Manufatura Reversa

Essencis investirá 37 milhões de euros para triturar geladeiras velhas
André Vieira, de São Paulo
11/03/2009

Uma montanha formada por geladeiras obsoletas e com alto consumo de energia passou a ser um negócio para a Essencis Soluções Ambientais. Agora, a empresa, uma associação entre a Camargo Corrêa e a Solvi, formada por quatro ex-executivos da Suez, se diz preparada para receber centenas de milhares de refrigeradores velhos caso o plano do governo federal de substituição por novos aparelhos deslanche.

Gustavo Lourenção/ Valor

Carlos Fernandes, presidente da Essencis: crise pode atrasar programas de sustentabilidade, mas são irreversíveis

A Essencis investiu ? 12 milhões de euros na compra de equipamentos móveis e planeja aplicar outros ? 25 milhões de euros em outras quatro unidades, em um processo de manufatura reversa de refrigeradores – um método no qual o aparelho antigo é desmontado e triturado, e seus materiais, como ferro e plásticos, são destinados à reciclagem. O processo também garante, segundo a empresa, um fim seguro ao gás CFC (clorofluorcarbono), encontrado em espumas de poliuretano e sistemas de refrigeração de antigas geladeiras.
“Aguardamos a entrada do programa do governo para o segundo semestre”, diz o presidente da Essencis, Carlos Fernandes. “A crise atrasa as tendências de sustentabilidade, mas elas vão acontecer mais cedo ou mais tarde.” A partir de maio, a Essencis planeja fazer o mesmo processo de manufatura reversa com celulares, baterias, computadores, monitores e televisores.
O programa de troca de geladeiras antigas por novas está sendo planejado pelo governo federal, que tem a meta de substituir 10 milhões de refrigeradores em 10 anos, principalmente da população de baixa renda, de forma a poupar energia.
Para atender parte do programa, que definirá as regras para o recolhimento das antigas geladeiras e a destinação ambiental adequada, a empresa começou a investir no processo de manufatura reversa em parceria com a empresa alemã SEG, com quem divide uma sociedade no Brasil para atuação neste negócio. A Essencis Manufatura Reversa, divisão da empresa, prevê faturar R$ 10 milhões neste ano, prevendo quintuplicar a receita em 2011.
Cada equipamento importado da empresa alemã tem capacidade de processar cerca de 350 mil de geladeiras por ano. A capacidade da empresa chegará a 1 milhão de refrigeradores em 2010 com a chegada dos novos equipamentos. “Se a demanda crescer, poderemos antecipar alguns planos, podendo chegar a 1,5 milhão a 2 milhões”, diz o diretor-superintendente da Essencis Manufatura Reversa, Roberto Castillo. Os equipamentos, acionados com geradores movidos a biodiesel, estão montados sobre caminhões. Foi a forma escolhida para economizar no custo do transporte de geladeiras para as unidades de armazenamento. “Vamos aonde nosso cliente estiver”, afirma Castillo.
A empresa possui unidades de estocagem de geladeiras velhas em Santa Catarina e no Paraná que atendem fabricantes de eletrodomésticos, que já optaram voluntariamente por fazer a destinação de equipamentos antigos, além de prever novas áreas nas unidades que já possui em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os planos são abrir novos centros no Rio Grande do Sul e Pernambuco ainda neste ano. “Com isso, poderemos atender 70% dos centros de consumo”, diz Castillo.
Segundo o executivo, a empresa é a única com tecnologia capaz de eliminar 99,5% do gás CFC. Com a espuma de poliuretano onde se encontra o gás retirada das geladeiras, a empresa faz um processo de filtragem – congelando e comprimindo – de forma a obter um líquido, que é queimado no incinerador da empresa em Taboão da Serra (SP). “Para isso, temos um projeto de co-geração de energia”, diz.
“A manufatura reversa de um único refrigerador neutraliza a emissão de CO2 que um veículo gera ao rodar 17,5 mil quilômetros. Isto significa a média que 850 veículos que rodam diariamente na cidade de São Paulo”, afirma Castillo.

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