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Carteira de crédito do Gerador vai a R$ 53 mi
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| Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador: atuação em mercados que os grandes bancos não entram |
Com menos de um ano, o Banco Gerador, de Pernambuco, já acumula ativos de R$ 87,9 milhões e uma carteira de crédito de R$ 53,4 milhões no fechamento do ano. O rápido crescimento, de 38% no último trimestre, se deve em parte à recuperação da economia no pós-crise, que coincidiu com a inauguração da instituição, em março de 2009, mas também à ocupação de nichos esquecidos pelos grandes bancos.
O foco da instituição é o consignado, que concentra 75% da carteira. Em dezembro, o banco contava com 105 convênios com pequenas prefeituras do Nordeste e outros 25 com empresas privadas da região. Os 25% restantes do estoque de empréstimo são adiantamentos de recebíveis para companhias nordestinas com faturamento de até R$ 10 milhões e que estejam inseridas em alguma cadeia produtiva.
Segundo Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador, a única forma de um banco pequeno sobreviver é atuando em nichos que os grandes não têm interesse. Ele conta que as transações de consignado com os funcionários dessas prefeituras são conferidas uma a uma, pois são governos pequenos, que não têm sistemas informatizados. “Os grandes bancos não atuam nesse mercado.”
Todo esse trabalho rende ao banco uma margem média líquida de 2,5% ao mês com a intermediação financeira, algo na casa dos 34% ao ano, entre operações com pessoas físicas e jurídicas, num total de 11 mil clientes. “No próximo semestre já vamos fechar o balanço com lucro e esperamos recuperar o investimento de R$ 4 milhões feito pelos sócios”, diz.
Com o crescimento acelerado de 2009, os sócios já mudaram os planos e pensam em buscar um parceiro a partir do meio do ano para aportar mais recursos e levar o banco “para outro patamar”, nas palavras do presidente. “Pode ser um fundo ou mesmo uma oferta de ações na bolsa”, afirma.
Junho é uma data estratégica, avalia Dalla Nora, pois nesse momento o banco poderá atingir números simbólicos de R$ 50 milhões em patrimônio líquido, estoque de crédito de R$ 100 milhões e ativos na casa dos R$ 150 milhões. “Hoje estamos mais limitados pelo funding do que pelo tamanho do mercado”, diz, lembrando que espera que os convênios com as prefeituras dobrem, assim como o número de empresas clientes.
Hoje o Gerador pertence aos empresários Paulo Sérgio Freire Macedo – dono do Grupo Nordeste, de transportes de valores, com faturamento anual próximo a R$ 1 bilhão – e Severino José Carneiro de Mendonça, dono também de uma empresa de correspondente de crédito consignado. O pesquisador Antonio Lavareda, sócio do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e que no fim do ano passado se filiou ao PSDB, completa o quadro.
Além da receita com crédito, o banco também fechou no fim do ano passado parceria com a Companhia Excelsior de Seguros e com a Finacap Consultoria Financeira, para venda cruzada de produtos. Ainda nas receitas de serviços, o Gerador estruturou R$ 34 milhões em Cédula de Crédito Bancário (CCB) para empresas, todas repassadas para fundos de crédito. Desde a inauguração, o banco dobrou de tamanho em termos administrativos, pulando de 22 funcionários para os 40 atuais, a maior parte alocada no back-office.
Fernando Travaglini, de São Paulo
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