maio 2012
D S T Q Q S S
« mar    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Archive for the ‘Mundo Financeiro’ Category

Os 10 mandamentos de um bilionário da bolsa

www.exame.com.br

São Paulo – No último domingo, EXAME.com revelou a atual carteira de investimentos de Lírio Parisotto, o maior investidor pessoa física da BM&FBovespa. O fundo Geração L. PAR FIA, do bilionário, possui um patrimônio de 2,2 bilhões de reais dividido entre ações do Banco do Brasil, Bicbanco, Bradespar, Cielo, Celesc, Eletropaulo, Eternit, Grendene, Redecard, CSN, Tecnisa, Transmissão Paulista e Usiminas. O histórico de resultados é um dos mais impressionantes da indústria de fundos mundial. Desde 1998, o Geração L. PAR obteve uma rentabilidade de 5.491%, contra 749% do Ibovespa e 613% do CDI.

Parte da explicação para que o fundo caia menos do que o Ibovespa nos anos ruins e bata consistentemente o índice nos anos bons está na filosofia de investimentos de Parisotto. O fundo procura comprar ações que pagam bons dividendos e também gera receitas com o aluguel de papéis que estão em carteira e com o lançamento de opções que dificilmente serão exercidas. Apenas neste ano, 220 milhões de reais entrarão em caixa do fundo com essas estratégias.

Parisotto também afirma que não gosta de imóveis, não faz day trade (compra e venda de ativos em um único dia) e acha que abrir o próprio negócio é ainda mais arriscado do que investir em bolsa. Apenas a renda fixa é considerada por ele uma opção interessante porque, com os juros altos brasileiros, seria possível obter retornos elevados praticamente sem risco. Em palestra promovida pela corretora Geração Futuro na noite desta quarta-feira, em São Paulo, o bilionário explicou os dez mandamentos que o fizeram ganhar tanto dinheiro com ações nos últimos anos:

 

Lírio Parisotto, da roça gaúcha para o mercado de ações

Lírio Parisotto: gestor de fundo de ações com retorno de 5.491% nos últimos 13 anos

1 – Não perca tempo com IPOs

Sempre que uma empresa decide fazer a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), é o investidor quem paga a conta. Em primeiro lugar, essas empresas chegam caras ao mercado. Na prática, é o investidor que arca com os custos do road show, as altas comissões dos bancos de investimentos e todo o material publicitário. Qualquer um que leia aquela publicidade toda ficará encantado com a empresa prestes a chegar à bolsa. Os gráficos sempre sobem como um foguete.

O problema é que, na realidade, aquilo tudo nunca acontece. No Geração L. PAR, até existem ações que chegaram recentemente à bolsa, como a Cielo e a Redecard. Mas eu nunca investi 1 centavo em IPO. As ações só entraram na carteira em 2010, quando caíram muito devido à expectativa de maior concorrência no setor de cartões. Desde então, os dois papéis subiram mais de 50%. Até estou vendendo uma parte do que comprei agora.

2 – Não diversifique demais

Compre no máximo uma nova ação por mês e não tenha mais de 12 ou 13 papéis em carteira. É impossível acompanhar de perto muitas empresas. Gastar o tempo lendo balanços de resultados não é algo sexy. O investidor deve se concentrar naquelas empresas e setores que conhece bem e segue de perto.

Meus investimentos estão concentrados em três setores: energia elétrica (Celesc, Eletropaulo e Transmissão Paulista), bancos/serviços financeiros (Banco do Brasil, Bicbanco, Cielo e Redecard) e siderurgia/mineração (Bradespar, CSN e Usiminas). O setor de energia tem essa característica de baixa concorrência e fluxo de caixa praticamente constante. Tenho bancos porque a turma gosta de se endividar. Eu costumava falar mal de bancos em minhas palestras por causa dos juros altos. Como ninguém fazia o que eu dizia, parei de criticar e virei sócio dos bancos.

E gosto das mineradoras porque o Brasil é campeão em competitividade nesse setor. Já a aposta nas siderúrgicas é a de que o país vai continuar a crescer e de que as obras de infraestrutura para a Copa e as Olimpíadas vão demandar muito aço. Os preços estão bem atrativos. As siderúrgicas apanharam demais na bolsa nos últimos meses.

3 – Seja sócio de empresas com vantagens competitivas

É muito importante comprar ações que atuam em mercados sem muitos concorrentes. A lógica é de que eu morro e a empresa fica. Eu não compro ações de empresas aéreas, por exemplo. Acho que qualquer companhia desse setor que não quebrou um dia ainda vai quebrar. Há 15 anos, as líderes de mercado no Brasil eram a Varig, a Vasp e a Transbrasil. Todas quebraram. A American Airlines já foi a maior do mundo e acaba de pedir concordata. Esse setor não tem barreiras de entrada. Um empresário pode financiar um monte de aeronaves e gastar muito pouco para montar uma companhia aérea. Mas as margens de lucro são baixíssimas ou inexistentes.

Outro setor que eu considero muito duro é o de varejo. Já trabalhei como comerciante e sei que é necessária uma gestão muito competente para ganhar dinheiro com isso. Umas 20 varejistas brasileiras quebraram nos últimos anos. Tem o Mappin, a Mesbla, a Arapuã, a G. Aronson. Até existem boas empresas como o Pão de Açúcar, mas a maioria trabalha com margens muito apertadas e pouca proteção contra a concorrência.

4 – Fique longe de empresas com sede em países exóticos

Já é muito difícil entender a confusa legislação brasileira, que vive mudando. Imagine se o analista tiver de compreender também as leis de outro país. Eu não compro a ação de nenhuma empresa negociada na BM&FBovespa que tenha sede fora do Brasil, principalmente nessas ilhas do Caribe. [nota de EXAME.com: entre as empresas da bolsa que têm sede no exterior, estão Laep, GP e Agrenco]

 

5 – Não invista em empresas que dão prejuízo

Esse pode parecer um conselho óbvio, mas tem muita gente que não o segue. As pessoas querem ficar ricas rapidamente e compram uma empresa em dificuldades na expectativa de que ela vá se recuperar. Isso às vezes acontece, mas é difícil. Eu só compro empresa que dá lucro porque elas não quebram. Estou de olho em lucro e distribuição de dividendos. É por isso que não invisto em uma empresa do Eike Batista. O dia em que as empresas X derem resultado eu vou avaliar.

6 – Liquidez é fundamental

Eu compro ações para ficar com elas durante muito tempo. Mas é sempre bom ter uma porta aberta na hora de entrar ou sair de um investimento. É por isso que é tão importante comprar ações com liquidez.

7 – Procure ações boas e baratas

Há muitas empresas boas na BM&FBovespa. Qualquer um pode ficar sócio de uma empresa com reservas gigantes de petróleo como a Petrobras ou com uma excelente administração como a Vale. Também há diversas ações baratas. O problema é que não adianta ter uma coisa e não ter outra. É preciso ser boa e estar barata. Há alguns anos, eu estava com uma enorme vontade de investir em bancos, mas nunca surgia uma boa oportunidade. Todas as ações do setor estavam caríssimas. Em 2008, com a quebra do Lehman Brothers, surgiram excelentes oportunidades de investir em bancos. Foi quando eu montei minha posição em ações do Bicbanco. Consegui comprar a 2 reais uma ação que meses depois chegou a 18 reais.

Com a crise na Europa, eu acho que neste momento há várias ações baratas na bolsa. Se corrigíssemos pelo IGP-DI o recorde atingido pelo Ibovespa em 2008, chegaríamos a 87.439 pontos. Hoje estamos próximos a 56.000 pontos e o lucro das empresas não parou de crescer. É por isso que acho que estamos diante de uma oportunidade de compra. Não estou dizendo que não pode cair ainda mais. Isso é chamado de renda variável porque é impossível de prever o que vai acontecer. A bolsa chegou a 30.000 pontos em 2008 e pode voltar a isso de novo se a Europa quebrar. O problema é que é impossível saber quando chegou o fundo do poço. O mercado antecipa esses movimentos e quando estiver claro que o pior já passou, os melhores preços também não poderão mais ser encontrados.

Pessoalmente eu acho que os países europeus vão encontrar alguma solução. Cerca de 17% das exportações brasileiras vão para a Europa. Se houver uma queda de 10% nos volumes exportados para a zona do euro, portanto, não será nenhum drama para o Brasil. É por isso que todo meu patrimônio está aplicado em renda variável.

8 – Nunca dê ouvidos aos espíritos santos de orelha

Não ouça dicas quentes sobre ações. Se a pessoa tem informação privilegiada, isso é crime. Se não tem, se é uma informação de jornal, ela já está embutida no preço das ações. O importante é estudar e fazer suas próprias análises antes de investir em uma empresa. Muitos analistas diziam que a bolsa fecharia este ano em 100.000 pontos. O mais pessimista falava em 75.000 pontos. Hoje estamos abaixo dos 60.000 pontos e nada disso aconteceu. Mas não foi o analista que perdeu dinheiro. Ninguém fala nada sobre isso.

 

9 – Controle o medo na queda e a ganância na alta

Qualquer um fica inseguro quando surge uma enxurrada de más notícias e a bolsa começa a cair. Eu também sinto essa aflição. Mas o que diferencia um investidor sênior de um júnior é a sua capacidade de manter os nervos sob controle quando o mercado todo está apanhando. É preciso saber que a cotação de uma ação do chão não passa para aproveitar as boas oportunidades de compra. Não acho que a Europa vai quebrar, mas, se quebrar, todos estaremos diante de uma excelente oportunidade de compra.

Por outro lado, quando a bolsa está em alta, também é preciso saber que uma árvore não cresce acima do céu. Por mais que pareça que aquele movimento de alta não vai acabar nunca, é preciso saber vender quando o objetivo estiver cumprido. Eu defendo que só seja investido em bolsa aquele dinheiro que não tem prazo para ser resgatado. Se a pessoa investe em bolsa para comprar algo daqui a dois anos, está cometendo um erro. Ainda que dois anos possa ser definido como longo prazo, a bolsa pode estar pior daqui a dois anos. A pessoa deve investir em bolsa até o momento em que possa colher os resultados dessa aplicação.

10 – Aposte em um azarão

Essa é uma forma de se desafiar e conseguir um retorno diferenciado. Encontre uma empresa em que ninguém acredita, mas que tenha um excelente potencial, e compre suas ações. Eu já tive cerca de seis azarões em minha carteira. Felizmente, ganhei muito dinheiro com a maioria. Consegui comprar ações da Randon a 0,20 real e depois esses papéis chegaram a 20 reais. Era uma empresa de Caxias do Sul (RS) que eu conhecia muito bem e que estava realizando os investimentos necessários para crescer no futuro – ainda que estivesse naquela época passando por um momento de dificuldades.

Também ganhei muito dinheiro com Bradespar quando o Bradesco separou seus investimentos não-financeiros nessa holding, que reunia papéis de Vale, CPFL, Scopus e Globocabo (que posteriormente virou NET). Era a época do estouro da bolha da Nasdaq e o mercado precificava esse papel como se fosse uma empresa de tecnologia fracassada devido à presença de Globocabo e Scopus. Mas só a participação que a Bradespar tinha na Vale já valia mais do que o preço de mercado do papel. Cheguei a comprar metade do fundo em ações da Bradespar e ganhei muito dinheiro. Também me dei bem apostando na privatização do Banespa e na venda da Nossa Caixa.

Mas também acontece der perdermos dinheiro com azarões. Hoje temos a Celesc na carteira. Eu achei que haveria melhorias na gestão da empresa, mas até agora isso não aconteceu.

Buffett define um investimento lucrativo e seguro

www.exame.com.br

Maior investidor da história explica por que prefere ativos produtivos – como empresas, fazendas ou imóveis – ao ouro ou papéis de renda fixa

São Paulo – Em um raro artigo publicado na revista “Fortune”, o megainvestidor Warren Buffett explicou, de uma forma bastante detalhada, sua preferência histórica pela classe de ativos produtivos – como empresas, fazendas ou imóveis – em detrimento das outras duas categorias de investimento existentes.

 

Na definição de Buffett, há basicamente três categorias de investimento. A primeira inclui os papéis financeiros que possuem algum valor monetário. Um título público do governo brasileiro, por exemplo, tem um valor de face que serve de referência para sua troca por dinheiro. O mesmo vale para debêntures (títulos de dívida de empresas), papéis imobiliários, CDB de bancos e outros instrumentos financeiros de renda fixa.Na definição de Buffett, há basicamente três categorias de investimento. A primeira inclui os papéis financeiros que possuem algum valor monetário. Um título público do governo brasileiro, por exemplo, tem um valor de face que serve de referência para sua troca por dinheiro. O mesmo vale para debêntures (títulos de dívida de empresas), papéis imobiliários, CDB de bancos e outros instrumentos financeiros de renda fixa.

 

Em geral, o mercado costuma enxergar essas opções de investimento como de baixo risco porque a volatilidade do valor de face costuma ser muito baixa ou até igual a zero. Para Buffett, entretanto, uma aplicação pode ter volatilidade zero e, ainda assim, representar um risco enorme.

Mesmo que um governo nunca pare de pagar principal e juros de um título público, explica Buffett, quem compra esse papel corre o sério risco de ter o poder de compra destruído ao longo dos anos – o que, na visão do bilionário, é sinônimo de péssimo investimento.

Em primeiro lugar, ele afirma que não é por que um título público paga 5% de juros que a pessoa estará necessariamente enriquecendo. De tempos em tempos, qualquer economia do mundo tem de enfrentar pressões inflacionárias. Se o aumento dos preços superar o percentual de juros pago por um título, esse investidor, na prática, perderá dinheiro.

Além da inflação, o investidor que quiser calcular da forma correta o ganho real obtido com um título financeiro de renda fixa também deverá descontar os impostos sobre os lucros. Buffett explica que nos últimos 47 anos, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos pagaram juros médios de 5,7% ao ano, o que parece satisfatório. Mas considerando a inflação média anual de 4,3% e a carga tributária de 25% dos ganhos para investidores pessoas físicas, o ganho real nesse período foi zero.

 

É por isso que ele não considera atrativos investimentos com base monetária neste momento – apesar de eles sempre aparecerem entre os preferidos em tempos de crise. O bilionário diz que quase só compra títulos americanos como forma de obter um pequeno rendimento enquanto decide o que fazer com os recursos no longo prazo. O dinheiro aplicado em um investimento líquido como os títulos pode ser resgatado a qualquer momento, sempre que surge uma oportunidade melhor.

 

Outra possibilidade é buscar títulos de renda fixa quando existe um potencial de ganho atípico, seja porque o mercado passa a desconfiar injustificadamente de determinado emissor ou porque os juros estão tão altos que gerarão um ganho interessante em valor de mercado quando as taxas voltarem a recuar.

Não é isso, entretanto, que pode ser observado neste momento. O banqueiro Shelby Cullom Davis dizia que os bônus costumam ser vendidos como algo que oferece retorno sem risco, mas que nos preços atuais só entregam risco sem retorno. A afirmação vale especialmente para a realidade dos países ricos, ainda que os juros reais tenham declinado para patamares historicamente baixos também no Brasil.

De acordo com Buffett, o segundo tipo de investimento são os ativos que não produzem nada, mas que mesmo assim são comprados por pessoas que acreditam que um terceiro estará disposto a pagar mais por ele no futuro. As tulipas holandesas foram um exemplo desse tipo de investimento no século 17.

Hoje, o principal ativo dessa categoria seria o ouro. O metal é considerado como uma espécie de porto seguro pelos investidores porque costuma se valorizar principalmente em momentos de guerra ou pânico nos mercados. Buffett, entretanto, vê dois problemas no ouro: a real demanda pelo metal para a produção de joias ou decorações é baixíssima e não há um fator de correção claro ao longo do tempo – em volume, uma onça será sempre uma onça.

O que motiva a atual corrida pelo ouro, portanto, é a crença de que o metal sempre vai se valorizar. Após quase uma década de valorização constante, essa tese acaba se validando por ela mesma. O ouro sobe, mais investidores se juntam à festa e as cotações continuam em alta. Mas isso não dura para sempre, como provam os tristes fins das bolhas da internet e dos imóveis nos EUA na década passada.

 

Buffett faz uma conta convincente para mostrar que o ouro também não vai se valorizar para sempre. Ele afirma que todo o estoque mundial do metal representa cerca de 170.000 toneladas métricas. Se todo o ouro do planeta fosse depositado no mesmo lugar, caberia em um cubo com lados de 20,7 metros – ou seja, algo com folga acomodável em um campo de futebol. Considerando que a onça de ouro custa cerca de 1.750 dólares, esse cubo valeria nada menos do que 9,6 trilhões de dólares.

 

Com o mesmo dinheiro, no entanto, um investidor poderia comprar todas as terras cultiváveis dos Estados Unidos mais 16 empresas do tamanho da Exxon Mobil (a mais lucrativa do mundo atualmente) e ainda sobraria 1 trilhão de dólares para escolher outros ativos. “Você pode imaginar algum investidor que escolheria a primeira opção em vez da segunda?”, pergunta o bilionário.

Daqui a um século, as terras já terão produzidos bilhões de toneladas de milho, trigo, algodão e outras culturas. A Exxon Mobil provavelmente já terá pagado trilhões de dólares em dividendos. O ouro, entretanto, continuará a ocupar o mesmo espaço no campo de futebol. Ainda que haja alguma valorização, Buffett duvida que seja comparável à dos demais ativos.

É por esse motivo que o bilionário defende a terceira categoria de investimentos: a dos ativos produtivos, que incluem empresas, terras e imóveis. O sonho de qualquer investidor é encontrar ativos que não sofrerão depreciação ao longo do tempo mesmo sem exigir grandes investimentos e produzirão fluxos de caixa que sejam corrigidos ao menos pela inflação. Empresas como a Coca-Cola e a IBM, as fazendas e os imóveis têm conseguido passar nesse teste.

Buffett tem uma explicação simples para o fenômeno. No futuro, a população dos Estados Unidos deve consumir mais bens do que hoje. E as empresas americanas devem continuar a entregar os bens demandados com eficiência e algum lucro.

Durante o século 20, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York saltou de 66 para 11.497 pontos. É por isso que Buffett planeja continuar a aumentar suas participações em empresas de primeira linha. “Acredito que, sob qualquer período longo de tempo, essa será a categoria de investimentos que se provará vencedora entre as três que examinamos. Ainda mais importante, essa será também, de longe, a categoria mais segura”, escreveu ele.

Brazil Pharma incentiva compra de ações por funcionários

www.estadao.com.br

A XP Investimentos acaba de criar um novo braço de atuação: a XP Corporate. O projeto piloto foi uma parceria com a holding de farmácias Brazil Pharma, que tem como principal acionista o banco BTG, de André Esteves. “Criamos um fundo de investimento exclusivo para os funcionários aplicarem nas ações da empresa”, diz Benchimol, presidente da XP. “Para os primeiros R$ 50 de investimento do funcionário, a empresa entra com o mesmo valor e as aplicações podem ser descontadas diretamente na folha de pagamento.”

Toda semana, uma equipe vai até a empresa dar consultas individuais de educação financeira aos interessados. Em três meses de projeto, mil funcionários têm contas do fundo e fizeram aplicações com a XP. “É um ganha-ganha: o funcionário aprende a lidar melhor com o dinheiro, nós conquistamos mais clientes e estreitamos o relacionamento com as empresas, e elas, por sua vez, oferecem um benefício para o colaborador”, explica Benchimol. No mês passado, a XP fechou contrato com mais dez companhias, entre elas, a Anhanguera Educacional e a concessionária de energia elétrica AES Sul.

Salvem os bancos pequenos

www.valor.com.br

Salvem os bancos pequenos

Por Jairo Saddi

No fim do ano passado, o governo editou medidas de corte da remuneração de compulsório com o objetivo de estimular o modelo dos bancos pequenos. Com o recrudescimento da crise, o advento do Banco PanAmericano, que prejudicou a venda de carteiras, e as evidentes necessidades de funding, essas instituições poderiam enfrentar dificuldades no médio prazo. Realmente, foi necessário agir e o Banco Central acertou na medida.

No entanto, é preciso alargar o debate. Há dois aspectos que nos parecem relevantes nessa discussão: primeiro, quanto à concentração do sistema financeiro, e, segundo, quanto ao papel dos bancos pequenos no mercado, sua importância relativa e relevância no processo.

No que diz respeito à concentração bancária no Brasil, os maiores bancos privados detêm mais de 67% dos ativos de todo o sistema financeiro. Considerando o sistema como um todo, o setor público responde por 28% e o privado, por 53% (e os bancos estrangeiros, por 18%). Assim, podemos inferir que quase 80% dos ativos privados estão concentrados em cinco instituições financeiras privadas, sendo todos bancos. Se aplicado outro critério, o de patrimônio líquido, verifica-se um índice igualmente preocupante: 85% do total do patrimônio líquido do sistema financeiro nacional está concentrado em dez instituições privadas. Se a concentração dos bancos no sistema financeiro tende a aumentar, o processo de downsizing, ou seja, a redução da representatividade do sistema financeiro no Produto Interno Bruto (PIB), também tende a se intensificar. Apenas para dar um exemplo, em 1993, último ano antes do Plano Real, o sistema financeiro era responsável por 15% do PIB. Em 1996, essa participação caiu para 8,3% e hoje está em torno de 3% (2010).

Se elevar concentração bancária, a queda da participação do sistema financeiro no PIB tende a se intensificar

A necessidade de proteção à poupança popular e os efeitos do multiplicador de moeda fazem com que, além de importante variável macroeconômica, o sistema financeiro exija pesada regulamentação como atividade intermediadora de recursos. Portanto, a concentração bancária e os movimentos ligados à concorrência entre os bancos são de interesse especial do Estado para obter os fins maiores de sua política econômica, por meio da expansão ou contração dos meios de pagamento.

Por sua vez, a quebra de um banco significa um grande transtorno público aos pequenos depositantes de boa-fé, e é natural que o Estado procure, por todas as formas, evitar que um banco que se tornou ilíquido contamine os demais do setor. É evidente que, quanto maior o banco (e maiores os interesses envolvidos), maiores serão os riscos de sua quebra.

Sabendo disso, muitos bancos que já estão com dificuldades podem se engajar em operações de alto risco, o que ficou conhecido na doutrina econômica como o problema da “moral hazard”. Em decorrência desse fato, a doutrina econômica passou a analisar outra tese, a do “too big to fail” (grande demais para quebrar), na qual bancos grandes, por apresentarem risco sistêmico forte, são impedidos pela autoridade monetária de ser liquidados. Assim, a concentração bancária – inevitável nos dias de hoje – apresenta algumas desvantagens consideráveis.

Bancos pequenos sólidos – e ressalte-se aqui que as exigências de capital mínimo para abrir um banco no Brasil são as mais elevadas do mundo, o que não impede bancos de cometerem imprudências – são fundamentais ao sistema, já que podem oferecer uma alternativa à concentração e às dificuldades expostas acima. Em outros países, longe de nossa realidade, o caso é, todavia, emblemático. Lá, sólidos bancos pequenos oferecem uma alternativa à concentração e, mesmo depois da crise de 2008-09, buscam nichos de atuação. Além disso, bancos pequenos, ou butiques financeiras, podem propiciar uma grande diferenciação de canais de distribuição, por se destacarem com serviços e produtos personalizados.

Finalmente, os ganhos de escala em bancos de grande porte – rede de agências, estruturas e amplitude de produtos – fazem com que seja difícil a um banco menor se tornar o único banqueiro do cliente, mesmo que exista o argumento de que, no banco menor, privilegiam-se mais a confidencialidade e as soluções personalizadas.

Para abrir um banco é necessário um projeto de viabilidade que combine competência, capital e idoneidade. Um banqueiro pequeno pode ter tudo isso com a vantagem de oferecer um relevante serviço ao sistema financeiro nacional em matéria de concorrência.

Jairo Saddi, pós-doutor pela Universidade de Oxford, é professor de direito do Insper.

Direct Edge chega para desafiar BM&F

www.valor.com.br

 

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

Jin Lee/Bloomberg/Jin Lee/BloombergEmpresa espera iniciar operações no quarto trimestre de 2012, diz O’Brien

Uma novo concorrente estrangeiro tem planos de quebrar a hegemonia da BM&FBovespa no mercado brasileiro de negociação de ações. Após a Bats Global Markets anunciar no início deste ano a intenção de atuar no país, a Direct Edge, responsável por 10% do volume de ações negociado no mercado americano, oficializa nesta segunda-feira os planos de criar uma bolsa alternativa no Brasil.

O objetivo da companhia é dar início às operações no quarto trimestre de 2012, após obter todas as aprovações regulatórias, disse ao Valor, por telefone, o presidente da Direct Edge, William O’Brien. A unidade brasileira, que terá sede no Rio de Janeiro, deve ser a primeira fora dos Estados Unidos. A empresa vem estudando o mercado nacional há um ano e meio, segundo o executivo.

Criada em 1998 como uma plataforma de negociação, a Direct Edge começou a atuar como companhia independente em 2007 e, no ano passado, obteve aprovação da SEC (a comissão de valores mobiliários americana) para operar como bolsa de valores. Entre os sócios da empresa estão pesos-pesados do setor financeiro, como o Goldman Sachs e o J.P. Morgan, além de International Securities Exchange, Knight Capital e Citadel Derivatives Group.

De acordo com O’Brien, a Direct Edge negocia diariamente em torno de US$ 27 bilhões, o que representa mais de seis vezes o volume médio da BM&FBovespa. Apesar das cifras menores, o executivo vê potencial local. “Enxergamos uma grande oportunidade no Brasil, que possui uma comunidade financeira sofisticada e uma estrutura regulatória que permite a entrada de um competidor”, diz.

A chegada de concorrentes provoca reação da BM&FBovespa. Na semana passada, em entrevista ao Valor, seu presidente, Edemir Pinto, qualificou os concorrentes como “oportunistas”, dispostos apenas a “beliscar” um pedaço do mercado e depois ir embora.

Ao contrário do Brasil, onde a BM&FBovespa é a única instituição autorizada a atuar como bolsa, o mercado americano é altamente fragmentado. Além das bolsas autorizadas a funcionar, algumas corretoras desenvolveram sistemas próprios de negociação.

A principal barreira de entrada para plataformas concorrentes de negociação no país é a falta de alternativas para os sistemas de liquidação (clearing) e custódia de ativos. A bolsa brasileira, que possui a CBLC, trabalha com um sistema integrado, e não abre mão da exclusividade nesse serviço.

Edemir Pinto contou que foi sondado pela Direct Edge, mas descartou uma possível parceria. O’Brien confirma o encontro, mas diz que a recusa da bolsa não abalou os planos para o país. “Estamos em busca de alternativas para a clearing, que esperamos anunciar em breve”, afirma.

Ao se instalar no Brasil, a Direct Edge está de olho não apenas no mercado da BM&FBovespa como também das operações que hoje são realizadas no exterior, via American Depositary Receipts (ADRs, recibos de ações, na sigla em inglês). “Acreditamos que podemos atrair para o Brasil parte dos negócios que hoje são feitos em Nova York”, afirma.

Por enquanto, ainda não há planos para uma equipe local de direção da Direct Edge. A companhia avalia ainda a possibilidade de atuar com um parceiro local, nos moldes da Bats, que se uniu à gestora de recursos Claritas. O escritório de advocacia Demarest e Almeida Advogados é o assessor legal da companhia no país. O lançamento oficial da Direct Edge Brazil acontece em evento marcado para o próximo dia 29, no Rio. (Colaborou Daniele Camba)

Credit Suisse lança bolsa de longo prazo

www.valor.com.br

 

Por Bloomberg

Brendan Smialowski/Bloomberg/Brendan Smialowski/BloombergMathisson: ideia é abrir mão das operações de alta frequência e criar um mercado voltado para investidor de longo prazo

A Credit Suisse Securities, a corretora de valores que administra o maior “dark pool” (bolsa informal) de ações do mundo, começará a operar um mercado de ações até o fim de março, segundo informou Dan Mathisson, presidente da unidade de negociações eletrônicas da firma.A praça, chamada Light Pool, será a primeira rede eletrônica de comunicações (ECN na sigla em inglês) dos Estados Unidos a ser iniciada em cinco anos. A ECN será voltada para investidores institucionais como fundos mútuos, fundos de hedge, fundos de pensão e fundos de doações. Ao contrário das bolsas existentes, a Light Pool vai empregar um sistema para classificar os usuários pela maneira como eles negociam, como meio de estabelecer os preços e manter afastados os especuladores indesejados.

A unidade do Credit Suisse Group está lançando a praça enquanto executivos do setor e alguns investidores criticam a fragmentação dos mercados entre as 13 bolsas de valores existentes nos Estados Unidos, 3 redes de comunicações eletrônicas (ECNs) e mais de 40 dark pools, que são plataformas privadas administradas por corretoras para negociar ações sem a revelação de ofertas de compra e venda. Uma ECN é um sistema de computadores que comparam ordens de compra e venda e compete com a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e com o mercado de ações da Nasdaq.

“Há uma necessidade real de um novo tipo de mercado exposto em que todas as regras sejam estabelecidas tendo em mente os investidores de longo prazo”, disse Mathisson. As operações de alta frequência, que englobam as estratégias conduzidas por computadores e cujo ponto em comum é a rápida apresentação e execução das ordens, respondem por pelo menos metade de todo o volume de ações negociado nos Estados Unidos, segundo a Securities and Exchange Commission (SEC). “Nossa ideia é abrir mão dessa parcela do mercado e criar um mercado de nicho com regras voltadas para os investidores de longo prazo”, disse ele.

A automação e a competição crescentes já reduziram as participações da NYSE e da Nasdaq nos negócios com ações que elas listam em até 80% na última década. Agora, menos de 30% dos negócios ocorrem em suas principais bolsas, uma vez que as ordens estão dispersas por mais de 20 praças concorrentes, quase todas totalmente eletrônicas. Vinte anos atrás, menos de 10 bolsas competiam pela maior parte dos negócios com ações nos EUA.

As firmas que não conseguirem atender os padrões voltados para a proteção dos investidores de longo prazo não poderão participar diretamente da praça do Credit Suisse, disse Mathisson, presidente do grupo de Serviços de Execuções Avançadas da corretora, formado por 250 pessoas. O Crédit Suisse vai subsidiar a ECN, que não deverá ser lucrativa inicialmente, como um serviço aos seus clientes institucionais, afirmou Mathisson.

A Light Pool foi construída com a mesma tecnologia usada no Crossfinder, o dark pool da corretora. Esse sistema negociou 2,8% do volume de ações movimentado nos EUA, quase o mesmo tanto que os outros dois maiores sistemas – o Sigma X do Goldman Sachs de Nova York, e o Getco Execution Services de Chicago – juntos, segundo um relatório divulgado em 21 de dezembro pela corretora Rosenblatt Securities.

Algumas ordens poderão ser transferidas do dark pool para o novo mercado, mas a Light Pool vai aumentar o volume geral negociado pela corretora Crédit Suisse, afirma Dmitri Galinov, diretor de estratégias de liquidez, que supervisiona a negociação de produtos incluídos nessas plataformas. A Credit Suisse começou a testar a Light Pool no mês passado, com vários clientes negociando ações da General Electric (GE). Na semana passada ela ampliou os negócios para uma dezena de ações.

O desenvolvimento da Light Pool começou há um ano, como uma proteção contra potenciais restrições reguladoras aos dark pools. Os executivos-chefes de operadoras de bolsas como a NYSE Euronext de Nova York e a Nasdaq OMX Group vêm exortando a SEC a impor mais exigências aos dark pools, que cresceram a ponto de responder por mais de 12% dos negócios com ações em novembro, contra menos de 9% há dois anos, segundo mostram dados da corretora Rosenblatt.

Como suas preocupações regulatórias diminuíram em 2010, o Crédit Suisse mudou seu foco para a criação de um mercado público exposto para os investidores institucionais que temiam não estar conseguindo execuções adequadas nas bolsas que atendem firmas de alta frequência.

A ECN poderá eventualmente conseguir uma participação de mercado de “uns poucos pontos porcentuais”, mas o objetivo não é construir uma concorrente para a NYSE ou outros mercados, afirma Mathisson. O objetivo é reduzir o que os operadores chamam de seleção negativa, ou a possibilidade dos clientes terem ordens executadas quando o mercado estiver se movimentando contra eles, banindo certos usuários e eliminando ordens e práticas que agradam as firmas de alta frequência.

“O foco está na minimização do vazamento de informações”, diz Galinov. “Queremos incentivar as ordens de limite na Light Pool, reduzir a seleção negativa e o número de vezes que os clientes são alvejados por outros operadores.”

Nos últimos anos, as bolsas vêm competindo por volume com as firmas de alta frequência como a Getco LLC, a Tradebot Systems e a Hudson River Trading, que substituíram muitos formadores de mercado tradicionais, expulsos pela automatização crescente e pelos incrementos de cotação de um centavo, em vez de oitavos de dólar.

A competição das firmas de volumes elevados, que perseguem uma série de estratégias que dependem da velocidade, vem ocorrendo às custas dos investidores de longo prazo, que negociam com participantes que oferecem liquidez mesmo enquanto tentam evitar aqueles que tendem descobrir quais instituições estão comprando ou vendendo, diz Mathisson.

A Bats Global markets de Kansas City (Missouri) e Jersey City e a Direct Edge Holdings de Nova Jersey, que operam duas bolsas cada, começaram como ECNs antes de se transformarem em bolsas. A Light Pool não tem planos de se tornar uma bolsa, em parte porque a SEC exige que corretoras donas de bolsas mantenham sua participação abaixo de 20%, explica Mathisson.

A Bats, que começou a operar em 2006, é controlada por um consórcio de 11 bancos e firmas que negociam carteiras próprias, enquanto a Direct Edge é controlada principalmente pela Knight Capital Group de Nova Jersey, Goldman Sachs, Citadel e International Securities Exchange de Nova York, a terceira maior bolsa de opções dos EUA. A Bloomberg LP, controladora da Bloomberg News, opera uma ECN, assim como o Citigroup.

A Credit Suisse superou corretoras concorrentes ao reivindicar quase 9% dos negócios com ações realizados por clientes institucionais nos EUA, com base nas comissões pagas por ação, segundo consta em um relatório divulgado em junho pela Greenwich Associtates, uma firma de pesquisas de Stamford, Connecticut. A companhia também é uma das cinco principais fornecedoras de algoritmos para 69% das administradoras de ativos que participaram de uma pesquisa conduzida pela Tabb Group de Nova York e divulgada em dezembro.

Os clientes da corretora e firmas que acessarem a Light Pool serão classificados automaticamente, com base em um período inicial de comportamento das negociações e inseridos em uma de três categorias: colaboradores, usuários neutros e operadores oportunistas. Galinov diz que o critério de definição de uma firma será automatizado e objetivo, “sem nenhuma intermediação humana”, que é exigida para os mercados públicos. O objetivo é determinar se as firmas estão lucrando sistematicamente com seus negócios de maneira que isso possa afetar os clientes institucionais, continua ele.

As firmas oportunistas, que segundo Galinov incluem algumas companhias de negociações de alta frequência, serão excluídas da plataforma e impedidas de apresentar ordens ou executar programas de computador contra ofertas de compra e venda diretamente pela Light Pool. Em vez disso, elas terão que usar a National Stock Exchange de Jersey City, onde a Light Pool também divulgará suas cotações.

As ECNs precisam tornar públicas suas cotações, através de uma bolsa registrada como a NSX, ou uma plataforma operada pela Financial Industry Regulatory Authority. Como as negociações na Light Pool serão mais caras e lentas para essas firmas, elas provavelmente não usarão a ECN, reduzindo a experiência de seleção negativa dos investidores, afirma Galinov.

Os colaboradores, que incluirão os investidores de longo prazo, receberão um desconto “significativo” quando negociarem contra ordens que estiverem paradas na Light Pool, enquanto as firmas neutras, ou aquelas cujos comportamentos ficaram abaixo dos de outros grupos, poderão ou não receber descontos, diz Galinov

Embora a formação dos preços ainda não tenha sido finalizada, ele diz que os descontos para os colaboradores que tomarem liquidez poderão ser os maiores do setor – atualmente de 14 centavos de dólar por 100 ações na Chicago Board Options Exchange e na Nasdaq OMX BX.

Motivadas pelas ECNs uma década atrás, as maiores bolsas de valores dos EUA vêm adotando programas de formação de preços que recompensam as corretoras por elas inserirem propostas de compra e venda em suas plataformas, depois que anos de reformas reduziram a lucratividade da atividade de formação de mercado. Computadores mais potentes e medidas como a formação de preços das ações em incrementos de centavos, reduziram o spread dos preços que antes compensava os profissionais pelo fornecimento de liquidez, estimulando as bolsas a darem descontos para as corretoras que realizam uma função similar através de estratégias de alta velocidade.