setembro 2010
D S T Q Q S S
« ago    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Archive for the ‘Mundo Financeiro’ Category

Carteira de crédito do Gerador vai a R$ 53 mi

www.valor.com.br

Foto Destaque
Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador: atuação em mercados que os grandes bancos não entram

Com menos de um ano, o Banco Gerador, de Pernambuco, já acumula ativos de R$ 87,9 milhões e uma carteira de crédito de R$ 53,4 milhões no fechamento do ano. O rápido crescimento, de 38% no último trimestre, se deve em parte à recuperação da economia no pós-crise, que coincidiu com a inauguração da instituição, em março de 2009, mas também à ocupação de nichos esquecidos pelos grandes bancos.

O foco da instituição é o consignado, que concentra 75% da carteira. Em dezembro, o banco contava com 105 convênios com pequenas prefeituras do Nordeste e outros 25 com empresas privadas da região. Os 25% restantes do estoque de empréstimo são adiantamentos de recebíveis para companhias nordestinas com faturamento de até R$ 10 milhões e que estejam inseridas em alguma cadeia produtiva.

Segundo Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador, a única forma de um banco pequeno sobreviver é atuando em nichos que os grandes não têm interesse. Ele conta que as transações de consignado com os funcionários dessas prefeituras são conferidas uma a uma, pois são governos pequenos, que não têm sistemas informatizados. “Os grandes bancos não atuam nesse mercado.”

Todo esse trabalho rende ao banco uma margem média líquida de 2,5% ao mês com a intermediação financeira, algo na casa dos 34% ao ano, entre operações com pessoas físicas e jurídicas, num total de 11 mil clientes. “No próximo semestre já vamos fechar o balanço com lucro e esperamos recuperar o investimento de R$ 4 milhões feito pelos sócios”, diz.

Com o crescimento acelerado de 2009, os sócios já mudaram os planos e pensam em buscar um parceiro a partir do meio do ano para aportar mais recursos e levar o banco “para outro patamar”, nas palavras do presidente. “Pode ser um fundo ou mesmo uma oferta de ações na bolsa”, afirma.

Junho é uma data estratégica, avalia Dalla Nora, pois nesse momento o banco poderá atingir números simbólicos de R$ 50 milhões em patrimônio líquido, estoque de crédito de R$ 100 milhões e ativos na casa dos R$ 150 milhões. “Hoje estamos mais limitados pelo funding do que pelo tamanho do mercado”, diz, lembrando que espera que os convênios com as prefeituras dobrem, assim como o número de empresas clientes.

Hoje o Gerador pertence aos empresários Paulo Sérgio Freire Macedo – dono do Grupo Nordeste, de transportes de valores, com faturamento anual próximo a R$ 1 bilhão – e Severino José Carneiro de Mendonça, dono também de uma empresa de correspondente de crédito consignado. O pesquisador Antonio Lavareda, sócio do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e que no fim do ano passado se filiou ao PSDB, completa o quadro.

Além da receita com crédito, o banco também fechou no fim do ano passado parceria com a Companhia Excelsior de Seguros e com a Finacap Consultoria Financeira, para venda cruzada de produtos. Ainda nas receitas de serviços, o Gerador estruturou R$ 34 milhões em Cédula de Crédito Bancário (CCB) para empresas, todas repassadas para fundos de crédito. Desde a inauguração, o banco dobrou de tamanho em termos administrativos, pulando de 22 funcionários para os 40 atuais, a maior parte alocada no back-office.

Fernando Travaglini, de São Paulo

Remessas ao exterior são isentas de IR

www.valor.com.br

Laura Ignacio, de São Paulo
27/04/2010

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) decidiu que não incide Imposto de Renda (IR) sobre a remessa de capital ao exterior para pagamento de prestação de serviços. É a primeira manifestação da Corte favorável ao contribuinte. O tema é de grande interesse do setor petroquímico. As indústrias utilizam máquinas importadas, que necessitam de assistência técnica do exterior. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já recorreu da decisão.

Se uma indústria petroquímica contrata serviço de assistência técnica e remete o pagamento ao exterior, o Fisco retém 25% de Imposto de Renda sobre o total enviado. Caso o contribuinte não pague, é autuado. Hoje, para afastar essa exigência, as empresas têm recorrido ao Judiciário. A discussão, no entanto, ainda não foi pacificada pelos tribunais superiores.

No TRF da 2ª Região, a petroquímica, que faz parte de um grupo holandês, alegou que todos os tratados internacionais dos quais o Brasil faz parte preveem que o valor relativo ao pagamento por serviço feito por prestador com sede no exterior só pode ser tributado no país da sede dessa empresa. No caso, a Finlândia. Por unanimidade, os desembargadores da 4ª Turma acataram o argumento da empresa.

Eles reconheceram a prevalência de um tratado internacional sobre o Ato Declaratório da Receita Federal do Brasil nº 1, de 2000, que prevê a retenção na fonte. “Essa receita é lucro da empresa estrangeira, de acordo com o artigo 7º do tratado da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do qual Brasil e Finlândia são signatários”, explica o advogado que representa a petroquímica no processo, Luiz Gustavo Bichara, do escritório Bichara, Barata, Costa & Rocha Advogados. O objetivo desse dispositivo é evitar a bitributação.

A PGFN já apresentou recurso no TRF fluminense, mas ele ainda não foi julgado. Por e-mail, a procuradoria alega que se trata de um caso isolado e que não representa a jurisprudência do tribunal. No processo, argumenta que deve prevalecer a Lei nº 9.779, de 1999. A norma determina o pagamento de IR na fonte sobre rendimentos remetidos para residentes ou domiciliados no exterior. Isso porque, de acordo com memorial da PGFN, a convenção celebrada entre o Brasil e os Países Baixos foi ratificada em 1991, por meio do Decreto nº 355. “Pelo critério temporal, a lei prevalece sobre o tratado, pois é posterior”, diz a Fazenda Nacional no processo.

Planejamento Tributário: casos mais comuns

http://www.estadao.com.br


Casa e separa

Para pagar menos tributos sobre ganho de capital, a empresa que tem um ativo subavaliado se associa outra que quer comprar esse ativo. Meses depois há a separação.

Estoque superfaturado

O estoque se transforma em custo, que pode ser abatido do lucro.

Preços de transferências

A empresa importa produtos superfaturados. Só que a compra é feita de uma empresa coligada no exterior.

A empresa que está lá vai ter uma receita maior e a daqui um custo maior.

Sub-capitalização

Ao invés de subscrever capital, a empresa no exterior faz um empréstimo para o sócio no Brasil. Dessa forma, a empresa tem que pagar os juros do empréstimo (remetido ao exterior), que é custo e acaba não pagando imposto.

Debêntures para sócio

A empresa faz um lançamento de debêntures, mas quem compra o papel são os próprios sócios. As despesas com juros são dedutíveis para a empresa que emite, o que diminui o lucro dela.

Incorporação às avessas

Uma empresa com prejuízo incorpora uma lucrativa. O lucro da incorporada é diluído no
prejuízo da outra.

Turbinando créditos

Grandes empresas fazem uma compensação automática de créditos, por meio de uma
declaração eletrônica enviada à Receita, mas com base em uma interpretação favorável das leis tributárias. Se o Fisco contestar, está criado um litígio que pode durar anos.

Fabricação de ágio

Há vários tipos de operações de fabricação de ágio. Em síntese, uma empresa fabrica um ágio numa operação de fusão e aquisição de outra companhia, que depois pode ser abatido do lucro.

Escala típica para obtenção de recursos à uma empresa

1 Recursos do (s) empreendedor (es)
2 Recursos de pessoas próximas (família, amigos)
3 Capital Seed / Angels
4 Bancos de fomento
5 Bancos comerciais
6 FIDIC’s (cedente único ou multicedente)
7 Venture Capital
8 Emissão de Debêntures
9 Private Equity
10 Bolsa de Valores
11 Bolsas de Valores em outros países

Perfis típicos de Investidores:

1- Investidor com perfil de especulador em bolsa

quer o ativo mais barato possível

quer lucrar a curto-médio prazo

não tem nenhuma ação ou gestão sobre o negócio

conhece pouco ou quase nada do ramo

contribuição: dinheiro

alvo: dinheiro

2- Investidor com prefil de bolsa para médio – longo prazo

aceita pagar um preço razoável

quer lucrar no médio-longo prazo

não tem nenhuma ação ou gestão sobre o negócio

conhece alguma coisa sobre o ramo

contribuição: dinheiro

alvo: dinheiro

3- Investidor participante

gosta entusiasticamente do negócio, ramo de atuação

eventualmente possui outros negócios com sinergia a este

quer lucrar no médio-longo prazo

possui ação / gestão sobre o negócio

conhece em profundidade o ramo do negócio

contribuição: gestão-conhecimento / relacionamento / dinheiro

alvo: dinheiro / patrimônio / reconhecimento

No Brasil -> escala típica do faturamento de uma empresa:

Micro Pequena Média Grande Mega
1 M / ano 10 M / ano 100 M / ano 500 M / ano 5 B / ano

Debênture atrai capital fechado

www.valor.com.br

Carolina Mandl, de São Paulo
19/03/2010

As empresas de capital fechado começam a usar um novo instrumento para captar recursos: as debêntures, seguindo o sinal verde dado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em janeiro do ano passado. Antes disso, apenas aquelas com registro de companhia aberta podiam emitir esse tipo de papel.

Até agora, a lista de emissoras é limitada, com 13 empresas que lançaram R$ 6,1 bilhões em debêntures, segundo levantamento feito pelo Valor com base nos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Dessa relação foram excluídas as companhias fechadas com controladoras de capital aberto e que, portanto, já podiam se beneficiar de emissões desses papéis.

Foto Destaque

“O objetivo é criar para as empresas fechadas uma porta de entrada para o mercado de capitais. Quem sabe elas não se animam e depois listam suas ações na bolsa”, diz Felipe Claret, superintendente de registro da CVM.

Por enquanto, essa porta aberta pelo xerife do mercado tem sido usada mais como uma forma alternativa de obter uma linha crédito com os bancos com custo mais baixo, já que não há incidência da alíquota de 1,88% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), como ocorre nas transações de empréstimo. Assim, em vez de a instituição conceder um empréstimo a uma companhia, ela compra suas debêntures e as mantém em carteira.

É o que a Hermes, que vende produtos por catálogo e pela internet, fez. Trocou os tradicionais financiamentos de capital de giro por uma emissão de debêntures de R$ 135 milhões que foi comprada pelo Banco do Brasil, com prazo de dois anos. Além de se livrar do imposto, a companhia conseguiu alongar o prazo dos empréstimos. “Conseguimos pegar um empréstimo de mais longo prazo, de dois anos. Antes, as linhas de capital de giro venciam em, no máximo, um ano”, explica Bernardo Ferreira, diretor financeiro da Hermes.

Agora, quando os bancos vão dar dinheiro a uma empresa fechada, eles já avaliam a opção das debêntures. “É uma forma de o banco diferenciar a operação de crédito que vai oferecer ao cliente”, diz Ricardo Leoni, superintendente de mercado de capitais do Santander. Antes esse “truque” só podia ser utilizado pelas empresas abertas.

O Standard Bank, que adquiriu a Casa do Pão de Queijo por meio de uma operação alavancada no fim do ano passado, também optou pelas debêntures. “Foi a forma mais rápida que encontramos de viabilizar um empréstimo”, afirma Marcelo Di Lorenzo, chefe de private equity do Standard Bank.

Uma vantagem que a operação de crédito via debêntures pode trazer para o banco é a possibilidade de um dia repassar esse papel aos investidores, mesmo que num primeiro momento tenha de ficar com eles. É visando esse movimento futuro de liquidez, por exemplo, que o fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tem emprestado recursos para o setor imobiliário, comprando debêntures de empresas como OAS e Odebrecht.

Algumas poucas operações feitas por companhias fechadas já estão sendo oferecidas aos investidores. Foi o caso, por exemplo, das debêntures da Camargo Corrêa. Não houve apetite dos investidores para comprar nada além do R$ 1 bilhão inicialmente ofertado, mas os bancos participantes da oferta – Bradesco BBI, Banco do Brasil, Itaú BBA e HSBC – conseguiram tirar dos seus balanços aquilo que seria um tradicional financiamento. A emissão teve duas séries. A mais curta, de três anos, deve pagar 110% da taxa do Depósito Interfinanceiro (DI). Já a mais longa, com cinco anos, dá uma remuneração de 114% do DI. Ao todo, a companhia já emitiu R$ 2,8 bilhões.

“Como um banco de investimento, meu objetivo é sempre vender o papel, mas às vezes esbarramos em uma qualidade de crédito baixa para o padrão dos investidores. Nesses casos, optamos por ficar com as debêntures”, afirma João Carlos Zani, diretor do Bradesco BBI.

Uma exigência para que as empresas fechadas possam ofertar debêntures é divulgar suas informações financeiras. Mas, por lei, elas só precisam publicar um balanço anual, enquanto as abertas divulgam os dados trimestralmente. “É uma questão de amadurecimento do mercado. Se o risco é maior, a remuneração também deve ser. Tudo vai depender de como as ofertas iniciais vão evoluir”, afirma Rubens Cardoso da Silva, gerente-executivo de mercado de capitais do Banco do Brasil.

Para tornar o acesso ao balanço mais fácil, a CVM exige que seja publicado no site da empresa até três meses depois do encerramento do exercício social. Além disso, os dados devem ser auditados por empresas registradas na autarquia.

Para compensar a falta de informação, de uma forma geral, o tipo de oferta que as companhias fechadas podem fazer ainda é bastante diferente da gama de opções disponível para as empresas abertas. Para começar, a instrução que trouxe essa novidade, a 476, só permite a oferta de uma variedade restrita de valores mobiliários, como debêntures e notas promissórias. Ações, por exemplo, ficaram de fora. Além disso, os papéis só podem ser ofertados a investidores de grande porte, sendo que no máximo 50 deles podem analisar a emissão e até 20 podem comprá-la. Por isso a oferta é chamada de “esforços restritos”.

Novas plataformas, as MTFs derrubam preços na Europa

www.valor.com.br

Para os clientes da BM&FBovespa e da Cetip, as instituições financeiras, a consequência mais imediata do acirramento da concorrência entre as empresas deve se dar na redução de preços. Ao longo deste ano, a BM&FBovespa já vem promovendo uma alteração em suas taxas. Segundo comunicados da companhia, o objetivo é “tornar a atividade de negociação mais competitiva em comparação com outras bolsas do mundo”.

Essa nova política, apesar de ter alardeado a concorrência internacional, tem atingido também a rival brasileira, a Cetip.

Para as negociações do segmento BM&F, por exemplo, foi introduzido um sistema de desconto progressivo para estimular o uso: quanto mais o cliente negociar, menos ele paga por operação. Para a custódia, que ocorre por meio da CBLC, os valores também foram derrubados por meio de descontos progressivos, que serão aplicados até fevereiro de 2010.

A intensificação da concorrência já é esperada pela própria Cetip, que ressalta a questão no prospecto de oferta pública de suas ações. Em um primeiro momento, por outro lado, os preços da Cetip sofreram um reajuste para cima. Isso porque, antes de a empresa se transformar em uma sociedade anônima, ela aplicava descontos de 20% para seus associados. Essa política acabava derrubando a lucratividade da operação, fator que poderia contrariar o interesse dos novos acionistas.

A tendência de surgimento de plataformas menores de negociação para concorrer com as bolsas é mundial. Elas são batizadas de MTFs, Multilateral Trading Facilities, plataformas alternativas de negociação. Um dos casos que mais se aproxima do que pretende a Cetip é a Burgundy, lançada no primeiro semestre e fruto da união de 14 instituições financeiras para atender os países nórdicos.

O exemplo mais recente de MTF é a Quote, da Hungria, que começou a operar em setembro. Ao todo, já são seis na Europa voltadas para a negociação de ações. Além da Quote, foram criadas Chi-X Europe, Turquoise, BATS Europe, Nasdaq OMX Europe and Equiduct. O surgimento das MTFs na Europa está acirrando a redução de taxas cobradas, num mercado que tem convivido com queda de volumes.