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Consumidores estão dispostos a pagar por notícias on line

quinta-feira, novembro 26th, 2009

Os veículos de comunicação podem amenizar os efeitos financeiros da queda nos anúncios cobrando por notícias on-line, segundo nova pesquisa do The Boston Consulting Group (BCG), consultoria líder em estratégia e gestão empresarial. De acordo com o levantamento, que entrevistou mais de 5 mil pessoas em nove países, os consumidores estão dispostos a gastar pequenas quantias mensais para receber notícias em seus computadores e celulares. O valor apontado varia de US$ 3,00 mensais, nos Estados Unidos e Austrália, a US$ 7 mensais, na Itália.

John Rose, sócio sênior do BCG em Nova Iorque e líder global da prática de Mídia da empresa, afirma que a boa notícia é que os consumidores estão de fato dispostos a pagar pelo acesso a conteúdos exclusivos. A má notícia é que não querem pagar muito. “Porém, acumulados, esses pagamentos podem compensar de um a três anos de declínio previstos na receita com propaganda”, ressalta o executivo.

A pesquisa do BCG identificou que os consumidores estão mais dispostos a pagar por determinados tipos de conteúdo, acessíveis por meio de um dispositivo de livre escolha. O que gera mais interesse são notícias:

- Exclusivas, como informações locais (67% dos entrevistados têm interesse, o que corresponde a 72% dos entrevistados nos Estados Unidos), ou cobertura especializada (63% dos entrevistados têm interesse, o que corresponde a 73% dos entrevistados nos Estados Unidos);

- Oportunas, como serviço contínuo de últimas notícias (54% dos entrevistados têm interesse, o que corresponde a 61% dos entrevistados nos Estados Unidos).

Além disso, os consumidores estão mais dispostos a pagar por notícias on-line fornecidas por jornais mais do que por outras mídias, como televisão ou portais. A explicação é simples: não estão interessados em pagar por notícias que estejam disponíveis, e de forma gratuita, em uma ampla rede de sites.

Embora animadora, a disposição de pagar é apenas parte da solução para a receita dos jornais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a publicidade, que representa 80% das receitas, está em forte declínio. Se os consumidores começarem a pagar pelas notícias on-line, isso apenas reduzirá, mas não vai conter a queda nas receitas. Como resultado, os jornais terão de inovar em diversas frentes. Essa particularidade vai beneficiar os jornais com voz e cobertura exclusiva e que tenham uma grande base de assinantes. Os jornais regionais e locais, que têm conteúdo que não está disponível em outros lugares, podem tirar vantagem dessa tendência, enquanto os grandes diários terão maior dificuldade.

A pesquisa indica que surgirão diversos modelos híbridos para acessar notícias e conteúdo. Por exemplo, 52% dos consumidores de notícias sobre negócios nos Estados Unidos estariam interessados em um pacote de assinatura impressa e on-line, em comparação com apenas 35% dos consumidores jovens. “Os jornais precisam começar a testar a modalidade de conteúdo on-line pago”, diz Marc Vos, sócio do BCG baseado em Milão. “Será preciso um processo de tentativa e erro, até descobrir o que realmente funciona”, completa.