Archive for the ‘Bolsa de Valores’ Category

Londrinos apresentam seu mercado de acesso em SP

terça-feira, novembro 11th, 2008

No meio da tormenta da crise financeira internacional, um grupo de executivos londrinos chega a São Paulo para reunir bancos e escritórios de advocacia e apresentar o mercado de acesso de Londres, o Alternative Investment Market (AIM), destinado à listagem de pequenas e médias empresas.
Dominic Searle, sócio da RSM Bentley Jennison de Londres e especialista em operações para ofertas iniciais de ações no AIM, afirma que a crise certamente afeta a concretização de emissões de papéis, que embutem muito risco, mas o mercado londrino poderá ter muito a oferecer para as companhias brasileiras quando o quadro se reverter.
“A vantagem de Londres é a liquidez. O dinheiro que por lá circula é global e de investidores que já compraram ações de pequenas e médias empresas de diferentes países, com experiências de sucesso. Como parte de uma tradição, eles continuarão a fazer isso, se acharem a companhia certa”, diz.
“Não é possível dizer quando essa crise vai passar, mas porque já deu provas de seu sucesso e de sua posição como um centro financeiro internacional, Londres pode estar melhor posicionada para se beneficiar da retomada dos recursos nos mercados de capitais, quando ela acontecer”, afirma o especialista.
José Fernando Boucinhas, presidente da RSM Boucinhas, Campos & Conti, que organiza o evento de três dias na capital paulista, diz que ele já estava programado antes de a crise se aprofundar. “O Brasil aparenta estar menos vulnerável às consequências da turbulência atual. Se as companhias domésticas forem menos afetadas e continuarem crescendo, vão precisar ter acesso ao capital. Nesse sentido, o AIM pode ser uma opção importante”, diz.
Searle afirma que o AIM não deve ser visto como um concorrente do Bovespa Mais – mercado de acesso criado pela bolsa brasileira, mas que, até hoje, conta com apenas uma adesão, a da Nutriplant.
Na avaliação dele, o AIM não é indicado para qualquer tipo de companhia. “Por essa razão, não há necessariamente uma competição com o Bovespa Mais, que pode ser uma alternativa mais indicada para empresas muito focadas no ambiente doméstico brasileiro”, afirma.
Por outro lado, diz Searle, para determinadas companhias, em um certo estágio de desenvolvimento, com perspectivas fortes de crescimento e elementos internacionais em seus negócios, o AIM pode ser uma opção muito interessante. “Além disso, muitas optam pela dupla listagem”, diz.
Ele avalia que, no Reino Unido, o Brasil é visto como uma das economias mundiais que apresenta as taxas mais aceleradas de crescimento e, ao lado dos outros países do Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), atrai muito interesse dos investidores.
No AIM, 26 companhias da América do Sul estão listadas, sendo quatro brasileiras: Brazilian Diamonds, Infinity Bio Energy, Clean Energy Brazil e Itacare Capital Partners. As companhias da região, segundo Searle, desde 2003, se valorizaram 28% mais do que o índice que reúne todas as empresas do AIM.
Ainda conforme o especialista da RSM Bentley Jennison, a quantidade de empresas novas que se listarão no mercado de acesso londrino deverá recuar este ano, em linha com o desaquecimento global dessas operações. “Com a crise de crédito atual, esta é a tendência. Mas é bom ressaltar que ela vai impactar tanto a capacidade de pequenas e médias acessarem o mercado de capitais quanto das grandes. Não é uma questão relativa ao tamanho das empresas “, afirma.
O AIM conta, no total, com 1.626 companhias listadas, sendo 334 estrangeiras. (APR)

Os três fatores-chave que os investidores consideram para comprar ações de uma companhia

quinta-feira, setembro 11th, 2008

1- Solidez

 

2- Lucratividade

 

3- Transparência

 

Segundo Warren Buffet:

- buscar diferenciais em uma empresa: custo baixo ou marca consolidade ou tecnologia inovadora ou liderança isolada

- investir em mercados que se conhece

- não diversificar para tornar possível o acompanhamento

-  ignorar análises macroeconômicas

- avaliar a fundo cada empresa adquirida

- aproveitar a volatilidade para comprar na baixa (realmente)

- pensar no longo prazo

 

 Os mandamentos do megainvestidor Warren Buffett criou um estilo peculiar para gerir seus investimentos. Veja as máximas do “oráculo de Omaha”

1 – “O mercado está aí para servi-lo — não para dominá-lo.”
Buffett costuma chamar o mercado financeiro de Mr. Market — um sujeito temperamental que, em geral, oferece ações a preços que não fazem sentido. Segundo Buffett, o humor instável desse personagem não deve influenciar sua visão em relação ao preço das ações. E, de tempos em tempos, Mr. Market oferece a chance de comprar barato e vender caro.

2 – “Seja audacioso quando os outros estão com medo e tenha medo quando os outros estão audaciosos.”
Buffett sempre aproveitou momentos de baixa para comprar. Após uma crise que derrubou a cotação dos bancos no final dos anos 80, ele comprou cerca de 10% das ações do Wells Fargo por metade de seu valor meses antes. Até hoje é um de seus melhores investimentos.

3 – “A principal característica de um bom investidor é temperamento.”
Nada é tão importante para um bom investidor quanto ter nervos de aço. É fundamental, segundo Buffett, não apoiar as próprias decisões no calor do mercado. Ele sempre se refere ao que chama de inner scorecard (algo como “placar interno”), um conjunto de crenças que não mudam ao sabor da opinião da maioria.

4 “Nunca ouço analistas. Wall Street é o único lugar onde pessoas que andam de Rolls-Royce tomam conselhos de quem anda de metrô.”
Quando diz que não dá ouvidos à maioria, Buffett inclui analistas de mercado. Por isso, ele prefere morar na distante Omaha, cerca de 2 000 quilômetros de Wall Street (na mesma casa, aliás, que comprou há cinco décadas por 31 500 dólares).

5 – “A diversificação só é necessária quando os investidores não entendem o que fazem.”
Ao contrário do que prega a maioria, Buffett não diversifica demais seus investimentos — e ele investe em empresas com boa gestão e que atuam em ramos que entende e pode analisar. Nos anos 80, em sua busca por informações, ele fez um acordo com o Wall Street Journal para receber o jornal em casa em primeira mão.

6 – “No curto prazo, o mercado funciona como uma banca de apostas. No longo prazo, tende a ser ponderado.”
De acordo com Buffett, a bolsa pode punir boas ações no curto prazo durante uma crise. Mas, no longo prazo, tende a valorizar empresas com bons fundamentos. Ele costuma dizer que, ao comprar ações de boas empresas, o melhor prazo de investimento é “para sempre”.

Fontes de financiamento

segunda-feira, agosto 11th, 2008

Como escolher o seu porquinho

Quais são as principais alternativas para a obtenção de recursos ao alcance das pequenas e médias empresas que precisam se expandir — e o que levar em conta para identificar a que melhor se ajusta às suas necessidades

Por Gladinston Silvestrin

EXAME Esses tempos melancólicos deram lugar a um cenário mais animado.“Não falta dinheiro para pequenas e médias empresas com bons planos de negócios e perspectivas reais de crescimento”, diz Kan Wakabayashi, da Cypress Associates, consultoria especializada nesse mercado.

Como não é de hoje que se diz isso e a maioria dos empreendedores brasileiros continua sofrendo para conseguir recursos, vamos aos números:

• Os empréstimos a empresas cresceram 21% entre 2006 e 2007, atingindo um recorde de 342,2 bilhões de reais no ano passado.

• Segundo estimativas da Abvcap, entidade que reúne capitalistas de risco no Brasil, os fundos de venture capital reservaram 500 milhões de reais para investir em pequenas e médias empresas em 2008 — o triplo do ano passado.

• Em fevereiro deste ano, o Bovespa Mais, segmento para emissões inferiores a 100 milhões de reais em ações, tornou-se uma realidade com a abertura de capital da Nutriplant — empresa de fertilizantes com pouco mais de 40 milhões de reais de faturamento anual. Apesar da recente turbulência no mercado de ações, há outras na fila. Só um banco, o Modal, tem o mandato de quatro pequenas e médias companhias interessadas em estrear na bolsa nos próximos meses.

Robinson Shiba
Trend Foods
Rede de fast food de comida oriental, São Paulo, SP
Não aos fundos de investidores
O criador da rede de franquias China in Box analisou — e descartou — uma negociação com fundos de capital de risco e se decidiu pela fusão com um concorrente. “Primeiro vamos dobrar de tamanho com o modelo de negócios já existente”, diz. “Estaremos prontos para abrir o capital nos próximos três anos.”

• As fusões e aquisições — outra forma de conseguir recursos para crescer — nunca envolveram tantas empresas de pequeno e médio porte. No ano passado, segundo um estudo da consultoria Deloitte, a participação desses negócios no total de fusões e aquisições cresceu de 7,9% para 8,4%.

Nesse cenário, empreendedores que se vêem diante de mais de uma opção para obter dinheiro ficam cheios de dúvidas. É hora de abrir o capital na bolsa ou é melhor receber um fundo de capital de risco? Faz sentido aliar-se a um concorrente e depois pleitear um sócio capitalista? Não é mais rápido e simples pegar empréstimo num banco? “Somos cada vez mais procurados para ajudar a resolver esses questionamentos”, diz Wakabayashi, da Cypress.

A escolha correta depende de contas que incluem fatores como custo do capital e prazo para o investimento dar retorno. Mas elas dão apenas uma parte da resposta quando se levam em conta objetivos estratégicos para o médio e o longo prazo. Os empréstimos podem ser práticos para necessidades pontuais e crescimentos quase orgânicos, como comprar um equipamento. Mas, se o que se procura é dar um salto no crescimento ou fazer mudanças na estratégia ou na gestão, receber apenas dinheiro pode não bastar.

Os motivos que levam pequenos e médios empresários a criticar a atuação dos fundos de capital de risco são, em vários casos, procedentes. Mas é um fato que, com o aporte deles, o dinheiro costuma vir acompanhado de apoio para melhorar a gestão. Em setores em consolidação, como tecnologia ou saúde, juntar-se a um concorrente pode ser não só uma forma de crescer como também uma questão de sobrevivência. E, dependendo do humor do mercado, o lançamento de ações pode representar uma boa relação custo-benefício.

A Senior Solution, empresa de TI de São Paulo, usou todas essas alternativas nos últimos seis anos. No início, quando o crescimento dependia de novos produtos, a empresa recorria a linhas de crédito do BNDES para desenvolver softwares. Em 2004, quando foi necessário ganhar escala e conquistar novos mercados, a Senior fundiu suas operações com um concorrente, a NetAge. Mais encorpada, recebeu em seguida recursos dos fundos BNDESPar e Stratus.

Com o dinheiro dos fundos, a Senior pôde, então, fazer três aquisições que foram decisivas para sua expansão — o faturamento passou de 7 milhões de reais em 2005 para 30 milhões no ano passado. “Agora chegou a hora de abrir o capital”, diz Bernardo Gomes, presidente da Senior, que está se preparando para entrar no Bovespa Mais. Por quê? Segundo Gomes, será preciso um porquinho cheio de dinheiro à mão, que possa ser acionado muitas vezes. “Na bolsa poderíamos fazer várias emissões”, diz Gomes. O objetivo, segundo ele, é obter recursos para adquirir concorrentes.

Abrir o capital na bolsa é como se classificar numa espécie de primeira divisão. Significa que o empreendimento foi capaz de passar pelo escrutínio de advogados, auditores e do banco contratado para a operação. “O mercado de capitais é uma alternativa viável apenas para negócios que estão prontos para abrir suas informações ao mercado e para conviver com a pressão dos investidores”, diz Reinaldo Grasson de Oliveira, da consultoria Deloitte.

Depois de dois anos de reflexão, os irmãos Eduardo e Ricardo Pansa, controladores da Nutriplant, chegaram à conclusão de que a empresa, que produz fertilizantes em Paulínia, no interior de São Paulo, estava preparada para o teste da bolsa. Em fevereiro, a empresa captou 20,7 milhões de reais ao abrir o capital — cerca de metade de seu faturamento anual. “Estudamos também a possibilidade de receber aportes de fundos de capital de risco”, diz Eduardo. Os acionistas descartaram os fundos por considerar que eles não teriam como dar uma de suas principais contribuições: apoio para melhorar os processos de gestão, tornando a operação mais eficiente e rentável.

Caminho certo

Antes de ser adquirida pela família Pansa, em 2004, a Nutriplant pertencia a um grupo americano. “Como ex-filial de uma grande empresa, a Nutriplant já estava com sua gestão em ordem e tinha uma governança transparente”, afirma Eduardo. “Sempre estivemos prontos para abrir o capital.” O dinheiro captado está sendo utilizado para modernizar a fábrica de Paulínia e há planos para construir uma nova unidade.

Marcelo Madalozzo
Tedesco
Softwares para serviços jurídicos, São Paulo, SP
O dinheiro estava em casa
Para analisar os prós e os contras de receber o aporte de fundos de capital de risco, ele fez uma radiografia dos negócios. O resultado foi uma surpresa. “Descobri que, no estágio atual, não precisamos de recursos de fora para crescer”, diz. “Depois poderemos fechar uma negociação mais vantajosa com os investidores.”

A operação da Nutriplant deu uma idéia concreta sobre o custo que espera as pequenas e médias empresas que pretendem abrir o capital. Somados os gastos com assessoria jurídica, elaboração de prospecto, comissões para os bancos coordenadores da oferta e road shows, a despesa chegou a 7,07% do valor captado. “Foi um custo baixo se comparado ao de um empréstimo bancário”, diz Marcio Iavelberg, consultor financeiro para pequenas e médias empresas. “Seria quase impossível para uma empresa do tamanho da Nutriplant levantar mais de 20 milhões de reais em empréstimos.” Ainda que conseguisse, a Nutriplant teria de reservar algo como o lucro dos próximos seis anos só para honrar a dívida.

José Domingues dos Santos
Rosatex
Fabricante de produtos de limpeza, Guarulhos, SP
Empréstimos até quando?
Em 20 anos de vida da empresa, ele recorreu apenas a empréstimos para financiar o crescimento. A opção manteve o negócio inteiramente sob o controle da família — mas também não trouxe nada de novo para a gestão. “É provável que em algum momento tenhamos de fazer diferente”, diz. “Para dar saltos maiores, precisaremos trazer alguém que tenha muito dinheiro para colocar aqui.”

A perspectiva de entrada rápida de recursos a um custo razoável é um dos principais motivos que têm tornado a bolsa atraente aos olhos de tantos empreendedores. Há, porém, o outro lado da história. Os custos de manter a empresa listada no Bovespa Mais podem chegar a 500?000 reais por ano. Além disso, abrir o capital dá um trabalhão, que começa meses antes de as ações serem negociadas. O empreendedor precisa ler pilhas de documentos e sair em viagens para se reunir com possíveis investidores e analistas para mostrar o potencial da empresa. É preciso se preparar para ser sabatinado e falar dos riscos claramente e sem medo. E se a empresa pertencer a um setor que não desperta a atenção dos analistas de investimento, responsáveis por recomendar aos investidores a compra dos papéis, a operação pode não render muito.

Gilmar Batistela
Resources
Integradora de sistemas, São Paulo, SP
Em busca do capital de risco
Em um mercado em consolidação, ele achava que teria de vender o negócio a um concorrente maior. Depois de ouvir propostas que não o deixaram satisfeito, se decidiu pelo contrário — fortalecer a Resources com a aquisição de empresas menores. “Para isso, vou conseguir aporte com um fundo”, diz. “Depois das aquisições, os recursos poderão vir da bolsa.”

Para as pequenas e médias empresas que conseguirem transpor todos esses obstáculos — e ainda estrearem num dia de bom humor nos mercados —, a bolsa pode valer a pena no longo prazo. “Abrir o capital pode ajudar a trazer mais dinheiro a um bom custo, além do obtido no dia da captação”, diz Oliveira, da Deloitte. “A empresa que foi à bolsa passou pelo teste da transparência nas informações, o que significa redução de risco. Por sua vez, a percepção do risco mais baixo ajuda a diminuir o custo de novos financiamentos.”

Muitos especialistas acreditam que os pequenos e médios empresários que desejam colocar seus negócios na bolsa estão no caminho certo. “À medida que mais pequenas e médias empresas abrirem o capital, os bancos e advogados responsáveis por coordenar e assessorar esses IPOs podem baratear os custos, cobrando menos e ganhando no volume de operações”, diz Humberto Tupinambá, diretor do banco Modal. Foi o que aconteceu na última década, por exemplo, com o segmento da Bolsa de Valores de Londres voltado para as emissões de pequenas e médias empresas.

O dentista Robinson Shiba, fundador da empresa de comida chinesa China in Box, acredita que, qualquer que seja o cenário, não é bom ir para a bolsa quando se é pequeno e não há um motivo bem claro para que os investidores se interessem pelo negócio. Essa foi uma das razões que o fizeram percorrer outras fontes de recursos antes do IPO, previsto para acontecer daqui a três anos. Em 2006, Shiba começou a procurar recursos para acelerar o crescimento da China in Box, que fatura anualmente 50 milhões de reais. Com 130 franqueados, as receitas então avançavam em média 7% ao ano. Apesar de não ser uma taxa de crescimento ruim, Shiba queria correr mais — do contrário, ele achava que havia o risco de ser engolido. “Nos Estados Unidos e no México, o mercado de fast food oriental já se consolidou em grandes grupos”, diz ele. “Nos próximos anos, isso também deve acontecer no Brasil.”

Shiba acredita que, no mercado nacional, a China in Box tem vocação para ser a líder — desde que encontre uma forma de encorpar rapidamente para, daí sim, buscar dinheiro no mercado de ações e comprar outros restaurantes. Shiba, então, se reuniu com gestores de fundos de capital de risco. Nessas ocasiões, ele explicava seus planos — tornar a China in Box uma versão brasileira da mexicana Alsea, companhia de capital aberto com participações em grandes cadeias de alimentação, como as americanas Starbucks e Burger King.

Em julho do ano passado, Shiba desistiu dos fundos e deu início a uma fusão da China in Box com a Gendai, rede de restaurantes de comida japonesa que pertencia a um amigo de infância, o empresário Carlos Kaidei. Dois motivos afastaram Shiba da possibilidade de vender parte da empresa a fundos de investimento. De um lado, os gestores não pareciam dispostos a pagar o que Shiba considerava justo — motivo que freqüentemente inviabiliza acordos entre empreendedores e fundos. De outro, Shiba não se sentia preparado para ter um sócio com o perfil que os gestores revelaram ter nessas conversas. “Vi que não estava pronto para ter alguém me cobrando metas de crescimento agressivas demais”, diz ele.

A fusão com a Gendai resultou na Trend Foods, empresa de 100 milhões de reais de faturamento — além da China in Box e da Gendai, a Trend Foods controla a Teppan House, que pertencia a Shiba, e a Owan e a Domburi, de Kaidei. “Nossa meta é dobrar de tamanho nos próximos três anos”, diz Shiba. Com a fusão, os caixas foram somados e os custos racionalizados, o que deu mais fôlego para investimentos. Para 2009, está previsto um investimento de 3 milhões de reais em recursos próprios para abrir cinco restaurantes da Gendai. “Até 2011 deveremos estar prontos para a bolsa”, diz Shiba.

O trajeto percorrido pelo matemático Gilmar Batistela inclui, como Shiba, uma passada nos fundos e outra nos concorrentes. E, como Shiba, Batistela está preocupado com o futuro de sua empresa, a paulista Resource, integradora de sistemas de tecnologia — setor em que empresas de todos os tamanhos atualmente parecem destinadas a comprar ou ser compradas. Batistela acredita que, com um faturamento de 75 milhões de reais em 2007, a Resource é pequena demais para se contentar em ficar onde está. Por outro lado, é grande o suficiente para ambicionar a compra de concorrentes. Sozinho e sem dinheiro para dar um passo tão grande, Batistela viu-se numa encruzilhada. “Eu precisava decidir se valia mais a pena vender a empresa a concorrentes maiores ou conseguir recursos para adquirir companhias menores”, diz.

Descobertas surpreendentes

Depois de conversar com competidores interessados, Batistela se decidiu pela segunda opção. “Não ouvi nenhuma proposta que eu achasse compatível com o valor da Resource”, diz ele (também aqui se vê que o preço da empresa é uma das partes mais difíceis de acertar em qualquer negociação). Começou, então, outra fase na busca por um montante de 20 milhões de reais que Batistela julga necessários para crescer por aquisições. Abrir o capital foi uma hipótese analisada — e adiada. “Não temos tamanho nem estrutura para isso agora”, afirma ele. Resolvido esse ponto, o empreendedor passou a procurar um fundo de risco que aporte recursos na Resource em troca de participação.

Embora tenham percorrido caminhos diferentes, os empreendedores desta reportagem têm algo importante em comum. Para conseguir recursos que possibilitem uma evolução rápida de seus negócios, todos sentiram a necessidade imperiosa de se preparar para dividir a gestão com outras pessoas — novos sócios ou seus representantes, no caso dos fundos — e dar satisfações de seus atos publicamente, no caso da bolsa. O empreendedor José Domingues dos Santos, que sempre recorreu a empréstimos bancários para financiar o crescimento da Rosatex, fabricante de produtos de limpeza de Guarulhos, na Grande São Paulo, parecia uma exceção. Como bancos raramente se interessam em interferir na gestão de empresas pequenas e médias, Santos deveria, ao menos teoricamente, estar dispensado de conflitos sobre autonomia e prestação de contas.

Foi assim até pouco tempo atrás. Mas, no começo de julho, ele estava negociando um empréstimo com um fundo de investimento. É uma parceria que no futuro pode resultar na venda de uma participação na Rosatex, negócio de 90 milhões de reais anuais, para os investidores. “Além das garantias comuns em qualquer empréstimo, o fundo de capital de risco com quem estou conversando pede a preferência se eu decidir vender uma parte da empresa”, diz Domingues. Caso isso aconteça, Domingues terá recursos suficientes para adquirir um concorrente e fazer a Rosatex dobrar de tamanho. Ele acha que o dia de dividir as decisões com um sócio capitalista vai acabar chegando mais cedo ou mais tarde. “Se continuarmos crescendo, a necessidade de capital vai aumentar a um ponto em que não vai ser possível seguir apenas com dinheiro emprestado”, afirma Domingues.

Da análise dos prós e contras envolvidos em empréstimos, aporte de fundos, fusões ou abertura de capital, pode sair uma radiografia mais precisa dos negócios, que permita a seus donos revisar suas estratégias. Às vezes, esse período pode levar os empreendedores a descobertas surpreendentes — como a de que não há necessidade de trazer dinheiro nenhum, afinal. Foi o que aconteceu com Marcelo Madalozzo, sócio da paulista Tedesco Informática, desenvolvedora de softwares para departamentos jurídicos.

Madalozzo contratou os consultores da Cypress para ajudá-lo a avaliar propostas de fundos de capital de risco que manifestavam interesse em comprar uma participação na empresa. Vender uma fatia da Tedesco poderia injetar recursos para a aquisição de concorrentes, por exemplo. Mas uma olhada mais atenta nos números revelou que, com a empresa crescendo a um ritmo de 40% por ano, é cedo para aceitar uma proposta de compra que não seja realmente muito boa — e não era o caso das que Madalozzo vinha recebendo. “Chegamos à conclusão de que não precisamos fazer aquisições agora”, diz ele. “Ainda não crescemos tudo o que é possível com nossas próprias pernas.” No ano passado, por exemplo, saíram do caixa da Tedesco 500?000 reais de investimento para atender contratos com unidades da InBev em 32 países, num volume de negócios que vai elevar de 5% para 15% a participação das exportações no faturamento da empresa. “Ainda podemos gerar muito valor com nossos próprios recursos”, afirma Madalozzo. “O dinheiro de fora só vai entrar quando sentirmos que chegou o momento certo.”

O que vem com a capitalização
Identificar a fonte de financiamento mais adequada é uma necessidade para a maioria dos donos de empreendimentos em expansão. A assessoria Cypress Associates, que atende pequenas e médias empresas, preparou com EXAME PME uma lista das principais fontes de capital para negócios em crescimento — e o que é preciso saber antes de optar por uma delas
Fonte de recursos
Fundos de capital de risco
O que a empresa ganha
Além do dinheiro, em geral os fundos levam para os negócios em que investem práticas de gestão que aceleram o crescimento. É comum, por exemplo, que os fundos indiquem profissionais de mercado que assumem a responsabilidade de administrar as finanças e os controles da empresa
Algumas das práticas trazidas pelos fundos estão relacionadas ao exercício da governança corporativa: os balanços passam a ser auditados, ampliando a transparência dos negócios para outros eventuais provedores de crédito
Acesso à rede de relacionamento dos gestores dos fundos, que inclui bancos, outros capitalistas e empresas. Também fica mais fácil construir alianças estratégicas com negócios que integram o próprio portfólio do fundo para conquistar novos clientes e fornecedores
O outro lado
Alguns fundos só adquirem participações superiores à metade do capital, tirando o controle dos fundadores
Os empreendedores passam a prestar contas dos resultados, o que pode aborrecer aqueles acostumados à total independência
Há pressão para obter resultados dentro do prazo estipulado para o fundo deixar o negócio, que geralmente vai de cinco a seis anos. Dependendo das intenções do empreendedor no longo prazo, isso
pode ser uma fonte de conflitos
Vários fundos exigem a contratação das auditorias e dos bancos mais caros do mercado como forma de garantir credibilidade na hora de negociar com grandes clientes e fornecedores
A captação
A lógica dos fundos prevê que, ao final do contrato, seus participantes recebam muito mais do que foi investido, ao vender o pedaço deles na empresa. O risco que eles tomam é alto — sobretudo se o empreendimento estiver no início. Por isso, seus gestores costumam ser muito duros nas negociações para pagar o menor valor possível na hora de entrar na sociedade
Fonte de recursos
Fusões e aquisições
O que a empresa ganha
Como as empresas que se unem passam a fazer parte de uma instituição maior, uma das grandes vantagens é o ganho de escala, que permite negociar taxas e preços mais competitivos com clientes e fornecedores
O empreendedor pode ganhar capacidade de expansão para mercados que seriam difíceis de conquistar sem ajuda externa
Possibilidade de incorporar produtos e serviços complementares aos que já existiam no portfólio
Da consolidação, pode surgir um grupo apto a abrir o capital ou a receber investimento de risco
O outro lado
A integração entre equipes com culturas e estilos diferentes raramente acontece rapidamente e de forma harmoniosa
Os pontos negativos são compartilhados — um assume o histórico do outro, incluindo os erros cometidos pelo parceiro no passado
Para muitos empreendedores, o ponto mais delicado pode estar na chegada de sócios, o que os obriga a dividir a tomada de decisões
Os custos com escritórios de advogados e consultorias financeiras e contábeis podem ultrapassar 5% do valor da operação
A captação
A maneira mais simples de concluir um processo desse tipo é quando uma participação da companhia menor é adquirida por uma empresa maior. Existe ainda a possibilidade de que seus acionistas troquem ações entre si. Chegar a um valor considerado justo pelos dois lados pode ser um trabalho complexo, sobretudo nos casos em que nenhuma das duas empresas tiver papéis listados na bolsa de valores
Fonte de recursos
Abertura de capital no Bovespa mais
O que a empresa ganha
Com a cotação dos papéis na bolsa, os empreendedores podem saber periodicamente qual é o valor de mercado de sua empresa
A necessidade de atualização contínua das informações que vão para investidores e analistas funciona como uma cobrança para que o empreendedor e seus funcionários fiquem sempre atentos ao desempenho, o que estimula a busca constante por eficiência
Há mais opções de remuneração dos executivos, como distribuição de ações de acordo com resultados. Com isso, é mais fácil atrair os melhores profissionais do mercado
O outro lado
A pressão dos investidores por resultados no curto prazo é intensa. Para muitos empreendedores, essa postura é incompatível com seus planos para o futuro
Os concorrentes têm acesso a informações estratégicas
A entrada de uma empresa no Bovespa Mais gira em torno de 5% a 9% do valor total da captação. As despesas com a manutenção da empresa na bolsa podem chegar a 500 000 reais por ano
Os analistas podem não se interessar em acompanhar o desempenho de uma pequena ou média empresa, o que dificulta a precificação dos papéis
A captação
Uma das características da abertura de capital é que o valor da captação acaba sendo definido apenas no dia da operação, quando os compradores realizam as compras. Manter um bom trabalho de relações com investidores no período que antecede a abertura de capital é importante para convencer o mercado do valor da empresa. Mas há fatores que fogem ao controle — uma queda geral nas bolsas, por exemplo, pode jogar o volume de captação para baixo
Fonte de recursos
Empréstimo em banco
O que a empresa ganha
Empreendedores que gostam de ter autonomia na tomada de decisões preferem essa opção porque ela permite que as ações da empresa não mudem de mãos
A interferência de profissionais dos bancos no negócio geralmente é nenhuma
É permitido quitar a dívida antes do prazo previsto inicialmente e, com isso, amortizar o custo com juros — dependendo do instrumento utilizado
Trata-se de um tipo de fonte de recursos ao qual o empreendedor pode recorrer várias vezes em curtos períodos de tempo
O outro lado
Em geral, os bancos não aceitam como garantia recursos que a empresa irá obter no futuro. Os bancos querem bens que já existem e podem ser comprovados, como imóveis, carros e máquinas, ou fontes de receita recorrentes da empresa, como recebíveis
A gestão do fluxo de caixa, que já costuma ser complicada em muitas empresas, passa a ser uma questão de vida ou morte
O empréstimo bancário não costuma trazer mais nada além de dinheiro. Embora alguns bancos ofereçam assessorias, ajudar o empreendedor a melhorar a gestão do negócio não é o foco deles
A captação
Se a empresa estiver com o cadastro em dia, o empréstimo pode sair em um prazo muito inferior ao necessário para obter dinheiro de outras fontes. As taxas irão variar de acordo com a instituição financeira e com a percepção dos bancos sobre a capacidade da empresa de honrar ou não o débito. Há linhas de crédito especialmente baixas se a intenção for apenas comprar novas máquinas, por exemplo

Carteira da Fator terá papel de companhias pré-IPO

quarta-feira, julho 16th, 2008

Por Angelo Pavini, de São Paulo
16/07/2008

anna Carolina Negri / Valor

Tendolini: muitas empresas foram para o Novo Mercado, mas não estavam preparadas para a governança que anunciaram

De olho no potencial das empresas novatas, que ainda pretendem ir para a bolsa, a Fator Administração de Recursos (FAR) está separando uma parte da carteira de seu fundo de ações de governança, o Sinergia 4, para buscar oportunidades nesse segmento. Segundo Fernando Tendolini, gestor da família de fundos Sinergia – que completa 11 anos -, a quarta versão da carteira vai destinar de 20% a 25% dos recursos para investir em empresas que estejam a um passo de estrear no mercado acionário. “Vamos procurar aquelas companhias que precisam de um último empurrão, uma linha de crédito para uma aquisição de outra empresa ou um último investimento para poder chegar ao mercado”, diz.

A idéia é buscar empresas que já superaram a fase pós-private equity e estejam na fase chamada de pré-IPO (oferta inicial em inglês) e negociar com elas o investimento, que seria feito mediante debêntures conversíveis em ações. “Não seria um investimento tão longo, quanto o do private equity, que entra na empresa para ajudar a estruturar o negócio e fica cinco, dez anos, queremos a fase final, que possibilite uma saída em, no máximo, um ano e meio”, diz. Assim, o fundo ganharia todo o potencial de alta que a empresa teria ao ir para a bolsa e com isso acelerar seu crescimento. “Vamos negociar para participar da empresa antes de ela abrir o capital”, diz.
Para Tendolini, os exemplos recentes de problemas com a governança de algumas empresas que estrearam recentemente na bolsa mostram que o Novo Mercado não é uma garantia para o investidor. O enfoque dos investidores mais ativos, que no passado era mostrar que a governança era importante nas empresas, vencendo a resistência dos controladores à participação dos minoritários nos conselhos, mudou. Agora, o importante é a gestão da governança corporativa. “Muitas empresas vieram com selo do Novo Mercado, mas não estavam preparadas para praticar a governança que anunciaram.”
Por isso, a idéia do Sinergia 4 é buscar as empresas que tiveram um processo de participação de fundos de private equity e ajudar na finalização do processo de abertura. “Vemos que as empresas que tiveram private equities em sua estrutura se deram muito melhor após a abertura, caso de Totvs ou Dasa“, diz ele, lembrando que esses fundos exigem das empresas transparência e respeito aos minoritários, além de eliminar a figura do único dono, que confunde o caixa da empresa com o particular. “O dono perde um pouco a capacidade de interferir na empresa”, diz.
A idéia é estar um passo antes do mercado de ações e um depois do de private equity, explica José Carlos Borja, diretor comercial da FAR. “É uma estratégia pioneira, pois estamos aumentando o campo de visão das oportunidades do mercado para além das empresas já em bolsa”, diz o executivo. Segundo ele, muitos investidores mostravam interesse por private equity. “Queríamos oferecer algo semelhante, mas sem perder a característica do Sinergia”, explica.
Borja lembra que a estrutura do Sinergia permite esse tipo de operação porque é um fundo fechando, que não permite resgates, e com prazo de maturação longo, de sete anos. “Não dá para tentar fazer isso em fundos abertos para saques, pois se temos uma onda de resgates, quem fica acaba perdendo toda a liquidez e corre o risco de levar papel para casa”, afirma ele.
As carteiras do Sinergia foram pioneiras no que o mercado chama de fundos de governança. A carteira compra participações em empresas pouco negociadas, mas com potencial, e busca participar de seu conselho, aumentando a transparência e a qualidade da gestão das companhias. A receita tem dado certo nos últimos 11 anos.
O Sinergia 4 ainda está em fase de captação. A carteira, aberta em dezembro, acumulou rentabilidade de 33,82% até o dia 31 de maio, para um Índice Bovespa de 10,34% no período. O bom desempenho se explica pela escolha dos papéis, dos setores agrícola, como fertilizantes e terras agrícolas, e infra-estrutura. Há também uma participação em siderurgia, com Ferbasa. A aplicação inicial é de R$ 300 mil, pois a carteira se destina somente a investidores qualificados. A idéia é que o fundo capte entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão. Mas as aplicações nas empresas pré-IPO devem começar apenas quando a carteira atingir R$ 500 milhões. “O mínimo necessário para esse tipo de operação tem de ser R$ 100 milhões”, explica Tendolini.


Empresa que planeja oferta tem de superar informalidade

quinta-feira, julho 10th, 2008

Por Ana Paula Ragazzi, de São Paulo
10/07/2008


A abertura de capital é um processo pelo qual a empresa passará uma só vez e que transformará totalmente suas atividades. Para realizar a operação, a companhia precisa estar atenta a aspectos como governança corporativa, planejamento estratégico e financeiro, capacidade administrativa, porte, estrutura societária, contábil, controles internos e comunicação. Em poucas palavras, alcançar a profissionalização.
Os especialistas dizem que a informalidade ainda é muito presente no país, mas destacam a nova lei contábil, que passará a exigir que, a partir de determinado porte, companhias fechadas tenham balanços auditados e facilitará o trabalho futuro se, eventualmente, elas optarem pela bolsa.
“A preparação para a oferta demanda trabalho intenso e se a empresa não tiver a parte contábil estruturada, por exemplo, vai demonstrar fraqueza”, diz Ivan Clark, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC). Ele ressalta que muitas companhias brasileiras são familiares e, antes de pensar em olhar para fora, lançando ações, precisam olhar para dentro. “Várias possuem fazendas, aviões ou viviam na informalidade”, afirma.
Pedro Lanna Ribeiro, advogado e sócio do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão, pondera que algumas vezes o fato de a empresa ser familiar pode facilitar o processo. “Às vezes a família já está fechada em favor da operação. Com vários sócios, pode haver divisão de controle”, diz.

Outra característica frequente é a empresa estar presente em vários ramos de negócio. Por exemplo, uma companhia concentra uma cadeia de escolas, mas também tem um braço imobiliário e outro de móveis. “A empresa precisa definir o objetivo da oferta, promover uma reorganização societária e decidir qual atividade será o foco da operação”, diz André Viola Ferreira, sócio da Terco Grant Thornton.
O caminho trilhado até a oferta deve ser observado também pelo investidor no momento de ler o prospecto e decidir pela adesão ou não à operação.
“O investidor pode verificar se a companhia vinha sendo auditada ao longo de três anos ou se esse trabalho foi retroativamente feito, nos últimos três meses, por exemplo”, diz José Diaz, sócio do escritório de advocacia e Almeida. O mesmo raciocínio vale para observar há quanto tempo os atuais administradores estão na empresa. Na avaliação dele, as companhias “mais óbvias” já foram a mercado e, agora, o país vive uma espécie de entressafra, em que as empresas estão se preparando para operações.
Do ponto de vista da governança, o compromisso é com a transparência na divulgação de quaisquer dados e coerência com as metas definidas.
“Governança corporativa é admitir que a empresa tem um novo sócio, o mercado. E ele participará ativamente da vida da companhia”, afirma Diaz, do Demarest.
A comunicação da empresa merece atenção especial – tanto para o público externo, na área de relações com investidores, quanto internamente, para que os funcionários compreendam a nova realidade da empresa.
A companhia tem ainda que ter claro seu plano de negócios. “Pode parecer óbvio, mas ela precisa saber para onde ir. Se o norte transmitido aos investidores não for condizente com o passado e sustentável em relação ao presente e ao futuro, ficará claro que terá dificuldades de entregar o prometido”, diz Kan Wakabayashi, da consultoria Cypress Associates.

Outro foco são os controles internos, que acompanham as atividades da empresa para diminuir a probabilidade de problemas financeiros, como fraudes, e operacionais, como insatisfação de clientes e fornecedores.

Oferta privada é opção para empresas de pequeno porte

quarta-feira, julho 2nd, 2008

Por Ana Paula Ragazzi e Silvia Fregoni, de São Paulo
06/05/2008

 

Se a porta para as ofertas públicas de ações ficou entreaberta no início deste ano, os bancos de investimento encontraram na sala ao lado uma janela para as colocações privadas de papéis. Em vez de vender a todo tipo de investidor a participação em empresas, as instituições financeiras passaram a oferecê-las a grupos seletos, cuidadosamente escolhidos para irem ao encontro das necessidades das companhias.

O grau de investimento conquistado pelo Brasil poderá reaquecer as ofertas públicas, mas, de acordo com os especialistas, não interferirá no já estabelecido segmento de colocações privadas. O que poderá acontecer é que, de agora em diante, elas serão a alternativa para as distribuições pequenas, uma vez que o aperto de liquidez nos mercados internacionais ainda tornará mais favorável o ambiente para as ofertas públicas bilionárias.
O vice-presidente da área de Investment Banking do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin, afirma que o tão esperado dinheiro das seguradoras e dos fundos de pensão estrangeiros virá, primeiramente, para empresas de grande porte. “Para algumas companhias menores, as ofertas privadas não serão uma opção, mas a única saída para levantar recursos”, diz.
Rodolfo Riechert, responsável pela área de Investment Banking do UBS Pactual, calcula que 80% das empresas que cancelaram aberturas de capital neste ano tenham sido procuradas para realizar emissões privadas.
“Esse tipo de operação é indicada para aquelas que ainda não estão preparadas para as ofertas públicas. Para elas, é mais interessante buscar investidores com pensamento de longo prazo, que não estejam preocupados com as cotações diárias, para crescer e ganhar um outro porte”, diz.
As ofertas privadas aumentaram neste início de ano com o fechamento do mercado para operações públicas, devido à crise financeira mundial. A crise enxugou a liquidez global e afetou, em particular, o fluxo de recursos destinado às pequenas operações. Apesar dessa situação de mercado, dizem especialistas, sempre houve recursos interessados no Brasil. “O pano de fundo ainda permanecia o de que a dinâmica da economia brasileira é positiva, com forte perspectiva de expansão”, afirma Riechert. Ou seja, investidores já contavam com o grau de investimento, ainda que para 2009 apenas.
“Este ambiente econômico é propício para os empreendedores e também para investidores de prazo mais longo e que tenham desejo de assumir riscos”, diz o executivo do UBS Pactual.
Os bancos de investimento procuraram esse perfil de investidor de longo prazo, que não precisa fazer escolhas atento a uma referência e às oscilações diárias das cotações. No caso de quem aplica em ações no Brasil, o referencial é, normalmente, o Ibovespa, o IBRX ou o MSCI (Morgan Stanley Capital International), muito acompanhado pelos estrangeiros.
Em todos esses índices, as blue chips brasileiras Petrobras e Vale têm grande peso, da ordem de 40%, e, nos últimos meses, os dois papéis têm apresentado performance muito sólida, em razão de notícias positivas para ambas, como as recentes descobertas da estatal ou as ambições internacionais da mineradora.
Ainda que mesmo antes do grau de investimento o mercado já até identificasse papéis listados mais baratos na bolsa, muitos gestores preferiam não arriscar, uma vez que as principais ações do mercado estavam em trajetória ascendente.
“As novatas estavam competindo com empresas do porte de Vale e Petrobras. Quem tem de marcar a mercado seus ativos diariamente acabou vendo opção mais fácil em concentrar apostas nessas companhias do que se arriscar com os novos papéis”, diz Riechert.
A saída foi estruturar operações para aqueles que estivessem dispostos a investir no Brasil, mas sem a preocupação com o desempenho de curto prazo da companhia. Este investidor deseja se posicionar agora, acompanhar o desenvolvimento do negócio, ter pedaços maiores das empresas domésticas, com alguma ingerência. Futuramente, pode até mesmo deixar o investimento via oferta pública.
“São reunidos geralmente de dois a dez investidores, que aceitam não ter liquidez no curto prazo e fazer a transição da companhia”, diz Etlin, do Itaú BBA.
Essas operações são indicadas para investidores com a mesma cabeça de um private equity, portanto. Uma diferença entre essas operações está na forma de adquirir a participação. “Normalmente os fundos fazem pesquisas, compram 30%, 40% de uma companhia e buscam parceiros para coinvestir nas empresas”, explica Riechert. No caso da oferta privada, um pequeno grupo de investidores compra diretamente participação na companhia e, normalmente, não de controle, como ocorre geralmente nos private equities.
As distribuições privadas também diferem das públicas por serem mais flexíveis. Nas públicas, os bancos já saem com uma determinada quantidade de ações à venda e uma faixa de preço sinalizada. Nas privadas, tudo isso pode ser mais rapidamente modificado, adaptado e estruturado durante o processo. Algumas operações, inclusive, mesclam a venda de ações com papéis de renda fixa da empresa.
Riechert, do UBS Pactual, afirma, também, que, ao menos antes do grau de investimento, a venda privada não era necessariamente destinada apenas a pequenas somas. “Estamos trabalhando em três operações privadas de US$ 300 milhões cada.”
Para Kan Wakabayashi, da consultoria Cypress Associates, agora, com a perspectiva de retomada de ofertas públicas, o mercado deverá ficar atento e observar se, eventualmente, algumas dessas empresas que estão em operações privadas não poderão voltar a migrar para as públicas.