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Londrinos apresentam seu mercado de acesso em SP

No meio da tormenta da crise financeira internacional, um grupo de executivos londrinos chega a São Paulo para reunir bancos e escritórios de advocacia e apresentar o mercado de acesso de Londres, o Alternative Investment Market (AIM), destinado à listagem de pequenas e médias empresas.
Dominic Searle, sócio da RSM Bentley Jennison de Londres e especialista em operações para ofertas iniciais de ações no AIM, afirma que a crise certamente afeta a concretização de emissões de papéis, que embutem muito risco, mas o mercado londrino poderá ter muito a oferecer para as companhias brasileiras quando o quadro se reverter.
“A vantagem de Londres é a liquidez. O dinheiro que por lá circula é global e de investidores que já compraram ações de pequenas e médias empresas de diferentes países, com experiências de sucesso. Como parte de uma tradição, eles continuarão a fazer isso, se acharem a companhia certa”, diz.
“Não é possível dizer quando essa crise vai passar, mas porque já deu provas de seu sucesso e de sua posição como um centro financeiro internacional, Londres pode estar melhor posicionada para se beneficiar da retomada dos recursos nos mercados de capitais, quando ela acontecer”, afirma o especialista.
José Fernando Boucinhas, presidente da RSM Boucinhas, Campos & Conti, que organiza o evento de três dias na capital paulista, diz que ele já estava programado antes de a crise se aprofundar. “O Brasil aparenta estar menos vulnerável às consequências da turbulência atual. Se as companhias domésticas forem menos afetadas e continuarem crescendo, vão precisar ter acesso ao capital. Nesse sentido, o AIM pode ser uma opção importante”, diz.
Searle afirma que o AIM não deve ser visto como um concorrente do Bovespa Mais – mercado de acesso criado pela bolsa brasileira, mas que, até hoje, conta com apenas uma adesão, a da Nutriplant.
Na avaliação dele, o AIM não é indicado para qualquer tipo de companhia. “Por essa razão, não há necessariamente uma competição com o Bovespa Mais, que pode ser uma alternativa mais indicada para empresas muito focadas no ambiente doméstico brasileiro”, afirma.
Por outro lado, diz Searle, para determinadas companhias, em um certo estágio de desenvolvimento, com perspectivas fortes de crescimento e elementos internacionais em seus negócios, o AIM pode ser uma opção muito interessante. “Além disso, muitas optam pela dupla listagem”, diz.
Ele avalia que, no Reino Unido, o Brasil é visto como uma das economias mundiais que apresenta as taxas mais aceleradas de crescimento e, ao lado dos outros países do Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), atrai muito interesse dos investidores.
No AIM, 26 companhias da América do Sul estão listadas, sendo quatro brasileiras: Brazilian Diamonds, Infinity Bio Energy, Clean Energy Brazil e Itacare Capital Partners. As companhias da região, segundo Searle, desde 2003, se valorizaram 28% mais do que o índice que reúne todas as empresas do AIM.
Ainda conforme o especialista da RSM Bentley Jennison, a quantidade de empresas novas que se listarão no mercado de acesso londrino deverá recuar este ano, em linha com o desaquecimento global dessas operações. “Com a crise de crédito atual, esta é a tendência. Mas é bom ressaltar que ela vai impactar tanto a capacidade de pequenas e médias acessarem o mercado de capitais quanto das grandes. Não é uma questão relativa ao tamanho das empresas “, afirma.
O AIM conta, no total, com 1.626 companhias listadas, sendo 334 estrangeiras. (APR)