Archive for the ‘Grandes Empreendedores’ Category
Lorentzen mantém empreendedorismo que criou a Aracruz
Uma vida dividida entre a Noruega e o Brasil. Esta é a saga de Erling Lorentzen, que aos 86 anos, dos quais 56 em terras brasileiras, pretende enfrentar o desafio de um novo negócio, depois de vender, no ano passado, suas ações na Aracruz Celulose, a companhia que ajudou a criar. O grupo Lorentzen Empreendimentos S.A. ainda está analisando o que fará com as centenas de milhões de reais que receberá da VCP em seis parcelas até julho de 2011.
Mas, o patriarca dos Lorentzen adiantou ao Valor que está comprando terras em Minas Gerais, onde pretende plantar florestas de eucalipto e produzir carvão vegetal para fazer ferro- gusa. Planeja abraçar a nova atividade junto com o grupo Plantar, criador do gusa verde, atuante na área de gestão florestal e de créditos de carbono.

Herói da Segunda Guerra por sua atuação na resistência contra Hitler aos 21 anos, casado com uma princesa e migrante no Brasil dos anos 50, dada a pobreza que sacudiu a Europa no pós-guerra, sua vida daria um romance. Mas, modesto garante não estar nos seus planos escrever sua biografia. Ele confessa que se orgulha hoje de ver seu filho Haakon administrar as empresas do grupo. E confessa que sua maior satisfação na vida, além de viajar para Oslo duas vezes ao ano (e usar suspensórios azuis ), é “ter criado valor para os outros”.
Brasileiros viram líderes de tecnologia nos EUA
Mineiros são donos da melhor empresa de computadores de alto desempenho do país
Nilza H. Barros, NOVA YORK
A empresa de computadores americana Maingear Inc., apesar de ainda pequena, é uma colecionadora de prêmios. É considerada a melhor companhia de computadores de alto desempenho do país. Suas máquinas são frequentemente eleitas as melhores do mundo para aplicações profissionais – ou para serem usadas por maníacos por jogos de computador – por algumas das revistas de informática mais respeitadas como C-Net, Computer Shopper, Digital Trends, CPU, Games for Windows e Hot Hardware. E, apesar da trajetória de sucesso que sugere uma história parecida com a de nomes como Michael Dell ou Steve Jobs, a Maingear tem uma peculiaridade: é uma empresa fundada e dirigida por dois brasileiros.
Wallace Santos, 25 anos, nascido em Governador Valadares (MG) e Jonathan Magalhães, 44 anos, de Belo Horizonte, chegaram aos EUA por caminhos diferentes. Santos mudou-se há 23 anos para o país com os pais José e Maria Santos. Diz que o pai, caminhoneiro, conseguiu visto de trabalho, o que possibilitou a mudança da família. Fez o ensino primário e secundário na pequena cidade de Kearny. Adolescente, trabalhava depois da escola numa loja de jogos eletrônicos, experiência que usaria alguns anos mais tarde em sua empresa. Estudou engenharia de sistemas no Cittone Institute, em Edison, Nova Jersey.
Jonathan emigrou primeiro para o Canadá, em 1984, onde estudou francês, inglês e concluiu o curso de engenharia estrutural na Universidade de Toronto. Mudou-se para os EUA em 1994, após conseguir emprego em uma empresa canadense que tinha filiais no país.
O caminho dos dois se cruzou em um curso de programação para computadores, em meados de 1994. Santos tinha apenas 12 anos e frequentava as aulas em companhia de um amigo, Giovani Solari, que hoje também faz parte da equipe da Maingear. “Desde os 10 anos de idade, já fazia cursos de informática; montei minha primeira máquina aos 13 anos”, diz. Magalhães lembra que era interessante ver os adolescentes numa classe de adultos. As famílias ficaram amigas e sempre conversavam sobre o projeto de abrir um negócio. “O Wallace sempre me dizia: temos de montar um negócio nessa área, porque não é muito explorada.”
Com um capital inicial de US$ 150 mil, a Maingear Inc. foi registrada em setembro de 2002. Em novembro do mesmo ano lançou a primeira linha para gamers – como são conhecidos os fanáticos por jogos -, com três modelos diferentes. “Começamos timidamente porque o nicho de mercado era altamente competitivo. O gamer é um cliente muito exigente, entende tudo sobre computador e sabe usá-lo em sua totalidade”, diz Magalhães.
Em meados de 2003, veio a primeira de muitas premiações, dada por um programa de tecnologia exibido na televisão americana, o The Screen Savers. Em 2006, o site Hard Consumer, especializado em testar máquinas e serviços das empresas, elegeu a Maingear a “Boutique Computer Manufactures” do ano.
“Eles compravam nossas máquinas anonimamente e avaliavam desde a eficiência de website, passando pela forma com que o produto era confeccionado, entrega, serviço técnico e a satisfação do cliente”, conta Magalhães.
BRASIL É PRÓXIMO ALVO
A Maingear vende desktops, notebooks, media centers e workstations. Usa os componentes mais sofisticados dos grandes fabricantes mundiais em seus equipamentos. Seus computadores chegam a ter 12 gigabytes de memória e disco rígido de 4 terabytes – números muito superiores aos das máquinas convencionais. Como esses computadores são em geral usados em condições extremas, a empresa desenvolveu um sistema de refrigeração a água para evitar superaquecimentos.
Ainda é uma empresa pequena: são apenas 12 funcionários que montam cerca de 250 máquinas por mês. A receita gira em torno de US$ 1 milhão por ano. “Todo mundo se surpreende quando vê o nosso tamanho. Pelo barulho que fazemos, acham que somos bem maiores”, diz Santos.
Segundo ele, em 2007 a empresa recebeu uma oferta de compra de US$ 6 milhões de uma empresa rival. “Era uma boa oferta, mas achamos que tínhamos condições de crescer muito mais.”
O Brasil é o próximo alvo da Maingear. A empresa deve iniciar operações de venda no País no segundo semestre. “Somos brasileiros, considerados os melhores aqui nos Estados Unidos. São nossos parceiros e clientes que dizem isso. Queremos agora levar isso também para o Brasil”, diz Santos.
O Valor do Empreendedorismo
Ubiratan Iorio
www.ubirataniorio.org
Uma grande mentira, fatal e abissal, repetida ad nauseam durante muito tempo, adquiriu ares de truísmo e de axioma, como se fosse uma verdade incontestável. Refiro-me à afirmativa de que a pobreza de X é explicada exclusivamente pela riqueza de Y (X e Y podendo ser indivíduos, regiões, países, sexos, minorias, maiorias ou raças). Embora tal asserção não seja capaz de resistir a dois minutos de lógica, de tanto ser alardeada acabou se transformando em um dos símbolos místicos das esquerdas em todo o Ocidente, especialmente nos países pobres. Na América Latina, por exemplo, quem ousar discordar dessa tolice, seja nos meios universitários, na mídia, nas conversas em ônibus, nas academias de musculação, em restaurantes luxuosos ou nas arquibancadas de um estádio, é imediatamente taxado de “direitista”, “ultraconservador”, “radical”, “polêmico”, “entreguista”, “neoliberal” e outros adjetivos que, em nosso sistema cultural pré-histórico, soam como pesados impropérios.
Não pretendo tomar dois minutos de você, caríssimo leitor, para demonstrar o quanto de imbecilidade contém a mencionada proposição, mas posso garantir que o volume de idiotia que embute é imenso. Basta chamar a atenção para o fato de que está baseada em um logro que tem sido fatal para os países mais pobres: a de que a economia seria um jogo de soma zero, tal como, por exemplo, uma luta de judô, em que o lutador Y só pode ser vencedor se o lutador X perder. Pois a economia do mundo real é exatamente o oposto, é um jogo cooperativo, em que a vitória ou êxito de uns não significa a derrota ou fracasso de outros, já que ambos podem ganhar.
É evidente que essa falácia é um prato astutamente preparado para alimentar a dialética esquerdista da luta de classes, formulada por trapaceiros intelectuais competentes que criaram – para usar a expressão de Eric Voegelin – a Segunda Realidade e nela viveram aprisionados, como Hegel e Marx e endossada – para utilizar a nomenclatura de Ortega y Gasset – pelas massas, formada por milhões de indivíduos cuja capacidade intelectual não é suficiente nem para perceberem que estão também agindo como embusteiros, mas que vivem como bois sendo conduzidos ao som do berrante, pois o homem-massa, com quem esbarramos diariamente em todos os lugares, apenas mente e se deixa levar, muitas vezes, com uma boa-fé tão grande que gera o fenômeno da honestidade compacta, que resulta dos conflitos entre a Primeira e a Segunda Realidade, em níveis intelectuais relativamente mais baixos.
Neste artigo, desejo apenas frisar um dos efeitos da falsa proposição de que, se X é pobre, é porque Y, que é rico, o explora. Refiro-me à mentalidade antiempresarial que campeia na América Latina, à visão de que todos os empresários são, até prova em contrário, verdadeiros poços de vícios e de que todos os “trabalhadores” (como se empresários também não trabalhassem) autênticas fontes inexauríveis de virtudes.
Na cultura brasileira isto é patente, evidente e eloqüente: se Fulano pretende abrir uma empresa qualquer, é imediatamente tratado pelo Estado como um suspeito e é obrigado – se não desistir antes – a enfrentar um calvário burocrático, que antecede três outros calvários, o tributário, o regulatório e o trabalhista, a que será submetido caso venha a obter a bendita autorização para abrir o seu negócio, o que consumirá, em média, de acordo com o Banco Mundial, 152 dias (contra 71 dias na América Latina, cerca de 30 dias na Europa, de uma semana a quinze dias nos Estados Unidos e cerca de 3 ou 4 dias na Austrália e na Nova Zelândia). Uma vez aberta a sua empresa, os corvos da tributação excessiva e complexa, os urubus do excesso de regulamentações e da burocracia e as demais aves de mau agouro dos encargos trabalhistas começam imediatamente a sobrevoar a área. E, se o herói cansar-se e resolver fechar a empresa, só o conseguirá ao cabo de, em média, 10 anos! Além da carga tributária pesadíssima, existe o chamado “tributo burocrático”, também impressionante: de acordo com o Banco Mundial, são 2.600 horas anuais gastas, em média, pelos empresários nacionais, contra 350 nos Estados Unidos e 105 na Alemanha. A enorme burocracia e o excesso de regras, bem como as freqüentes mudanças nas mesmas, prejudicam os negócios e inibem o empreendedorismo. O Brasil ocupa a 122ª posição no ranking geral de facilidade em realizar negócios. A legislação trabalhista é anacrônica e os encargos excessivos fazem com que o custo para o empregador de um funcionário seja mais do que dobrado.
Precisamos afirmar veementemente que vícios e virtudes são universais, fazem parte da própria condição humana e, portanto, são comuns a patrões e a empregados, a ricos e a pobres. Assim como há empresários e ricos desonestos, exploradores e corruptos, também há empregados e pobres corruptos, exploradores e desonestos! A seguir a premissa estúpida de que vícios são atributos exclusivos de ricos e patrões e de que todos os funcionários e pobres beiram a santidade, teremos que defender práticas adotadas por déspotas como Mao, Pol Pot e Fidel, que desapropriaram todas as propriedades, mataram muitos dos seus donos e forçaram os restantes a trabalhar no campo em regime de trabalhos forçados. O resultado, em todos esses casos e em outros semelhantes, foi uma generalização da pobreza.
O empreendedor – que não é o mesmo que empresário, digamos de passagem – é fundamental para a geração de riqueza, não apenas para ele, mas para milhões, bilhões de pessoas, especialmente para os consumidores. Não é um simples proprietário de uma empresa (empresário), mas alguém que, muitas vezes sem um centavo no bolso, vislumbrou antes dos demais uma oportunidade de produzir algo que iria tornar satisfeitos os consumidores e melhorar as suas vidas; é alguém que, antecipando essa possibilidade, assumiu riscos às vezes fantásticos, pois, em caso de fracasso, perderia até os sapatos que calça; é alguém que, em inúmeros exemplos, precisou tomar empréstimos para tornar viável o negócio que imaginou; é alguém que criou e, neste sentido, é co-criador, o que o aproxima, como homem, da imago Dei; é alguém de cujas idéias e sonhos terminam brotando riqueza e dinheiro, empregos e rendas para os seus semelhantes; é alguém que percebe que uma determinada idéia é boa e trabalha duramente para pô-la em prática e que sabe perfeitamente que, caso sua idéia seja executada, mas não caia no agrado dos consumidores, naufragará com ela.
Ai do mundo se não existissem pessoas assim, com tal disposição para assumirem riscos e, desta forma, contribuírem para melhorar as condições de vida do mundo, não apenas em proveito próprio, mas beneficiando bilhões de outros indivíduos. Cristóvão Colombo, por exemplo, foi um autêntico empreendedor, em uma época em que os riscos de seu empreendimento eram enormes, pois as naus eram semelhantes a cascas de nozes e o capital necessário para o seu empreendimento, bem como as suas fontes, era escasso, o que o levou a buscar a ajuda da rainha Isabel de Castela, pois, se fosse depender de recursos próprios ou de empréstimos de bancos, não poderia realizar o seu negócio, que mudou o mundo. Irineu Evangelista de Souza (o Visconde de Mauá), Amador Aguiar, Akio Morita, Bill Gates e milhões de criadores anônimos de pequenos e grandes negócios espalhados pelo mundo são exemplos de empreendedores.
O empreendedorismo brota do espírito criativo dos indivíduos, que os leva a assumir riscos para criar mais riqueza, o que o faz depender, para que possa florescer, de quatro atributos: governo limitado, respeito aos direitos de propriedade, leis boas e estáveis e economia de mercado. Quanto mais uma sociedade afastar-se desses pressupostos, mais sufocada ficará a atividade de empreender, o que terminará por prejudicar toda a sociedade, porque não se conhece até hoje exemplo de desenvolvimento econômico sem a presença de empreendedores.
Mas a propaganda gramsciana tem sido tão eficaz a ponto de gerar o que o padre Robert A. Sirico, presidente do Acton Institute, denomina, com bastante propriedade, de “anti-capitalist capitalists”, no excelente vídeo “The Call of the Entrepreneur”, recentemente distribuído por aquele instituto. Os “capitalistas anticapitalistas” são, em geral, empresários que, a despeito de terem ajudado a criar riqueza para a sociedade mediante seus negócios bem sucedidos, adotam simultaneamente causas antitéticas ao crescimento econômico, à livre empresa e às liberdades individuais, como a retórica da “responsabilidade social das empresas” – algo que, por si só e de início, é um pleonasmo. Assim, a partir de meados da década passada, muitos empresários passaram a prover fundos para causas politicamente intervencionistas e anticapitalistas, que se abrigam sob o manto politicamente correto da “responsabilidade social das empresas”.
O que tem levado homens de sucesso, cujos negócios beneficiaram não apenas a eles próprios, mas a muitos consumidores, a abraçarem causas que entram em choque com tudo o que fizeram anteriormente, a assumirem uma pretensa “culpa” pelos males do mundo, para cujo progresso suas ações no passado foram decisivas e, enfim, a viver simultaneamente as Duas Realidades a que se referia Voegelin? Só encontro duas respostas para tamanha incoerência. A primeira é algo como que uma nostalgia da juventude, daquele idealismo típico dos anos 60, que definia compulsoriamente o lucro como um enorme pecado, quando, na realidade, nada tem de pecado, como a própria Doutrina Social da Igreja, especialmente nas encíclicas escritas por João Paulo II, afirma peremptoriamente em diversas passagens. Se essas pessoas encaram os próprios lucros como algo errado, é natural que sintam um desconforto em relação aos seus semelhantes, o que as leva a posar como “protetoras dos pobres”. O economista austríaco Ludwig Von Mises, ainda nos anos 20, já observara tal comportamento doentio em empresários, intelectuais e em artistas de sucesso.
A segunda razão que leva empresários bem sucedidos a abraçarem causas que, em sua essência, são antiempresariais, é também a motivadora da anterior: trata-se da propaganda esquerdista tão competentemente orquestrada e bombardeada diariamente na mídia, que atribui a pobreza de X exclusivamente à riqueza de Y e, portanto, ele – Y, o “rico” – teria obrigação “moral” de melhorar a situação dos pobres. Como se já não tivesse feito isto, desde que abriu o seu negócio e com ele beneficiou tanta gente…
Um exemplo notável dessa visão distorcida da realidade estimulada pela mídia esquerdista é o filme Wall Street, em que o protagonista, um banqueiro milionário vivido pelo ator Michael Douglas, declara enfaticamente que ele não cria riqueza, apenas a toma dos outros… Uma asneira cinematográfica nos dois sentidos, primeiro, porque banqueiros também podem ser autênticos empreendedores e segundo porque os empreendedores não banqueiros dependem dos banqueiros!
Enquanto prevalecer na América Latina a mentalidade antiempresarial e não nos dermos conta dos benefícios que a atividade empreendedora gera para a economia e para a sociedade, vamos continuar repetindo o teorema fatal da economia como um jogo de soma zero e seu corolário, o de que X é sempre explorado por Y e de que tal fato explica por si só a sua pobreza. E, conseqüentemente, não vamos sair do nível de pobreza em que estamos.
Da prisão ao bilhão: Fundador da Curves, o americano Gary Heavin criou a maior rede de academias do mundo depois de ir à falência e passar um período na cadeia
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ESPECIALISTA EM MULHERES: Gary Heavin, numa academia Curves em São Paulo. Ele é o único homem que pode freqüentar a rede |
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A MÃE DO AMERICANO Gary Heavin morreu de insuficiência respiratória enquanto dormia. Ela tinha 40 anos e ele, 13. Inconformado, Heavin imaginou que, se ela tivesse praticado esportes, jamais teria ficado doente. Sem ter para onde ir, ele foi morar com o pai. O tempo passou e o rapaz decidiu estudar medicina. Sem dinheiro, teve de desistir da faculdade. Aos 20 anos, sem nada melhor em vista – e com a idéia fixa de ajudar as pessoas a manterem a boa forma, uma espécie de homenagem à mãe –, juntou uns trocados com o irmão e abriu uma academia de ginástica em Harlingen, no Texas. O negócio fez sucesso. Em dez anos, sua rede tinha 14 endereços nos Estados Unidos. Mas a sina do fracasso parecia persegui-lo. O excesso de empregados, somado à má administração, levou tudo a perder. Heavin faliu e sua mulher o deixou. Pior: como não pagava a pensão aos filhos, foi parar na cadeia. Nos três meses em que esteve confinado, leu a Bíblia obsessivamente e todo tipo de literatura que trouxesse histórias de pessoas que se reergueram após fracassos retumbantes. Foi atrás das grades que amadureceu a idéia de criar academias só para mulheres. Isso foi em 1985. Após 23 anos, a rede Curves tornou-se um império presente em 64 países e com um faturamento anual de US$ 2 bilhões.
Na quinta-feira 4, em visita a São Paulo depois de cruzar o continente pilotando seu próprio avião, Heavin conversou com a DINHEIRO. “Eu cometi todos os erros possíveis e aprendi a não repeti-los”, diz. Sua trajetória é assombrosa. Após ser solto, a idéia de ter uma academia estava fortalecida. Ele maturou o projeto durante sete anos. Neste período, viajou pelo mundo e trabalhou em diversas redes para mergulhar a fundo no universo da malhação. Em 1992, junto com a segunda mulher, Diane, investiu US$ 10 mil em uma academia só para o público feminino. O negócio começou pequeno, com poucas dezenas de alunas. Hoje, são quatro milhões de freqüentadoras.
Muitos fatores contribuíram para o sucesso da Curves. Por não oferecer piscinas, saunas ou duchas, a manutenção é mais barata, o que possibilita ter preços mais acessíveis. Os equipamentos são específicos para mulheres e, por isso, mais leves – e baratos. Outro fator relevante é levar em consideração o desejo da maioria das pessoas em ter mais tempo livre. A proposta da Curves é que a pessoa vá à academia três vezes por semana, em sessões de meia hora de malhação. Para completar, o ambiente é acolhedor e não-competitivo, propício para mulheres que não se sentem confortáveis ao verem corpos de músculos definidos nas academias comuns. Na Curves, nem sequer há espelhos. “É para não lembrar as alunas que elas não estão exatamente com o corpo que gostariam”, diz Heavin. O público feminino também é prioridade na gestão. Heavin mantém um verdadeiro exército de empresárias. Mais de 90% de suas franquias são dirigidas por mulheres. E isso ocorre em países com forte tradição masculina, como China e Arábia Saudita. Seu desejo é fazer da Curves o McDonald’s das academias. Fôlego não falta. A Curves já chegou a crescer à velocidade de uma nova franquia a cada três horas. Atualmente, ganha uma nova filial por dia. “A Curves apareceu em um momento em que muita gente está cansada, pelo menos no discurso, da busca de um corpo perfeito”, diz Renata Natacci, da consultoria Troiano. Heavin parece realmente entender a alma feminina.
Bilionário indiano impulsiona crescimento do país
De origem simples e fiel às raízes indianas, Mukesh D. Ambani comanda um império industrial
Anand Giridharadas – do The New York Times

Mukesh Ambani lidera o ranking dos bilionários indianos ao mesmo tempo que é comparado à Gandhi
MUMBAI – ÍNDIA – Em uma recente partida de cricket, esporte jogado com tacos e muito popular no Oriente, Mukesh D. Ambani sentava em sua baia particular quietamente e acompanhava o Mumbai Indians, time que pertence a ele. O homem parecia esquecido, de certa forma, por aqueles à sua volta: seu filho torcia fervorosamente, sua esposa reluzia com diamantes. Não eram poucas as pessoas que esperavam ansiosamente para falar com ele na primeira oportunidade. Garçons em fraques frouxos se revezavam tentando servi-lo com aperitivos, mas assim que se aproximavam, ficavam muito nervosos para falar.No último século, Mohandas K. Gandhi era o homem civil mais famoso e poderoso da Índia. Hoje, Ambanii é amplamente lembrado como o homem que ocupa este posto, ainda que de uma forma muito diferente. Assim como Gandhi, Ambani pertence a uma casta de mercadores conhecida como modh banias, é vegetariano, não consome bebidas alcoólicas e é um pensador revolucionário com idéias fixas sobre o que a Índia deve se tornar no futuro.
Gandhi era um asceta, um campeão do campo, cético da modernidade e um homem focado em pureza espiritual. Ambani é de uma oligarquia ostentativa, um campeão da cidade, um coveiro do passado e um homem que espertamente encara o poder financeiro. Ele é a pessoa mais rica da Índia, com uma fortuna estiamada em dezenas de bilhões de dólares, e muitas pessoas aqui acreditam que ele será o homem mais rico da Terra em breve.
Ainda que ele não tenha a língua afiada de um político – ele pode se mostrar um orador público nervoso, e sua dicção pode ser recortada -, ele fala mais como um pai da nação que um executivo. Ao descrever seus objetivos, ele diz que eles são para o bem da Índia da mesma forma que são para a sua própria companhia, a Reliance Industries.
“Nós podemos banir a pobreza extrema nesse país?”, ele disse em uma rara entrevista em sua sede de Mumbai. “Sim, em 10, 15 anos nós podemos dizer que temos feito isso substancialmente. Podemos ter certeza que criamos uma estrutura social nos locais onde removemos a intocabilidade? Nós estamos nos encaminhando para uma nova Índia onde você não pensa sobre essa ou aquela casta.”
A Reliance industry está injetando bilhões de dólares em exploração de energia e está construindo a maior refinaria de petróleo do mundo. O grupo também abriu uma rede de cerca de 700 lojas de suplementos alimentícios e utensílios; Ambani promete que irá direcionar dinheiro das cidades prósperas para a zona rural problemática. Ele considera a Reliance, com lucro de US$39 bilhões, como uma fonte de renda para 12 a 30 milhões de indianos nos próximos cinco anos, ao comprar de fazendeiros e empregar jovens empregados em suas lojas.
E como Mumbai, cidade natal de Ambani e centro comercial e de entretenimento da Índia, cresce populosamente ao mesmo ritmo que se torna uma cidade difícil de se habitar, ele propôs que a Reliance simplesmente construísse uma nova cidade do outro lado do porto. Ambani, de 51 anos, batalhou com seu irmão mais novo depois da morte de seu pai há seis anos e tomou controle de quase a metade da empresa dividida. Ainda que ele entre em novas áreas, ele manteve a dominação da sua família no ramo de negócios petroquímicos, de óleo e gás e manufaturados têxteis.
Ele mantém um perfil pessoal discreto, e atém mesmo as pessoas mais próximas o descrevem como uma pessoa fria. Por um lado, é visto como o homem que tem todo o seu coração entregue à Índia. Ele é motivado pela “habilidade de mudar a cara do país”, disse K.V. Kamath, diretor-executivo do ICICI Bank, um financiador antigo e amigo dos Ambanis. Por outro, Ambani também é conhecido como alguém que deixa pouca gente permanecer no seu caminho (ou o caminho da Reliance).
Emblemático de sua ascensão é torre de um conjunto residencial que ele está construindo em uma das ruas mais sofisticadas de Mumbai,a Altmount. Com centenas de metros de altura, o complexo oferecerá vários andares de estacionamento, um ginásio multifuncional, uma salão para bailes, um teatro, espaços de convivência amplos e também para hóspedes, e um heliporto no topo (o preço do projeto é estimado em US$ 2 bilhões, ainda que um representante da Reliance diz que não passa de US$ 70 milhões). Por gerações, a Altamouns era o endereço favorito da elite indiana anglicanizada.
Nova elite indiana
Com o passar do tempo, as elites estavam estacionadas na cultura britânica, falava com sotaque de Oxbridge, ridicularizavam filmes de Bollywood e dançavam apenas com música britânica e americana. Eles menosprezavam aquelas pessoas que falavam línguas locais e os descreviam como “vernies”, abreviação em inglês para “vernaculares”. Depois, nos anos 90, Bombaim mudou seu nome oficial para Mumbai, e a rua Altamount foi renomeada S. K. Barodawalla Marg. O nome não pegou, mas a mudança fazia parte do movimento indiano para se desvincular do seu legado colonial.
Tais mudanças acompanharam a ascensão ao poder de uma nova classe de indianos, que querem viver e trabalhar para criar os seus filhos na Índia, que estão ligados à comida e a cultura indiana e que não se envergonham de seus gostos indianos. Os Ambanis são os primeiros dessa nova classe. Muitas outras famílias indianas têm riqueza antiga, mas Ambani se comporta diferentemente dos ricos tradicionais do país. Entre membros da família, ele prefere falar Gujarati ao inglês, dizem amigos. Ele pode pode pedir a colegas que parem em um templo com ele durante viagens de negócio. Ele prefere camisas de manga curta aos ternos ocidentais.
Sua idéia de entretenimento não é ballet, mas Bollywood; ele assiste por volta de três filmes por semana em seu cinema privado de casa. “De vez em quando é preciso dar uma escapada na vida”, ele diz. “Essas duas ou três horas te dão alívio.” Seu apetite é famoso, mas saciado basicamente por comidas encontradas pelas ruas de Mumbai.
Suas preferências refletem uma transformação cultural ampla na Índia, dizem admiradores. “Se você olha para os gostos dele, perecebe que são bem enraizados na Índia”, diz Nandan M. Nilekani, co-diretora da Infosys Tecnologias, companhia de tecnologia da Índia. “Ele não está tentando impressionar ninguém. É parte de um aumento em larga escala da confiança própria do indiano, dado que as pessoas não encaram mais símbolos ocidentais como os melhores”.
Riqueza jovem
A origem da riqueza dos Ambani é relativamente recente – o pai dele abriu a primeira loja da Reliance em 1958. A companhia começou em um pequeno e reformado escritório de Mumbai. No início, exportava temperos para o Yemen, depois entrou no ramo de lá, em uma época que o governo restringia a produção em larga escala de indústrias manufatureiras. Ambani e seu irmão mais novo cresceram em um apartamento pequeno e apertado do subúrbio de Mumbai.
A empresa prosperou e no final dos anos 60 a família já morava em um dos melhores bairros da cidade. O seu pai contratou tutor somente para acompanhar os filhos em saídas pelas ruas da cidade, para mostrar a realidade do país e evitar que eles crescessem mimados demais. “Foi um das melhores coisas que aconteceu na minha vida”, disse Ambani sobre essas visitas de campo. “Essa é a cara da vida, nós pensávamos”.
Ao longo do tempo, a Reliance se transformou de um negócio familiar pequeno em um império público de comércio, adotando novos formatos de governança corporativa, publicando relatórios anuais chamativos e conquistando acionistas por todo o país. Na época da morte do Ambani-pai, em 2002, ele se tornou uma lenda, levando às ruas de Mumbai milhares de indianos. Dois anos depois, seus dois filhos começaram a brigar pelo controle da Reliance. A mãe da família entrou na disputa em 2005, dando ao irmão mais novo o controle de setores da Reliance ligados a telecomunicações, eletricidade e bancos. Cada uma das áreas da empresa hoje atuam separadamente. Hoje, or irmãos são chefes-executivos respeitados, mas amigos da família dizem que eles raramente se falam. Nenhum dos dois fala publicamente sobre como é o relacionamento entre eles.
Ao relacionar todos os problemas da Índia, Ambani oferece uma proposta de solução da Reliance para cada um deles. Para suprir com petróleo e gás o fôlego da classe média indiana, ele está construindo um complexo petroquímico em Jamnagar, no estado de Gujarat. O preço do investimento é de US$ 6 bilhões e produzirá 660 mil barris por dia. É uma das refinarias mais lucrativas do mundo, e Ambani planeja duplicar sua capacidade.
Dois terços da Índia (com população de 1,1 bilhão de habitantes) ainda vive da agricultura, e ele também pretende fomentar a revolução agrária. Ele começou a construir uma rede de supermercados por todo o país, que pretende ter contato direto com a produção de agricultores locais. Em alguns locais, os supermercados da Reliance fizeram com que fazendeiros se motivassem a produzir mais.
Alguns executivos dizem que Ambani já estabeleceu a si mesmo como o grande transformador da Índia, com um legado muito parecido com o de industrialistas americanos no século 19. “Quando falamos de Rockefeller e Carnegie, cada um deles de fato transformou um setor industrial”, diz Nillekani, o co-diretor da Infosys. “Mas se olha para o Ambani está fazendo, ele está de fato mudando três ou quatro setores”. Dado tanto poder, por que não entrar na arena política? “Acho que posso fazer muito, muito mais com meus negócios pessoais”, responde Ambani.
Bom Gosto é nova bilionária do leite
Laticínio do Rio Grande do Sul criado há 15 anos pelo veterinário Wilson Zanatta deve faturar R$ 1 bilhão em 2009
Patrícia Cançado
Por alguns anos, todas as quartas-feiras o veterinário Wilson Zanatta acordou de madrugada, entrou na boléia de um pequeno caminhão e dirigiu 350 quilômetros para vender queijos em Porto Alegre. Daqueles tempos – década de 90 -, Zanatta ainda mantém o hábito de acordar muito cedo e de rodar longas distâncias na estrada a bordo de seu utilitário. Já sua empresa, a Laticínios Bom Gosto, mudou radicalmente. Ela tem hoje uma frota de 150 caminhões captando 2 milhões de litros de leite por dia e entregando mercadorias em seis Estados do País. “Eu ainda tenho uma queda por caminhões, mas só dirijo de vez em quando, para fazer manobra no pátio”, conta o empresário.
A empresa de Tapejara, cidade de 16 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul, já disputa o quinto lugar do ranking brasileiro de laticínios, atrás da Nestlé, Perdigão, Itambé e Parmalat. Criada há 15 anos, ela é uma das mais novas dessa indústria – a maioria das outras de mesmo porte surgiu no mercado há pelo menos três décadas. É também uma das que crescem mais rápido. Em 2000, seu faturamento bruto era de R$ 5 milhões. Neste ano, o número pode chegar a R$ 770 milhões, quase 160 vezes maior. O empresário prevê faturamento de R$ 1 bilhão no próximo ano.
Quando perguntam como conseguiu o feito, Zanatta, de 47 anos, não faz rodeios: “Eu só cresci fazendo dívida em banco. A rentabilidade do setor não permite investimentos.” O negócio do leite é de margens baixas, que raramente passam de 10%. No ano passado, ele não tomou empréstimos porque vendeu 23% da sua empresa para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro novo pagou as velhas dívidas e deu fôlego para a Bom Gosto iniciar uma série de aquisições de concorrentes.
Em nove meses, a empresa gastou R$ 100 milhões na compra de três laticínios: um no Rio Grande do Sul (Fazenda Vila Nova) e dois em Minas Gerais (Damatta e Sarita). A última compra foi anunciada no começo deste mês. “Eu abri mão de algumas vaidades para crescer. A maioria dos empresários não admite ter um sócio”, diz Zanatta. “Por algum tempo, até tive dinheiro aplicado. Esse nem parecia eu”, brinca.
Bisneto de imigrantes italianos e filho de produtor de leite, ele começou o negócio do zero ao lado da mulher, Miria, e outros quatro funcionários. Vendeu os dois carros que tinha para comprar uma Kombi e um caminhão, pegou um financiamento no banco para pagar as máquinas e comprou uma caldeira enferrujada. “Passei um fim de semana inteiro tirando a ferrugem e pintando a caldeira”, lembra, ao rever um álbum de fotografias que fica na bancada da sua nova sala, que ainda cheira a cola de madeira.
Zanatta é um homem destemido, que parece ignorar os altos e baixos desse negócio. Depois de viver dois anos de fartura – em 2003 e 2004 – graças à crise da Parmalat, o empresário decidiu pegar um empréstimo de US$ 10 milhões para comprar um concentrador de leite, máquina holandesa de 18 metros de altura que, segundo o empresário, só a Nestlé tem no Brasil.
Na época, a mulher pediu para ele desistir da empreitada. O valor da dívida era mais de 10% do faturamento da Bom Gosto. “Foi um ano crítico. Achei que não fosse dar certo. Eu me vi muito endividado e com resultado muito ruim”, lembra.
No ano seguinte, a indústria provou uma combinação indigesta: o desequilíbrio entre a oferta e a demanda. “A produção cresceu muito rápido, mas a demanda interna continuou crescendo a passos lentos. O preço do litro de leite despencou”, diz o chefe da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodolfo Oliveira.
ALVO
Em 2007, veio a virada. A Bom Gosto tornou-se centro das atenções. Segundo informações de mercado, foi sondada pela Perdigão, antes desta comprar a Eleva, pela Parmalat e pela GP Investimentos. Um dos interessados chegou a fazer uma proposta. O objetivo era juntar a Bom Gosto com outro laticínio para criar uma grande empresa do setor e levá-la à bolsa de valores.
O empresário optou pelo banco público (BNDES), mas gostou do plano de ir à bolsa, o que está programado para 2010. A empresa está se preparando para o processo de abertura de capital. Na semana passada, os auditores da BDO Trevisan eram os últimos a deixar o prédio. Eles estavam terminando de fechar o balanço da companhia, uma das exigências para o IPO, a oferta inicial de ações.
INTERNACIONALIZAÇÃO
Antes da estréia no pregão, a Bom Gosto pretende inaugurar outro ciclo: a internacionalização. O primeiro passo será a construção de uma fábrica no Uruguai, na cidade de San José de Mayo, prevista para entrar em operação no ano que vem. A unidade servirá como base para exportação de produtos lácteos. “Eu tentei comprar algum laticínio no Uruguai, mas não gostei do que vi”, diz o empresário, que é recebido pelos ministros da Economia e da Agricultura quando vai ao país.
A Bom Gosto é o primeiro laticínio brasileiro com fábrica fora do País. O raciocínio por trás dessa estratégia é o mesmo que orientou os grandes frigoríficos brasileiros, que hoje controlam o abate de carne no país vizinho. “O leite uruguaio tem mais qualidade que o brasileiro e é mais bem recebido no exterior”, justifica Zanatta.
O empresário, cujo hobby é a prova de laço nos rodeios, anda freqüentando aulas de inglês (no começo em grupo e agora individuais) e feiras de alimentos em Dubai, China e Europa. “Eu vou lá com meus folders e meto a cara. Fico só absorvendo o que diz o pessoal do Bertin e do Friboi.”
