Archive for the ‘Mídia’ Category

Americanos dedicarão mais tempo à Web que a jornais em 2007

quinta-feira, agosto 9th, 2007

Estudo indica preferência da internet também em relação a cinema e música

REUTERS

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NOVA YORK - Os consumidores dos Estados Unidos este ano passarão mais tempo navegando pela internet do que lendo jornais, indo ao cinema ou ouvindo música, de acordo com um relatório do grupo private equity Veronis Suhler Stevenson (VSS), que demonstra que os anunciantes estão prestando atenção às mudanças no comportamento dos consumidores e colocando mais dinheiro em áreas como o marketing digital.No ano passado, as duas maiores mídias publicitárias foram os jornais, com 55,7 bilhões de dólares, e a TV aberta, com 48,7 bilhões de dólares, de acordo com a VSS.

Mas o grupo estima que, em 2011, a internet se tornará a maior das mídias publicitárias, com dispêndios da ordem de 63 bilhões de dólares, e descreve essa virada como “um momento decisivo” no setor de mídia.

“Consideramos que essa seja uma das mais importantes constatações do estudo”, disse o diretor executivo da VSS, James Rutherfurd, em entrevista. A empresa conduziu o estudo em cooperação com a consultoria PQ Media.

Rutherfurd também apontou para um desdobramento potencialmente preocupante para o setor de mídia –o tempo total dedicado à mídia caiu ligeiramente no ano passado, em consequência do abandono, pelos consumidores, dos jornais e de outras fontes tradicionais de notícias e entretenimento.

Pela primeira vez em uma década, constatou o estudo, os consumidores dedicaram menos tempo à mídia em 2006 do que no ano anterior. O uso por pessoa caiu em 0,5 por cento, para 3.530 horas ao ano, de acordo com o estudo, segundo o qual a mídia digital tipicamente requer menos tempo do que a mídia tradicional.

Por exemplo, os consumidores em geral assistem TV aberta ou a cabo em sessões de pelo menos 30 minutos, mas dedicam tempo médio de apenas cinco a sete minutos para assistir a vídeos gerados por usuários da Internet, segundo o estudo.

Isso pode contrariar previsões de alguns especialistas em mídia de que o uso da Internet elevará o tempo total dedicado pelos consumidores às mídias. Mas a VVS espera que a tendência se corrija em 2007, com alta geral de 0,1 por cento, e em 2008, com avanço de 0,8 por cento.

Em 2011, publicidade na Web vai ser maior que em jornais

quarta-feira, agosto 8th, 2007

Jornal ‘Financial Times’ estima que anúncios online vão movimentar US$ 62 bilhões daqui a quatro anos

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NOVA YORK - Pesquisa divulgada pelo jornal americano Financial Times nesta terça-feira, 7, revela que a publicidade em meios online, como a Web, vão crescer 21% nos próximos quatro anos, movimentando US$ 62 bilhões em 2011.O volume movimentado pelos anúncios online deve superar a publicidade em jornais naquele ano, segundo dados da Veronis Suhler Stevenson (VSS). Desta forma, o setor será maior que o de mídia impressa, previsto para movimentar US$ 60 bilhões em 2011.

A publicidade em TV aberta e paga continuará a movimentar o maior montante, atingindo US$ 86 bilhões.

Em alguns países, como Reino Unido e Suécia, a virada da publicidade online sobre a mídia impressa deve ocorrer mais cedo, possivelmente ainda neste ano.

A pesquisa também mediu o tempo gasto com cada mídia e indicou que, já em 2007, o tempo médio gasto lendo jornais deve ser superado pelo tempo gasto na Web

Revolução digital muda a propaganda

segunda-feira, maio 28th, 2007

Estudo mostra que as agências investem mais em internet
 
SÃO PAULO – Pesquisa da OgilvyOne dos Estados Unidos mostra que, até 2020, 80% das mídias serão digitais. Trata-se de uma previsão que quebra conceitos tradicionais da propaganda.

Hoje, algumas ações na internet já são tão relevantes quanto as outras mídias para muitas campanhas. A revolução digital e a mudança nos hábitos dos consumidores anuncia uma nova fase no setor de comunicação. Segundo o levantamento, o consumidor obriga as agências a seguirem as suas preferências.

A publicidade na internet movimenta US$ 16,9 bilhões nos Estados Unidos, ou cerca de 5,9% do bolo publicitário, segundo dados do Interactive Advertising Bureau.

Meios digitais já são mais consultados do que convencionais

sábado, dezembro 2nd, 2006
Segundo relatório da ONU, população mundial dedica a eles mais horas semanais do que à televisão, ao rádio, aos jornais impressos ou ao cinema
EFE

GENEBRA – Os meios de comunicação digitais já são os mais utilizados pela população mundial, que dedica a eles mais horas semanais do que à televisão, ao rádio, aos jornais impressos ou ao cinema, informou neste sábado a União Internacional de Telecomunicações (UIT).Em seu relatório “Digital Life 2006″, divulgado neste sábado, a organização ligada à ONU reflete as mudanças introduzidas pela tecnologia digital no mundo todo.

Segundo os dados do documento, os menores de 18 anos dedicam aos meios digitais uma média de 14 horas semanais, enquanto reservam 12 horas para a televisão; seis para o rádio e duas para os jornais, revistas e cinema.

Entre os indivíduos na faixa etária entre 18 e 54 anos, os meios digitais absorvem 16 horas; a televisão, cerca de 13; o rádio, oito; os jornais, duas (entre pessoas de 36 a 54 anos esse tempo sobe para três horas); as revistas, outras duas; e o cinema, uma.

A única exceção são os maiores de 55 anos, que ainda dedicam 16 horas à televisão, oito para os meios digitais, sete para o rádio, cinco para os periódicos, três para as revistas e menos de uma para o cinema.

Além disso, as comunicações são progressivamente “mais móveis”, já que, enquanto cerca de 125 anos se passaram para que houvesse no mundo mais de um bilhão de linhas telefônicas fixas, foram necessários apenas 21 anos para que houvesse o mesmo número de linhas de telefonia celular.

“O mais espetacular, porém, é que foram necessários apenas mais três anos para somar mais um bilhão de assinantes de linhas de telefone celular, e, em breve, esse número deve chegar aos 3 bilhões”, apontou o responsável da Unidade de Política e Estratégia da UIT, Tim Kelly, na apresentação do estudo em Genebra.

Recorde de celularesSegundo o relatório, o Brasil possui 86 milhões de usuários de telefones celulares. Os países com mais usuários de celulares são China (393 milhões), Estados Unidos (201 milhões), Rússia (120 milhões), Japão (94 milhões), Índia (90 milhões), Alemanha (79 milhões), Itália (72 milhões), Reino Unido (61 milhões), França (48 milhões), México (47 milhões), Indonésia (46 milhões), Turquia (43 milhões), Espanha (41 milhões), Coréia do Sul (38 milhões), África do Sul (34 milhões), Filipinas (33 milhões), Polônia (29 milhões), Tailândia (27 milhões) e Taiwan (22 milhões).

A popularização da telefonia celular é tão extensa, que há uma média de mais de uma linha por habitante em vinte países. Entre eles estão: Luxemburgo, Lituânia, Itália, Hong Kong, Israel, Portugal, Estônia, Cingapura, Islândia, Noruega, Reino Unido, Jamaica, Irlanda, Emirados Árabes e Dinamarca.

A UIT enfatiza que, além de mais digitalizadas e móveis, as comunicações também são cada vez “mais amplas”, pois as redes aumentam sua capacidade de maneira exponencial, o que permite intercâmbios de informação mais rápidos, mais completos e em mais formatos simultâneos.

De fato, já há, em todo o mundo, 216 milhões de assinantes de linhas fixas de banda larga, e mais de 61 milhões de usuários de linhas móveis do mesmo tipo (por meio da telefonia de terceira geração).

No ranking mundial de conexões fixas por banda larga, os EUA têm 49 milhões; China, 37 milhões; Japão, 22 milhões; Coréia do Sul e Alemanha, 12 milhões; Reino Unido e França, 9 milhões; Itália, 7 milhões; Canadá, 6 milhões; Espanha, 5 milhões; Taiwan e Holanda, 4 milhões; Brasil, 3 milhões; México, Austrália, Bélgica, Suécia e Suíça, 2 milhões e Hong Kong e Turquia, 1 milhão.

Ao mesmo tempo, o preço da banda larga e das conexões sem fio diminuiu drasticamente em muitos países. Por isso, as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) ocupam cada vez mais espaço na vida privada.

Segundo a UIT, só durante o ano passado as TIC movimentaram US$ 3,13 trilhões, e as telecomunicações foram recordistas na geração de negócios: em hardware, foram cerca de US$ 235 bilhões anuais, ao tempo que em serviços, cerca de US$ 1,186 trilhão.

Em seguida vêm a informática (US$ 379 bilhões em hardware e US$ 741 bilhões em serviços) e a radiodifusão (US$ 294 milhões em hardware e US$ 295 milhões em serviços)

NYT expandirá funções de jornalismo colaborativo em sua versão digital

segunda-feira, novembro 13th, 2006
São Francisco – Durante Web 2.0 Conference, conglomerado de mídia responsável pelo jornal anuncia que aproveitará mais conteúdo do leitor.
O New York Times planeja adicionar capacidades em seu site do seu conhecido jornal para que leitores possam submeter mais conteúdo para apreciação, como fotografias e notícias de campo, disse o presidente da companhia nesta terça-feira (07/11).

“Vocês verão mais jornalismo cidadão” no NYT.com, disse Arthur Sulzberger Jr., que também ocupa o cargo de publisher do New York Times, durante a Web 2.0 Conference em São Francisco. Sua revelação aconteceu após um membro da audiência dizer que a página vinha seguindo outros jornais na área de conteúdo gerado pelo usuário.

“Você pode alegar que fomos devagar, mas eu não concordo”, disse, acrescentando que é difícil achar um balanço entre aceitar contribuições de amadores e manter os padrões de qualidade editorial do jornal.

Sulzberger apontou que o NYT.com reproduzirá o trabalho de alguns destes “jornalistas cidadães” e trabalhará com um grupo com o qual se sentir confortável e em que confiar.

Enquanto isto, Barry Diller, chefe do conselho e chief executive office da InterActiveCorp (IAC), que também participou do painel, disse que o conteúdo gerado por usuários encontrou seu lugar em sites da companhia, mas acha que é errado acreditar que amadores conseguirão produzir conteúdo com qualidade profissional.

A IAC investirá na criação de conteúdo com altos valores de produção para seus sites, escolhendo profissionais para o trabalho, já que Diller disse estar convencido que a tecnologia de vídeo online já está madura o suficiente para justificar o custo e esforço para desenvolver este tipo de programação para internet.

Perguntando pelo organizador da conferência John Battelle sobre a decisão do The New York times por cobrar por partes do seu site, Sulzberger se defendeu, dizendo que jornalismo de qualidade é caro de se produzir.

Junto ao discurso, o executivo acrescentou que o site ainda é um negócio. Apenas as versões impressas do The New York Time e do The Boston Globe faturam mais que o NYT.com e seu serviço pago TimesSelect, disse.

O futuro da mídia

quarta-feira, março 8th, 2006

O Melhor da Mídia
Os mais céticos perguntariam se a imprensa tradicional pode dar-se ao luxo de vislumbrar algum horizonte à frente das atribulações que azucrinam a vida até de ícones como “The Wall Street Journal” e “Financial Times. Diriam, quem sabe, que o fim se anunci

O futuro dos jornais
Por Matías M. Molina, para o Valor

O Valor publicou uma série de artigos com o perfil de 17 dos principais jornais do mundo. A escolha foi em boa parte subjetiva, influenciada pelas idéias e preconceitos do autor. São publicações com características formais muito diferentes entre si. Enquanto alguns têm circulações enormes, superiores aos 12 milhões de exemplares por dia, como é o caso do “Asahi Shimbun”, ou mais de 6,5 milhões, como o “Nihon Keizai Shimbun”, o maior jornal de economia do mundo, ambos japoneses, outros mal conseguem chegar às 150 mil cópias diárias, como o suíço “Neue Zürcher Zeitung”. Mas todos se destacam pela relevância. A série mostrou as origens, evolução e influência de cada um desses jornais em seus respectivos países. Foi uma olhada ao passado e ao presente. Mas deixou uma pergunta no ar.

Qual é o futuro dos grandes jornais? – se é que têm algum. Conseguirão adaptar-se e continuar desempenhando seu papel de informar e refletir sobre a sociedade, estabelecendo como até agora a agenda dos debates e as prioridades e objetivos de seus respectivos países? Ou são, sem sabê-lo, os dinossauros da história da comunicação, destinados a desaparecer lentamente, devorados pelo avanço da tecnologia, tendo como sua última contribuição à humanidade a preservação das florestas? O que segue é uma tentativa de avaliar como os jornais de elite se preparam para enfrentar essa questão.

Um fator que surpreende, quando se olha o conjunto desses jornais, é a sua longevidade. Dois deles foram fundados no século XVIII, onze no século XIX e apenas quatro no século XX, como herdeiros diretos de jornais muito mais antigos. Quando Martin Walker escreveu “Powers of the Press – The World´s Great Newspapers”, editado em 1982, não quis incluir o jornal espanhol “El País”, fundado em 1976, por ser demasiado jovem. Apesar de sua enorme influência, faltava-lhe algo que só a idade e a experiência conferem: a habilidade para sobreviver aos mais diferentes ambientes, característica que dá a um jornal maior capacidade para enfrentar o futuro. A longevidade da maioria destes jornais de elite pode ser um indício de sua capacidade de adaptação.

Mas, coletivamente, esses jornais já estão enfrentando problemas que podem afetar sua sobrevivência. Sua circulação – com a exceção de três ou quatro – está em declínio lento e contínuo. Para reverter esta situação, alguns deles decidiram mudar o tamanho. Deixaram o formato “standard”, em princípio mais adequado para a sobriedade que se espera de um jornal formador de opinião, e se transformaram em tablóides, esperando assim atrair mais leitores jovens. Entre os jornais incluídos na série, este foi o passo dado por “The Times”, de Londres. Também foi uma medida tomada por “The Independent”, de Londres, e o “Dagens Nyheter”, de Estocolmo. “El País” não precisou fazer mudanças, pois já nasceu tablóide, mas “Le Monde”, que circula em formato “berlinês”, intermediário entre o “standard” e o tablóide, diminuiu recentemente seu tamanho, assim como seu concorrente na França, “Le Figaro”. O diário londrino “The Guardian” investiu 80 milhões de libras esterlinas (US$ 150 milhões) em novas rotativas que lhe permitissem adotar o formato berlinês. “The Wall Street Journal” circula nos EUA com suas grandes páginas tradicionais, mas as edições internacionais, “The Asian Wall Street Journal” e “The Wall Street Journal Europe”, que nasceram sob o padrão “standard”, hoje são tablóides.

O resultado inicial foi satisfatório. A circulação, embora sem saltos dramáticos, subiu de maneira moderada. Mas essa mudança provocou novos problemas com a venda de publicidade, ante a dificuldade de adaptar as tabelas de anúncios de um formato para outro, devido à mudança dos tamanhos e especificações desses anúncios. O resultado foi que, em vários casos, esse embate provocou a queda da receita de publicidade. Além disso, há o temor de que os ganhos de circulação com a mudança de formato sejam apenas temporários.

Mas, além das eventuais perdas ocasionadas pela adaptação dos formatos, os jornais sofreram prejuízos muito maiores quando os anúncios classificados – o “maná de ouro” da imprensa – foram deslocando-se para a internet, principalmente os de empregos, imóveis e veículos. Esta perda parece irreversível e causa profundos desequilíbrios nas finanças dos jornais.

A maioria dos diários examinados enfrenta problemas econômicos, em alguns casos os maiores de sua longa história. Sobre o “Financial Times” e “The Wall Street Journal” persistem os rumores de que poderão ser vendidos. O “Los Angeles Times” foi vendido há poucos anos e tem feito contínuos cortes nas despesas. “The Globe & Mail”, de Toronto, antes sólido e rentável, oscila em torno do ponto de equilíbrio. “The Guardian” é deficitário. “The Times” só não perdeu dinheiro em dois ou três anos dos últimos quarenta. “Le Monde”, com elevados prejuízos, teve que ser socorrido por “El País”, de Madri, e pelo grupo Lagardère, que tem um pé no negócio da comunicação e outro na indústria de armamentos. “Le Figaro” foi comprado há menos de dois anos por um fabricante de armas. O “Frankfurter Allgemeine Zeitung” e o “Süddeutsche Zeitung” (SZ) enfrentaram nesta década a pior crise de sua existência e o SZ teve que admitir um novo sócio que cobriu o passivo. O “Neue Zürcher Zeitung” ainda procura uma saída para seus problemas.

Os jornais de elite têm uma relação peculiar com o dinheiro. Hubert Beuve-Méry, o fundador do “Le Monde”, desconfiava do poder e da influência do mundo das finanças e procurou nunca endividar o jornal – uma política que não foi seguida por todos seus sucessores. Sem chegar a este limite, a maioria dos grandes jornais não tem como objetivo maximizar os lucros, mas conseguir um retorno que lhes permita a continuidade das operações e garantir sua independência. Poucas coisas seriam mais fáceis, por exemplo, do que aumentar, no curto prazo, a rentabilidade do “New York Times”: bastaria eliminar sua rede de correspondentes no exterior e cortar vários dos escritórios domésticos e a metade da redação. Mas este seria também o caminho mais rápido para diminuir sua qualidade e seu lugar especial na imprensa.

Quase todos os grandes diversificaram e se tornaram pequenos conglomerados. Quando abriram seu capital, sentiram a pressão dos investidores profissionais, para os quais a margem dos lucros é mais importante do que a qualidade do conteúdo. Alguns, como é o caso do “Washington Post” e do “New York Times”, conseguiram resistir. Outros precisam cortar despesas além da prudência e outros correm o perigo de perder a independência.

Nos EUA, a margem de lucro das grandes cadeias de jornais está entre as mais altas de todos os setores da economia. Praticamente dobrou nos últimos vinte anos. No entanto, a pressão dos analistas e dos gestores das empresas é para manter um aumento contínuo dessas margens, seja qual for o entorno econômico. Em tempos de recessão, o lucro é mantido mediante a redução dos custos. Esta situação leva ao paradoxo de empresas jornalísticas muito rentáveis se mostrarem enfraquecidas estruturalmente.

A principal interrogação no futuro dos jornais é de natureza tecnológica. A função dos jornais – e isto não mudou ao longo do tempo – é informar, analisar, orientar e entreter. Mas o impacto e alcance desses jornais mudam em função das condições materiais. Quando a impressora a vapor substituiu a prensa manual, os jornais puderam imprimir um número maior de cópias com um custo mais baixo e ampliar o número de leitores. O trem permitiu levar o jornal a longas distâncias, em grandes quantidades. A educação universal transformou analfabetos em leitores. O telégrafo possibilitou a transmissão instantânea de notícias que antes levavam dias ou semanas para serem recebidas. As linotipos e rotativas aumentaram ainda a velocidade e a escala da produção. A função do jornal continuou a mesma; a tecnologia permitiu multiplicar seu impacto.

  A maioria dos grandes jornais busca apenas um retorno que permita a continuidade das operações e garanta a independência  

Com o rádio e a televisão, o jornal perdeu o monopólio da informação e teve que ceder espaço para os novos meios. A internet, para os jornais, pode ser uma ameaça fatal ou uma inesperada oportunidade. Uma ameaça está no enorme volume de informações e opiniões gratuitas disponíveis na rede – muitas delas fornecidas pelos próprios jornais – que tornaria redundante a existência da imprensa. Outra ameaça, talvez pior, é que os jovens, seduzidos pela internet e pelo fascínio do telefone celular, lêem hoje menos jornal do que em qualquer época das últimas décadas.

A oportunidade está nas possibilidades que a internet oferece para distribuir o conteúdo do jornal. As empresas jornalísticas já se convenceram de que seu principal ativo, o conteúdo, pode ser adaptado para distribuição por qualquer meio, impresso ou eletrônico.

Há vários anos, “The New York Times” constatou que existe um mercado estimado em uns 40 milhões de pessoas, no mundo inteiro, que, pela sua educação, renda, profissão, interesses e conhecimentos da língua inglesa, seriam leitores potenciais do jornal. Por questões logísticas, eles não podem receber diariamente a edição impressa, mas podem receber pela internet a edição integral.

A digitalização das coleções de jornais e seu acesso pela internet também permitem aos jornais resgatar informações antigas que, de outra maneira, seriam de difícil acesso, oferecendo, além da informação do dia, a possibilidade de pesquisar o passado.

A questão, para os jornais, é como ganhar dinheiro na internet. O modelo econômico inicial de distribuir notícias de graça, que os jornais adotaram nos anos 1990, esperando ganhar dinheiro com a publicidade, afetou as finanças das empresas. Os anúncios não vieram, os investimentos não foram recuperados e o leitor se acostumou a receber gratuitamente pela internet a informação pela qual teria que pagar se comprasse o um exemplar impresso.

Os jornais já estão adequando seu modelo de negócios à internet. Em relação aos classificados, eles mesmos criaram modelos híbridos de anúncios que aparecem simultaneamente na rede e na forma impressa, desviando para eles mesmos uma parte dos que migram para a internet. Eles têm a vantagem de um longo e profundo conhecimento do mercado e de antigas relações com os anunciantes.

Hoje, a tendência entre os jornais de opinião é passar a cobrar pelo conteúdo que distribuem na internet. Os jornais econômicos levam aqui uma grande vantagem, pois sua informação é matéria-prima imprescindível para o mundo dos negócios. “The Wall Street Journal” adotou um modelo pago desde o início. Hoje tem cerca de 800 mil assinantes na rede que pagam pelas informações. Começou cobrando US$ 29,00 por ano pelo acesso eletrônico para os assinantes da edição impressa e US$ 49,00 para os não-assinantes. Hoje, cobra US$ 49,00 e US$ 99,00, respectivamente, e as assinaturas não param de crescer. Notícias com mais de 60 dias custam US$ 2,90 cada uma. O “Financial Times”, que inicialmente dava a informação de graça – e perdeu mais de US$ 300 milhões – hoje cobra US$ 110 pela assinatura e US$ 300,00 com acesso a uma base de dados de outras fontes. O diário econômico japonês “Nihon Keizai Shimbun” também cobra pelo acesso.

A maioria dos jornais generalistas europeus formadores de opinião cobra pelas informações. É o caso de “El País”, “Le Monde”, “Corriere della Sera”, “Neue Zürcher Zeitung”, “Süddeutsche Zeitung”, “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, além do japonês “Asahi Shimbun” e do canadense “The Globe & Mail”. As receitas ainda são baixas e é improvável que paguem o custo da operação. Mas a mudança é significativa.

A percepção de que não se ganha dinheiro com informação na internet é totalmente errada. Há empresas com milhares de assinantes para as quais a internet foi um meio de expandir o mercado e reduzir os custos de distribuição. São empresas que, como os jornais de elite, produzem informação e análises de alta qualidade, imprescindíveis para diversos tipos de atividades profissionais, em áreas como finanças, legislação, tributação, medicina, ciência e pesquisa científica, educação, engenharia.

Estas empresas editavam revistas, “newsletters”, estudos e livros especializados. Os preços de venda eram elevados. No fim dos anos 1980 e na década de 1990, passaram a digitalizar e colocar todo seu acervo em bancos de dados. A internet foi para eles não um meio de dar de graça esse conteúdo, mas de aproveitar as possibilidades oferecidas pela tecnologia para melhorar e flexibilizar a distribuição e de permitir o acesso pago aos tesouros contidos em seus arquivos eletrônicos. O custo de entrega ao assinante diminuiu e a internet permitiu aumentar o número de assinantes.

O volume de negócios dessas empresas é impressionante. A Thomson, canadense, que foi proprietária do “Times” e é a maior acionista do “Globe & Mail”, é também a maior empresa de informação profissional do mundo, com uma receita de US$’ 8,76 bilhões em 2005. A Reed Elsevier, anglo-holandesa, teve em 2004 uma receita de US$ 8,4 bilhões. A Wolters Kluwer, holandesa, faturou US$’ 4 bilhões em 2004. Há empresas menores, como as britânicas Informa e Economist Intelligence Unit, que fornecem informação de alta qualidade, vendida por preços elevados. Todas elas aproveitam a internet como veículo de distribuição.

  Mudar de tamanho foi uma tentativa de solução que se mostrou insuficiente para modificar um quadro de problemas que só se agravaram  

Estes exemplos mostram que a internet pode ser usada não apenas para dar acesso gratuito, modelo seguido no início pelos principais jornais, como para aumentar o alcance da distribuição de informação paga de alta qualidade. A maioria dos jornais está trilhando agora este caminho. Não é certo que consigam adotar este modelo de maneira satisfatória, mas é necessário assinalar que isto é possível e que já foi feito com sucesso.

Ainda que encontrem um modelo satisfatório de distribuição eletrônica das informações, a questão original continua em pé: os jornais impressos conseguirão sobreviver? A pergunta, no fundo, é se a palavra impressa terá futuro no mundo digital.

Até há poucos anos, os apologistas da Nova Economia falavam do “fim do papel” e do “paperless office”, o escritório sem papel. Pois bem, nunca se usou tanto papel como hoje nos escritórios. As pessoas que usam o computador gostam de imprimir qualquer mensagem que tenha mais de alguns parágrafos. O papel cansa menos a vista do que a tela do computador e permite uma maior concentração no texto.

Produtos que começaram no meio eletrônico, como o canal de esportes ESPN, sentiram necessidade de ter uma versão impressa e lançaram uma revista em papel – como as tradicionais. Diversos sites, que nasceram na internet, agora publicam revistas. E até o grande produto virtual, o Google, está preparando uma enorme campanha de publicidade na mídia impressa americana, jornais e revistas – a pedido dos anunciantes de seu projeto AdWorks.

Com relação ao jornal, afirma-se que a queda da circulação geral é irreversível. No entanto, em alguns países europeus, a leitura de jornais está aumentado graças ao lançamento de dezenas de novos diários distribuídos gratuitamente, que atraem a atenção principalmente dos leitores jovens. È provável que no futuro haja uma polarização. Por um lado, os leitores de jornais grátis. No outro extremo, um grupo minoritário disposto a pagar para ter informações e análises que os outros meios não têm condições de fornecer.

O jornal oferece uma quantidade e variedade de informações muito superiores às de qualquer outro veículo. Tem também a grande vantagem de oferecer o inesperado, algo que o leitor não está procurando, mas que o surpreende ante o imprevisto. Além disso, o jornal é muito mais adequado à análise e à reflexão. Não há certeza de que estas características vão ser suficientes para garantir o futuro do jornal.

No entanto, alguns indícios são favoráveis. Quando surgiram os boatos de que o “Financial Times” estaria à venda, os preços que circularam oscilavam em torno de US$ 1 bilhão, o que seria um preço exagerado se os compradores potenciais achassem que estavam comprado um dinossauro cansado, com poucos anos de vida. Diversas empresas jornalísticas, como a News Corporation, de Rupert Murdoch, encomendaram recentemente equipamentos gráficos no valor de bilhões de dólares. O próprio Murdoch, que no passado quis comprar o “Financial Times”, agora está interessado no “Wall Street Journal”. Kenneth Thomson, o principal acionista da Thomson, que não é conhecido por jogar dinheiro fora, tornou-se, em dezembro último, o maior acionista da empresa que controla “The Globe & Mail”.

Dias atrás, Roy Greenslade, o comentarista de mídia do “Daily Telegraph”, observava que a maneira de avaliar o impacto dos jornais não era correta. Os institutos que medem a circulação ignoram os leitores que visitam os sites da imprensa e o conteúdo que está sendo dirigido para celulares e “podcasts”. Algo que mudaria a atitude dos anunciantes.

Há um consenso entre os observadores do mundo da comunicação de que o futuro dos jornais depende em parte da qualidade da informação que conseguirem colocar à disposição do leitor. É também provável que haja, de certa maneira, uma volta ao modelo do século XIX, quando os jornais de elite custavam mais caro, mas eram lidos por uma elite. Um modelo possível é que esses jornais tenham no futuro uma circulação inferior à atual, talvez com menos páginas, mas com preço de venda mais elevado. O futuro dos jornais é incerto. Mas não é certo que não tenham nenhum futuro.

E-mail: molina@ cdn.com.br