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Google traça planos para crescer no setor de aplicativos empresariais

Com o anúncio do Google de um sistema operacional para concorrer com o Windows, da Microsoft, o gigante das buscas na internet e seu executivo-chefe, Eric E. Schmidt, parecem cada vez mais determinados em minar os negócios centrais da rival, de programas de computação para empresas. Os problemas do Google em outra frente, no entanto, sugerem que a companhia poderá passar por duras penas para ganhar força contra a Microsoft.

Há dois anos, quando o Google entrou nos aplicativos empresariais, apontou a General Electric (GE) como um de seus grandes clientes. A GE começou a usar os aplicativos do Google para tarefas normalmente feitas no Microsoft Office, que inclui um processador de textos e um programa de planilhas. Agora, a GE está repensando a relação. Embora ainda use o Google Apps com alguns funcionários, passou a testar produtos similares de uma companhia chamada Zoho e versões on-line do Microsoft Office. “Vemos isto como uma corrida” para os negócios da companhia, disse o diretor de tecnologia da GE, Greg Simpson.

Com o crescimento da receita do Google desacelerando-se de 31%, em 2008, para uma projeção de 4% neste ano, a companhia tenta expandir-se além da venda de anúncios em buscas na internet. Os programas de computação para empresas representam uma área muito promissora. Mesmo a US$ 50 por pessoa – quase metade do que o Office custa – o Google Apps poderia trazer bons lucros. O Google, contudo, enfrenta dificuldades para atrair grandes clientes. Além da GE, o Google identifica apenas um punhado de usuários do APPs de renome, como a Salesforce.com e a Genentech. Este mês, o Google fez várias mudanças para aperfeiçoar o apelo de seus programas para as grandes companhias.

Um importante ponto escorregadio é a segurança. O site de buscas desenvolveu o Google Apps de forma que os documentos de textos e as planilhas criadas com os programas sejam armazenados nos servidores do Google, em vez de nos próprios computadores das empresas, como ocorreria com so aplicativos da Microsoft. Isso significa que companhias como a GE abrem mão de documentos internos de propriedade da empresa. Para algumas companhias, o sistema viola políticas de segurança e contabilidade. “Esse é provavelmente nosso maior obstáculo para expandir-nos com o Google”, disse Simpson, da GE.

A fabricante de softwares empresariais SAP também testou os aplicativos do Google, mas depois se afastou da ideia porque não desejava manter informações internas nos computadores do Google, conta uma fonte da empresa alemã. O diretor de tecnologia da SAP, Vishal Sikka, não quis comentar sobre o uso do Google Apps pela sua companhia, mas disse que o Google precisa fazer mais para tranquilizar seus clientes. Os programas da Zoho permitem às empresas deixarem seus dados nos próprios computadores.

O êxito no segmento de programas para empresas não é essencial para o Google. O site encaminha-se a contabilizar receita de US$ 22,7 bilhões neste ano, com lucro, antes dos impostos, de US$ 10,4 bilhões. Os esforços, porém, são crucialmente estratégicos. Os programas Word, Excel e Exchange, de e-mails, geram bilhões em lucros que podem ser usados para atacar o Google, como a Microsoft de fato o fez com o lançamento do Bing, uma ferramenta de buscas na rede mundial de computadores. A chave para o Google é forçar a Microsoft a defender o Office, seja por meio de lucros menores ou investimentos mais pesados. A Microsoft começou a reduzir o preço do Office e na semana passada a companhia informou que oferecerá versões gratuitas, financiadas por anúncios, do conjunto de programas, assim como uma versão mais completa, paga, a partir de 2010.

Até agora, as vendas do Google Apps vêm sendo minúsculas. O analista Jefrey Lindsay, do Sanford C. Bernstein, diz que as versões para empresas do programa gerarão US$ 140 milhões em vendas neste ano, cerca da 0,5% do total do Google. O presidente de operações para empresas do Google, Dave Girouard, afirma que o Apps dá lucro e que a companhia pretende ser paciente. “Temos de 10 a 20 anos para crescer neste mercado”, afirma. (Tradução de Sabino Ahumada) Copyright© 2009 The McGraw-Hill Companies Inc.

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