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Consumidores estão dispostos a pagar por notícias on line

quinta-feira, novembro 26th, 2009

Os veículos de comunicação podem amenizar os efeitos financeiros da queda nos anúncios cobrando por notícias on-line, segundo nova pesquisa do The Boston Consulting Group (BCG), consultoria líder em estratégia e gestão empresarial. De acordo com o levantamento, que entrevistou mais de 5 mil pessoas em nove países, os consumidores estão dispostos a gastar pequenas quantias mensais para receber notícias em seus computadores e celulares. O valor apontado varia de US$ 3,00 mensais, nos Estados Unidos e Austrália, a US$ 7 mensais, na Itália.

John Rose, sócio sênior do BCG em Nova Iorque e líder global da prática de Mídia da empresa, afirma que a boa notícia é que os consumidores estão de fato dispostos a pagar pelo acesso a conteúdos exclusivos. A má notícia é que não querem pagar muito. “Porém, acumulados, esses pagamentos podem compensar de um a três anos de declínio previstos na receita com propaganda”, ressalta o executivo.

A pesquisa do BCG identificou que os consumidores estão mais dispostos a pagar por determinados tipos de conteúdo, acessíveis por meio de um dispositivo de livre escolha. O que gera mais interesse são notícias:

- Exclusivas, como informações locais (67% dos entrevistados têm interesse, o que corresponde a 72% dos entrevistados nos Estados Unidos), ou cobertura especializada (63% dos entrevistados têm interesse, o que corresponde a 73% dos entrevistados nos Estados Unidos);

- Oportunas, como serviço contínuo de últimas notícias (54% dos entrevistados têm interesse, o que corresponde a 61% dos entrevistados nos Estados Unidos).

Além disso, os consumidores estão mais dispostos a pagar por notícias on-line fornecidas por jornais mais do que por outras mídias, como televisão ou portais. A explicação é simples: não estão interessados em pagar por notícias que estejam disponíveis, e de forma gratuita, em uma ampla rede de sites.

Embora animadora, a disposição de pagar é apenas parte da solução para a receita dos jornais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a publicidade, que representa 80% das receitas, está em forte declínio. Se os consumidores começarem a pagar pelas notícias on-line, isso apenas reduzirá, mas não vai conter a queda nas receitas. Como resultado, os jornais terão de inovar em diversas frentes. Essa particularidade vai beneficiar os jornais com voz e cobertura exclusiva e que tenham uma grande base de assinantes. Os jornais regionais e locais, que têm conteúdo que não está disponível em outros lugares, podem tirar vantagem dessa tendência, enquanto os grandes diários terão maior dificuldade.

A pesquisa indica que surgirão diversos modelos híbridos para acessar notícias e conteúdo. Por exemplo, 52% dos consumidores de notícias sobre negócios nos Estados Unidos estariam interessados em um pacote de assinatura impressa e on-line, em comparação com apenas 35% dos consumidores jovens. “Os jornais precisam começar a testar a modalidade de conteúdo on-line pago”, diz Marc Vos, sócio do BCG baseado em Milão. “Será preciso um processo de tentativa e erro, até descobrir o que realmente funciona”, completa.

Como salvar os jornais (e o jornalismo)

domingo, fevereiro 15th, 2009

Durante os últimos meses, a crise no jornalismo atingiu proporções de derretimento. Agora é possível contemplar num futuro próximo uma época em que algumas grandes cidades não terão mais seu próprio jornal e as revistas e redes de notícias empregarão apenas um punhado de repórteres.

Há, no entanto, um fato chocante e algo curioso a respeito desta crise. Os jornais têm hoje mais leitores do que nunca. O seu conteúdo, assim como o das revistas de notícias e de outros produtores do jornalismo tradicional, é mais popular do que jamais foi - até mesmo (na verdade, especialmente) entre o público jovem.

O problema é que um número cada vez menor de leitores está pagando pelo que lê. As organizações jornalísticas estão distribuindo gratuita e alegremente as suas notícias. De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew, no ano passado houve uma virada marcante: nos Estados Unidos, as notícias gratuitas disponíveis na internet foram mais procuradas do que os jornais e revistas pagos que publicavam o mesmo conteúdo. Quem pode se espantar com isso? Até mesmo eu, um antigo viciado em publicações impressas, deixei de assinar o New York Times, porque se o jornal não acha justo cobrar pelo acesso ao seu conteúdo, eu me sentiria um tolo pagando por ele.

Esse modelo comercial não faz sentido. Talvez esse sistema tenha dado a impressão de fazer sentido quando a publicidade eletrônica estava prosperando e qualquer editor parcialmente consciente podia fingir fazer parte do clã que “compreendia” as mudanças da época ao entoar o mantra de que “o futuro” estava na publicidade na internet. Mas quando a publicidade eletrônica entrou em declínio no último trimestre de 2008, o futuro do jornalismo parecia ser gratuito assim como um penhasco íngreme é o futuro de um bando de lemingues.

Tradicionalmente, jornais e revistas contam com três fontes de receita: as vendas nas bancas, as assinaturas e a publicidade. O novo modelo de negócios fia-se apenas na terceira dessas fontes. O resultado é uma cadeira de um pé só, de equilíbrio sempre tênue, por mais forte que esse pé seja. Quando o seu apoio fraqueja - o que incontáveis editores viram ocorrer como resultado da recessão - a cadeira não pode se manter de pé.

Nas últimas semanas, testemunhamos o fechamento completo de uma série de jornais locais, vimos a Tribune Company (dona do Los Angeles Times) pedir concordata, a Lee Enterprises ser retirada da lista da Bolsa de Valores de Nova York e o anúncio de uma nova rodada de demissões de fim de ano na Gannet e em outras empresas, reduzindo sua força de trabalho em 10% ou mais.

Henry Luce, cofundador da revista Time, desdenhou da noção das publicações gratuitas que dependem apenas da receita proveniente da publicidade. Ele chamou esta fórmula de “moralmente repugnante” e também de “economicamente inviável e derrotista”. Isso porque ele acreditava que o bom jornalismo exigia que o compromisso primário de uma publicação fosse com os seus leitores, e não com os seus anunciantes. Num modelo em que a única fonte de renda passa a ser a receita publicitária, o incentivo é perverso. Ele é também inviável e derrotista porque, afinal, o elo de uma publicação com o público leitor vai definhar se ela não sentir que a sua renda é diretamente dependente desse público. Os jornais acabarão produzindo vários cadernos especiais sobre decoração e jardinagem, coisa que desejam os anunciantes, e terão de se livrar dos cadernos de resenhas literárias, como já fizeram o Los Angeles Times e o Washington Post.

O dr. Johnson dizia que, quando um homem sabe que será enforcado em questão de duas semanas, sua mente se mostra extraordinariamente concentrada. Estamos testemunhando esta quinzena final do jornalismo e suspeito que 2009 será lembrado como o ano em que as organizações jornalísticas perceberam que novas rodadas de cortes de gastos não podem afastar indefinidamente o carrasco.

Uma opção de sobrevivência experimentada por algumas publicações, como o Christian Science Monitor e a Detroit Free Press, é eliminar ou reduzir drasticamente as suas edições impressas e se concentrar em vez disso nas suas páginas gratuitas disponíveis na internet. Para muitas publicações e consumidores, isso faz sentido. Essa será, como é de se esperar, uma das tendências para o futuro. Outras podem tentar suportar o longo inverno esperando que a concorrência pereça e rezando para que possam abocanhar uma fatia do mercado publicitário grande o bastante para viabilizar a sua existência enquanto sites gratuitos. Tudo bem. Precisamos de uma variedade de estratégias concorrentes.

Entretanto, essas abordagens diferentes ainda obrigam uma publicação a depender totalmente dos seus anunciantes. Assim, espero que nesses anos vejamos o alvorecer de uma ousada e antiga ideia que oferecerá uma outra opção para algumas organizações jornalísticas: serem pagas pelos usuários em função dos serviços prestados e do jornalismo produzido. Se isso ocorrer, a implosão da publicidade em 2008 trará consigo o benefício de ter criado uma estratégia de negócios que permita às publicações o estabelecimento de um vínculo mais forte com os seus leitores.

Esta noção de cobrar pelo conteúdo é uma ideia antiga não apenas porque jornais e revistas fazem isso há mais de quatro séculos. É também algo que eles costumavam fazer no início da era das publicações online, no começo da década de 1990. Naquela época havia apenas um bando de empresas provedoras de serviços online, como Prodigy, CompuServe, Delphi e AOL. Elas costumavam cobrar dos usuários em função dos minutos que os mesmos passavam online e naturalmente era do seu interesse manter estes usuários acessando a rede pelo maior tempo possível. Como resultado, o conteúdo de qualidade era valorizado. Quando eu era encarregado do recém-criado departamento de mídia online da Time naquela época, nós recebíamos todos os anos propostas da AOL e da CompuServe; certo ano, a oferta pela nossa revista e portal de notícias chegou a US$ 1 milhão.

Então surgiram as ferramentas que tornaram mais fácil o acesso direto à internet dos usuários e das publicações, que se libertaram dos jardins murados criados pelos provedores de acesso. Havia diversos protocolos para a publicação e a pesquisa de conteúdo na internet. Seus nomes eram cômicos, como Gopher e Archie, outros, prosaicos, como Protocolo de Transferência de Arquivos e World Wide Web. Lembro-me de uma conversa, com Louis Rossetto, na época editor da revista Wired, em que discutimos como levar nossas revistas diretamente para a internet - sem passar pela AOL ou CompuServe - e concluímos que a melhor forma era usar a linguagem de marcação de hipertexto e os protocolos de transferência que definiam a World Wide Web. As revistas Wired e Time mergulharam na rede na mesma semana de 1994 e, em questão de um ano, a maioria das demais publicações tinha feito o mesmo. Inventamos coisas como o anúncio em formato de banner, que trouxe consigo um aumento na renda publicitária, e por isso não nos preocupamos muito em impor taxas de assinatura. Mas o resultado final foi que deixamos de ser pagos em função do nosso conteúdo.

Uma das ironias da história é que o hipertexto - uma estrutura de links para outras páginas da rede a partir do texto de uma página original - foi inventado por Ted Nelson no início da década de 1960 com o objetivo de viabilizar a disponibilização de conteúdo em troca de micropagamentos. Ele queria garantir que as pessoas que criavam bons textos fossem recompensadas pelos mesmos. Na sua visão, todos os links de uma página facilitariam o acúmulo de pequenos pagamentos automáticos correspondentes a qualquer conteúdo que fosse acessado. Em vez disso, a rede se viu apanhada pelo ethos que determina que a informação deseja ser livre. Outros mais inteligentes do que nós tinham evitado essa armadilha.

Por exemplo, quando Bill Gates percebeu, em 1976, que programadores amadores estavam compartilhando livremente o Altair BASIC, um código que ele e seus colegas tinham desenvolvido, ele enviou uma carta aberta aos membros do Clube da Computação Caseira pedindo a eles que parassem. “Vocês estão prejudicando a autoria de bons programas de computador”, queixou-se ele. “Quem pode se dar ao luxo de oferecer um serviço profissional gratuitamente?” Os dólares fáceis provenientes da publicidade na internet no final da década de 1990 incentivaram jornais e revistas a disponibilizar gratuitamente nas suas páginas eletrônicas todo o seu conteúdo, acrescido de blogs e outros recursos atraentes. Mas a maior parte do dinheiro vindo da publicidade online acabou nas mãos de grupos que não criavam de fato muito conteúdo, especialmente conteúdo jornalístico, mas em vez disso pegavam carona nele: ferramentas de busca, portais e demais reunidores de material alheio que compilavam suas páginas a partir de links e redirecionadores.

Outro grupo que se beneficia desse sistema no qual o conteúdo, o jornalismo e as informações são todos oferecidos gratuitamente é o dos provedores de acesso à internet, que incluem as grandes empresas de telefonia e televisão a cabo. Eles cobram dos seus clientes entre US$ 20 e US$ 30 por mês em troca do acesso aos tesouros do conteúdo gratuito e dos serviços disponíveis na rede. Como resultado, não é do interesse deles facilitar para os criadores de conteúdo o desenvolvimento de maneiras através das quais esses poderiam cobrar pelo material que produzem. Assim, temos um mundo no qual as empresas de telefonia acostumaram os adolescentes a pagar até US$ 0,20 por mensagem de texto no celular, mas parece tecnológica e psicologicamente impossível conseguir que as pessoas se disponham a pagar US$ 0,10 por uma revista, jornal ou transmissão jornalística.

Atualmente, alguns jornais, dos quais o mais notável é o Wall Street Journal, cobram pelo acesso às suas edições eletrônicas por meio da exigência de uma assinatura mensal. Quando Rupert Murdoch adquiriu a publicação, ele comentou publicamente a possibilidade de abrir mão da taxa de assinatura. Mas Murdoch é, acima de tudo, um executivo esperto.

Ele analisou o lado econômico da questão e decidiu que era loucura abrir mão de tamanha fonte de renda - e isso foi antes de o mercado da publicidade eletrônica começar a se contrair. Agora essa jogada parece realmente inteligente. As assinaturas pagas da página do jornal aumentaram mais de 7% durante um ano de 2008 extremamente desanimador.

Além disso, ele assustou o New York Times a ponto de o jornal abrir mão das suas próprias tentativas pouco enérgicas de aumentar a renda proveniente das assinaturas, que tinham como base a premissa (na minha opinião equivocada) de que a cobrança seria em função da experiência do jornal e não das suas grandes reportagens. (Nota do autor: Após a publicação deste artigo o New York Times negou veementemente que o seu raciocínio tenha sido influenciado por considerações externas: eu aceito a explicação deles.) Mas eu não acredito que as assinaturas possam resolver o problema - e não acho que elas sejam a única maneira de cobrar pelo acesso ao conteúdo. Uma pessoa que deseja acessar a edição do dia de um jornal ou que é levada a um artigo interessante por meio de um link dificilmente vai pagar o preço de uma assinatura e se submeter às inconveniências dos desajeitados sistemas de pagamento atuais. Acredito que a chave para atrair renda por meio dos serviços oferecidos na rede seja estabelecer um sistema de micropagamento tão simplificado quanto aquele empregado pelo iTunes. Precisamos de algo como moedas digitais ou um sistema semelhante a um bilhete único ou uma carteira eletrônica - um sistema de interface extremamente simples que permita, por meio de um clique, as aquisições casuais de jornais, revistas, artigos, acesso a blogs ou vídeos, ao preço de US$ 0,05, US$ 0,10, US$ 0,50 ou seja quanto for que o seu autor deseje cobrar.

É verdade que faz 15 anos que a internet está repleta de empresas de micropagamento falidas. Quem se lembra dos nomes de empresas como Flooz, Beenz, CyberCash, Bitpass, Peppercoin e DigiCash? Quase ninguém. Muito já se escreveu a respeito da impossibilidade desse conceito funcionar por causa dos custos da má tecnologia e da transação mental.

Mas as coisas mudaram. “Com os jornais entrando em situação falimentar mesmo enquanto seu público leitor aumenta, a ameaça não atinge apenas as empresas donas dos jornais, mas também a própria notícia”, escreveu no mês passado o sensato colunista do New York Times David Carr num texto que defendia a ideia do conteúdo pago. Isso cria uma necessidade que pode se tornar a mãe da invenção.

Além disso, dois dos nossos mais criativos inventores digitais mostraram que um modelo pague-conforme-o-uso pode dar certo quando seu funcionamento é suficientemente facilitado: Steve Jobs conseguiu fazer com que os consumidores de música (possivelmente os mais relutantes de todos) aceitassem a ideia de pagar US$ 0,99 por música ao invés de assassinar a indústria por meio do compartilhamento de arquivos, e Jeff Bezos mostrou, com o seu Kindle, que os consumidores estão dispostos a adquirir versões eletrônicas de livros, revistas e jornais se o sistema de compra for simples.

Quais são as opções de pagamento eletrônico disponíveis atualmente? A PayPal é a mais famosa delas, mas o seu funcionamento é desajeitado e os seus custos por transação são altos demais para compras impulsivas de valor inferior a um dólar. Os usuários do Facebook estão adotando sistemas como o Spare Change, que permite a eles utilizar suas contas do serviço PayPal e os seus cartões de crédito para obter dinheiro digital que pode ser gasto em pequenas quantidades. Entre os serviços similares estão o Bee-Tokens e o Tipjoy. Usuários do Twitter têm o Twitpay, que é um serviço de micropagamento para o aplicativo de micromensagens. Os apreciadores de jogos eletrônicos têm sua própria moeda digital que pode ser usada nas compras impulsivas feitas durante as seções de jogos estilo RPG online. PaymentOne e Paymo estão tentando viabilizar um sistema de micropagamento no qual a despesa seja cobrada na conta telefônica. E aqueles que estão acostumados a utilizar sistemas de transporte para ir e vir do trabalho estão acostumados com artefatos como o E-ZPass (semelhante ao Bilhete Único e ao Sem Parar empregado nos pedágios brasileiros), que são debitados automaticamente quando o usuário passa por uma cabine de pedágio na rodovia.

Se eu fosse o administrador do New York Times, do Wall Street Journal ou do Los Angeles Times, assumiria a vanguarda ao criar meu próprio sistema de troco digital ou Bilhete Único de micropagamento e tentaria fazer com que outros criadores de conteúdo utilizassem o mesmo sistema.

Ou então tentaria trabalhar com uma empresa como Amazon, PayPal, Google, Apple ou Microsoft numa parceria com o objetivo de criar um tal sistema. Eu começaria ao mesmo tempo a aceitar os melhores sistemas de micropagamento existentes. Assim como as lojas aceitam diferentes cartões de crédito, os sites deveriam aceitar diferentes sistemas de micropagamento.

O sistema ideal de micropagamento seria tão fácil de usar que o internauta mal pensaria antes de efetuar uma compra impulsiva. Não vejo necessidade de uma cobrança item por item. Na verdade, a ausência de cobranças individualizadas circulando por aí seria especialmente atraente para aqueles que adquirem coisas um pouco mais extravagantes do que o Wall Street Journal. Aqueles que desejassem uma cobrança individualizada poderiam fazer uso de um serviço pago para tal finalidade.

Dentro de um sistema de micropagamento, um jornal poderia decidir cobrar US$ 0,10 por um artigo ou US$ 0,50 pela íntegra da edição do dia ou US$ 2 por um mês de acesso ao conteúdo disponível por meio da internet. Alguns internautas poderiam se recusar a pagar o preço, mas acredito que a maioria deles aceitaria a cobrança se o valor fosse baixo e o processo, simples. Os assinantes da versão física do jornal poderiam acessar a versão eletrônica de graça. É claro que não deve haver conluio entre as empresas de mídia e os concorrentes devem ter a liberdade de cobrar o preço que quiserem, ou mesmo de não cobrar nada.

O sistema poderia ser empregado para todos os tipos de mídia: revistas e blogs, jogos e aplicativos, transmissões televisivas e vídeos amadores, imagens pornográficas e monografias programáticas, reportagens de cidadãos jornalistas, receitas de grandes chefs e músicas de bandas alternativas. Isso não apenas garantiria a sobrevivência das formas tradicionais de veiculação de mídia como também estimularia os cidadãos jornalistas e os blogueiros. Eles enriqueceram muito o nosso universo de informações e ideias, mas a maioria deles não ganha muito dinheiro com isso. Como resultado, tendem a insistir na atividade para satisfazer o próprio ego ou como forma de cumprir algum dever cívico e costumam vir da elite privilegiada. Um sistema de micropagamento permitiria que as pessoas normais, do tipo que precisa se preocupar em sustentar a família e pagar as contas, complementassem sua renda por meio do jornalismo cidadão, um trabalho valorizado pela comunidade.

Cobrar pelo conteúdo é apenas uma das muitas opções que podem desempenhar um papel no sustento de um conjunto diverso de mídias nesse país. Muitos jornais e revistas - e blogueiros e cidadãos jornalistas - decidiriam pela manutenção da sua gratuidade, ou poderiam depender de um sistema de gorjetas para doações voluntárias, ou do subsídio de organizações de interesse público ou proprietários ricos. Acho ótimo.

Quanto maior o número de modelos comerciais concorrentes, mais saudável será a composição de mídias e veículos diferentes.

Mas um sistema de micropagamento também ofereceria uma outra opção.

Jornais que avaliassem o valor da sua produção diária na casa de US$ 0,10 - e cujos leitores concordassem com este valor - poderiam acabar cobrando US$ 0,10, aumentando assim sua chance de sobreviver e até de prosperar. As pessoas trabalhando num jornal como esse sairiam de suas camas todos os dias motivadas pelo digno incentivo de produzir um jornal que os leitores considerassem valer ao menos US$ 0,10.

Aqueles que acreditam que todo o conteúdo deve ser gratuito devem refletir sobre quem abriria sucursais em Bagdá ou voaria até Ruanda para trabalhar como freelance dentro de um tal sistema.

Durante as últimas semanas, por exemplo, estive muito interessado nos acontecimentos na Faixa de Gaza e como esses afetariam o status do Hamas. Procurei as reportagens inteligentes e matizadas de Ethan Bronner, do New York Times, de Griff Witte e Jonathan Finer, do Washington Post, e de Ashraf Khalil, do Los Angeles Times. Todos eles são muito informados sobre a região. Têm a coragem e a engenhosidade de chegar até a Cidade de Gaza e as muitas vilas mais ao sul. Eu valorizo isso enquanto leitor e acredito que o mundo como um todo valorize o fato de os seus jornais estarem dispostos a pagar seus salários e suas despesas - e contarem com os recursos necessários para tal finalidade - para que eles possam satisfazer nosso desejo por informação independente.

Assim, espero que 2009 seja o ano em que alguns bons jornais e outros criadores de conteúdo valioso comecem a cobrar pelo acesso ao mesmo.

Digo isso não porque sou “malvado” - a descrição que minha filha emprega contra aqueles que desejam cobrar pelo conteúdo na rede, pelas músicas e pelos aplicativos. Ao contrário, digo isso porque minha filha é muito criativa, e quando ficar mais velha, quero que ela ganhe dinheiro produzindo coisas realmente interessantes em vez de me procurar em busca de dinheiro ou decidir que faz mais sentido virar uma investidora financeira.

Também digo isso porque amo o jornalismo. Acredito no seu valor para a sociedade e acho que ele deve ser valorizado pelos seus consumidores. Acho que precisamos dele para preservar a saúde das nossas comunidades locais, da nossa democracia nacional e do nosso mundo.

Nessa nova era digital, a definição do jornalismo está mudando. Não se trata mais de algo que é escrito na pedra e concedido ao público pelos altos sacerdotes da profissão e pelas principais empresas de mídia. Ele pode assumir formas que sejam, felizmente, mais pessoais e opinativas e cheias de atitude. O jornalismo tem a habilidade de ser mais interativo, colaborativo, “wikipédico”, produzido pelos leitores e de borrar a distinção entre o jornalista sagrado e o cidadão consumidor.

Mas certas características definidoras do jornalismo não deveriam ser mudadas. Esses valores centrais permanecem no núcleo do jornalismo do qual nós necessitamos enquanto comunidade humana. O jornalismo precisa tentar preservar sua credibilidade. Seus praticantes precisam ter a mente aberta e ser honestos conforme reúnem e transmitem informações, seja da Faixa de Gaza ou da prefeitura local. Nós, leitores e consumidores, precisamos poder confiar neles - precisamos saber que eles estão tentando servir a nós e não a algum objetivo secreto. Eles precisam ter como objetivo a verdade. “A ideia de que haja algo como a verdade foi muito mal falada nos últimos 30 anos”, disse Kurt Andersen na conferência realizada no Instituto Aspen no último verão, “mas ainda acho que a busca pela verdade é aquilo que deve mover os jornalistas”.

Por quê? Porque o verdadeiro objetivo do bom jornalismo deve ser o serviço ao leitor.

O que me traz de volta à minha esperança de que este seja o ano no qual os micropagamentos se tornarão aceitos e os leitores começarão a pagar pelo jornalismo que desejam. Assim, os jornalistas se sentirão dependentes principalmente dos seus leitores, em vez de procurar cada vez mais agradar aos anunciantes e contemplar outros objetivos. A cobrança pelo conteúdo obriga os jornalistas a manter a disciplina: eles precisam produzir material que as pessoas de fato considerem valioso. Suspeito que afinal descobriremos o caráter libertador desta obrigação. A necessidade de ser valorizada pelo público - servir a ele antes de mais nada, sem depender unicamente da renda publicitária - permitirá à mídia orientar-se novamente pelos princípios originais do jornalismo.

*O autor foi editor da revista Time e atualmente é presidente do Instituto Aspen. Publicou recentemente “Einstein: sua vida e seu
universo”. Este artigo é baseado em palestra do autor na Universidade de Riverside Califórnia. A publicação foi autorizada pelo Instituto Aspen.

 

Sites buscam novas fontes de receitas

quinta-feira, novembro 6th, 2008

Robert D. Hof, BusinessWeek
03/11/2008

Como diretor-presidente da Gaia Online, um ponto de encontro na internet para cerca de 6 milhões de adolescentes, Craig Sherman deveria estar preocupado sobre como o agravamento da situação econômica poderá afetar a propaganda na internet. Mas ele não está. Nem um pouco. Ao contrário de muitas companhias iniciantes da internet que até recentemente viam os anúncios como um passaporte para a riqueza, a Gaia consegue a maior parte de suas receitas mensais de mais de US$ 1 milhão com vendas - nesse caso, itens virtuais: roupas, jóias e outros acessórios para avatares, ou personagens on-line. Eles vão de uns poucos centavos a US$ 10 ou mais a peça. A margem bruta de lucro da Gaia sobre as vendas de produtos virtuais, que cresceram dez vezes em relação há dois anos, supera os 95%. Afinal, esses produtos são bits e bytes que poderão se reproduzidos indefinidamente.
A Gaia é apenas uma de dezenas de companhias da internet que cada vez mais garimpam fontes de receitas que vão além dos anúncios. Os produtos virtuais são hoje um negócio mundial que movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano. E as assinaturas de sites, outrora vistas como uma proposta perdedora para a internet, se tornaram um negócio de pelo menos US$ 2 bilhões, com milhões de pessoas dispostas a pagar taxas mensais ou anuais para companhias como a United Online e seus sites Classmates.com e Ancestry.com (especializado em pesquisas genealógicas). Outras companhias estão vendendo listas de empregos, listas de possíveis clientes e mais.
O momento é oportuno. A propaganda on-line está se deparando com o primeiro obstáculo em mais de cinco anos, o que está criando problemas para muitas das companhias iniciantes que contam com os anúncios para as suas receitas. Em antecipação à redução dos gastos com propaganda on-line, o serviço de compartilhamento de vídeo Seesmic, a companhia especializada em conteúdo adulto Zivity e a rede de anúncios AdBrite, que conecta sites aos anunciantes, além de outras, começaram a demitir funcionários. A desaceleração da propaganda na internet que se aproxima está renovando o interesse nos outrora desprezados modelos de negócios. “Muitas companhias iniciantes estão lutando para enxergar além da propaganda”, diz Reid Hoffman, presidente do site LinkedIn e um investidor em mais de 50 empresas da internet, incluindo o Facebook e o Digg. “Tenho visto as pessoas dizerem: ‘Oh, temos um novo plano que não envolve propaganda’”.
Nenhum desses modelos de receita é inteiramente novo. Mas o sucesso desenfreado do Google com os modestos anúncios de texto apresentados junto aos resultados de busca, tornaram qualquer estratégia que não a propaganda antiquada para a maior parte da mais nova geração de companhias iniciantes da internet. E mesmo além dos efeitos da economia, as empresas iniciantes aprenderam da maneira mais difícil que os sites gratuitos, a maioria dos quais usa os anúncios para pagar as contas, nem sempre funcionam bem. Três anos atrás, por exemplo, o site de fotografia SmugMug tentou oferecer contas gratuitas de compartilhamento de fotografias como um gancho para conseguir mais assinantes, que pagam de US$ 39,95 a US$ 149,95 por ano para armazenar, compartilhar e vender fotografias. Mas mesmo antes da SmugMug começar a considerar se iria ou não colocar anúncios no site, ela descobriu que as contas gratuitas estavam atraindo pornografia, afugentando outros usuários, segundo afirma o diretor-presidente Don MacAskill. Agora, com 200 mil assinantes, as receitas dobraram a cada ano nos últimos dois anos, para mais de US$ 10 milhões no ano passado.
Enquanto os consumidores sempre reclamam por pagarem pelo acesso a conteúdo on-line, as empresas têm uma disposição maior em fazer a assinatura de um serviço que é importante para elas. A Salesforce.com, por exemplo, deverá ter receita bruta de US$ 1 bilhão no exercício que se encerra em janeiro, com a venda de serviços on-line de acompanhamento de clientes e administração, com taxas a partir de US$ 9 por mês por usuário. O sucesso da companhia ajudou a criar a chamada indústria das empresas de software enquanto serviço, que fornecem programas on-line para gerenciamento de folha de pagamento, colaboração e muitas outras funções.
No entanto, o modelo mais surpreendente a alcançar os consumidores em massa é o dos produtos virtuais. Eles são mais comuns em mundos on-line como o Second Life, em que as pessoas criam avatares para brincar e colaboram para uma ambientação na forma de jogo, além de jogos on-line como o “World of Warcraft”, em que as pessoas adquirem ferramentas, bugigangas e poções mágicas. Há anos os produtos virtuais têm sido o principal modelo de negócios de sites populares na Ásia. Dois terços das vendas de US$ 523 milhões dos sites de relacionamentos Tencent da China vêm de produtos virtuais como animais de estimação; apenas 13% das receitas têm origem na propaganda.
Agora, os produtos virtuais também poderão se transformar numa fonte de dinheiro crucial para os florescentes sites de jogos menos sofisticados e as redes de relacionamento dos EUA. Tome o Facebook: ele é um dos sites da internet que mais cresce, mas vem tendo dificuldades para ganhar dinheiro com propaganda. Isso porque os anúncios mais distraem do que atraem a atenção nos sites em que as pessoas estão lá para interagirem umas com as outras. Por outro lado, os produtos virtuais são essencialmente artefatos sociais que as pessoas usam para ganhar status entre os colegas on-line. Isso faz deles uma combinação melhor que a propaganda tradicional em sites voltados para a socialização. O Facebook vende presentes virtuais como rosas e cervejas por US$ 1 a unidade, e são hoje um negócio milionário.
Os marqueteiros estão percebendo isso e começam a usar os produtos virtuais como substitutos dos anúncios tradicionais. A New Line Cinema promoveu seu filme “Sex and the City” em maio com sapatos virtuais distribuídos gratuitamente na internet. Em 24 horas, membros do Facebook deram mais de 500 mil Manolo Blahniks de presente uns aos outros, respondendo por mais de 220 milhões de acessos no Facebook no primeiro dia de exibição do filme. Muitas pessoas os mantêm em seus perfis, provando uma associação de marca duradoura com o filme. “Algumas de nossas melhores experiências vêm dos presentes virtuais”, disse a diretora operacional do Facebook, Sheryl Sandberg.
Por mais promissoras que possam ser, essas fontes alternativas de receitas não serão fortes o suficiente para, sozinhas, salvarem muitas companhias. Até mesmo as empresas iniciantes da internet poderão ter dificuldades para mudar rapidamente seus modelos de negócios. E é quase certo que o mercado de propaganda on-line, que movimenta US$ 26 bilhões, continuará sendo muito maior que as outras fontes de receita durante anos. Mas à medida que os anunciantes, abalados pela recessão, vão cortar os orçamentos de propaganda nos próximos meses, as alternativas podem ser a última esperança para muitas companhias da internet. (Tradução de Mário Zamarian)

 

 


   

Extra! Extra! Aperto financeiro ameaça jornalismo investigativo

quarta-feira, janeiro 9th, 2008

No fim de 1999, o jornal que eu editava, The Wall Street Journal, estava nadando em dinheiro.

Graças ao boom das pontocom e à publicidade abundante que ele gerava, nós rodávamos as impressoras a plena capacidade praticamente todos os dias, e chegávamos a ter que recusar anúncios por falta de espaço.

Mas enquanto os bons tempos aconteciam, dois nomes sem ligação com jornais não paravam de despontar. Recordo-me de ficar estupefato quando soube que o principal lugar em que nossos próprios leitores checavam as cotações de ações era a seção de finanças do Yahoo.

Uma dupla de meninos da Stanford havia lançado um buscador chamado Google. E muitos de meus colegas já o usavam.

Menos de seis meses depois, a bolha de tecnologia começou a desinflar. Centenas de empresas morreram, levando consigo seus orçamentos publicitários. Mas a indústria da Web seguiu adiante e, dentro de poucos anos, triturou o modelo de negócios dos jornais que funcionava havia décadas.

Esse choque hi-tech no meu setor não era algo que eu pudesse ter imaginado no dia de julho de 1966 em que eu entrei num prédio industrial de San Francisco para começar a trabalhar como repórter para o WSJ. Máquinas históricas da Linotype cuspiam versões em metal quente das matérias, uma linha de cada vez.

Uma indústria de jornais sob controle familiar estava embarcando num período importante de poder e lucro em alta.

Amanhã eu vou recolher meus últimos pertences e me afastar de um jornal onde passei 26 dos meus 41 anos no jornalismo, entre os quais 16 como diretor de redação do WSJ. Atualmente, ao meu redor há um setor em polvorosa, com receitas e ações em queda acentuada, demissões e aquisições de editoras que dez anos atrás pareciam impossíveis de conquistar. Só em dezembro, a News Corp., do empresário Rupert Murdoch, concluiu sua aquisição da Dow Jones & Co., a editora do WSJ, e o magnata americano do mercado imobiliário Sam Zell conquistou o controle efetivo da Tribune Co. - que publica entre outros jornais o Los Angeles Times e o Chicago Tribune. Os editores do WSJ me pediram que eu revisitasse minhas experiências das últimas quatro décadas em busca de observações sobre como tudo isso aconteceu, o que pode acontecer a partir de agora e as implicações de todas essas mudanças para os leitores, o país e a sociedade como um todo. Para os leitores, as implicações são claras: um contraste marcante de abundância e escassez. A abundância de notícias nas esferas nacional, internacional, de negócios, esportes e especialmente editoriais disponíveis de graça na Web é de uma riqueza sem paralelo histórico. Qualquer um com um fato, um comentário, uma foto ou um vídeo pode publicar por conta própria e instantaneamente concorrer com os profissionais.

Ao mesmo tempo, a ampla gama de repórteres investigativos e de correspondentes estrangeiros mantidos pelos jornais em várias décadas está sendo reduzida em praticamente todas as publicações, à medida que os jornais sucumbem às pressões para cortar custos. Menos de 50 anos atrás, os jornais americanos eram na maioria relativamente pequenos, pouco rentáveis, de controle familiar, tinham foco local e eram altamente competitivos. Aí, no começo dos anos 60, a indústria se transformou numa série de minimonopólios. Uma nova onda de consolidaçào formou grandes empresas de capital aberto de bilhões de dólares. O resultado foi a idade de ouro do jornalismo americano. Os jornais diários estavam dispostos a enviar repórteres a campo em busca de reportagens que expusessem a corrupção ou explicassem o mundo. Alguns passaram a ter correspondentes fixos não somente em Londres, Moscou e Tóquio, mas também em lugares como Sydney e São Paulo. Eu não recordo exatamente quando as rachaduras começaram a aparecer. Nos anos 80, tínhamos um certo medo da televisão, cada vez mais a fonte de notícias preferida pelas pessoas.Aí nos anos 90 vieram as redes digitais e a internet. Em 1995 dezenas de jornais, entre eles o WSJ, tinham edições online.

Os primeiros executivos da edição online do Journal referiam-se a ela como a “mata-jornal”, para grande irritação dos colegas do lado impresso. Mas a frase era apta: a Web podia distribuir palavras e números praticamente à velocidade da luz sem o custo de impressão, papel ou caminhões de entrega, e tudo podia ser arquivado e recuperado em buscas. Em resposta, os jornais tentaram fazer três coisas: cortar custos, diversificar e, acima de tudo, abraçar a nova tecnologia. O corte de custos primeiro seguiu uma trilha aberta nos anos 70, de usar computadores para eliminar vagas na cadeia produtiva fora das redações. Atualmente, nada além de elétrons fica entre as mentes e mãos dos jornalistas e a imagem fotográfica usada para produzir uma chapa de impressão. Mas esses cortes geralmente não foram o bastante, e os jornais passaram a congelar vagas e ao final, a demitir. Os cortes foram particularmente fortes nas sucursais estrangeiras e no chamado jornalismo investigativo, que estão entre as categorias de custo mais alto. Os empreendimentos de editoras jornalísticas na internet quase sempre tiveram sucesso limitado.

Parte do problema foi que os que estavam encarregados da publicidade impressa e da circulação desconfiavam de seus coletas no lado online, e vice-versa. No WSJ, eu vi isso freqüentemente.

A certa altura, a turma do impresso sugeriu que as assinaturas online fossem dadas de graça para assinantes do jornal impresso.

A turma do online retrucou, dizendo que a idéia relegava seu site a um status de “brinde”.

Um problema maior foi que os jornais geralmente tentavam copiar muito de perto na Web o que eles faziam no impresso, em vez de oferecer novos produtos que fizessem um proveito maior da digitalização. Os produtos novos mais criativos vieram principalmente de empresas com pouca ligação com jornais. E, em pouco tempo, para qualquer dado que a gente contava com os jornais para obter - resultados de jogos, previsão do tempo, cotações, horário dos filmes - havia websites oferecendo mais informações, mais rápido, e de graça.

O que vai acontecer agora? Uma mudança, acelerada e em grande parte imprevisível. Quase toda empresa no setor precisa de uma nova fonte importante de receita, grandes reduções de custos ou uma saudável dose de cada.

Uma palavra final: Na semana que vem eu começo a trabalhar para uma organização sem fins lucrativos chamada Pro Publica, como presidente e editor-chefe. Quando ela estiver com seu quadro preenchido, seremos uma equipe de 24 jornalistas dedicados a noticiar os abusos de

poder cometidos por quem quer que detenha poder: governos, empresas, sindicatos, universidades, sistemas educacionais, médicos, hospitais, advogados, tribunais, ONGs, imprensa. Nós publicaremos em nosso website e também possivelmente por meio de jornais, revistas e programas de TV, oferecendo nosso material de graça se eles tiverem.

Em 5 anos, 25% do entretenimento será criado por usuários

quarta-feira, janeiro 2nd, 2008
Crescimento da Web 2.0 fará com que poder sobre conteúdo saia de grandes empresas de comunicação

HELSINQUE - Até 2012, 25% de todo o entretenimento consumido no mundo será criado, editado e compartilhado entre integrantes de grupos e não mais por grandes empresas de mídia. A previsão faz parte do estudo intitulado “A Glimpse of the Next Episode”, realizado pela Nokia, baseado em pesquisas sobre tendências da vida digital junto a cerca de 900 milhões de clientes da companhia, além de formadores de opinião e líderes de mercado de 17 países.documento Veja a íntegra da pesquisa

“As tendências que observamos nos mostram que as pessoas terão um desejo genuíno não só de criar e compartilhar seu próprio conteúdo, como também de fazer remixagens e mashups, e passá-los adiante em seus grupos - numa forma de mídia social colaborativa”, analisou Mark Selby, vice-presidente de multimídia da Nokia, de acordo com o site MobileCrunch.

Outros dados do estudo revelam que 23% dos entrevistados compram filmes em formato digital, 35% compram música em arquivos de MP3 e 25% em dispositivos móveis, enquanto outros 39% vêem TV pela internet.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser acessados, em inglês, no site da Nokia, neste link. As informações são da agência Magnet.

Dados do Jornal Folha de São Paulo

segunda-feira, novembro 12th, 2007

Ano Circulação Mensal


1997 530.000

2000 441.000

2007 307.000