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Software acelera liberação de crédito imobiliário

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Cibelle Bouças | De São Paulo

 

Luis Ushirobira/Valor

Para Marcos Burattini, da Vivere, com fim da participação humana na análise, a produtividade do banco pode atingir 80%

Quem já comprou um imóvel sabe que se trata de um processo naturalmente burocrático e demorado. Uma companhia brasileira de tecnologia da informação desenvolveu uma plataforma de software para por fim à lentidão desse processo. A tecnologia foi adotada pelos principais bancos que atuam com crédito imobiliário e, nos próximos meses, deve chegar às construtoras.A ideia partiu de Marcos Burattini, que reuniu sete sócios para investir aproximadamente R$ 8 milhões, com recursos próprios, na criação da empresa Vivere Brasil, em 2009. Os recursos também foram destinados ao desenvolvimento de softwares de crédito imobiliário. Burattini tinha como bagagem a experiência do segmento de software para o mercado financeiro, no qual atuou como presidente da Fidelity National Soluções Brasil, divisão da companhia americana FIS Global.

O conjunto de softwares automatiza a maior parte do processo de análise de crédito imobiliário para os bancos. Tradicionalmente, a compra de um imóvel exige dessas instituições a análise da saúde financeira do comprador, da idoneidade do vendedor e das condições do imóvel – tudo isso é feito praticamente por análise de documentos impressos.

A maioria das empresas dedicadas a software para esse setor foca a gestão empresarial e a simulação de crédito. Apenas a WWI desenvolve um sistema para avaliação de crédito imobiliário. Procurada pelo Valor, a empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o produto deve ser lançado neste ano.

Exame de propostas para compra de empresas caiu de 180 para 9 dias, e para imóveis residenciais, de 60 para 5 dias

Burattini afirma que a maior vantagem do sistema para bancos e incorporadoras é a possibilidade de substituir o trâmite de papéis por uma gestão eletrônica do crédito imobiliário. Os processos de financiamento são classificados conforme seu risco, o que facilita a emissão dos certificados de recebíveis imobiliários (CRI), usados para financiamento de obras.

De acordo com dados do Banco Central, em 2010, foram concedidos no país R$ 138 bilhões em crédito imobiliário – montante sustentado, sobretudo, pela poupança. Mas, enquanto o crédito imobiliário cresce a uma taxa média anual de 35%, a poupança sobe 22%. Analistas do setor estimam que os recursos da poupança podem acabar até 2014, o que tem obrigado bancos e incorporadoras a acelerar as emissões de CRI. Em 2010, foram emitidos R$ 7,3 bilhões em CRIs. Neste ano, as cinco maiores companhias do setor (PDG, Cyrela, Brookfield, MRV e Rossi) financiaram a construção de mais de R$ 1 bilhão em apartamentos com esses certificados.

O software da Vivere é dotado de um algoritmo que identifica grupos de informações nos documentos usados na análise de crédito imobiliário. A partir da análise desses dados, o software produz relatórios que indicam para a instituição financeira se a operação pode ou não ser aprovada. A plataforma dispõe de um sistema de comunicação, que envia mensagens de celular e e-mails informando às diferentes áreas do banco sobre o resultado de análise da operação.

De acordo com Burattini, os bancos precisam apenas digitalizar os documentos para dar início ao processo. “Com a eliminação da participação humana nessa fase da análise, o banco obtém um ganho de produtividade de até 80%”, afirma Burattini. De acordo com o executivo, o tempo médio de avaliação de crédito foi reduzido de 180 para 9 dias, no caso de aquisição por empresas, e de 60 para 5 dias, para operações com imóveis residenciais.

O programa foi adotado inicialmente pelo Itaú-Unibanco, em 2009. Hoje, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e HSBC – que juntos comandam 98% do mercado de crédito imobiliário no país – estão em diferentes fases de implantação. “A meta para este ano é atingir também o mercado de construtoras e incorporadoras, que financiam a venda de imóveis”, afirma Burattini.

Em 2010, a Vivere encerrou o ano com receita líquida de R$ 10 milhões, ante R$ 1,8 milhão alcançado no ano anterior. Com a expansão do uso do software nos bancos e a venda para construtoras, Burattini prevê elevar a receita neste ano para R$ 80 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 38% em 2010 e a estimativa da companhia é elevar esse indicador para 70%. A Vivere não divulga dados de seu balanço fiscal. “A meta para cinco anos é chegar a uma receita líquida de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões”, diz.

One Equity faz primeira aquisição no Brasil

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Carolina Mandl | De São Paulo
01/02/2011
Leonardo Rodrigues / Valor

Verônica Serra e Alberto Tamer Filho: empresa que recebeu investimento se beneficia da expansão do crédito no país

A One Equity Partners, braço de investimentos com recursos próprios do banco J.P. Morgan, comprou 50% do Portal de Documentos, uma empresa que faz a gestão eletrônica de serviços de cobrança para instituições financeiras. Segundo o Valor apurou, a transação ficou entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões.

A aquisição do Portal de Documentos marca a estreia da One Equity no país, mas os aportes não devem parar por aí. Com US$ 8 bilhões entre investimentos já feitos e recursos que ainda serão aplicados, a One Equity pretende comprar participações em mais três ou quatro empresas. No mundo, a empresa tem participações, por exemplo, na Carlson Wagonlit, de agências de viagens corporativas, e na rede indiana de hospitais Apollo.

Quem está à procura dos negócios para a One Equity no Brasil é Verônica Allende Serra, sócia da Pacific Investimentos, empresa que tem um acordo operacional com o J.P. Morgan para buscar ativos no país.

“Estamos atrás de empresas em franca expansão, que ofereçam oportunidade de crescimento tanto orgânico quanto via aquisições”, diz Verônica. A One Equity não tem restrições setoriais e busca transações que exijam um investimento mínimo de US$ 100 milhões.

No caso do Portal de Documentos, o que atraiu a One Equity, segundo Verônica, foi a relação que a empresa tem com um setor que é conhecido do J.P. Morgan, a área de crédito. Outro ponto que despertou o interesse do banco foi o fato de a empresa poder se aproveitar do crescimento da concessão de crédito no Brasil. Segundo dados do Banco Central, o estoque de crédito cresceu 20,5% do ano passado e deve aumentar 15% em 2011.

Atualmente, o principal negócio do Portal de Documentos é agilizar a recuperação de financiamentos de veículos por um sistema eletrônico, fazendo a ligação entre bancos, devedores, empresas terceirizadas de cobrança e cartórios, sem mover pilhas e mais pilhas de papéis. O resultado é que o prazo médio de cobrança caiu de 60 dias para cinco dias, segundo Alberto Tamer Filho, um dos quatro sócios do Portal. Por mês, a companhia faz 330 mil notificações para as instituições financeiras, cobrando em média R$ 25 por operação.

Agora, a empresa pretende expandir seus sistemas para o financiamento imobiliário, tipo de operação que ganha velocidade no país. “Vamos usar parte dos recursos investidos pela One Equity para aplicar em tecnologia e ampliar a capacidade do Portal”, afirma Paulo Minoru Hasegawa, sócio da empresa. Também são acionistas do portal João Bosco Ardisson, idealizador do serviço, e Marisa Shizue Nagami Santos.

De acordo com Verônica, não haverá mudanças na gestão da empresa investida. “A One Equity não entra nas companhias para fazer mudanças no dia a dia. A atuação é feita por meio do conselho de administração”, diz. Dos seis assentos do conselho, a One Equity terá três deles. Além da própria Verônica, estão nele Christian Ahrens e Brad Coppens, diretores do braço de investimentos do J.P. Morgan.

Essa é a segunda investida do J.P. Morgan em “private equity” no Brasil em menos de um ano. Em outubro, a Highbridge, gestora de recursos de terceiros do banco, comprou 55% da Gávea, que tem diversos fundos que compram participações em empresas.

“Profit Power Economics – A New Competitive Strategy for Creating Sustainable Wealth”

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Mia de Kuijper. Oxford University Press. 312 págs

Mercados, como se sabe, pouco têm de perfeitos. Mas a teoria fala em mercados tão eficientes que qualquer lucro superior ao simples mínimo destituirá o atrevido ofertante de qualquer fiapo de concorrência. No mundo assim idealizado, a informação também deverá ser perfeita – toda ela, a respeito de tudo e de todos, imediatamente disponível a todos em todos os mercados, e que tenha custo ínfimo.

Em seu livro, sobre o qual conversou longamente durante visita ao Valor, a economista Mia de Kuijper, PhD por Harvard, CEO da consultoria Kuijper Global Partners e diretora da Duisenberg School of Finance, de Amsterdã, demonstra que, sim, a informação perfeita (ou quase isso) existe, igualzinha à de que fala a teoria. Mas, eis o detalhe meio para o herético: ela convive muito bem, e na realidade, com grandes lucros de empresas tão competitivas que lideram sua cadeia de negócios como monarcas absolutistas: determinam a distribuição de riscos e de investimentos, entre afagos e repreensões aos coadjuvantes. Esse poder, porém – o “profit power” do livro – mais se assemelha ao de um déspota esclarecido. Somente será benéfico para todos, e sustentável, se vigorar a regra do chamado “equilíbrio de Nash”, condição na qual todos os participantes de um jogo estão perfeitamente informados sobre as estratégias dos demais e nenhum deles poderá beneficiar-se caso altere sua estratégia de modo unilateral (é a contribuição do Prêmio Nobel John Nash para a teoria dos jogos).

Tem-se, então, sempre mais informação, praticamente sobre qualquer coisa e qualquer pessoa, oferecida de forma imediata e a um custo extremamente baixo. Assim é na computação, da mesma forma que em processos, na comunicação, na busca, na coordenação, no monitoramento de informações. Esse custo aproxima-se de zero, ou, para dizer de outro modo, a conectividade de baixo custo é tão abundante e fácil que pode ser considerada infinita. A consequência é uma economia transformada, com modos de funcionamento e fundamentos próprios, em que são características a transparência, ditada pelo custo quase nulo da informação (tornada “perfeita” por isso e também pela ampla disponibilidade), e a interdependência de decisões em diferentes situações de mercado.

Em seu livro, Mia, de longa vivência como executiva em corporações europeias e americanas e em Wall Street, sugere caminhos e oferece apoio para dirigentes empresariais e investidores interessados em navegar com estratégias competentes por esse novo ambiente econômico.

Agora, as condições de êxito devem ser procuradas num universo de possibilidades ditadas pelo domínio da transparência, que estende sua influência sobre decisões críticas que cada empresa deve tomar em situações muito especiais: a escolha de sua área de atividade na cadeia de negócios; como estruturar o negócio; como superar ameaças da concorrência; como interpretar o comportamento de seu produto no mercado e traçar uma estratégia vencedora.

A questão fundamental aquela em que acabam se condensando todas as outras, é esta: qual parte da cadeia de negócios se pretende possuir?

Empresas que estabelecem seu foco com precisão contrapõem-se, em estilo, àquelas, verticalmente integradas, que a tendência para a disponibilidade crescente de informação tornou obsoletas. Exemplos que Mia lembra: a Ford de antigamente, que produzia até aço, e a Coca-Cola, senhora de uma cadeia de fornecedores em que leva 25% do retorno do investimento total. Aqui brota outra questão: que orientação deve ter a escolha da atividade?

Um critério será absolutamente prioritário: para maximizar lucros e criar valor, o negócio deverá se caracterizar por ter um ou mais centros de força (“power nodes”, como a marca e o segredo do xarope da Coca-Cola), que Mia define como “uma fonte de força geradora de lucro” (“profit power”), encontrada em alguma coisa, uma posição, uma competência, uma dinâmica ou processo que a empresa pode usar para influenciar os resultados financeiros próprios ou de outras empresas. Centros de força provêm as empresas de capacidade para agir nesse relacionamento conforme suas conveniências, determinando o curso de “cash flows”, deixando para outros os riscos que não queira para si (e otimizando os próprios), inclusive ao responsabilizá-los por investimentos. Dessa forma, são capazes de extrair valor (o lucro econômico esperado) das atividades dos demais, ao mesmo tempo que mantêm firmemente o valor de suas próprias atividades. Há, porém, um benefício coletivo: no processo, cresce o valor posto ao alcance de todo o grupo.

Este é o princípio-guia do livro: o objetivo da estratégia empresarial, seja qual for a posição na cadeia de negócios, deve ser criar valor, ou seja, riqueza, por longos períodos de tempo. O lucro é o meio. Valor é o fim, benefício repartido entre empregados, acionistas e, potencialmente, outros “stakeholders”. Maximização de lucros significa maximizar o valor de longo prazo e a riqueza sustentável.

Do declínio do custo da informação deriva a tendência para ter-se a informação perfeita, que, por sua vez, determina o aumento da interdependência das decisões. A dinâmica dessa interdependência de escolhas, associada a outras condições explicadas pelo domínio da transparência em mercados com grande número de participantes e alta conectividade, como os de consumo de massa de bens e serviços, propicia a caracterização de centros de força típicos da era digital, para além de uma série de outros – identificados já há bom tempo – como marcas, ingredientes secretos, proteção regulatória, acesso privilegiado a recursos financeiros, processos ou modos de operação únicos etc. A esses centros de força de identificação mais recente, encontrados em redes digitais, Mia chama de “hubs” (centros de atividade) e “aikido assets” (ativos aikido, nome da arte marcial japonesa).

“Hubs” são produtos, serviços, pessoas, em torno dos quais se encontram enormes concentrações de escolhas. Esse fenômeno (que poderá energizar “power nodes” tradicionais) distinguirá umas poucas empresas capazes de criar lucros mais extraordinários do que nunca. Ativos aikido são equipamentos ou processos que permitem às empresas responder com presteza aos movimentos de preferências das massas de consumidores, em vez de, à moda antiga, pretender fazer-lhes imposições.

Tudo isso, observa Mia, significa que as regras de concorrência e para se estabelecerem estratégias competitivas estão sendo completamente reescritas. Seu livro é uma ótima primeira leitura para se compreender e participar dessa revolução.

Serviço ajuda empreendedor a licenciar empresa pela web em SP

http://computerworld.uol.com.br

Sistema Integrado de Licenciamento permite substituir documentos e vistorias por declarações digitais.

Por Redação do IDG Now!

01 de abril de 2010 – 17h39

Um portal apresentado na última terça-feira (30/3) pelo governo do Estado de São Paulo promete dar rapidez ao trâmite de abertura de empresas. Com o Sistema Integrado de Licenciamento associado ao Portal Poupatempo do Empreendedor, o empresário poderá solicitar as principais licenças de forma imediata.

O serviço beneficia empreendedores em atividades de baixo risco – que, segundo o governo, responde por 75% dos casos. Os órgãos públicos participantes do Sistema Integrado de Licenciamento incluem Centro de Vigilância Sanitária, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Corpo de Bombeiros da Policia Militar e Prefeitura.

Para as empresas consideradas de baixo risco, o licenciamento será feito totalmente pela internet. Os documentos e as vistorias prévias serão substituídos por declarações, que devem ser assinadas pelo empreendedor ou por seu contador por meio de certificado digital.

Já quem decidir por atividades consideradas de alto risco também poderá usar o sistema, porém será encaminhado aos órgãos oficiais para o procedimento completo. No entanto, o acompanhamento do trâmite e dos resultados poderá ser feito pela internet. A classificação de risco é feita pelo próprio sistema, com base em informações dos órgãos envolvidos.

Inicialmente, o sistema de licenciamento atenderá as cidades de São Caetano do Sul, Mogi das Cruzes, Limeira, Piracicaba, Santos e São José dos Campos. Para os demais municípios do Estado, o serviço será oferecido nos próximos meses.