Archive for the ‘Conceitos Empresariais’ Category
Freeconomy: nós não vamos pagar nada
Depois da Cauda Longa (Long Tail, em inglês), agora é a vez da Freeconomy. Esse é o tema do novo livro (sem previsão de lançamento) de Chris Anderson, editor-chefe da Wired, que nos dá uma palhinha do assunto na capa da revista de março.
Para o jornalista, há três modelos de negócios gratuitos:
1) o Gillette, no qual você dá o aparelho para vender a lâmina de barbear. É o que ele chama de subsídio cruzado. Pense nas operadoras de celulares, que dão um celular gratuito em troca de um plano de serviços e da fidelidade por um período de tempo.
2) o modelo custo próximo de zero. Pense na capacidade de processamento, banda de internet e armazenamento, que cada vez custam menos. Você dá acesso ilimitado de capacidade de armazenamento de e-mail, mas conta um terceiro, provavelmente um anunciante, que vai pagar a conta.
3) o modelo colaborativo, que está na base da Wikipedia, da blogosfera e da Craiglist. É uma motivação não monetária, mas sim de reputação, atenção e expressão que move essas pessoas a colaborar gratuitamente, acredita Anderson.
A Trend Watching, que tratou rapidamente de repercutir a matéria da Wired, chamou o assunto de “Free Love”, num bem embasado relatório com dezenas de exemplos de estratégias de negócios gratuitos.
E quem poderá viver nessa nova economia? “A resposta imediata é o Google”, disse Anderson em uma entrevista para Renato Cruz, no Estado de S. Paulo.
A verdade é que na economia do gratuito, ou na Freeconomy, alguém sempre vai ter de pagar a conta. Espero que não seja eu.
Você acha que o futuro dos negócios, como defende Anderson, é dar produtos e serviços de graça para seus consumidores? Dê sua opinião.
Publicado por Ralphe Manzoni Jr. às 00h21
Porque o capitalismo funciona
Grife com preço de camelô
| 20.03.2008
Uma rede de lojas americana cria linhas de tênis e roupas assinadas por celebridades — e vende tudo por preços irrisórios. O segredo? Veja a linha do custo
Divulgação

Venus Williams: os esportistas se tornam “co-CEOs” das marcas
Publicidade
Por Daniel Hessel Teich
EXAME A rede de lojas de roupas e artigos esportivos americana Steve & Barry’s, com faturamento de 1,2 bilhão de dólares no ano passado, não é propriamente uma potência do varejo nos Estados Unidos. Mas mesmo diante de um grupo relativamente pequeno os dois fundadores da empresa, os nova-iorquinos Steve Shore e Barry Prevor, criaram um modelo de negócios que tem incomodado — e muito — gigantes dos preços baixos, como Wal-Mart e Target, e fabricantes de roupas esportivas, como a todo-poderosa Nike. Criada em 1988 de uma banca de camisetas instalada numa feira hippie nos arredores de Nova York, a Steve & Barry’s se transformou em sinônimo de roupas, tênis e acessórios vendidos a preços escandalosamente baixos, que chegam a ser até 40% inferiores aos do Wal-Mart. Nos últimos meses, a rede avançou nesse modelo e expandiu sua estratégia de marketing para uma frente até então inexplorada pelos grandes varejistas: produtos baratos com grifes de celebridades e astros do esporte. Entre as estrelas contratadas pela Steve & Barry’s estão a atriz Sarah Jessica Parker, protagonista da série Sex and the City, e a tenista Venus Williams, quatro vezes campeã no torneio de Wimbledon e vencedora de cinco Grand Slams. Em ambos os casos, nenhum produto à venda — seja um tênis, uma blusa ou uma calça jeans — ultrapassa o valor de 20 dólares. A estratégia tem sido um dos motores da expansão da Steve & Barry’s. A rede, que tinha 60 lojas em 2004, fechou 2007 com 260 unidades em 33 estados americanos e planeja crescer mais 30% até o fim deste ano. Desde 2006, é a cadeia de roupas e acessórios que mais cresce em metros quadrados, praticamente o dobro da segunda colocada, a Gap.
Com suas grifes a preços arrasadores, a Steve & Barry’s rompeu com um dogma de mais de duas décadas na indústria de roupas e artigos esportivos — o de que produtos como tênis, camisetas ou mesmo óculos escuros assinados por gente famosa precisam ser necessariamente caros. O primeiro item a subverter esse conceito foi o tênis Starbury One, que leva a assinatura do jogador de basquete Stephon Marbury, estrela do New York Knicks, considerado um dos melhores jogadores dos Estados Unidos na atualidade. Lançado em agosto de 2006, o tênis chegou ao mercado por 15 dólares, uma fração de produtos semelhantes assinados por outros astros do basquete, como LeBron James (Zoom LeBron V, de 140 dólares) e Michael Jordan (Air Jordan XX2, de 175 dólares), ambos da Nike. “Nosso desafio era mostrar que é possível fazer produtos bons e baratos, para desmistificar essa idéia de que coisas boas e desejáveis custam caro”, diz Howard Schacter, executivo responsável pela área de licenciamentos e parcerias da Steve & Barry’s. O Starbury One foi desenhado pelo estúdio Rocket Fish, que já teve entre seus clientes a própria Nike e a Fila. Para provar o quanto o tênis era bom, Marbury o usou em todos os jogos da temporada 2006/2007. Como resultado, em apenas dois meses foram vendidos mais de 3 milhões de pares. O sucesso abriu caminho para novas parcerias com celebridades — Sarah Jessica Parker e Venus Williams entre elas. Na estratégia de lançamento de seus produtos, Venus se valeu do expediente de Marbury e foi para as quadras com o V Court, um tênis de míseros 9 dólares.
| Marcas estreladas |
| As principais grifes à venda nas lojas da rede americana Steve & Barry’s, especializada em roupas e artigos esportivos de baixo custo |
| Starbury (Stephon Marbury) O jogador de basquete Stephon Marbury foi o primeiro astro do esporte a ter uma linha de produtos, em agosto de 2006. O tênis Starbury I, de 15 dólares, vendeu 3 milhões de pares em dois meses |
| Eleven (Venus Williams) Marca criada em parceria com a tenista americana tem 60 peças. O produto mais vendido é um tênis de 9 dólares que Venus usou nos jogos do torneio US Open |
| Dream (Amanda Bynes) Inspirada na jovem atriz que se tornou celebridade depois de estrelar um programa do canal a cabo Nickelodeon. Lançada em agosto de 2007, é voltada para adolescentes |
| Bitten (Sarah Jessica Parker) Linha lançada em maio de 2007, tem como destaque uma camiseta de 9 dólares com a inscrição “Fashion is not a luxury”(“Moda não é um luxo”) |
Estratégia aprovada, outras redes de varejo enveredaram pelo mesmo caminho. As principais foram a sueca H&M, que lançou uma linha de roupas assinadas por Madonna, e a rede inglesa Top Shop, que vende vestidos com a marca da modelo Kate Moss. Mas nenhuma conseguiu chegar perto da política de preços da Steve & Barry’s. O sistema de marcas baratas da rede americana se sustenta em dois pilares. Um é a forma como as parcerias com as celebridades são feitas. Grandes astros do esporte, do cinema ou da TV costumam assinar contratos milionários com valores preestabelecidos pela cessão de imagem.
NO CASO DA STEVE & BARRY’S, isso não acontece. A rede — que não divulga valores — oferece a seus contratados participação nas vendas dos produtos e total liberdade para planejar os produtos e gerir as marcas. “Eles são como co-CEOs das marcas, com poder para opinar sobre o conceito de toda a linha, sobre os produtos e sobre a estratégia de marketing a ser adotada”, diz Schacter. “Ninguém faz isso nas outras empresas.” Cada marca funciona como uma espécie de loja dentro das lojas Steve & Barry’s, que costumam ser imensas, com área média de 5 000 metros quadrados. Para promover os produtos, atletas e celebridades participam de eventos nas unidades da rede, dão entrevistas, vão a programas de TV de grande audiência, como o Oprah Winfrey Show, e se envolvem em campanhas do chamado marketing de guerrilha, em que participam de fóruns de discussão online e estrelam filmes distribuídos exclusivamente pela internet. “Com essa estratégia, a Steve & Barry’s conseguiu uma visibilidade impressionante a um custo irrisório”, diz Barry Janoff, diretor executivo da Brandweek, revista especializada em marketing. “Se fosse pagar por uma campanha para conseguir o mesmo impacto teria de gastar pelo menos 100 milhões de dólares.”
O segundo pilar de sustentação da estratégia é o próprio modelo de operação adotado pelos controladores da Steve & Barry’s. Prevor e Shore costumam definir a natureza de seu negócio como “engenharia de tarifas”. Explica-se: os dois passaram anos debruçados sobre a legislação americana de importação de roupas para identificar oportunidades que os colocassem um passo à frente dos concorrentes. Há três anos, por exemplo, em vez de comprar calções esportivos na China, como faziam todas as redes de varejo americanas, eles buscaram fornecedores de um parque fabril da região fronteiriça entre Israel e Jordânia, que conta com incentivos especiais de importação para os Estados Unidos. Com isso, uma peça que custaria 6,50 dólares na China saiu por 5 dólares e significou economia de 750 000 dólares numa única encomenda. Da mesma forma, a Steve & Barry’s se vale de benefícios tarifários concedidos a produtos de países africanos, como Suazilândia Lesotho, Malawi e Madagascar, que estão dentro de regimes especiais de tributação. Recentemente, a rede encomendou a confecções desses países 5 milhões de calças jeans fabricadas com matéria-prima trazida da Índia. A conta ficou 4 milhões de dólares mais barata do que sairia se as calças fossem produzidas diretamente na Índia. Um último exemplo da engenhosidade de Prevor e Shore: jaquetas de náilon importadas da China costumam ter taxação de 28%. A dupla descobriu que a taxa poderia cair para apenas 4%, desde que o produto recebesse tratamento impermeabilizante e fosse requalificado como peça de proteção contra a chuva.
A obsessão por cortar custos perpassa cada detalhe da operação da Steve & Barry’s. As margens são estreitas e a maioria dos 220 funcionários administrativos da rede — mesmo nos cargos de gerência — são jovens recém-saídos das universidades americanas, artifício que permite certa folga na folha de pagamentos. Recentemente, a Steve & Barry’s partiu para uma agressiva estratégia de se instalar em shopping centers de médio padrão em áreas que têm sido abandonadas por outras redes varejistas em processo de reestruturação, como Sears, Lord & Taylor, KMart e Saks. Sem suas lojas-âncoras e preocupados com a desvalorização dos empreendimentos, proprietários desses shoppings passaram a oferecer condições extremamente vantajosas à Steve & Barry’s, que não raro consegue negociar aluguéis que correspondem a menos da metade do valor pago pelos demais locatários. “Muitos proprietários de shopping centers estão completamente desesperados e fazem qualquer negócio para ocupar as áreas vazias”, diz Louis Taylor, analista de mercado imobiliário do Deutsch Bank em Nova York. Em geral, esses shoppings ficam em áreas onde vivem ou circulam consumidores de baixa renda, justamente o tipo de cliente almejado pela rede. É o cenário perfeito para vender produtos de grife a preços de camelô, coisa que a Steve & Barry’s sabe fazer como ninguém.
Eco sistema empresarial: mais um exemplo
Com a compra da FControl, BuscaPé avança no seu quebra-cabeça digital
João Luiz Rosa
06/03/2008
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Em 1999, quando Romero Rodrigues – então um estudante de engenharia de 21 anos – criou o site |
| A peça mais recente é a aquisição de 70% da |
| Embora o negócio da FControl esteja baseada em um software, a empresa não ganha dinheiro vendendo licença de uso do programa. Em vez disso, cobra uma taxa por transação analisada, no formato de serviço. O varejista envia os dados referentes a uma tentativa de compra em seu site à FControl. A empresa avalia os dados e diz ao lojista quais as chances de que a transação seja fraudulenta. |
| “Vamos supor que um lojista submeta à análise uma transação relacionada a um Cep que guarda muitas fraudes. O sistema reconhece a suspeita de fraude e recomenda ao lojista tomar algumas medidas, como pedir o telefone do cliente, para diminuir o risco”, explica Rodrigues. |
| A expansão do BuscaPé começou em maio de 2006, quando a empresa incorporou um concorrente direto – o Bondfaro. Na época, a entrada da |
| A Great Hill Partners entrou no BuscaPé no fim de 2005, ao adquirir a participação acionária que antes pertencia à |
| Com a consolidação em sua área original, a direção do BuscaPé se sentiu mais confortável em entrar em novos negócios. Em julho de 2007, a companhia adquiriu a E-bi, especializada em pesquisas de mercado e marketing on-line, e em janeiro deste ano comprou 85% da |
| O valor das aquisições não é revelado, incluindo o acordo com a FControl, mas os negócios recentes foram feitos integralmente com recursos próprios, diz Rodrigues. “O BuscaPé tem zero de dívida e a Great Hill não fez nenhum investimento adicional para as compras.” |
| No novo mapa expandido de Rodrigues, o Bondfaro está na ponta do processo, ao fornecer ao consumidor informações sobre os produtos disponíveis nas lojas e um sistema de comparação de preços, que também é o foco do site BuscaPé. O |
É uma empresa bem mais ampla que o BuscaPé original, mas Rodrigues acha que a engrenagem pode ficar ainda maior. “Faltam algumas peças”, diz ele. Os complementos podem vir tanto de novas aquisições – “ha conversas ativas, mas nada adiantado” – ou serviços criados internamente, a exemplo do QueBarato! “Temos projetos no forno”, afirma o executivo.
Eco sistema empresarial: exemplo típico de fomento à uma nova cadeia produtiva
Automóveis
Operação carro elétrico
Uma nova e engenhosa idéia para abastecer
veículos a bateria. Será que agora dá certo?
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Rafael Corrêa
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Num mundo cada vez mais preocupado com o aquecimento global e o preço do petróleo, há muito se anunciam os carros elétricos como a melhor opção para substituir a frota movida a combustíveis fósseis. Por enquanto, porém, há poucos deles rodando no mundo, em caráter experimental. O israelense Shai Agassi, cuja carreira de empreendedor está ligada à alta tecnologia do Vale do Silício, acha que pode mudar essa situação. Ele parte do princípio de que o grande empecilho à popularização dos carros elétricos é a falta de uma infra-estrutura que permita recarregar baterias com a mesma facilidade com que se enche um tanque de gasolina. Amparado nessa premissa, Agassi elaborou um projeto ambicioso para disseminar o uso de veículos elétricos e correu o mundo em busca de parceiros para colocá-lo em prática. Depois de muitas reuniões com empresários e autoridades, conseguiu o apoio do governo de Israel e do conglomerado automotivo Renault-Nissan. Por fim, obteve um financiamento de 200 milhões de dólares de um grupo de investidores liderados pelo magnata israelense Idan Ofer, que fez fortuna nas áreas de transporte e refino de petróleo. Estava fechado o círculo virtuoso que agora permite a Agassi tocar seu projeto de desafiar a estrutura global montada em torno dos veículos a gasolina. Se seu plano vingar, em três anos haverá 100 000 veículos movidos a baterias rodando nas ruas e estradas israelenses. “Estamos em conversações com outros governos para desenvolver projetos semelhantes”, informou Agassi a VEJA. “Não podemos deixar para as futuras gerações um mundo dependente do petróleo”, disse.
O projeto começa por driblar um dos maiores obstáculos dos carros elétricos atuais: a falta de autonomia. A maior parte dos modelos existentes não consegue rodar mais de 100 quilômetros sem ter de parar para recarregar. O plano de Agassi prevê a instalação de uma ampla rede de 500 000 pontos de recarga e 200 postos de troca de baterias nas ruas e estradas de Israel. Assim, os motoristas não correm o risco de ficar pelo caminho porque a energia das baterias acabou. A implementação dessa rede de distribuição de eletricidade ficará a cargo da empresa criada por Agassi especialmente para isso, a Better Place (em inglês, lugar melhor), uma referência à meta de criar um mundo mais verde. O presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, compromete-se a produzir um modelo capaz de rodar 160 quilômetros sem precisar de recarga. É uma autonomia ideal para Israel, um país pequeno onde as principais cidades ficam a menos de 150 quilômetros de distância entre si. Graças a incentivos fiscais do governo israelense, o carro verde da Renault-Nissan custará bem mais barato do que os modelos a gasolina hoje vendidos no país. O imposto para carros elétricos será de 10%, enquanto um automóvel convencional é taxado em 79%. Para recarregar o veículo, o dono do carro assina com a Better Place um contrato de prestação de serviços semelhante ao das operadoras de telefonia celular. Ele paga uma taxa mensal à empresa e, em troca, tem direito a cargas elétricas suficientes para rodar uma determinada quantidade de quilômetros por mês. Se precisar rodar mais, paga pelo excedente. O projeto de Agassi cai como uma luva para Israel porque permite diminuir sua dependência do petróleo. Como se sabe, o país mantém relações nada amistosas com as nações muçulmanas, maiores produtoras de petróleo.
Por enquanto, a Renault-Nissan apresentou somente um protótipo de carro elétrico, que andou pelas ruas de Jerusalém há um mês. O desenvolvimento de um veículo movido a baterias, com autonomia de 160 quilômetros e que ofereça um desempenho semelhante ao dos modelos convencionais é um dos grandes empecilhos à concretização do projeto de Agassi. A Renault-Nissan ainda está atrás dos outros fabricantes no desenvolvimento de veículos verdes e precisa entregar os primeiros modelos para testes no fim deste ano. A tecnologia necessária para desenvolver baterias é um capítulo à parte. A indústria automobilística investe em diferentes frentes de pesquisa, mas ainda não sabe como produzir baterias com grande capacidade de armazenamento e preço baixo. De qualquer maneira, Agassi, que começou a elaborar seu sonho do carro elétrico quando participou do encontro de jovens líderes no fórum de Davos, em 2006, tem muitos motivos para se animar. Idan Ofer, o maior investidor do projeto, acredita que ele está no caminho certo e vê potencial para a criação de iniciativas semelhantes em mercados emergentes, como a China. Com seu plano de popularizar o carro elétrico, Agassi pode se tornar o Henry Ford do século XXI.
Crescimento é mais importante que lucro
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Depois de estudar o comportamento das empresas brasileiras por três décadas, a Fundação Dom Cabral (FDC), prestigiada escola de negócios do País, concluiu que a resposta para a longevidade das companhias brasileiras está diretamente relacionada a um crescimento vigoroso e contínuo.
A capacidade de gerar lucros, diferentemente do que se poderia supor, não é definitiva, segundo o professor da FDC, Carlos Arruda. “Mais importante do que ser grande ou lucrativo é estar em constante processo de crescimento”, diz. “A boa empresa é aquela que cresceu no passado e construiu condições para continuar crescendo nos anos seguintes.”
No período analisado (1973 a 2006), 77% das empresas deixaram o grupo das 500 maiores. Desse total, um terço foi comprado. “A capacidade de ser boa e gerar bons resultados não bastava. Vimos que as melhores eram as primeiras a serem adquiridas”, explica Arruda. As empresas que sobreviveram tinham pelo menos uma característica em comum: não deixavam de crescer nunca.
Crescer é uma estratégia de alto risco. Além de dinheiro, exige um inconformismo eterno, que alguns empresários gostam de chamar de “zona de desconforto”. Segundo Arruda, é essa cultura que está por trás de empresas brasileiras como Petrobrás, Vale e Gerdau.
O crescimento, em tese, é algo conflituoso. Se a empresa cresce, é porque teve de investir. E, para isso, distribuiu menos dividendos aos acionistas. É claro que é possível crescer sem abrir mão do retorno aos acionistas. Poucas empresas conseguem fazer isso bem.
As megaempresas brasileiras estão rompendo esse ciclo. “Elas não só crescem muito rapidamente como hoje já aparecem entre as maiores geradoras de valor do mundo”, diz o diretor da consultoria The Boston Consulting Group, Fernando Machado. “É um feito considerável.”
A internacionalização foi um passo fundamental nesse processo. No fim dos anos 90, as empresas brasileiras começaram a perceber que tinham práticas de gestão e eficiência muito próximas das globais. Muitas já exportavam, mas começaram a ver que as oportunidades de crescimento no exterior eram enormes.
“Elas viram que era mais fácil crescer lá fora que disputar mercado aqui. Nos anos 80 e 90, nosso crescimento, salvo duas ou três ocasiões, foi muito baixo”, diz o professor da FDC, Álvaro Cyrino.
A Gerdau, hoje um colosso, com faturamento de R$ 27,5 bilhões em 2006 e valor de mercado de quase US$ 20 bilhões, é considerada a empresa mais globalizada do País num ranking organizado pela FDC. A expansão internacional começou nos anos 90. Até setembro (último dado disponível), 36% da sua receita total já vinha da operação na América do Norte.
A empresa, que nasceu em 1901 como fabricante de pregos em Porto Alegre, corre alguns riscos para continuar sendo um personagem importante na cena mundial do aço. Em 2007, a Gerdau fez 12 aquisições internacionais. Para isso, desembolsou US$ 6,3 bilhões, o maior volume já gasto desde que iniciou sua aventura no exterior.
A compra mais ambiciosa foi a Chaparral Steel – segunda maior produtora de aço da América do Norte -, por US$ 4,22 bilhões. A operação foi atropelada pela crise financeira dos Estados Unidos. A empresa precisou rever o modelo do financiamento, mas concluiu o negócio com sucesso. Para essas empresas, vale a máxima: quem não arrisca não petisca.
O conselho de administração ideal de uma empresa
| A perpetuidade da companhia deve ser o grande objetivo de seus administradores. Cabe ao conselho de administração – como representante dos acionistas – fazer com que a empresa aproveite as oportunidades e cumpra com suas obrigações junto aos seus representados, clientes, fornecedores, colaboradores e comunidades nas quais atua. Para que o conselho atue de forma eficiente e eficaz, não basta seguir o que dizem os legisladores ou os códigos de melhores práticas de governança corporativa. É preciso ir além. |
| Neste momento, em que as empresas brasileiras realizam suas assembléias anuais de acionistas e muitas fazem eleições de integrantes para o conselho de administração, vale a pena refletir sobre os fatores que levam um conselho a desempenhar plenamente seu potencial. |
| Podemos começar com uma breve avaliação do conselho de uma empresa. Algumas questões são: |
| 1) Será que os conselheiros estão conscientes de suas responsabilidades e dos desafios da empresa? |
| 2) Os conselheiros conhecem bem as variáveis-chaves do desempenho da empresa e os riscos envolvidos? |
| 3) O conselho tem dedicado tempo considerável para discutir os objetivos de longo prazo da empresa e as estratégias para atingi-los? |
| 4) O conselho periodicamente revisa a estrutura organizacional, o desempenho dos executivos, a política de Recursos Humanos e analisa a necessidade de eventuais mudanças para o futuro? |
| 5) O conselho recebe no momento apropriado as informações para ter certeza que está no controle da empresa e dos executivos? |
| 6) O conselho tem tempo e conhecimento suficientes para analisar e tomar decisões difíceis? |
| 7) Os conselheiros têm independência para tomar decisões? |
| Se a resposta for negativa para algumas destas perguntas, é melhor pensar em criar um novo conselho. |
| Definir a função é o primeiro passo para se ter um conselho efetivo. As três principais funções do conselho são: monitorar, decidir e aconselhar. O conselho deve monitorar o desempenho da empresa e de seus executivos. Infelizmente, a maioria dos conselhos de empresas brasileiras gasta boa parte de suas reuniões analisando o desempenho passado, ao invés de discutir o futuro. |
| Os assuntos que envolvem decisões importantes devem vir em primeiro lugar na agenda das reuniões. O conselho deve tomar as decisões que implicam em planos ou ações de alto impacto para a empresa. Ele também deve ter condições de aconselhar o presidente executivo (CEO), que ocupa uma posição solitária e precisa do órgão para compartilhar suas idéias e solucionar os problemas. Para definir seu papel, os conselheiros devem se perguntar: 1) o que pretendemos atingir? 2) o que é realista considerando nosso conhecimento e disponibilidade de tempo? 3) qual é a nossa proposta de criação de valor para empresa e acionistas? |
| Quando o papel está definido, o desafio se torna o desenho e a montagem da estrutura. Neste instante, é importante se pensar sobre o tamanho ideal, o “mix” entre conselheiros internos e externos, a criação de comitês e a separação de funções entre o presidente do conselho (chairman) e o presidente executivo (CEO). A situação da empresa, a complexidade de seu setor de atuação, o estilo e a competência do conselho ajudarão a definir o grau de dedicação necessária de cada conselheiro e o número de integrantes. |
| Enquanto a estrutura é importante e a melhor forma de iniciar a montagem de um conselho. É fundamental escolher e manter as pessoas certas. No Brasil, já passamos pela fase dos “conselhos de compadres”, mas ainda temos muitos “conselhos de notáveis”, com objetivos mais institucionais do que propriamente de criação de valor. No entanto, temos assistido nos últimos anos uma crescente profissionalização dos conselhos de administração, com a presença de executivos independentes que têm um envolvimento construtivo e contribuem para a realização dos resultados da empresa. |
| O último passo é procurar tirar o máximo proveito do conselho. Para tanto, é importante: utilizar o tempo dos conselheiros mais produtivamente; fornecer informações com qualidade e no prazo adequado; encorajar o foco nas questões mais importantes; desenvolver processos que facilitem o monitoramento; e tirar maior proveito das reuniões (menos Power Point e mais discussões!). No mínimo 50% do tempo das reuniões deve ser dedicado para discussões com os principais executivos sobre as questões relevantes que afetam os negócios da empresa. |
| O conselho de administração realmente criará valor se estiver alinhado com as melhores práticas de governança corporativa, com uma clara definição de seu papel, uma estrutura apropriada, com as pessoas certas e processos que permitam extrair o máximo de cada conselheiro. |
| Paulo Conte Vasconcellos é conselheiro profissional e sócio da ProxyCon Assessoria e Participações |
| E-mail paulo@proxycon.com.br |
