Archive for the ‘Grandes Empreendedores’ Category

O poder do pensamento negativo

quinta-feira, dezembro 3rd, 2009

http://www.midiasemmascara.org

Jeffrey Nyquist

A abertura das comportas do sim deformou a nossa sociedade. No delicado equilíbrio entre o sim e o não, nós nos inclinamos demais na direção do “sim” e estamos nos tornando uma nação de neuróticos e esquisitões. O homem é limitado e frágil. Ele não é onissapiente nem onipotente.

A palavra mágica é “não”. Apesar do que você possa ter ouvido, o poder da palavra “não” é superior ao poder do “sim”. A palavra “não” tem mais utilidade, evita problemas inesperados e protege contra ferimentos graves e morte. Quando uma criança está prestes a enfiar um garfo em uma tomada, a palavra “não” salva a criança da eletrocussão. Quando o célebre valentão diz que pode saltar do Grand Canyon em uma motocicleta, a reação apropriada é: “Não, você não deve fazer isso.” O poder do pensamento negativo está em consonância com a sobriedade e o comportamento respeitável. Se você não quer ser um viciado em drogas, “just say no”.­­1 Se você não quer mais impostos, vote “não” em quase todas as propostas. E se você não quer o socialismo, seu lema é: “No, we can’t”.2

Eu deveria escrever um livro sobre o poder do pensamento negativo. O primeiro capítulo deveria intitular-se “As terríveis e nefastas conseqüências do sim”. Faça a si mesmo uma pergunta simples: seria um “homem-sim” nobre? Você gostaria de viver sem discernimento ou julgamento? É certo buscar a conveniência de todos? A nossa sociedade permissiva está toda fundamentada sobre o “sim”, de tal modo que o sim se tornou sinistro. A abertura das comportas do sim deformou a nossa sociedade. No delicado equilíbrio entre o sim e o não, nós nos inclinamos demais na direção do “sim” e estamos nos tornando uma nação de neuróticos e esquisitões. O homem é limitado e frágil. Ele não é onissapiente nem onipotente. Na verdade, todos nós precisamos ser relembrados de nossas limitações. Pense nos prejuízos causados quando dizemos “sim” para os nossos apetites, nossos caprichos e nossos impulsos momentâneos. Se você tem mais de 200 quilos é porque você tem dito “sim” quando deveria dizer “não.” Se o seu cartão de crédito está estourado, é porque você vive no mundo do “sim” quando ele deveria ser um mundo do “não”.

O segundo capítulo deveria ser intitulado “Cale a boca e fique sentadinho sem se mexer.” Todo tolo tem uma opinião sem conhecimento, um impulso sem um plano, uma vontade de mergulhar de cabeça em sabe-se-lá-o-quê. A primeira lição da disciplina é ficar quieto e pensar; mostrar autocontrole. A impulsividade é a essência da vida autodestrutiva baseada no “sim”. Siga todos os seus impulsos e não irá muito longe. Contenha-se a si mesmo e talvez você consiga salvar-se. Aliás, quem mais poderia conseguir pará-lo? O fato é: você é o único que tem o poder de parar a si mesmo. Então, cale a boca e fique sentadinho sem se mexer.

O terceiro capítulo deveria ser intitulado “A virtude da culpa.” Se você não fez nada de ruim nas últimas semanas ou meses, considere o que passa pela sua cabeça neste exato momento. Você é mau por natureza; logo, é culpado por natureza. Portanto, é apropriado sentir culpa. Não fuja dos problemas. Não seja desleixado e fraco. Estufe o peito e comece novamente. A culpa é aquela chicotada nas costas que foi enviada para melhorar a sua vida. A culpa é desagradável? Deveria ser, e é melhor que seja. Sinta-se culpado com freqüência e tenha muito arrependimento. Pessoas que não se arrependem são perigosas. Elas vão dominar e puxar você para baixo.

O quarto capítulo deveria ser intitulado “Você não é tão especial.” Há duas gerações estamos a dizer às crianças que elas são especiais. Por isso, hoje temos o surgimento de geração de adultos deprimidos que precisam ser constantemente fortalecidos. Esse indivíduo exigente, impertinente e que se sente cheio de direitos é um neurótico fraco e emocionalmente instável que se apega ao falso otimismo porque a verdade e a realidade são muito assustadoras e difíceis. É preciso perguntar: O que faz todas essas pessoas “especiais” tão especiais? Não há nada especial em um bebê chorão narcisista, e não há quem goste de autopiedade, choradeira ou lamúria.

O quinto capítulo deveria ser intitulado “Como o medo e a preocupação podem salvá-lo.” É isso mesmo! O medo é bom, pois existem pessoas más e nações assustadoras cujos líderes querem contaminá-lo com o antraz. O medo é fundamental para a sobrevivência. Aqueles que nada temem não duram muito neste mundo. Quanto à preocupação, o preocupado mostra uma atitude caridosa. Se você realmente se importa, então você não pode deixar de se preocupar. Aqueles que não se importam com nada são os que jamais se preocupam. Não tendo nada com que se preocupar, são indiferentes e emocionalmente separados dos interesses de toda a raça humana. Se alguém lhe diz para parar de se preocupar e começar a viver no presente, lembre-o de que viver no presente é para crianças e animais. Isso não é para adultos.

O sexto capítulo deveria ser intitulado “Por que o sofrimento é bom.” A resposta é simples: o conforto debilita, enquanto o sofrimento o torna mais resistente e o fortalece. Como um famoso guru do fitness disse certa vez: “Sem dor não há benefício”.3 Aqueles que sempre estão bem nunca aprendem nem crescem. A melhor educação é conseqüência do fracasso. Se um homem vive todo o tempo sem fracasso, ele não pode ser chamado de “afortunado”; pois ele não aprendeu a verdadeira lição da vida, que é a perda. Quanto mais vivemos, mais perdemos. Com o avanço do tempo, nós perdemos a nossa juventude, a nossa saúde e, finalmente, as nossas vidas. O culto da “vitória” e da “fuga do sofrimento” é artificial e é garantia de um comportamento desajustado.

O sétimo capítulo seria “Perceba quão idiota você realmente é.” O antigo ditado “Conhece-te a ti mesmo” é a essência destilada da filosofia. E conhecer a si mesmo é saber que a idiotice é um poço sem fundo. É insondável e sem limite. Não há estupidez que não possa iludir e não há loucura que não possa enganar você. É a célebre frase de Dirty Harry: “Um homem tem de saber suas limitações.” Quanto mais esperto você parece a seus próprios olhos, maior a probabilidade de que você esteja se aproximando de um objeto bem sólido prestes a atingir-lhe a cabeça.

Este é o meu conselho a todos: o poder do pensamento negativo é um poder real. E lembrem-se: a palavra mágica é “não”.


Notas:

1 - “Just say no”, isto é, “apenas diga não”, é o título da campanha anti-drogas do governo Reagan.

2 - “No, we can’t”, ou seja, “Não, não podemos”, é paródia de “Yes, we can!” (Sim, nós podemos!”), lema de campanha de Obama à presidência dos EUA.

3 - “No pain, no gain.”

Um exemplo de trajetória empreendedora

quinta-feira, novembro 12th, 2009

www.valor.com.br

Sócio-fundador deixa comando da Bematech

Foto Destaque

Betiol, Malczewski e Pinto (da esquerda para a direita): mudança sem ruptura

Marcel Malczewski, sócio-fundador da Bematech, está deixando o comando da empresa. Ele será substituído por Carlos Seara da Costa Pinto, que já atuava como vice-presidente da companhia.

Formado em engenharia, Malczewski tinha 25 anos quando criou com um colega de mestrado, Wolney Betiol, o projeto de uma impressora matricial numa incubadora do Instituto de Tecnologia do Paraná. Em duas décadas, a companhia firmou-se na área de automação comercial, abriu o capital e lançou ações no mercado. Além disso, adquiriu oito companhias e se globalizou.

Agora, o empresário já tem planos para a nova fase, que terá início em janeiro. Pretende ir para o conselho de administração da Bematech, dedicar mais tempo à família e analisar outras possibilidades de investimentos. Sua intenção é visitar universidades do Brasil e do exterior em busca de projetos promissores. Se encontrar, pode repetir a história, mas ocupando outra posição, a de “angel investor”, um tipo de investidor que apoia companhias em sua fase inicial de desenvolvimento.

Pinto, que assume o comando, deixou a IBM em agosto do ano passado para ser vice-presidente da Bematech. O executivo já havia comandado as operações da Avaya no Brasil e da MetroRed. Ele conta que, desde que chegou, sabia da possibilidade de ser promovido. “Não tinha nenhuma garantia”, acrescenta. A confirmação veio em setembro, depois de o assunto ser discutido no conselho. “Não há ruptura”, afirma Betiol, que preside o conselho de administração da Bematech.

Costa Pinto tem 47 anos e é engenheiro mecânico. Ele será o segundo presidente da Bematech. A empresa foi administrada por quatro diretores até 2001 e, desde então, passou a ser dirigida por um de seus fundadores.

“Isso vai tirar de mim um peso grande”, diz Malczewski, que estuda o assunto há três anos. “Sucessão sempre foi algo que me incomodou, porque acredito em alternância de poder.” Questionado se seu estilo de administração será mantido, ele responde que “a ideia é fazer diferente”.

Atualmente, o empresário tem 10,6% das ações da companhia. A participação começou em 50%, mas quando oito investidores colocaram US$ 150 mil para viabilizar o negócio, a participação dos fundadores foi reduzida pela metade. Mais tarde, o BNDES entrou na sociedade e os dois sócios originais ficaram com 20% cada, até a abertura de capital em bolsa, em 2007, quando restaram 10% para Malczewski e 10% para Betiol.

A Bematech possui 1,4 mil empregados e, até setembro, teve receita líquida de R$ 237 milhões, com lucro de R$ 16,9 milhões. Malczewski diz que cumpriu a missão, dedicando bastante tempo ao trabalho. “Vou me dedicar mais às crianças”, afirma o empresário, sobre seus dois filhos.

Quando a empresa lançou ações, Malczewski ganhou cerca de R$ 14 milhões, que foram investidos em imóveis, na recompra de ações da própria Bematech e em outros papéis. Na sala de reuniões da empresa, em Curitiba, ficará uma lembrança do empresário. Uma caixa registradora antiga, dourada, que ele comprou de um restaurante em Gramado (RS). “Ainda vou ganhar muito dinheiro na Bematech”, afirma.

Arista Networks traça planos para desafiar domínio da Cisco

sexta-feira, outubro 23rd, 2009

Peter Burrows, BusinessWeek, do Vale do Silício (EUA)
19/10/2009

Foto Destaque
Andreas Bechtolsheim, fundador da Arista Networks: “Somos apenas um inconveniente para a Cisco hoje”

Se você não tem inveja de Andreas Bechtolsheim, é provável que não o conheça o suficiente. Mesmo pelos padrões dos figurões do Vale do Silício, sua combinação de talento e sorte é rara. Em 1982, esse esperto engenheiro foi um dos fundadores da Sun Microsystems e ajudou a anunciar uma nova era da informática ao inventar uma estação de trabalho mais barata e versátil que os minicomputadores, populares entre as companhias na época. Então, em 1998, na casa de um amigo em Palo Alto, na Califórnia, Bechtolsheim teve a sorte de conhecer dois jovens formados pela Universidade de Stanford que estavam trabalhando em um novo mecanismo de busca. Ele preencheu na hora um cheque de US$ 100 mil para os dois, e Larry Page e Sergey Brin prosseguiram com seus planos, transformando a participação inicial de Bechtolsheim em mais de US$ 1bilhão em ações do Google.

Agora, aos 54 anos, Bechtolsheim tem um novo objetivo: enfrentar a Cisco Systems. Embora a Cisco seja o provedor dominante de equipamentos de rede no coração da internet, Bechtolsheim acha que sua pequenina Arista Networks tem uma vantagem no segmento de mercado que vem crescendo mais rapidamente: o de equipamentos super-rápidos para centros de dados, onde mais e mais trabalho de computação vem sendo feito. Se ele estiver certo, a Arista poderá superar a Cisco em um negócio muito importante, complicando os esforços da gigante para atingir as metas de crescimento agressivas do executivo-chefe John Chambers. “Somos apenas um inconveniente para a Cisco hoje”, diz Bechtolsheim. “Mas é muito difícil para as grandes companhias mudar seus modelos de negócios fundamentais.”

Ele afirma ter uma vantagem no custo e no desempenho. Os computadores da Arista, que são equipamentos que direcionam o tráfego na internet, custam menos da metade do preço dos produtos comparáveis da Cisco. Lane Patterson, diretor de tecnologia da companhia de centros de dados Equinix, diz que os equipamentos da Arista podem ter um quinto do custo, “um preço de uma atratividade impressionante”. Seus equipamentos também rodam programas de ponta que, segundo analistas, oferecem vantagens sobre o IOS, o software da Cisco que tem 20 anos e é tão predominante nas redes empresariais quanto o Windows, da Microsoft, é nos computadores pessoais. O software da Arista tem potencial para rodar uma maior variedade de programas e não trava se algum deles for infectado por vírus.

A Cisco não demonstra nenhum sinal de vulnerabilidade. Sua influência sobre o mercado de redes empresariais é tão completa que ela está entrando em dezenas de novos mercados, de vídeo à tecnologia de redes sem fio. A competição vem cada vez mais de gigantes tecnológicas como a Hewlett-Packard (HP). A Cisco não quis fazer comentários sobre a Arista, mas observou que possui mil clientes para seus produtos de centros de dados, enquanto a Arista afirma ter 130.

Mesmo assim, a Arista está ganhando força. A companhia tem uma clientela ampla, apenas dois anos depois de lançar seu primeiro produto. Um terço de seus clientes são companhias de Wall Street em busca de sistemas de computador mais rápidos. Bechtolsheim também recrutou um peso-pesado para liderar a companhia, Jayshree Ullal, a ex-arquiteta do núcleo de criação do centro de dados da Cisco. “A Arista está se saindo muito bem”, diz Brent Bracelin, analista do banco de investimento Pacific Crest Securities. “Está claro que há um grande apetite por alternativas à Cisco.”

Bechtolsheim há muito está à frente de seu tempo. Ele cresceu em uma fazenda na Alemanha e aos 16 anos de idade ganhou US$ 100 mil por ter criado um software para uma companhia de tecnologia local. Ele foi para os Estados Unidos pelo programa de bolsas de estudo Fullbright Program, mas abandonou um curso de doutorado na Universidade de Stanford para ajudar a fundar a Sun Microsystems. Após sair da companhia, em 1995, continuou em busca de oportunidades para fazer o que as líderes do setor de tecnologia estavam fazendo, só que mais barato e melhor. Ele vendeu uma companhia iniciante para a Cisco por US$ 220 milhões e outra para a Sun, por US$ 91 milhões. “Andy é para a computação empresarial o que Steve Jobs é para a computação voltada ao consumidor”, afirma Scott G. McNealy, um dos fundadores da Sun Microsystems e presidente do conselho de administração da empresa.

Bechtolsheim vê oportunidades no segmento de redes empresariais em parte por causa do domínio da Cisco. A companhia oferece equipamentos confiáveis e um forte apoio ao cliente, cobrando preços altos que a ajudam a obter margens de 65%. Essa é uma fórmula vencedora entre os clientes comuns da Cisco - compradores empresariais conservadores, cuja maior preocupação é manter suas redes em operação. Mas para as companhias que constroem grandes centros de dados - as instituições financeiras de Wall Street e gigantes da internet como o Google -, reduzir em milésimos de segundo o tempo necessário para fazer uma transação acionária ou uma busca na internet é algo mais valioso que ter um serviço de suporte impecável. “Estamos totalmente convencidos de que temos um trunfo nas mãos”, diz Bechtolsheim.

Isto é, a menos que ele decida vender a companhia mais uma vez. Já há comentários no mercado de que a IBM ou a HP poderão tentar comprar a Arista. Bechtolsheim insiste que esse não é seu plano. A Arista foi muito mais longe que suas companhias anteriores e ele está acelerando seus esforços de vendas para uma possível abertura de capital. Embora admire a Cisco, Bechtolsheim diz que a história do setor de tecnologia está cheia de gigantes caídos. “É estranho como nenhuma das grandes companhias foi vencedora na etapa seguinte [da indústria]“, afirma.

De caça a caçador, Ricardo Eletro avança

segunda-feira, agosto 3rd, 2009

www.valor.com.br

Uma nova loja da Ricardo Eletro foi inaugurada com pompa na sexta-feira, em uma cidadezinha do Pantanal mato-grossense. Com direito a banda de música, show de palhaços e discurso do prefeito, a inauguração foi um acontecimento na fictícia Paraíso, que dá nome à novela das 18h da rede Globo. Parte do elenco vestiu a camisa da varejista, onde se lê “Ricardo cobre tudo”, mote da nova campanha. Mais do que uma ação de merchandising em rede nacional, a primeira da sua história, a iniciativa dá o tom das ambições da empresa. Presente em nove Estados e no Distrito Federal com 275 lojas, dona de um faturamento de R$ 1,7 bilhão em 2008, a Ricardo Eletro quer se tornar uma potência nacional, capaz de fazer frente aos seus maiores concorrentes - Casas Bahia, Ponto Frio e Magazine Luiza -, sem abrir espaço para qualquer oferta de compra.

“Nem penso em vender, tenho só 39 anos, tem muita história pela frente ainda”, diz Ricardo Nunes, dono da empresa, em um típico sotaque interiorano, semelhante ao dos personagens de Paraíso. Mineiro de Divinópolis, Nunes começou o negócio há 20 anos, depois de trabalhar como ambulante, vendendo de mexerica a bicho de pelúcia. A rede tem sido apontada como alvo de grandes players, a exemplo do Grupo Pão de Açúcar, que adquiriu há dois meses o Ponto Frio. Apoiado pelo HSBC, dono da Losango - com quem fechou acordo no ano passado para instalar pontos de venda da financeira nas lojas da rede -, Nunes fala mesmo em comprar. “Dinheiro não é problema para eles [o HSBC]“, diz o empresário, que tem 30% das suas vendas financiadas pela Losango. “Mas por agora o meu foco é o Rio de Janeiro”.

Hoje, a Ricardo Eletro abre a 35ª loja no Estado fluminense, no popular bairro do Méier, zona norte da capital. Semana passada, a rede chegou a Pernambuco, com inauguração de uma loja em Petrolina. Ao todo, estão sendo investidos mais de R$ 50 milhões na inauguração de 42 lojas lojas este ano, sendo 25 só no Estado do Rio. Os recursos vêm do HSBC. A meta é atingir 300 pontos de venda no país até o fim de 2009, mas a capital paulista ainda não está nos planos. “Temos que fazer o Rio inteiro, porque o custo de publicidade lá é grande, e só depois vamos pensar em outros lugares”, diz Nunes, que desembarcou no mercado fluminense no ano passado, quando comprou 13 pontos de venda da Danúbio, antes Arapuã. A consolidação na região, segundo ele, deve ser concluída em 2010.

O empresário pretende crescer 30% em faturamento em 2009, para R$ 2,2 bilhões. “A redução do IPI na linha branca deu novo impulso às vendas”, diz Nunes, que percebe ainda a procura crescente por outros itens de maior valor agregado, como as TVs de LCD. O tíquete-médio da rede está em R$ 653.

E a internet já se tornou a principal loja da Ricardo Eletro. “Representa 7% das nossas vendas”, diz Nunes. Em setembro, o centro de distribuição da empresa em Belo Horizonte, que foi ampliado de 20 mil para 35 mil metros quadrados, será reorganizado para ceder espaço exclusivo à operação on-line. “Há muitas miudezas, metade das encomendas vão pelo correio, não dá para manter junto com as mercadorias que vão para as lojas”, afirma. Cerca de 130 pessoas estão sendo contratadas para a operação on-line.

A última grande aquisição da Ricardo Eletro foi em julho de 2007, com a compra da rede Mig, então com 86 lojas em Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo. A rede também está no Nordeste (em Alagoas, Bahia e, agora, Pernambuco). Mesmo sem presença na capital paulista ou no sul do País, dois mercados importantes, a empresa está disposta a já reservar lugar na mente dos consumidores em rede nacional. Por isso, começou em julho com os planos de merchandising em programas da Rede Globo, como parte dos investimentos de R$ 60 milhões este ano em comunicação, valor 33% superior ao do ano passado.

“Esse montante pode crescer, se houver mais alguma aquisição”, avisa Euler Brandão, diretor de atendimento e planejamento da Pro Brasil, dona da conta da Ricardo Eletro. Além da novela Paraíso, que já rendeu um elogio rasgado à figura de Ricardo Nunes (o radialista interpretado por Guilherme Berenguer disse que o empresário “tem visão de negócio bem moderna e acabou montando uma empresa enxuta e dinâmica, com uma administração bastante inteligente”), a Ricardo Eletro está no programa Caldeirão do Huck.

Em uma das atrações que foi ao ar mês passado, o próprio Ricardo Nunes, ao lado de Luciano Huck, dirigiu o caminhão que fez a entrega dos prêmios ao vencedor do quadro ‘Cantando 7′, em João Pessoa (PB). “Temos contrato de merchandising com o Caldeirão do Huck até julho do ano que vem”, afirma Brandão.

As campanhas regionais continuam, segundo Brandão. A mais recente estreou em julho, com o mote: “Para tudo, o Ricardo cobre tudo”. Do lado da concorrência, a rede comandada por Michel Klein também colocou no ar a sua campanha com o bordão “A Casas Bahia cobre qualquer preço”. Ricardo Nunes diz que foi cópia. “Há 20 anos eu registrei em cartório o compromisso de cobrir qualquer preço”, afirma. A Casas Bahia, por sua vez, sustenta que a promessa é algo comum no varejo, assim como 10 vezes sem juros ou sem entrada. Mas, no fundo, Nunes, não reclama. “É até motivo de orgulho a Casas Bahia me copiar”.

Lorentzen mantém empreendedorismo que criou a Aracruz

sábado, junho 20th, 2009

Uma vida dividida entre a Noruega e o Brasil. Esta é a saga de Erling Lorentzen, que aos 86 anos, dos quais 56 em terras brasileiras, pretende enfrentar o desafio de um novo negócio, depois de vender, no ano passado, suas ações na Aracruz Celulose, a companhia que ajudou a criar. O grupo Lorentzen Empreendimentos S.A. ainda está analisando o que fará com as centenas de milhões de reais que receberá da VCP em seis parcelas até julho de 2011.

Mas, o patriarca dos Lorentzen adiantou ao Valor que está comprando terras em Minas Gerais, onde pretende plantar florestas de eucalipto e produzir carvão vegetal para fazer ferro- gusa. Planeja abraçar a nova atividade junto com o grupo Plantar, criador do gusa verde, atuante na área de gestão florestal e de créditos de carbono.

Herói da Segunda Guerra por sua atuação na resistência contra Hitler aos 21 anos, casado com uma princesa e migrante no Brasil dos anos 50, dada a pobreza que sacudiu a Europa no pós-guerra, sua vida daria um romance. Mas, modesto garante não estar nos seus planos escrever sua biografia. Ele confessa que se orgulha hoje de ver seu filho Haakon administrar as empresas do grupo. E confessa que sua maior satisfação na vida, além de viajar para Oslo duas vezes ao ano (e usar suspensórios azuis ), é “ter criado valor para os outros”.

Brasileiros viram líderes de tecnologia nos EUA

domingo, fevereiro 15th, 2009

Mineiros são donos da melhor empresa de computadores de alto desempenho do país

Nilza H. Barros, NOVA YORK

 

A empresa de computadores americana Maingear Inc., apesar de ainda pequena, é uma colecionadora de prêmios. É considerada a melhor companhia de computadores de alto desempenho do país. Suas máquinas são frequentemente eleitas as melhores do mundo para aplicações profissionais - ou para serem usadas por maníacos por jogos de computador - por algumas das revistas de informática mais respeitadas como C-Net, Computer Shopper, Digital Trends, CPU, Games for Windows e Hot Hardware. E, apesar da trajetória de sucesso que sugere uma história parecida com a de nomes como Michael Dell ou Steve Jobs, a Maingear tem uma peculiaridade: é uma empresa fundada e dirigida por dois brasileiros.

Wallace Santos, 25 anos, nascido em Governador Valadares (MG) e Jonathan Magalhães, 44 anos, de Belo Horizonte, chegaram aos EUA por caminhos diferentes. Santos mudou-se há 23 anos para o país com os pais José e Maria Santos. Diz que o pai, caminhoneiro, conseguiu visto de trabalho, o que possibilitou a mudança da família. Fez o ensino primário e secundário na pequena cidade de Kearny. Adolescente, trabalhava depois da escola numa loja de jogos eletrônicos, experiência que usaria alguns anos mais tarde em sua empresa. Estudou engenharia de sistemas no Cittone Institute, em Edison, Nova Jersey.

Jonathan emigrou primeiro para o Canadá, em 1984, onde estudou francês, inglês e concluiu o curso de engenharia estrutural na Universidade de Toronto. Mudou-se para os EUA em 1994, após conseguir emprego em uma empresa canadense que tinha filiais no país.

O caminho dos dois se cruzou em um curso de programação para computadores, em meados de 1994. Santos tinha apenas 12 anos e frequentava as aulas em companhia de um amigo, Giovani Solari, que hoje também faz parte da equipe da Maingear. “Desde os 10 anos de idade, já fazia cursos de informática; montei minha primeira máquina aos 13 anos”, diz. Magalhães lembra que era interessante ver os adolescentes numa classe de adultos. As famílias ficaram amigas e sempre conversavam sobre o projeto de abrir um negócio. “O Wallace sempre me dizia: temos de montar um negócio nessa área, porque não é muito explorada.”

Com um capital inicial de US$ 150 mil, a Maingear Inc. foi registrada em setembro de 2002. Em novembro do mesmo ano lançou a primeira linha para gamers - como são conhecidos os fanáticos por jogos -, com três modelos diferentes. “Começamos timidamente porque o nicho de mercado era altamente competitivo. O gamer é um cliente muito exigente, entende tudo sobre computador e sabe usá-lo em sua totalidade”, diz Magalhães.

Em meados de 2003, veio a primeira de muitas premiações, dada por um programa de tecnologia exibido na televisão americana, o The Screen Savers. Em 2006, o site Hard Consumer, especializado em testar máquinas e serviços das empresas, elegeu a Maingear a “Boutique Computer Manufactures” do ano.

“Eles compravam nossas máquinas anonimamente e avaliavam desde a eficiência de website, passando pela forma com que o produto era confeccionado, entrega, serviço técnico e a satisfação do cliente”, conta Magalhães.

BRASIL É PRÓXIMO ALVO

A Maingear vende desktops, notebooks, media centers e workstations. Usa os componentes mais sofisticados dos grandes fabricantes mundiais em seus equipamentos. Seus computadores chegam a ter 12 gigabytes de memória e disco rígido de 4 terabytes - números muito superiores aos das máquinas convencionais. Como esses computadores são em geral usados em condições extremas, a empresa desenvolveu um sistema de refrigeração a água para evitar superaquecimentos.

Ainda é uma empresa pequena: são apenas 12 funcionários que montam cerca de 250 máquinas por mês. A receita gira em torno de US$ 1 milhão por ano. “Todo mundo se surpreende quando vê o nosso tamanho. Pelo barulho que fazemos, acham que somos bem maiores”, diz Santos.

Segundo ele, em 2007 a empresa recebeu uma oferta de compra de US$ 6 milhões de uma empresa rival. “Era uma boa oferta, mas achamos que tínhamos condições de crescer muito mais.”

O Brasil é o próximo alvo da Maingear. A empresa deve iniciar operações de venda no País no segundo semestre. “Somos brasileiros, considerados os melhores aqui nos Estados Unidos. São nossos parceiros e clientes que dizem isso. Queremos agora levar isso também para o Brasil”, diz Santos.