Archive for abril, 2009
Compras em redes serão regulamentadas
Associar-se para ganhar competitividade. Essa sempre foi uma das principais alternativas para que micro e pequenas empresas pudessem comprar e vender melhor, ganhar escala e competir na economia globalizada. Nos últimos 15 anos, redes de micro e pequenas empresas e centrais de negócios começaram a ser implantadas no País. O crescimento dessas associações foi vertiginoso nos últimos cinco anos.
Segundo o Mapeamento das Centrais e Redes de Negócios do Brasil, realizado pelo Sebrae Nacional e editado em outubro de 2008, existem atualmente 841 redes e centrais de negócios que atuam em 77 segmentos espalhadas por todas as unidades da Federação. Apesar da importância da atuação coletiva das micro e pequenas empresas, faltava definição de personalidade jurídica para oficializar a associação de empresários de pequeno porte com objetivos mercadológicos.
A sanção da Lei Complementar 128/08, que criou as figuras jurídicas do Microempreendedor Individual (MEI) e da Sociedade de Propósito Específico (SPE) voltada para optantes do Simples Nacional, preencheu a lacuna que dificultava a atuação das redes e centrais de negócios. A SPE permite que empresas optantes do Simples Nacional realizem, conjuntamente, negócios nos mercados nacional e internacional.
Compra, venda, distribuição de produtos e serviços, entre outras atividades, poderão ser realizadas por empresários de pequeno porte associados e constituídos como SPE, com único CNPJ e endereço. Segundo o analista técnico da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae, André Spínola, a SPE legaliza a atuação das micro e pequenas empresas que trabalham ou querem trabalhar associadas no mercado. A nova personalidade jurídica gera benefícios e vantagens, entre eles, reconhecimento do mercado, fim da bitributação, redução de custos, emissão centralizada de notas fiscais, gestão conjunta de estoques, gestão estratégica, ganhos de escala, acesso a crédito e inovação tecnológica, marketing e marca única, programas de capacitação e consultorias, promoções, entre outros.
Das 841 redes e centrais de negócios, o maior percentual reúne empresas do segmento de supermercados com 24%; em seguida estão os multissegmentos, com 12%; farmácias e materiais de construção representam 7% cada; na área de artesanato são 6%; fruticultura reúne 4%. Outros segmentos, como contabilidade, confecções, clínicas veterinárias e hotéis somam 40%. A analista da Unidade de Acesso a Mercado do Sebrae, Patrícia Mayana, espera que a Sociedade de Propósito Específico (SPE) dê um grande impulso às redes empresariais e centrais de negócios.
EUA querem atrair empresas do Paraná
Estado norte-americano da Geórgia oferece incentivos a investidores brasileiros
Publicado em 12/04/2009 | Fernando Jasper
Se alguém já preparou uma lista dos investimentos mais extravagantes a serem feitos durante a maior crise econômica das últimas oito décadas, possivelmente incluiu nela a alternativa “abrir uma empresa nos Estados Unidos”. Mas o advogado norte-americano William Poole, especialista em transações internacionais, conseguiu reunir em Curitiba um considerável grupo de pessoas que, como ele, creem que o momento é dos mais propícios para investir no país que deu origem à crise – ou, mais especificamente, na Geórgia, estado do sudeste dos EUA que Poole representa.
“As bolsas voltaram a subir e a venda de casas cresceu pela primeira vez em um ano. Por isso, acredito realmente que já atingimos o ‘piso’ dessa crise e, sendo assim, estimo que dentro de sete meses voltaremos a crescer”, apostou Poole, batendo na madeira, em entrevista à Gazeta do Povo. “A hora de fazer negócios é justamente agora, às vésperas da retomada.”
No início do mês, o sorridente sócio do escritório Epstein Becker & Green, de Atlanta, apresentou a 45 empresários e advogados paranaenses as vantagens que seu estado oferece a companhias estrangeiras interessadas em se estabelecer por lá ou em fazer intercâmbio de conhecimento e tecnologias com empresas locais. Vantagens que, segundo ele, explicam o crescimento de 17% no investimento estrangeiro direcionado à Geórgia em 2008. A ambiciosa meta do departamento estadual de desenvolvimento econômico, do qual Poole é representante, é repetir esse índice em 2009.
“Atlanta é a capital do sudeste dos EUA, a região que cresce mais rápido no país. A cidade é um importante centro ferroviário, rodoviário, portuário e aeroportuário”, disse Poole, assegurando que “é fácil, rápido e seguro entrar na Geórgia”. O mercado consumidor, segundo ele, está aumentando: o estado tem o quarto maior crescimento populacional dos EUA, e a cada ano cerca de 100 mil pessoas se mudam para lá.
“Temos um ambiente amigável aos negócios e as leis trabalhistas são favoráveis. Não há qualquer restrição, por exemplo, à nacionalidade de diretores e empregados da empresa. E os incentivos são substanciosos.”
Entre as companhias brasileiras já instaladas na Geórgia estão a siderúrgica Gerdau e a Votorantim Cimentos, que no ano passado começou a construir uma fábrica no estado, lar de 50 mil brasileiros, segundo Poole. Em 2007, a Geórgia importou US$ 916 milhões do Brasil, o equivalente a 4% de tudo o que os EUA compraram do país, e exportou para cá quase US$ 500 milhões, pouco menos de 3% das importações brasileiras de produtos norte-americanos.
“Não posso afirmar que alguém do Paraná tenha se comprometido imediatamente a investir lá. Mas sim que há interessados, entre eles uma cooperativa, duas empresas de tecnologia da informação, uma fabricante de alimentos e uma empresa de tecnologia de reflorestamento”, disse o advogado, sem citar nomes.
Operadoras de telecom expandem fronteiras de atuação São Paulo – Empresas avançam sobre mercado ocupado por companhias de tecnologia da informação
A entrada das operadoras de telecomunicações em nichos que antes eram dominados por companhias de tecnologia da informação é fato e vem se consolidando no Brasil nos últimos anos. As teles descobriram uma nova – e rentável – fonte de renda em serviços e produtos considerados, até alguns anos, tipicamente de TI.
“As operadoras estão buscando novos nichos para tentar compensar o processo de comoditização das redes. No varejo, o exemplo claro são os pacotes triple play”, avalia Jeferson Stabille, supervisor da prática Advisory Services – IT Effectiveness, da PricewaterhouseCoopers. “No âmbito corporativo, a tendência é investir na área de tecnologia da informação”, completa Kirtanananda Borrero, consultor da Pricewaterhouse.
A estratégia das teles é oferecer a seus clientes, além de um ponto de transmissão de dados, serviços como gerenciamento de redes e de segurança, hosting e acesso a hardware, por exemplo.
Aluguel
É o caso da Telefônica, que há dois anos lançou no País um serviço que já existia em sua sede na Espanha. Batizada de “Posto informático”, a solução oferece equipamentos de informática ou telefonia em modelo de aluguel para corporações usuárias do serviço de banda larga da operadora.
“O cliente paga uma mensalidade e não precisa se preocupar com a aquisição do equipamento, manutenção, seguro, atualização de antivírus, licença de software etc.”, enumera Mário Miloni, diretor de marketing de pequenas e médias empresas da operadora.
Miloni contabiliza 90 mil PCs em serviço neste modelo, mas diz que é difícil estabelecer a economia média que a solução pode gerar. “No caso de empresas novas, é um custo evitado. Para as já em funcionamento, a economia pode ser verificada na ponta do lápis”, observa.
Entre os grandes grupos, a operadora espanhola tem 2 mil clientes de seus “serviços tecnológicos”, que englobam hospedagem e terceirização total das áreas de telecomunicações e tecnologia da informação – excluindo-se, neste caso, desenvolvimento de software e BPO (Business Process Outsourcing), relata Maurício Trad, diretor de marketing do segmento empresas da Telefônica.
A versão do “Posto Informático” para os clientes graúdos chama-se “Posto de Trabalho”, que inclui tudo o que diz respeito ao computador e à conectividade. Ao todo, há 120 mil postos de trabalho vendidos em toda a América Latina, segundo dados da Telefônica.
Ao adotar uma solução que reúne em um único fornecedor voz, dados e TI, a empresa-cliente obtém uma redução média de 20% em seus custos, informa Trad. A diminuição não se dá apenas porque a operadora é capaz de criar uma oferta comercialmente mais interessante. Segundo o executivo, o compartilhamento de profissionais e de equipamentos entre diversos clientes também colabora para frear gastos.
“Temos um centro de comando que gerencia todos os equipamentos do Posto de Trabalho. Lá, compartilhamos ferramentas e profissionais especializados entre diversos clientes. Dessa forma, sou mais barato para o cliente e consigo solucionar problemas com mais rapidez”, detalha Trad.
Para pequenos e médios negócios, a Telefônica também oferece, além do aluguel de computadores, soluções de VPN (Virtual Private Network), co-location e web hosting – serviços de hospedagem da estrutura de servidores em seu data center. “Com o co-location, você coloca seu servidor no data center, mas o gerenciamento dele cabe a você. Já no web hosting, seus dados são armazenados digitalmente nos servidores da empresa de telecomunicações, você hospeda a sua rede ali”, explica Fernando Faria, analista sênior da Pyramid Research.
Entre o link e o BPO
A British Telecom (BT) atua no Brasil exclusivamente prestando serviços como gerenciamento de redes e de segurança, hosting, data center e soluções de conectividade via satélite para corporações e governo, duas áreas de foco da companhia. “A estratégia da BT, adotada há dez anos, foi se posicionar em um mercado não ocupado pelas empresas de commodity, que só forneciam links, e pelas que só forneciam BPO”, comenta Luiz Sanches, diretor geral da BT no Brasil.
Com uma carteira que contabiliza entre 550 e 600 clientes de todos os portes, a BT assumiu a posição de ASP (Application Service Provider), com a oferta de serviços de tecnologia da informação baseados em rede. “Posso oferecer até Windows sob demanda, colocando a licença no servidor que está no nosso data center em vez de instalá-lo em cada computador. Com isso, você vê o nível de integração que existe entre os nossos serviços e a TI”, ressalta.
Na contramão do caminho feito pela BT no Brasil, a Embratel conta, há cinco anos, com serviços como gerenciamento de redes, segurança e data center (com hosting e co-location) prestados para grandes corporações e governo. “Somos o hospital 24 horas da rede deles [os clientes]. A gente olha para a rede e diz se tem que expandir, otimizar, atualizar”, informa Danni Mnitentag, gerente de marketing corporativo da Embratel, sem citar o total de usuários das soluções.
Já a GVT soma cerca de 60 corporações de médio porte em seu serviço de gerenciamento de redes, que permite ao usuário acompanhar, pela internet, o status de sua infraestrutura. A operadora também presta serviços de co-location em grandes projetos e está desenvolvendo uma solução que possibilita ao assinante corporativo monitorar, em tempo real, os recursos de voz usados. “Já foi o tempo de se vender só link. Isso foi há 10 anos”, finaliza Mnitentag, da Embratel.
Banco tem programas para empresas inovadoras
Em 2008, a BNDESPar se dividiu em duas áreas de atuação. Uma área de mercado de capitais (AMC) que cuida de grandes empresas onde o banco participa com faturamento anual acima de R$ 250 milhões. Esta área fica a cargo do superintendente Caio Melo. A outra, uma nova área de atuação denominada de Área de Capital Empreendedor (ACE), fica sob a batuta de Fábio Sotelino, e cuida de pequenas e médias empresas com receita inferior a R$ 250 milhões/ano.
A ACE concentra atividades de renda variável de operações diretas com pequenas e médias empresas e operações indiretas através de fundos fechados de investimento. Para Eduardo Rathfingerl, a ACE traz à diretoria de mercado de capitais novos desafios, como criar empresas que um dia irão para a Bovespa. A ACE administra 35 fundos fechados de investimento, através dos quais o banco participa indiretamente em 120 empresas. O banco tem fundos de infraestrutura, além de um programa de participação (de R$ 1,5 bilhão) para investir em 10 fundos em fase de escolha de gestores, e o Criatec, fundo de capital-semente que investe em empresas nascentes.
O Criatec tem um ano e 15 meses de existência e já conta com 15 empresas selecionadas no Brasil para investir. A meta do BNDES é ter entre 40 a 50 empresas neste fundo, o único onde o banco tem maioria, participando com R$ 80 milhões ante R$ 20 milhões do BNB. O Criatec tem um gestor nacional e oito gestores regionais (quatro localizados no Norte e Nordeste) encarregados de buscar empresas nascentes com projetos inovadores para o BNDES e o BNB investirem. O banco busca apoiar principalmente empresas que desenvolvem projetos de inovação.
Na semana passada, a Amazon Dreams, uma empresa paraense, foi escolhida para receber investimento do Criatec. Ela atua de maneira inovadora retirando componentes antioxidantes de frutas como muruci, ingá e açaí para combater doenças como câncer. (VSD)