Archive for the ‘Mundo Financeiro’ Category
Imóveis brasileiros rendem o dobro da média mundial
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São Paulo – A renda gerada pelo aluguel de imóveis comerciais no Brasil foi a décima maior do mundo em 2010. Segundo uma pesquisa da consultoria imobiliária Colliers, que leva em consideração 130 cidades em 50 países mundo, a taxa de retorno de escritórios representou em média 11% do valor da propriedade em São Paulo e 10,5% no Rio de Janeiro. Os percentuais são equivalentes ao dobro da média mundial (5,5%) e superam os valores obtidos nos principais centros mundiais, como Nova York (6%), Londres (5,75%), Milão (5,5%), Paris (5,1%) e Tóquio (4,6%).
Os imóveis industriais, como galpões, centros de distribuição e unidades fabris, são ainda mais rentáveis. O aluguel representou 12,5% do valor do empreendimento no Rio de Janeiro e 11,5% em São Paulo. Ambos os valores também são bem superiores aos das maiores metrópoles mundiais.
O investidor que fugiu dos ativos financeiros e concentrou seus recursos no mercado imobiliário nos últimos anos não tem do que se queixar. Desde 2007, o retorno médio obtido com imóveis comerciais foi bem superior ao CDI (considerado o retorno médio de investimentos de renda fixa) e ao Ibovespa (principal índice de ações da bolsa paulista).
É importante lembrar que a vantagem dos imóveis foi obtida mesmo sem levar em consideração o ganho que pôde ser embolsado pelo investidor com a compra e venda de imóveis em um momento de forte valorização. A taxa de retorno só inclui a renda gerada pelo imóvel a partir dos aluguéis e eventualmente outros serviços prestados dentro do empreendimento.
Preços
A expectativa da Colliers é de que os valores dos aluguéis e de revenda dos imóveis comerciais não subam tão rapidamente no Brasil neste ano quanto no passado recente. A economia passa por um momento de desaceleração devido ao aumento dos juros. Em épocas como essa, vendedores e locadores são obrigados a ser mais flexíveis nas negociações.
Para a consultoria, a tendência geral é de que seja observada uma gradual queda nas taxas de retorno dos imóveis brasileiros nos próximos anos. Um limitador desse processo é a inflação em alta, já que a maioria dos contratos imobiliários são indexados ao IGP-M no Brasil. Isso significa que os aluguéis ficam mais caros sempre que os preços aceleram. Não é à toa que o mercado imobiliário é visto como porto seguro por muitos investidores em momentos de avanço da inflação.
São Paulo e Rio
O levantamento da Colliers também inclui a lista dos imóveis mais rentáveis do Rio e de São Paulo. Todos são empreendimentos de escritórios e quatro deles se encontram na capital paulista, conforme a tabela abaixo:
| Os imóveis mais rentáveis de São Paulo e Rio de Janeiro | ||
|---|---|---|
| Empreendimento | Cidade | Taxa de retorno do imóvel |
| Edifício Barros Loureiro | São Paulo | 22% |
| Centro Administrativo Santo Amaro | São Paulo | 14% |
| Rio Branco 115 | Rio de Janeiro | 14% |
| Eco Berrini | São Paulo | 13,50% |
| Brazilian Financial Center | São Paulo | 13,50% |
A Colliers acredita que o mercado de escritórios de São Paulo deve continuar no estágio de expansão nos próximos meses. A partir do segundo semestre, entretanto, grandes empreendimentos serão entregues. A consultoria prevê o início de um estágio de superoferta de espaços para a instalação de empresas a partir de 2012. com a diminuição no ritmo de aumento dos preços ou mesmo queda.
Já o mercado carioca de escritórios vive uma realidade bem distinta. As limitações geográficas impostas pelo mar e pelas montanhas diminuem as possibilidades de novos lançamentos de prédios comerciais nas regiões onde as empresas desejam se instalar. Tanto que muitas incorporadores enxergam o retrofit (revitalização total de prédios antigos) como única alternativa para levar adiante grandes empreendimentos na cidade.
Como a expectativa de lançamentos não chega a superar a demanda, a Colliers acredita que o Rio de Janeiro encontra-se neste momento apenas na metade do ciclo de expansão imobiliária. Os preços dos aluguéis e das propriedades, que já são bastante altos, devem continuar a subir por mais alguns anos. O estágio de superoferta, em que há uma reversão nos valores praticados, só de ser alcançado por volta de 2014.
Os dois lados das finanças: quem paga e quem recebe juros
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Já percebeu que tudo, tudo mesmo, envolve alguma quantia de dinheiro? Uma música do Silvio Brito diz: “tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer”.
Mas o que fazer para não faltar dinheiro em nenhuma fase de sua vida? Primeiro, precisamos compreender como as finanças permeiam os diferentes momentos de nossas vidas.
Deixadas de lado atrocidades como o trabalho infantil, situação de muitas crianças, desde o nascimento até a infância, somos incapazes de gerar renda. Dentro da normalidade de uma sociedade civilizada, toda a infância e grande parte da vida de um jovem são destinadas a consumir recursos sem que se produza nada ou produzindo muito pouco frente ao que é demandado.
As finanças dessa fase podem ser encapsuladas na seguinte fórmula: demandas pessoais = receitas de provedores. Os provedores são os pais, os familiares ou mesmo o governo e entidades que cuidam de crianças e jovens carentes.
Na juventude, existe uma demanda chamada “educação formal”, que irá preparar o indivíduo para ser independente dos provedores. Ou seja, prepará-lo para o trabalho remunerado. Nesse estágio, a fórmula que nos mostra o fluxo de finanças pessoais deveria ser a seguinte: receita de trabalho = demandas pessoais.
Perceba que as demandas do indivíduo passaram para o outro lado da fórmula e que outros provedores sumiram da mesma. Isso ocorre quando, e somente quando, o indivíduo se torna independente de seus pais ou de quem quer que seja. Concordo que a mudança é paulatina e não abrupta na maior parte dos casos. E assim deve ser. Os laços, suavemente, são cortados e o filhote deixa o ninho.
Já independente, as finanças saudáveis de um indivíduo devem agregar outro tipo de receita. A receita de juros. Com isso, temos a seguinte fórmula para as finanças pessoais dos que enriquecem: receita de trabalho + receita de juros = demandas pessoais. Veja que as demandas pessoais correspondem a tudo aquilo que consome dinheiro, em maior ou menor quantidade, sendo o necessário ou o supérfluo.
Ao final da vida, voltaremos a não mais trabalhar. Acredito que poucos sonham morrer em seus escritórios ou consultórios. Portanto, para abdicar da receita do trabalho, seu patrimônio deve ser grande o suficiente para que a receita de juros supere suas demandas pessoais na terceira idade.
Nessa fase, é de se esperar que a fórmula – considerando os idosos que fizeram sua lição de casa em educação financeira – fique assim: receita de juros = demandas pessoais. Ou seja, não é preciso mais trabalhar de forma remunerada para manter o mesmo padrão de vida.
O que mostrei até aqui é o mundo perfeito. No entanto, existe um mundo financeiro mais realista e cruel. Dados oficiais mostram que somente 1% dos aposentados no Brasil alcança a condição de manterem-se inativos e com o mesmo padrão de consumo de quando trabalhavam.
A chave para a mudança é manter os juros do lado das receitas, evitando que se tornem mais uma demanda. Ao consumir um refrigerador, imóvel, automóvel, ou qualquer produto pagando em x “parcelas que cabem no bolso”, você pagará juros e sua fórmula fica da seguinte maneira: receita de trabalho = demandas pessoais + despesas de juros.
Veja que pagar juros não é uma demanda natural do indivíduo como beber água, alimentar-se ou viver sob um teto digno. Pagar juros é uma escolha, diga-se tão ruim quanto consumir drogas ou comer ou beber em demasia.
Ao escolher qualquer crediário, você trabalhará mais para pagar nova despesa (dos juros) ou terá menos para suas demandas pessoais – uma vez que sua renda não aumentou.
Trocando em miúdos, se você anda de carro, por que paga pelo carro com juros? Os juros levarão seus filhos à escola? Se você conserva seus alimentos na geladeira, por que pagar pela geladeira com juros? Os juros deixarão sua cerveja mais gelada?
O mundo das finanças é dividido em dois lados. O lado dos que pagam juros e o lado dos que recebem juros em suas aplicações financeiras. Decidir em qual lado ficar é a escolha que fará toda a diferença.
Mauro Calil é educador financeiro e autor do livro “A receita do bolo”
E-mail mauro@calilecalil.com.br
Operações alternativas atraem pequenas e médias
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Nos últimos meses, as pequenas e médias empresas brasileiras tem sido apresentadas a diversas alternativas de financiamento. O mercado de dívida internacional está aberto às pequenas e a Bovespa procura parcerias com grandes bancos para desenvolver seu mercado de acesso.
A consultoria americana Halter e banco brasileiro BVA estão apresentando a oferta alternativa, em que a empresa doméstica se funde com uma “empresa-casca”, listada no segmento de balcão dos Estados Unidos, mas não operacionais. Esse modelo tem sido adotado nos últimos três anos por companhias de Índia e China, para acelerar a abertura de capital.
Após essa união, os coordenadores contatam investidores e promovem uma colocação privada de recursos na companhia. Ela fica capitalizada, aberta nos Estados Unidos e, a partir daí, busca construir um histórico de relacionamento e resultados que lhe permita lançar oferta pública de ações e migrar do balcão para os segmentos de acesso das bolsas.
O fundo de participações americano Access America International (AAI) estrutura uma operação semelhante a essa, mas que, segundo Christopher Efird, sócio do fundo, teria menor risco.
No primeiro modelo, depois da colocação privada, os coordenadores apenas assessoram as empresas em termos governança e relações com investidores. A empresa segue o caminho até a oferta pública individualmente. No modelo, do AAI, explica Efird, a empresa-casca é uma holding que tem embaixo de si tanto o fundo quanto a brasileira.
“O fundo fica junto, exposto aos riscos do negócio, assim como a empresa”, diz o executivo. E o principal risco, acredita, é o de a empresa sozinha se adaptando ao mercado americano, não conseguir fazer uma oferta pública.
“O fundo pode entrar com recursos inicialmente e continuará a fazer o trabalho lado a lado da empresa, até que ela amadureça e concretize a oferta”, diz.
Quando a operação sair, diz Efird, necessariamente ela será nas bolsas, Nasdaq ou na Amex. Na visão dele, esses segmentos possuem liquidez relevante, diferentemente do balcão americano, onde a quantidade de negócios é menor e, consequentemente, a exposição para a companhia não é tão vantajosa.
Nesse modelo, inicialmente, a empresa se transforma em uma companhia aberta nos Estados Unidos, mas sem ações negociadas e presta informações à SEC.
Efird diz ainda que essa operação pode ser feita também com a listagem no Bovespa Mais, quando ele tiver a liquidez necessária.
Ruy Ramos de Toledo Piza, chefe da área internacional do BVA, conta que existem modelos em que a empresa-casca lá fora passa a ser uma holding que consolida um setor muito fragmentado. A consolidadora se associa à casca e pode fazer emissões privadas inicialmente à medida que identifique oportunidades de compra. “Até que consiga porte e histórico para se realizar uma oferta pública”, diz.
César Lauro da Costa, sócio da Capitânia, diz que as pequenas e médias estão fugindo do financiamento bancário. Quem não alcançou a maturidade para emitir ações tem fechado operações de títulos de dívida internacional, favorecidas pelo comportamento do câmbio e juro no Brasil. Mas, por conta dos custos fixos, a operação só é viável a partir de US$ 100 milhões.
Grameen, o banco dos pobres, iniciará operações no Brasil
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Depois de dois anos de olho no Brasil, o Grameen Bank anuncia hoje o início de seu processo de implantação no país. Fundado há 35 anos em Bangladesh pelo professor de economia Muhammad Yunus, o banco estabeleceu um programa de microcrédito para aquele país que foi replicado pelo mundo. Com o trabalho realizado no Grameen Bank, Yunus, já mundialmente conhecido como o banqueiro dos pobres, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2006.O modelo do Grameen é emprestar quantias pequenas para pessoas que vivem na pobreza e estimulá-las a criar uma espécie de autoemprego. Em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, as atividades relacionadas ao campo predominam.
“Não fazemos caridade. A pessoa pega o empréstimo e tem que pagar por ele, com juros, inclusive”, afirma H. I. Latifee, diretor-gerente do Grameen Trust, empresa-irmã do Grameen Bank. Ele está no Brasil, com Tamim Islam, diretor de desenvolvimento. Vieram assinar um empréstimo de US$ 6 milhões contraído de um banco doméstico, cujo nome e condições devem ser conhecidos hoje. A partir daí iniciam-se os trabalhos para estabelecer o Grameen no Brasil.
Os empréstimos concedidos pelo Grameen Bank deverão ser, em média, de US$ 200, seguindo modelo já adotado em outros países da América do Sul. Os juros cobrados ao ano vão variar de 20% a 25%. A cada semana, quem tomou os empréstimo deve prestar contas de suas atividades, pagar juros e direcionar um outro pedaço para a poupança.
Latifee está ao lado de Yunus desde o começo do negócio. A filosofia do banco de Bangladesh é “disciplina, união, coragem e trabalho duro”, o que faz com que população do país consiga melhorar seu padrão de vida. “Acreditamos no potencial das pessoas. Em nossa visão, se dermos as condições, elas vão ter iniciativas e ideias para melhorar suas vidas”, diz. “Se os mais pobres conseguirem o acesso ao capital, irão fazer o seu melhor. Mas precisam de alguém que confie neles e lhes dê a oportunidade para mostrar que podem e manter a esperança no futuro.”
O Grameen, portanto, foca os menos favorecidos, mas, como qualquer outro banco, foi criado para dar lucro – que é reinvestido no próprio negócio para alimentar a concessão de empréstimos. “O nosso verdadeiro lucro é o impacto social que causamos. É melhorar a vida das pessoas.”
O Grameen vai chegar ao Brasil, inicialmente, controlando uma sociedade de crédito ao microempreendedor (SCM), que precisará de autorização do Banco Central e um decreto presidencial para começar a funcionar, o que pode levar até seis meses. O mesmo modelo de sucesso em Bangladesh será replicado por aqui. O Brasil um dos poucos países da América do Sul em que o banco ainda não iniciou as operações. Latifee diz que não sabe dizer exatamente por quê. “Temos uma imagem do Brasil como um país rico, que está crescendo muito. Mas sabemos dos problemas de distribuição de renda”, conta.
Ele reconhece que um fator decisivo para a vinda do banco ao país foi o envolvimento da advogada Marina Procknor, 33, sócia do escritório Mattos Filho, com 15 anos de experiência com o mercado financeiro. Em outubro do ano passado, Marina passou três semanas em Bangladesh estagiando no Grameen. E de lá acertou que o Mattos Filho seria o escritório do banco no Brasil. A associação foi estabelecida dentro do programa de “pro bono” (sem remuneração) do escritório brasileiro. “Marina mostrou ser uma pessoa muito comprometida a nos ajudar a auxiliar os mais pobres”, diz Latifee.
Agora, os executivos d e Bangladesh vão estudar com dedicação o Brasil para definir os critérios do banco por aqui, mas eles deverão seguir os moldes de programas já implementados na Colômbia, México ou Argentina, daí a estimativa de que os empréstimos por aqui serão da ordem de US$ 200. “A lógica é que a pessoa passe a ter noção de seu fluxo de caixa e aprenda a lidar com as finanças”, diz Marina. Ela explica que o Grameen quer chegar às pessoas que hoje não são atendidas pelos bancos no país. Elas podem começar com alguma atividade simples, por exemplo uma mulher que inicie uma produção caseira de doces.
“À medida que for aprendendo a lidar com o dinheiro, pode contrair empréstimos maiores, até conseguir montar seu próprio negócio”, diz a advogada.
Quando já tiverem melhorado o padrão de vida, a ideia é que saiam da carteira do Grameen e passem a ser atendidos pelos bancos de varejo tradicionais.
Um executivo virá de Bangladesh para a gestão das operações por aqui. Também haverá treinamento para os agentes de campo, que entrarão em contato com os clientes e serão brasileiros. Um conselho de administração será formado. Latifee não faz previsões para o início das operações. “Começarão assim que for possível.” Ele diz que está entusiasmado com o Brasil, assim como com outros lugares do mundo – ele divide suas viagens internacionais entre os 40 países onde o Grameen já está e aqueles em que pode ingressar. “Nós podemos ter sucesso em qualquer lugar em que exista a pobreza”, conta.
Provavelmente, as atividades no país se iniciarão no Sudeste. Depois de viabilizar a ideia, a intenção é espalhá-la pelo país, até que a operação ganhe volume e o Grameen funcione aqui também como um banco.
A maior parte dos clientes do bancos pelo mundo é formada por mulheres, 97%. Segundo Latifee, a experiência mostra que, nas camadas mais pobres, as mulheres têm menos acesso a financiamentos do que os homens. “Quando elas conseguem esse empréstimo, se dedicam muito para aproveitar a oportunidade e manter essa linha aberta e contínua”, diz, acrescentando que a mulher tende a ser mais preocupada com o futuro, especialmente o dos filhos.
Microcrédito no país tem baixa concessão
O microcrédito no Brasil ainda caminha a passos curtos. O estoque total de concessões atingiu R$ 2,373 bilhões em outubro do ano passado, último dado divulgado pelo Banco Central (BC). Desse total, a maior parte, R$ 1,447 bilhão, é destinada ao financiamento do consumo da população de menor renda. A parcela destinada ao chamado microcrédito produtivo soma saldo ainda menor, de R$ 925,682 milhões.
O volume poderia ser maior, já que os bancos são obrigados, por lei, a destinar 2% do volume dos depósitos à vista para a concessão de microcrédito. Sem conhecimento desse mercado e com medo da inadimplência, as instituições financeiras usam apenas 75%, em média, do total exigido pelo BC. Eles preferem repassar esses recursos para outros bancos, especialmente os públicos, como o Banco do Nordeste, ou mesmo deixar o dinheiro parado, sem rendimento.
Em média, são concedidos pelos bancos cerca de R$ 113 milhões por mês em microcrédito ao consumo e outros R$ 189 milhões em empréstimos aos microempresários. São quase 980 mil de contratos fechados todo mês, com tíquete médio de R$ 310 para o consumo e de R$ 1.384 para o setor produtivo, segundo dados do BC de 2010. O prazo médio é de um ano para consumo e de seis meses para os microempreendimentos.
Um alento está nas taxas de crescimento. O estoque em outubro era 60% superior ao patamar do mesmo mês de 2009. O avanço das linhas para consumo foi de 65%, enquanto o saldo do microcrédito produtivo teve expansão de 50%.
Plano de previdência privada versus faça você mesmo
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Émuito fácil vender previdência privada no Brasil. Há uma série de decisões públicas que favorece o vendedor. Durante os cursos e palestras, constato claramente essa facilidade. Sempre que o tema surge, faço duas observações bem simples:
1) Quem deseja pagar menos IR, por favor, levante a mão. E todos levantam as mãos
2) Quem tem certeza de que terá uma aposentadoria digna contando apenas com o sistema público, por favor, levante a mão. E ninguém a levanta.
É justamente na voracidade fiscal e na lacuna governamental que atuam os fundos de previdência privada. A vontade de matar dois coelhos com uma cajadada é tão forte que o preço pago pelo cajado acaba sendo menosprezado.
Para ter o benefício fiscal, o plano de previdência precisa ser o chamado PGBL, no qual o IR é calculado sobre todo o patrimônio e não somente sobre o rendimento. O PGBL permite abater 12% da renda anual tributável no cálculo do IR. Ou seja, uma pessoa que recebe R$ 100 mil por ano deverá pagar 27,5% de IR (retidos na fonte). Caso tenha um PGBL, poderá investir 12% da renda total recebida no ano (neste caso, R$ 12 mil) no fundo e, deste valor, poderá restituir R$ 3.300,00 do IR retido (27,5% dos 12 mil).
No primeiro momento, economizar R$ 3.300,00 pode parecer um bom negócio. No entanto, para avaliar mais precisamente, é preciso considerar o cenário em um prazo mais longo. Vamos considera o prazo de 10 anos, com os R$ 12 mil investidos em um plano de previdência que renda 12% ao ano. É preciso considerar as taxas também. No nosso exemplo, a taxa de carregamento será de 2,5%, a taxa de administração de 2,5% (que calculo no início do período). Com o regime regressivo de IR, no resgate a alíquota será de 10%.
Eis as contas: investimento (R$ 12 mil), taxa de carregamento (R$ -300,00), investimento efetivo (R$ 11.700,00), taxa de administração dos 10 anos (R$ -4.486,57). Temos, então, o valor bruto já descontada a taxa de administração (R$ 25.188,03). O IR, após 10 anos, será de R$ -2.518,80 (portanto, o IR de fato economizado foi de R$ 781,20). Com isso, o valor líquido final será de R$ 22.669,23.
Se, em vez de investir na previdência privada, o investidor optar por aplicar o mesmo valor (R$ 12 mil) em um fundo de renda fixa com a mesma taxa de administração (2,5%) e mesmo rendimento bruto (12%), o IR seria de 15% somente sobre o rendimento. Obviamente, a inflação para um único período é a mesma.
Assim, teríamos o seguinte cenário: investimento (R$ 12 mil) taxa dos 10 anos (R$ – 4.601,62), valor bruto já descontada a taxa (R$ 25,833,88) e IR no fim de 10 anos (R$ – 2.075,08). O valor líquido final seria de R$ 23.758,80.
Ao fim de 10 anos, o benefício fiscal de 5 pontos percentuais, bem como o IR compensado, seria minimizado. Outro ponto que merece destaque é que o fundo de renda fixa poderia gerar uma renda vitalícia de R$ 237,58. Muitos planos de previdência não oferecerem renda vitalícia. Ou não permitem passar o patrimônio para os herdeiros.
Mas como melhorar a rentabilidade do investimento? Uma forma é economizar a taxa de administração do fundo administrando diretamente a previdência por meio da aplicação direta em títulos do tesouro (Tesouro Direto) e em ações de empresas pagadoras de dividendos (setor elétrico, por exemplo), mantendo a rentabilidade de 12% ao ano (80% em TD e 20% setor elétrico pode gerar essa rentabilidade).
Sem a taxa de administração, teríamos: investimento (R$ 12 mil), taxa dos 10 anos (zero), valor bruto (R$ 33.276,95), IR ao final de 10 anos (R$ – 4.99,42). Com os custos de R$ 1.320 (1% de corretagem na compra dos títulos e R$ 10,00 ao mês de custódia). Com isso, o valor líquido final de R$ 26.965,40
Ou seja, ao final de 10 anos, são capitalizados R$ 4.296,17 a mais que o plano de previdência comprado. E esse é o custo de oportunidade do investidor. Ao contratar um plano, haverá a conveniência, mas deixará de ganhar R$ 4.296,17 e uma renda vitalícia de 269,65 ao mês. Tudo isso a partir de R$ 12 mil. Se fossem R$ 120 mil, bastaria multiplicar todos os números por 10, tendo, ao final, R$ 2.696,50 ao mês de renda com apenas 10 anos de aplicação. Para R$ 60 mil, é só multiplicar por cinco. E assim por diante.
Lembro também que para turbinar a aposentadoria é importante economizar nas taxas de administração e carregamento, fazer aportes mensais regulares (o ideal é 10% da renda líquida). E quanto mais tempo melhor. Porém, 10 anos é um prazo já bastante razoável para começar a pensar no assunto.
Mauro Calil é professor, educador financeiro e fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil&Calil
E-mail mauro@calilecalil.com.br
Acontecimentos recentes e seus significados
1- Auditorias tradicionais = confiabilidade próxima de zero
Não bastassem os “ricos” exemplos de um passado recente (WorldCom etc) o caso do Banco Panamericano reforça a percepção da inutilidade das auditorias tradicionais; o meu sentimento é que o caráter e a trajetória profissional dos acionistas majoritários e principais executivos dizem muito mais que os valorosos trabalhos de auditoria executados por companhias de nomes pomposos e desculpas ligeiras.
2- Empresa pequena: é mandatória a presença dos empreendedores no seu dia-a-dia
Este me parece um pressuposto que deve ser sempre seguido; novamente o exemplo do Banco Panamericano e seus super executivos profissionais (mode ironic on): se para uma pequena empresa a presença dos empreendedores no seu dia-a-dia é quase obrigatória, imagine em um pequeno banco!
Uma indústria, por exemplo, onde seus balanços apontem crescimento no faturamento e nos lucros, geralmente oferce mostras visíveis que justificam este resultado: expansão de capacidade produtiva, exportação, crescimento no número de representantes etc….Agora pense em uma pequena instituição financeira, onde tudo são registros em um banco de dados, dentre os pricipais executivos encontram-se profissionais de educação física (?) e o empreendedor, longe do dia-a-dia da empresa, busca a incessante revelação de novos Tiriricas….


