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Arista Networks traça planos para desafiar domínio da Cisco

Peter Burrows, BusinessWeek, do Vale do Silício (EUA)
19/10/2009

Foto Destaque
Andreas Bechtolsheim, fundador da Arista Networks: “Somos apenas um inconveniente para a Cisco hoje”

Se você não tem inveja de Andreas Bechtolsheim, é provável que não o conheça o suficiente. Mesmo pelos padrões dos figurões do Vale do Silício, sua combinação de talento e sorte é rara. Em 1982, esse esperto engenheiro foi um dos fundadores da Sun Microsystems e ajudou a anunciar uma nova era da informática ao inventar uma estação de trabalho mais barata e versátil que os minicomputadores, populares entre as companhias na época. Então, em 1998, na casa de um amigo em Palo Alto, na Califórnia, Bechtolsheim teve a sorte de conhecer dois jovens formados pela Universidade de Stanford que estavam trabalhando em um novo mecanismo de busca. Ele preencheu na hora um cheque de US$ 100 mil para os dois, e Larry Page e Sergey Brin prosseguiram com seus planos, transformando a participação inicial de Bechtolsheim em mais de US$ 1bilhão em ações do Google.

Agora, aos 54 anos, Bechtolsheim tem um novo objetivo: enfrentar a Cisco Systems. Embora a Cisco seja o provedor dominante de equipamentos de rede no coração da internet, Bechtolsheim acha que sua pequenina Arista Networks tem uma vantagem no segmento de mercado que vem crescendo mais rapidamente: o de equipamentos super-rápidos para centros de dados, onde mais e mais trabalho de computação vem sendo feito. Se ele estiver certo, a Arista poderá superar a Cisco em um negócio muito importante, complicando os esforços da gigante para atingir as metas de crescimento agressivas do executivo-chefe John Chambers. “Somos apenas um inconveniente para a Cisco hoje”, diz Bechtolsheim. “Mas é muito difícil para as grandes companhias mudar seus modelos de negócios fundamentais.”

Ele afirma ter uma vantagem no custo e no desempenho. Os computadores da Arista, que são equipamentos que direcionam o tráfego na internet, custam menos da metade do preço dos produtos comparáveis da Cisco. Lane Patterson, diretor de tecnologia da companhia de centros de dados Equinix, diz que os equipamentos da Arista podem ter um quinto do custo, “um preço de uma atratividade impressionante”. Seus equipamentos também rodam programas de ponta que, segundo analistas, oferecem vantagens sobre o IOS, o software da Cisco que tem 20 anos e é tão predominante nas redes empresariais quanto o Windows, da Microsoft, é nos computadores pessoais. O software da Arista tem potencial para rodar uma maior variedade de programas e não trava se algum deles for infectado por vírus.

A Cisco não demonstra nenhum sinal de vulnerabilidade. Sua influência sobre o mercado de redes empresariais é tão completa que ela está entrando em dezenas de novos mercados, de vídeo à tecnologia de redes sem fio. A competição vem cada vez mais de gigantes tecnológicas como a Hewlett-Packard (HP). A Cisco não quis fazer comentários sobre a Arista, mas observou que possui mil clientes para seus produtos de centros de dados, enquanto a Arista afirma ter 130.

Mesmo assim, a Arista está ganhando força. A companhia tem uma clientela ampla, apenas dois anos depois de lançar seu primeiro produto. Um terço de seus clientes são companhias de Wall Street em busca de sistemas de computador mais rápidos. Bechtolsheim também recrutou um peso-pesado para liderar a companhia, Jayshree Ullal, a ex-arquiteta do núcleo de criação do centro de dados da Cisco. “A Arista está se saindo muito bem”, diz Brent Bracelin, analista do banco de investimento Pacific Crest Securities. “Está claro que há um grande apetite por alternativas à Cisco.”

Bechtolsheim há muito está à frente de seu tempo. Ele cresceu em uma fazenda na Alemanha e aos 16 anos de idade ganhou US$ 100 mil por ter criado um software para uma companhia de tecnologia local. Ele foi para os Estados Unidos pelo programa de bolsas de estudo Fullbright Program, mas abandonou um curso de doutorado na Universidade de Stanford para ajudar a fundar a Sun Microsystems. Após sair da companhia, em 1995, continuou em busca de oportunidades para fazer o que as líderes do setor de tecnologia estavam fazendo, só que mais barato e melhor. Ele vendeu uma companhia iniciante para a Cisco por US$ 220 milhões e outra para a Sun, por US$ 91 milhões. “Andy é para a computação empresarial o que Steve Jobs é para a computação voltada ao consumidor”, afirma Scott G. McNealy, um dos fundadores da Sun Microsystems e presidente do conselho de administração da empresa.

Bechtolsheim vê oportunidades no segmento de redes empresariais em parte por causa do domínio da Cisco. A companhia oferece equipamentos confiáveis e um forte apoio ao cliente, cobrando preços altos que a ajudam a obter margens de 65%. Essa é uma fórmula vencedora entre os clientes comuns da Cisco – compradores empresariais conservadores, cuja maior preocupação é manter suas redes em operação. Mas para as companhias que constroem grandes centros de dados – as instituições financeiras de Wall Street e gigantes da internet como o Google -, reduzir em milésimos de segundo o tempo necessário para fazer uma transação acionária ou uma busca na internet é algo mais valioso que ter um serviço de suporte impecável. “Estamos totalmente convencidos de que temos um trunfo nas mãos”, diz Bechtolsheim.

Isto é, a menos que ele decida vender a companhia mais uma vez. Já há comentários no mercado de que a IBM ou a HP poderão tentar comprar a Arista. Bechtolsheim insiste que esse não é seu plano. A Arista foi muito mais longe que suas companhias anteriores e ele está acelerando seus esforços de vendas para uma possível abertura de capital. Embora admire a Cisco, Bechtolsheim diz que a história do setor de tecnologia está cheia de gigantes caídos. “É estranho como nenhuma das grandes companhias foi vencedora na etapa seguinte [da indústria]“, afirma.