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Um exemplo de trajetória empreendedora

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Sócio-fundador deixa comando da Bematech

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Betiol, Malczewski e Pinto (da esquerda para a direita): mudança sem ruptura

Marcel Malczewski, sócio-fundador da Bematech, está deixando o comando da empresa. Ele será substituído por Carlos Seara da Costa Pinto, que já atuava como vice-presidente da companhia.

Formado em engenharia, Malczewski tinha 25 anos quando criou com um colega de mestrado, Wolney Betiol, o projeto de uma impressora matricial numa incubadora do Instituto de Tecnologia do Paraná. Em duas décadas, a companhia firmou-se na área de automação comercial, abriu o capital e lançou ações no mercado. Além disso, adquiriu oito companhias e se globalizou.

Agora, o empresário já tem planos para a nova fase, que terá início em janeiro. Pretende ir para o conselho de administração da Bematech, dedicar mais tempo à família e analisar outras possibilidades de investimentos. Sua intenção é visitar universidades do Brasil e do exterior em busca de projetos promissores. Se encontrar, pode repetir a história, mas ocupando outra posição, a de “angel investor”, um tipo de investidor que apoia companhias em sua fase inicial de desenvolvimento.

Pinto, que assume o comando, deixou a IBM em agosto do ano passado para ser vice-presidente da Bematech. O executivo já havia comandado as operações da Avaya no Brasil e da MetroRed. Ele conta que, desde que chegou, sabia da possibilidade de ser promovido. “Não tinha nenhuma garantia”, acrescenta. A confirmação veio em setembro, depois de o assunto ser discutido no conselho. “Não há ruptura”, afirma Betiol, que preside o conselho de administração da Bematech.

Costa Pinto tem 47 anos e é engenheiro mecânico. Ele será o segundo presidente da Bematech. A empresa foi administrada por quatro diretores até 2001 e, desde então, passou a ser dirigida por um de seus fundadores.

“Isso vai tirar de mim um peso grande”, diz Malczewski, que estuda o assunto há três anos. “Sucessão sempre foi algo que me incomodou, porque acredito em alternância de poder.” Questionado se seu estilo de administração será mantido, ele responde que “a ideia é fazer diferente”.

Atualmente, o empresário tem 10,6% das ações da companhia. A participação começou em 50%, mas quando oito investidores colocaram US$ 150 mil para viabilizar o negócio, a participação dos fundadores foi reduzida pela metade. Mais tarde, o BNDES entrou na sociedade e os dois sócios originais ficaram com 20% cada, até a abertura de capital em bolsa, em 2007, quando restaram 10% para Malczewski e 10% para Betiol.

A Bematech possui 1,4 mil empregados e, até setembro, teve receita líquida de R$ 237 milhões, com lucro de R$ 16,9 milhões. Malczewski diz que cumpriu a missão, dedicando bastante tempo ao trabalho. “Vou me dedicar mais às crianças”, afirma o empresário, sobre seus dois filhos.

Quando a empresa lançou ações, Malczewski ganhou cerca de R$ 14 milhões, que foram investidos em imóveis, na recompra de ações da própria Bematech e em outros papéis. Na sala de reuniões da empresa, em Curitiba, ficará uma lembrança do empresário. Uma caixa registradora antiga, dourada, que ele comprou de um restaurante em Gramado (RS). “Ainda vou ganhar muito dinheiro na Bematech”, afirma.

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