros continua sofrendo para conseguir recursos, vamos aos números:
• Os empréstimos a empresas cresceram 21% entre 2006 e 2007, atingindo um recorde de 342,2 bilhões de reais no ano passado.
• Segundo estimativas da Abvcap, entidade que reúne capitalistas de risco no Brasil, os fundos de venture capital reservaram 500 milhões de reais para investir em pequenas e médias empresas em 2008 — o triplo do ano passado.
• Em fevereiro deste ano, o Bovespa Mais, segmento para emissões inferiores a 100 milhões de reais em ações, tornou-se uma realidade com a abertura de capital da Nutriplant — empresa de fertilizantes com pouco mais de 40 milhões de reais de faturamento anual. Apesar da recente turbulência no mercado de ações, há outras na fila. Só um banco, o Modal, tem o mandato de quatro pequenas e médias companhias interessadas em estrear na bolsa nos próximos meses.
| Robinson Shiba |
| Trend Foods Rede de fast food de comida oriental, São Paulo, SP |
| Não aos fundos de investidores |
| O criador da rede de franquias China in Box analisou — e descartou — uma negociação com fundos de capital de risco e se decidiu pela fusão com um concorrente. “Primeiro vamos dobrar de tamanho com o modelo de negócios já existente”, diz. “Estaremos prontos para abrir o capital nos próximos três anos.” |
• As fusões e aquisições — outra forma de conseguir recursos para crescer — nunca envolveram tantas empresas de pequeno e médio porte. No ano passado, segundo um estudo da consultoria Deloitte, a participação desses negócios no total de fusões e aquisições cresceu de 7,9% para 8,4%.
Nesse cenário, empreendedores que se vêem diante de mais de uma opção para obter dinheiro ficam cheios de dúvidas. É hora de abrir o capital na bolsa ou é melhor receber um fundo de capital de risco? Faz sentido aliar-se a um concorrente e depois pleitear um sócio capitalista? Não é mais rápido e simples pegar empréstimo num banco? “Somos cada vez mais procurados para ajudar a resolver esses questionamentos”, diz Wakabayashi, da Cypress.
A escolha correta depende de contas que incluem fatores como custo do capital e prazo para o investimento dar retorno. Mas elas dão apenas uma parte da resposta quando se levam em conta objetivos estratégicos para o médio e o longo prazo. Os empréstimos podem ser práticos para necessidades pontuais e crescimentos quase orgânicos, como comprar um equipamento. Mas, se o que se procura é dar um salto no crescimento ou fazer mudanças na estratégia ou na gestão, receber apenas dinheiro pode não bastar.
Os motivos que levam pequenos e médios empresários a criticar a atuação dos fundos de capital de risco são, em vários casos, procedentes. Mas é um fato que, com o aporte deles, o dinheiro costuma vir acompanhado de apoio para melhorar a gestão. Em setores em consolidação, como tecnologia ou saúde, juntar-se a um concorrente pode ser não só uma forma de crescer como também uma questão de sobrevivência. E, dependendo do humor do mercado, o lançamento de ações pode representar uma boa relação custo-benefício.
A Senior Solution, empresa de TI de São Paulo, usou todas essas alternativas nos últimos seis anos. No início, quando o crescimento dependia de novos produtos, a empresa recorria a linhas de crédito do BNDES para desenvolver softwares. Em 2004, quando foi necessário ganhar escala e conquistar novos mercados, a Senior fundiu suas operações com um concorrente, a NetAge. Mais encorpada, recebeu em seguida recursos dos fundos BNDESPar e Stratus.
Com o dinheiro dos fundos, a Senior pôde, então, fazer três aquisições que foram decisivas para sua expansão — o faturamento passou de 7 milhões de reais em 2005 para 30 milhões no ano passado. “Agora chegou a hora de abrir o capital”, diz Bernardo Gomes, presidente da Senior, que está se preparando para entrar no Bovespa Mais. Por quê? Segundo Gomes, será preciso um porquinho cheio de dinheiro à mão, que possa ser acionado muitas vezes. “Na bolsa poderíamos fazer várias emissões”, diz Gomes. O objetivo, segundo ele, é obter recursos para adquirir concorrentes.
Abrir o capital na bolsa é como se classificar numa espécie de primeira divisão. Significa que o empreendimento foi capaz de passar pelo escrutínio de advogados, auditores e do banco contratado para a operação. “O mercado de capitais é uma alternativa viável apenas para negócios que estão prontos para abrir suas informações ao mercado e para conviver com a pressão dos investidores”, diz Reinaldo Grasson de Oliveira, da consultoria Deloitte.
Depois de dois anos de reflexão, os irmãos Eduardo e Ricardo Pansa, controladores da Nutriplant, chegaram à conclusão de que a empresa, que produz fertilizantes em Paulínia, no interior de São Paulo, estava preparada para o teste da bolsa. Em fevereiro, a empresa captou 20,7 milhões de reais ao abrir o capital — cerca de metade de seu faturamento anual. “Estudamos também a possibilidade de receber aportes de fundos de capital de risco”, diz Eduardo. Os acionistas descartaram os fundos por considerar que eles não teriam como dar uma de suas principais contribuições: apoio para melhorar os processos de gestão, tornando a operação mais eficiente e rentável.
Caminho certo
Antes de ser adquirida pela família Pansa, em 2004, a Nutriplant pertencia a um grupo americano. “Como ex-filial de uma grande empresa, a Nutriplant já estava com sua gestão em ordem e tinha uma governança transparente”, afirma Eduardo. “Sempre estivemos prontos para abrir o capital.” O dinheiro captado está sendo utilizado para modernizar a fábrica de Paulínia e há planos para construir uma nova unidade.
| Marcelo Madalozzo |
| Tedesco Softwares para serviços jurídicos, São Paulo, SP |
| O dinheiro estava em casa |
| Para analisar os prós e os contras de receber o aporte de fundos de capital de risco, ele fez uma radiografia dos negócios. O resultado foi uma surpresa. “Descobri que, no estágio atual, não precisamos de recursos de fora para crescer”, diz. “Depois poderemos fechar uma negociação mais vantajosa com os investidores.” |
A operação da Nutriplant deu uma idéia concreta sobre o custo que espera as pequenas e médias empresas que pretendem abrir o capital. Somados os gastos com assessoria jurídica, elaboração de prospecto, comissões para os bancos coordenadores da oferta e road shows, a despesa chegou a 7,07% do valor captado. “Foi um custo baixo se comparado ao de um empréstimo bancário”, diz Marcio Iavelberg, consultor financeiro para pequenas e médias empresas. “Seria quase impossível para uma empresa do tamanho da Nutriplant levantar mais de 20 milhões de reais em empréstimos.” Ainda que conseguisse, a Nutriplant teria de reservar algo como o lucro dos próximos seis anos só para honrar a dívida.
| José Domingues dos Santos |
| Rosatex Fabricante de produtos de limpeza, Guarulhos, SP |
| Empréstimos até quando? |
| Em 20 anos de vida da empresa, ele recorreu apenas a empréstimos para financiar o crescimento. A opção manteve o negócio inteiramente sob o controle da família — mas também não trouxe nada de novo para a gestão. “É provável que em algum momento tenhamos de fazer diferente”, diz. “Para dar saltos maiores, precisaremos trazer alguém que tenha muito dinheiro para colocar aqui.” |
A perspectiva de entrada rápida de recursos a um custo razoável é um dos principais motivos que têm tornado a bolsa atraente aos olhos de tantos empreendedores. Há, porém, o outro lado da história. Os custos de manter a empresa listada no Bovespa Mais podem chegar a 500?000 reais por ano. Além disso, abrir o capital dá um trabalhão, que começa meses antes de as ações serem negociadas. O empreendedor precisa ler pilhas de documentos e sair em viagens para se reunir com possíveis investidores e analistas para mostrar o potencial da empresa. É preciso se preparar para ser sabatinado e falar dos riscos claramente e sem medo. E se a empresa pertencer a um setor que não desperta a atenção dos analistas de investimento, responsáveis por recomendar aos investidores a compra dos papéis, a operação pode não render muito.
| Gilmar Batistela |
| Resources Integradora de sistemas, São Paulo, SP |
| Em busca do capital de risco |
| Em um mercado em consolidação, ele achava que teria de vender o negócio a um concorrente maior. Depois de ouvir propostas que não o deixaram satisfeito, se decidiu pelo contrário — fortalecer a Resources com a aquisição de empresas menores. “Para isso, vou conseguir aporte com um fundo”, diz. “Depois das aquisições, os recursos poderão vir da bolsa.” |
Para as pequenas e médias empresas que conseguirem transpor todos esses obstáculos — e ainda estrearem num dia de bom humor nos mercados —, a bolsa pode valer a pena no longo prazo. “Abrir o capital pode ajudar a trazer mais dinheiro a um bom custo, além do obtido no dia da captação”, diz Oliveira, da Deloitte. “A empresa que foi à bolsa passou pelo teste da transparência nas informações, o que significa redução de risco. Por sua vez, a percepção do risco mais baixo ajuda a diminuir o custo de novos financiamentos.”
Muitos especialistas acreditam que os pequenos e médios empresários que desejam colocar seus negócios na bolsa estão no caminho certo. “À medida que mais pequenas e médias empresas abrirem o capital, os bancos e advogados responsáveis por coordenar e assessorar esses IPOs podem baratear os custos, cobrando menos e ganhando no volume de operações”, diz Humberto Tupinambá, diretor do banco Modal. Foi o que aconteceu na última década, por exemplo, com o segmento da Bolsa de Valores de Londres voltado para as emissões de pequenas e médias empresas.
O dentista Robinson Shiba, fundador da empresa de comida chinesa China in Box, acredita que, qualquer que seja o cenário, não é bom ir para a bolsa quando se é pequeno e não há um motivo bem claro para que os investidores se interessem pelo negócio. Essa foi uma das razões que o fizeram percorrer outras fontes de recursos antes do IPO, previsto para acontecer daqui a três anos. Em 2006, Shiba começou a procurar recursos para acelerar o crescimento da China in Box, que fatura anualmente 50 milhões de reais. Com 130 franqueados, as receitas então avançavam em média 7% ao ano. Apesar de não ser uma taxa de crescimento ruim, Shiba queria correr mais — do contrário, ele achava que havia o risco de ser engolido. “Nos Estados Unidos e no México, o mercado de fast food oriental já se consolidou em grandes grupos”, diz ele. “Nos próximos anos, isso também deve acontecer no Brasil.”
Shiba acredita que, no mercado nacional, a China in Box tem vocação para ser a líder — desde que encontre uma forma de encorpar rapidamente para, daí sim, buscar dinheiro no mercado de ações e comprar outros restaurantes. Shiba, então, se reuniu com gestores de fundos de capital de risco. Nessas ocasiões, ele explicava seus planos — tornar a China in Box uma versão brasileira da mexicana Alsea, companhia de capital aberto com participações em grandes cadeias de alimentação, como as americanas Starbucks e Burger King.
Em julho do ano passado, Shiba desistiu dos fundos e deu início a uma fusão da China in Box com a Gendai, rede de restaurantes de comida japonesa que pertencia a um amigo de infância, o empresário Carlos Kaidei. Dois motivos afastaram Shiba da possibilidade de vender parte da empresa a fundos de investimento. De um lado, os gestores não pareciam dispostos a pagar o que Shiba considerava justo — motivo que freqüentemente inviabiliza acordos entre empreendedores e fundos. De outro, Shiba não se sentia preparado para ter um sócio com o perfil que os gestores revelaram ter nessas conversas. “Vi que não estava pronto para ter alguém me cobrando metas de crescimento agressivas demais”, diz ele.
A fusão com a Gendai resultou na Trend Foods, empresa de 100 milhões de reais de faturamento — além da China in Box e da Gendai, a Trend Foods controla a Teppan House, que pertencia a Shiba, e a Owan e a Domburi, de Kaidei. “Nossa meta é dobrar de tamanho nos próximos três anos”, diz Shiba. Com a fusão, os caixas foram somados e os custos racionalizados, o que deu mais fôlego para investimentos. Para 2009, está previsto um investimento de 3 milhões de reais em recursos próprios para abrir cinco restaurantes da Gendai. “Até 2011 deveremos estar prontos para a bolsa”, diz Shiba.
O trajeto percorrido pelo matemático Gilmar Batistela inclui, como Shiba, uma passada nos fundos e outra nos concorrentes. E, como Shiba, Batistela está preocupado com o futuro de sua empresa, a paulista Resource, integradora de sistemas de tecnologia — setor em que empresas de todos os tamanhos atualmente parecem destinadas a comprar ou ser compradas. Batistela acredita que, com um faturamento de 75 milhões de reais em 2007, a Resource é pequena demais para se contentar em ficar onde está. Por outro lado, é grande o suficiente para ambicionar a compra de concorrentes. Sozinho e sem dinheiro para dar um passo tão grande, Batistela viu-se numa encruzilhada. “Eu precisava decidir se valia mais a pena vender a empresa a concorrentes maiores ou conseguir recursos para adquirir companhias menores”, diz.
Descobertas surpreendentes
Depois de conversar com competidores interessados, Batistela se decidiu pela segunda opção. “Não ouvi nenhuma proposta que eu achasse compatível com o valor da Resource”, diz ele (também aqui se vê que o preço da empresa é uma das partes mais difíceis de acertar em qualquer negociação). Começou, então, outra fase na busca por um montante de 20 milhões de reais que Batistela julga necessários para crescer por aquisições. Abrir o capital foi uma hipótese analisada — e adiada. “Não temos tamanho nem estrutura para isso agora”, afirma ele. Resolvido esse ponto, o empreendedor passou a procurar um fundo de risco que aporte recursos na Resource em troca de participação.
Embora tenham percorrido caminhos diferentes, os empreendedores desta reportagem têm algo importante em comum. Para conseguir recursos que possibilitem uma evolução rápida de seus negócios, todos sentiram a necessidade imperiosa de se preparar para dividir a gestão com outras pessoas — novos sócios ou seus representantes, no caso dos fundos — e dar satisfações de seus atos publicamente, no caso da bolsa. O empreendedor José Domingues dos Santos, que sempre recorreu a empréstimos bancários para financiar o crescimento da Rosatex, fabricante de produtos de limpeza de Guarulhos, na Grande São Paulo, parecia uma exceção. Como bancos raramente se interessam em interferir na gestão de empresas pequenas e médias, Santos deveria, ao menos teoricamente, estar dispensado de conflitos sobre autonomia e prestação de contas.
Foi assim até pouco tempo atrás. Mas, no começo de julho, ele estava negociando um empréstimo com um fundo de investimento. É uma parceria que no futuro pode resultar na venda de uma participação na Rosatex, negócio de 90 milhões de reais anuais, para os investidores. “Além das garantias comuns em qualquer empréstimo, o fundo de capital de risco com quem estou conversando pede a preferência se eu decidir vender uma parte da empresa”, diz Domingues. Caso isso aconteça, Domingues terá recursos suficientes para adquirir um concorrente e fazer a Rosatex dobrar de tamanho. Ele acha que o dia de dividir as decisões com um sócio capitalista vai acabar chegando mais cedo ou mais tarde. “Se continuarmos crescendo, a necessidade de capital vai aumentar a um ponto em que não vai ser possível seguir apenas com dinheiro emprestado”, afirma Domingues.
Da análise dos prós e contras envolvidos em empréstimos, aporte de fundos, fusões ou abertura de capital, pode sair uma radiografia mais precisa dos negócios, que permita a seus donos revisar suas estratégias. Às vezes, esse período pode levar os empreendedores a descobertas surpreendentes — como a de que não há necessidade de trazer dinheiro nenhum, afinal. Foi o que aconteceu com Marcelo Madalozzo, sócio da paulista Tedesco Informática, desenvolvedora de softwares para departamentos jurídicos.
Madalozzo contratou os consultores da Cypress para ajudá-lo a avaliar propostas de fundos de capital de risco que manifestavam interesse em comprar uma participação na empresa. Vender uma fatia da Tedesco poderia injetar recursos para a aquisição de concorrentes, por exemplo. Mas uma olhada mais atenta nos números revelou que, com a empresa crescendo a um ritmo de 40% por ano, é cedo para aceitar uma proposta de compra que não seja realmente muito boa — e não era o caso das que Madalozzo vinha recebendo. “Chegamos à conclusão de que não precisamos fazer aquisições agora”, diz ele. “Ainda não crescemos tudo o que é possível com nossas próprias pernas.” No ano passado, por exemplo, saíram do caixa da Tedesco 500?000 reais de investimento para atender contratos com unidades da InBev em 32 países, num volume de negócios que vai elevar de 5% para 15% a participação das exportações no faturamento da empresa. “Ainda podemos gerar muito valor com nossos próprios recursos”, afirma Madalozzo. “O dinheiro de fora só vai entrar quando sentirmos que chegou o momento certo.”
| O que vem com a capitalização |
| Identificar a fonte de financiamento mais adequada é uma necessidade para a maioria dos donos de empreendimentos em expansão. A assessoria Cypress Associates, que atende pequenas e médias empresas, preparou com EXAME PME uma lista das principais fontes de capital para negócios em crescimento — e o que é preciso saber antes de optar por uma delas |
| Fonte de recursos Fundos de capital de risco |
| O que a empresa ganha |
| Além do dinheiro, em geral os fundos levam para os negócios em que investem práticas de gestão que aceleram o crescimento. É comum, por exemplo, que os fundos indiquem profissionais de mercado que assumem a responsabilidade de administrar as finanças e os controles da empresa |
| Algumas das práticas trazidas pelos fundos estão relacionadas ao exercício da governança corporativa: os balanços passam a ser auditados, ampliando a transparência dos negócios para outros eventuais provedores de crédito |
| Acesso à rede de relacionamento dos gestores dos fundos, que inclui bancos, outros capitalistas e empresas. Também fica mais fácil construir alianças estratégicas com negócios que integram o próprio portfólio do fundo para conquistar novos clientes e fornecedores |
| O outro lado |
| Alguns fundos só adquirem participações superiores à metade do capital, tirando o controle dos fundadores |
| Os empreendedores passam a prestar contas dos resultados, o que pode aborrecer aqueles acostumados à total independência |
| Há pressão para obter resultados dentro do prazo estipulado para o fundo deixar o negócio, que geralmente vai de cinco a seis anos. Dependendo das intenções do empreendedor no longo prazo, isso pode ser uma fonte de conflitos |
| Vários fundos exigem a contratação das auditorias e dos bancos mais caros do mercado como forma de garantir credibilidade na hora de negociar com grandes clientes e fornecedores |
| A captação |
| A lógica dos fundos prevê que, ao final do contrato, seus participantes recebam muito mais do que foi investido, ao vender o pedaço deles na empresa. O risco que eles tomam é alto — sobretudo se o empreendimento estiver no início. Por isso, seus gestores costumam ser muito duros nas negociações para pagar o menor valor possível na hora de entrar na sociedade |
| Fonte de recursos Fusões e aquisições |
| O que a empresa ganha |
| Como as empresas que se unem passam a fazer parte de uma instituição maior, uma das grandes vantagens é o ganho de escala, que permite negociar taxas e preços mais competitivos com clientes e fornecedores |
| O empreendedor pode ganhar capacidade de expansão para mercados que seriam difíceis de conquistar sem ajuda externa |
| Possibilidade de incorporar produtos e serviços complementares aos que já existiam no portfólio |
| Da consolidação, pode surgir um grupo apto a abrir o capital ou a receber investimento de risco |
| O outro lado |
| A integração entre equipes com culturas e estilos diferentes raramente acontece rapidamente e de forma harmoniosa |
| Os pontos negativos são compartilhados — um assume o histórico do outro, incluindo os erros cometidos pelo parceiro no passado |
| Para muitos empreendedores, o ponto mais delicado pode estar na chegada de sócios, o que os obriga a dividir a tomada de decisões |
| Os custos com escritórios de advogados e consultorias financeiras e contábeis podem ultrapassar 5% do valor da operação |
| A captação |
| A maneira mais simples de concluir um processo desse tipo é quando uma participação da companhia menor é adquirida por uma empresa maior. Existe ainda a possibilidade de que seus acionistas troquem ações entre si. Chegar a um valor considerado justo pelos dois lados pode ser um trabalho complexo, sobretudo nos casos em que nenhuma das duas empresas tiver papéis listados na bolsa de valores |
| Fonte de recursos Abertura de capital no Bovespa mais |
| O que a empresa ganha |
| Com a cotação dos papéis na bolsa, os empreendedores podem saber periodicamente qual é o valor de mercado de sua empresa |
| A necessidade de atualização contínua das informações que vão para investidores e analistas funciona como uma cobrança para que o empreendedor e seus funcionários fiquem sempre atentos ao desempenho, o que estimula a busca constante por eficiência |
| Há mais opções de remuneração dos executivos, como distribuição de ações de acordo com resultados. Com isso, é mais fácil atrair os melhores profissionais do mercado |
| O outro lado |
| A pressão dos investidores por resultados no curto prazo é intensa. Para muitos empreendedores, essa postura é incompatível com seus planos para o futuro |
| Os concorrentes têm acesso a informações estratégicas |
| A entrada de uma empresa no Bovespa Mais gira em torno de 5% a 9% do valor total da captação. As despesas com a manutenção da empresa na bolsa podem chegar a 500 000 reais por ano |
| Os analistas podem não se interessar em acompanhar o desempenho de uma pequena ou média empresa, o que dificulta a precificação dos papéis |
| A captação |
| Uma das características da abertura de capital é que o valor da captação acaba sendo definido apenas no dia da operação, quando os compradores realizam as compras. Manter um bom trabalho de relações com investidores no período que antecede a abertura de capital é importante para convencer o mercado do valor da empresa. Mas há fatores que fogem ao controle — uma queda geral nas bolsas, por exemplo, pode jogar o volume de captação para baixo |
| Fonte de recursos Empréstimo em banco |
| O que a empresa ganha |
| Empreendedores que gostam de ter autonomia na tomada de decisões preferem essa opção porque ela permite que as ações da empresa não mudem de mãos |
| A interferência de profissionais dos bancos no negócio geralmente é nenhuma |
| É permitido quitar a dívida antes do prazo previsto inicialmente e, com isso, amortizar o custo com juros — dependendo do instrumento utilizado |
| Trata-se de um tipo de fonte de recursos ao qual o empreendedor pode recorrer várias vezes em curtos períodos de tempo |
| O outro lado |
| Em geral, os bancos não aceitam como garantia recursos que a empresa irá obter no futuro. Os bancos querem bens que já existem e podem ser comprovados, como imóveis, carros e máquinas, ou fontes de receita recorrentes da empresa, como recebíveis |
| A gestão do fluxo de caixa, que já costuma ser complicada em muitas empresas, passa a ser uma questão de vida ou morte |
| O empréstimo bancário não costuma trazer mais nada além de dinheiro. Embora alguns bancos ofereçam assessorias, ajudar o empreendedor a melhorar a gestão do negócio não é o foco deles |
| A captação |
| Se a empresa estiver com o cadastro em dia, o empréstimo pode sair em um prazo muito inferior ao necessário para obter dinheiro de outras fontes. As taxas irão variar de acordo com a instituição financeira e com a percepção dos bancos sobre a capacidade da empresa de honrar ou não o débito. Há linhas de crédito especialmente baixas se a intenção for apenas comprar novas máquinas, por exemplo |
O sucesso da produção no regime comunista
Pode também servir de base para outras indústrias: microprocessadores, nanotecnologia, alimentos funcionais
(com o iogurte vem junto um operário e uma marreta…..).
Capitalismo arrebata EUA em crise
Por Kevin Hassett
31/07/2008
| A crise no Fannie Mae e no Freddie Mac provocou mais um revés numa já cambaleante economia dos Estados Unidos. Com tanta gente atualmente tomada pela possibilidade de a economia caminhar rumo à recessão, o jogo de acusações já começou. Muitos começaram a apontar um dedo acusador para um suspeito improvável: o próprio livre mercado. Há uma nova doença se disseminando nos prognósticos dos especialistas de plantão: o capitalismo de tempos prósperos. |
| Peter Gosselin capturou bem esse estado de ânimo num artigo recente no “Los Angeles Times”. “O país e seus líderes políticos”, ele escreveu, “começaram a se irritar com a idéia de que o sistema de mercado atual seria essencial para uma sociedade eficiente, estável e justa”. |
| Apesar de não estar nem um pouco claro se a maioria das pessoas concordará com Gosselin, essa percepção precisa ser levada a sério. A noção de que os mercados não funcionam mais, se for verdadeira, poderá virar o pensamento econômico de cabeça para baixo e se transformar numa importante vitória intelectual para a esquerda americana. A aceitação generalizada desta idéia teria profundas implicações para o futuro das economias de mercado e abriria a porta para uma vasta expansão do governo. |
| Há dois anos, se perguntássemos a qualquer americano que não fosse um militante da esquerda por que os EUA superaram o desempenho das economias da Europa e do Japão, mais tendentes ao socialismo, ele teria apontado para a nossa maior dependência nos mercados livres. Os americanos dificilmente foram os únicos a aprender essa lição. Os europeus têm reduzido agressivamente as suas elevadas alíquotas de impostos e suas rigorosas regulações e o antigo bloco soviético, em particular, parece ter sido ungido no sacerdócio da doutrina econômica de Reagan. |
| Por que a vitória intelectual para os pensadores do livre mercado? Não porque tivessem convencido a todos nos seminários acadêmicos: o meio acadêmico dificilmente tem sido receptivo aos economistas conservadores. Não, a vitória aconteceu porque os fatos falaram por si mesmos. Um vasto corpo de pesquisa, que demonstra a relação empírica existente entre mercados livres e crescimento econômico, foi desenvolvido. Um estudo conduzido pelo economista Robert Barro, da Universidade Harvard, apurou que os direitos de propriedade e os mercados livres eram os elementos institucionais mais importantes para a promoção do crescimento econômico. |
| Igualmente, o Relatório de 2004 sobre a Liberdade Econômica Mundial, do Instituto Fraser, documentou que a receita do livre mercado, de concorrência, espírito empreendedor e atividade de investimento, é a chave para a promoção do crescimento econômico. Segundo o estudo, “países com maior liberdade econômica atraem mais investimentos e obtêm produtividade maior a partir dos seus recursos. Como resultado, eles crescem mais velozmente e atingem níveis de renda mais elevados”. Estudos também mostram o impacto negativo da regulação sobre o crescimento. A economista, Silvia Ardagna, de Harvard, e Annamaria Lusardi, do Dartmouth College, concluíram que ambientes com regulação rígida desestimulam empreendedores que são motivados por novas idéias de negócios. |
| O poderio econômico dos EUA ajudou a vencer a Guerra Fria e países que copiaram, ou até se aprimoraram em relação aos Estados Unidos, viram seus horizontes mudarem dramaticamente. Países, da Irlanda à Estônia, adotaram a ideologia do livre mercado e presenciaram uma transformação econômica sem precedentes historicamente. É importante observar que essa vitória foi em torno de tendências de longo prazo. Há dois anos, o sentimento em prol do livre mercado estava provavelmente no seu auge. A vasta aceitação da idéia de que mercados livres são a melhor rota para a prosperidade foi baseada em décadas de experiência. Contudo, ocorreram graves flutuações. |
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Dificilmente a atual crise habitacional será suficiente para desfazer décadas de experiência que atestam que os mercados livres funcionam |
| Tivemos a crise de 1973, quando os preços quadruplicaram e houve a convulsão iraniana de 1979, que também devastou os mercados do petróleo, e a derrocada das instituições financeiras hipotecárias, quando mais de 700 bancos faliram. Até mesmo a gloriosa revolução de Reagan foi prejudicada por flutuações: uma das mais profundas recessões do período do Pós-Guerra aconteceu durante o primeiro mandato de Reagan. Mesmo com esses reveses, o sistema de livre mercado venceu, pois outras abordagens não produziram apenas flutuações, mas miséria constante. |
| Então, o que aconteceu desta vez, que é tão pior do que tudo o que houve antes? A resposta é: nada. Novas coisas que malograram demandam novas abordagens por parte dos formuladores de política. Mas os mercados por si só não são a raiz do problema. Tratemos de cada um dos elementos negativos. |
| Primeiramente, os preços do petróleo. Eles estão elevados porque a demanda global subiu vertiginosamente num momento em que países como China e Índia adotaram o livre mercado e começaram a crescer velozmente e a consumir mais energia. Portanto, os preços do petróleo dispararam porque os mercados livres funcionam, e não ao contrário. No setor habitacional, o enredo é mais complexo. As instituições financeiras claramente fizeram terríveis apostas de que os preços continuariam aumentando, e isso colocou a economia em risco. Os proprietários de casas perseveraram nos seus sonhos, apenas para vê-los frustrados assim que as taxas de juros que incidiam sobre financiamentos hipotecários se ajustaram a um nível mais elevado e os preços despencaram. O sofrimento deles é real, e o Congresso está certo em tomar alguma providência para atenuá-lo. |
| Mas será a crise habitacional suficiente para desfazer décadas de experiência que atestam que os mercados livres funcionam? Dificilmente. A verdade é que preços flutuam e que algumas vezes as pessoas adivinham corretamente, e outras vezes incorretamente. Isso sempre foi verdade, especialmente durante o período que convenceu o mundo de que o sistema de livre mercado é o melhor. |
| Consideremos da seguinte forma. Quase 68% dos americanos possuem suas casas. Na Alemanha, apenas 40% as detêm. Essas cifras são tão diferentes em grande parte porque os EUA são mais livres economicamente do que a Alemanha. O crescimento maior da renda e crédito mais fácil levaram a maiores taxas de posse de moradias nos EUA e a condições que são mais difíceis de mensurar. Isso abriu caminho para júbilo, e também para tensão. |
| Mas mesmo depois que a poeira assentar os americanos estarão muito à frente. Ninguém poderá alegar que estaríamos em situação melhor adotando um sistema completamente diferente. Nós definitivamente estaríamos em melhor condição se a regulação bancária tivesse sido mais racional e se a regulação por zoneamento não tivesse contribuído tanto para a disparada nos preços dos imóveis. Mudanças devem ser, naturalmente, introduzidas no nosso sistema. |
| É praticamente possível assegurar que outra confusão acontecerá logo adiante. Os americanos sempre aceitaram isso como parte do trato do livre mercado e podemos apostar que aceitarão mais essa vez. |
Kevin Hassett, diretor de Estudos de Política Econômica no American Enterprise Institute, é colunista da Bloomberg News.