Archive for novembro 11th, 2008
Londrinos apresentam seu mercado de acesso em SP
| No meio da tormenta da crise financeira internacional, um grupo de executivos londrinos chega a São Paulo para reunir bancos e escritórios de advocacia e apresentar o mercado de acesso de Londres, o Alternative Investment Market (AIM), destinado à listagem de pequenas e médias empresas. |
| Dominic Searle, sócio da RSM Bentley Jennison de Londres e especialista em operações para ofertas iniciais de ações no AIM, afirma que a crise certamente afeta a concretização de emissões de papéis, que embutem muito risco, mas o mercado londrino poderá ter muito a oferecer para as companhias brasileiras quando o quadro se reverter. |
| “A vantagem de Londres é a liquidez. O dinheiro que por lá circula é global e de investidores que já compraram ações de pequenas e médias empresas de diferentes países, com experiências de sucesso. Como parte de uma tradição, eles continuarão a fazer isso, se acharem a companhia certa”, diz. |
| “Não é possível dizer quando essa crise vai passar, mas porque já deu provas de seu sucesso e de sua posição como um centro financeiro internacional, Londres pode estar melhor posicionada para se beneficiar da retomada dos recursos nos mercados de capitais, quando ela acontecer”, afirma o especialista. |
| José Fernando Boucinhas, presidente da RSM Boucinhas, Campos & Conti, que organiza o evento de três dias na capital paulista, diz que ele já estava programado antes de a crise se aprofundar. “O Brasil aparenta estar menos vulnerável às consequências da turbulência atual. Se as companhias domésticas forem menos afetadas e continuarem crescendo, vão precisar ter acesso ao capital. Nesse sentido, o AIM pode ser uma opção importante”, diz. |
| Searle afirma que o AIM não deve ser visto como um concorrente do Bovespa Mais – mercado de acesso criado pela bolsa brasileira, mas que, até hoje, conta com apenas uma adesão, a da Nutriplant. |
| Na avaliação dele, o AIM não é indicado para qualquer tipo de companhia. “Por essa razão, não há necessariamente uma competição com o Bovespa Mais, que pode ser uma alternativa mais indicada para empresas muito focadas no ambiente doméstico brasileiro”, afirma. |
| Por outro lado, diz Searle, para determinadas companhias, em um certo estágio de desenvolvimento, com perspectivas fortes de crescimento e elementos internacionais em seus negócios, o AIM pode ser uma opção muito interessante. “Além disso, muitas optam pela dupla listagem”, diz. |
| Ele avalia que, no Reino Unido, o Brasil é visto como uma das economias mundiais que apresenta as taxas mais aceleradas de crescimento e, ao lado dos outros países do Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), atrai muito interesse dos investidores. |
| No AIM, 26 companhias da América do Sul estão listadas, sendo quatro brasileiras: Brazilian Diamonds, Infinity Bio Energy, Clean Energy Brazil e Itacare Capital Partners. As companhias da região, segundo Searle, desde 2003, se valorizaram 28% mais do que o índice que reúne todas as empresas do AIM. |
| Ainda conforme o especialista da RSM Bentley Jennison, a quantidade de empresas novas que se listarão no mercado de acesso londrino deverá recuar este ano, em linha com o desaquecimento global dessas operações. “Com a crise de crédito atual, esta é a tendência. Mas é bom ressaltar que ela vai impactar tanto a capacidade de pequenas e médias acessarem o mercado de capitais quanto das grandes. Não é uma questão relativa ao tamanho das empresas “, afirma. |
| O AIM conta, no total, com 1.626 companhias listadas, sendo 334 estrangeiras. (APR) |