Archive for outubro, 2008

IBM lança software como serviço com recursos de redes sociais

segunda-feira, outubro 6th, 2008

idgnow.uol.com.br

Framingham - Integração entre comunicador instantâneo, criação de perfis e comunidades de usuários é a mistura que forma o SaaS Bluehouse.

A IBM anunciou, nesta segunda-feira (06/10), o software como serviço (SaaS) Bluehouse, que mescla os recursos de redes sociais com ferramentas de colaboração para empresas.

O Bluehouse combina um comunicador instantâneo, compartilhamento de arquivos, perfis de usuários, conferências online, diretório e ferramentas para criar comunidades sociais de negócios. Tudo isso será oferecido por meio de cloud computing.

Segundo o vice-presidente de serviços online de colaboração da IBM, Sean Poulley, o Bluehouse permitirá que as pessoas criem um espaço colaborativo rapidamemente, assim como no Facebook. “Mas diferente dele, será possível incluir controles de privacidade e outras características que as empresas exigem”, diz.

Durante alguns meses, no período de beta público, o serviço será gratuito. A IBM ainda não forneceu os valores de inscrição no Bluehouse.

Patrick Thibodeau, editor do Computerworld, de Framingham

País não tem projeto digital de longo prazo

domingo, outubro 5th, 2008

Ethevaldo Siqueira

http://www.estadao.com.br/

 

“Políticos, em sua maioria, plantam couve. Estadistas plantam jequitibás.” Essa é a diferença entre as duas categorias de nossos dirigentes, numa definição que ouvi de meu pai ainda na juventude.

Puxe por sua memória, leitor, e diga qual foi o último grande projeto nacional de que se recorda. Não force muito, pois, em verdade, em sua história recente, o Brasil tem sido muito carente de projetos ambiciosos, de longo prazo, aqueles capazes de mudar qualitativamente o País. Recordemos alguns, a começar da criação da Universidade de São Paulo (USP) em 1934. Ou da Companhia Siderúrgica Nacional, em 1941. Ou do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 1950, sem o qual o Brasil não teria a Embraer nem uma indústria aeronáutica de classe mundial. Ou da Petrobrás, em 1954. Ou da Universidade de Campinas (Unicamp) em 1966. Ou da Telebrás, empresa-chave na implantação da primeira infra-estrutura moderna das telecomunicações brasileiras, em 1972. Ou da Embrapa, em 1973, sem a qual o Brasil não teria hoje a competência tecnológica para explorar o cerrado e produzir mais de 130 milhões de toneladas de grãos por ano.

Depois da morte do ex-ministro Sérgio Motta, em 1998, nenhum projeto ambicioso foi proposto para as comunicações brasileiras. A grande prioridade do setor ainda é a elaboração de uma lei geral, moderna e abrangente, capaz de harmonizar todos os segmentos do setor. A legislação em vigor é uma colcha de retalhos, com partes eficientes, como a Lei Geral de Telecomunicações, de 1997, e outras obsoletas, como o velho capítulo do Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, que ainda rege o rádio e a TV.

E não faltam recursos ao País para projetos muito mais ambiciosos no campo da inclusão digital. Dou apenas dois exemplos que somam R$ 15 bilhões. O primeiro é o Fundo Nacional de Universalização das Telecomunicações (Fust), que já arrecadou R$ 7 bilhões, sem nada aplicar nas finalidades de sua criação. O segundo é o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), cujos excedentes já somam mais de R$ 8 bilhões, inteiramente confiscados pelo governo.

APESAR DE TUDO

Para os brasileiros de boa-fé que têm alguma saudade do monopólio estatal, vale a pena comparar aquele modelo com a nova realidade. Em 1998, ano da privatização da Telebrás, o Brasil alcançava a densidade de 16 telefones por 100 habitantes. Hoje tem 94. O percentual de residências com telefone não passava de 20%. Hoje chega a mais de 70%.

Comparem ainda estes números: há 10 anos, o País tinha apenas 5,5 milhões de celulares em serviço. Hoje tem 138,4 milhões (dados de 31 de agosto de 2008). Um crescimento de 2.500%. O Brasil já é o quinto mercado de telefonia móvel do mundo. Até o final do ano, serão 150 milhões de celulares. Em 2010, mais de 200 milhões.

Na área de tecnologia da informação, o número de internautas passou de 1 milhão para 42 milhões, 10 milhões dos quais usuários de banda larga. O Brasil é hoje o sexto mercado mundial de internet.

E a mudança mais significativa de paradigma: os brasileiros estão comprando mais computadores do que televisores. Em 2007, foram vendidos 10,5 milhões de desktops e laptops contra 10 milhões receptores de TV. Em 2008, a venda de computadores deverá ser ainda maior: 11,8 milhões.

Qual foi o milagre? Apenas a redução da tributação. Ou seja, o governo passou a atrapalhar menos. Mesmo assim, a carga tributária brasileira tem crescido sem parar ao longo de mais de 30 anos. E já se aproxima de 40% do PIB, com alíquotas de impostos que chegam a quase 50% do valor dos serviços telefônicos e de banda larga.

LULA RECONHECE?

Diante desse quadro, não seria pedir demais ao presidente Lula que reconhecesse e comemorasse as conquistas do novo modelo com seu conhecido chavão: “Nunca antes na história deste País, tivemos uma inclusão digital dessas proporções: mais de 100 milhões de cidadãos passaram a ter telefone e 42 milhões tiveram acesso à internet em apenas 10 anos. Peço desculpas ao País por ter combatido a privatização das telecomunicações e reconheço publicamente que ela representou um avanço enorme para o Brasil.”

Mas estamos longe desse milagre. A tentação populista ainda é muito mais forte, recorrente, como aconteceu durante a campanha presidencial de 2006, em que Lula e seu partido voltaram a combater ferozmente a privatização das telecomunicações. E se dependesse do desejo de ambos, a Telebrás e suas 27 subsidiárias continuariam estatais e, com certeza, hoje totalmente aparelhadas pelo partido ou a serviço da barganha de cargos.

É claro que ainda há muito a fazer nas telecomunicações. A qualidade do atendimento nos call centers ainda é inaceitável. Os serviços de banda larga são medíocres e seus preços quase 10 vezes maiores que o da Coréia do Sul. Dos 5.564 municípios brasileiros, 2 mil ainda não dispõem de telefone, embora o celular deva chegar a todos os municípios do País nos próximos 24 meses.

O que falta ao País neste ponto é, sem dúvida, um ambicioso projeto digital de longo prazo.