Archive for the ‘Mundo Financeiro’ Category

The Financial Development Index 2009 Rankings

sexta-feira, outubro 9th, 2009

The rankings are based on over 120 variables spanning institutional and business environments, financial stability, and size and depth of capital markets, among other factors.

http://www.weforum.org

Financial Development Index 2009 Rankings
Country/Economy 2009 Rank 2008 Rank 2009 Score (1–7) Change in score
United Kingdom 1 2 5,28 -0,55
Australia 2 11 5,13 +0.15
United States 3 1 5,12 -0,73
Singapore 4 10 5,03 -0,12
Hong Kong SAR 5 8 4,97 -0,26
Canada 6 5 4,96 -0,30
Switzerland 7 7 4,91 -0,32
Netherlands 8 9 4,85 -0,37
Japan 9 4 4,64 -0,64
Denmark 10 n/a 4,64 n/a
France 11 6 4,57 -0,68
Germany 12 3 4,54 -0,74
Belgium 13 17 4,50 -0,06
Sweden 14 13 4,48 -0,27
Spain 15 12 4,40 -0,50
Ireland 16 14 4,39 -0,33
Norway 17 15 4,38 -0,28
Austria 18 18 4,28 -0,27
Finland 19 21 4,24 -0,21
United Arab Emirates 20 16 4,21 -0,40
Italy 21 22 3,98 -0,40
Malaysia 22 20 3,97 -0,51
Korea, Rep. 23 19 3,91 -0,64
Saudi Arabia 24 27 3,89 -0,01
Jordan 25 n/a 3,89 n/a
China 26 24 3,87 -0,22
Bahrain 27 28 3,85 -0,04
Israel 28 23 3,69 -0,45
Panama 29 32 3,63 +0.03
Kuwait 30 26 3,62 -0,31
Chile 31 30 3,60 -0,19
South Africa 32 25 3,48 -0,51
Czech Republic 33 35 3,48 +0.05
Brazil 34 40 3,46 +0.18
Thailand 35 29 3,35 -0,48
Egypt 36 37 3,33 +0.01
Slovak Republic 37 42 3,30 +0.05
India 38 31 3,30 -0,34
Poland 39 41 3,27 0,00
Russian Federation 40 36 3,16 -0,24
Hungary 41 33 3,08 -0,45
Peru 42 46 3,07 +0.01
Mexico 43 43 3,06 -0,15
Turkey 44 39 3,03 -0,27
Vietnam 45 49 3,00 -0,03
Colombia 46 44 2,94 -0,27
Kazakhstan 47 45 2,93 -0,20
Indonesia 48 38 2,90 -0,41
Pakistan 49 34 2,85 -0,61
Philippines 50 48 2,84 -0,19
Argentina 51 47 2,77 -0,26
Nigeria 52 50 2,72 -0,04
Ukraine 53 51 2,71 -0,02
Bangladesh 54 n/a 2,57 n/a
Venezuela 55 52 2,52 -0,18

Uma arma só para grandes investidores

quarta-feira, setembro 30th, 2009

http://portalexame.abril.com.br

Tendência consolidada nos EUA, as negociações de alta frequência ganham espaço na bolsa brasileira

Por João Sandrini e Marcio Orsolini | 29.09.2009 | 08h23

Para a BM&FBovespa, os últimos dois anos não foram marcados apenas pela abertura de capital e pela fusão das duas bolsas mas também por parrudos investimentos em tecnologia. Aumento da capacidade de realização de negócios, acordos operacionais com bolsas estrangeiras e utilização de plataformas de negociação compatíveis com as das principais bolsas do mundo são temas que fizeram parte do dia a dia da área de tecnologia da BM&FBovespa. Agora a bolsa paulista começa a colher os frutos do refinamento tecnológico com as negociações realizadas por meio de ordens em alta frequência.

Essas operações – bastante comuns em bolsas dos EUA, onde representam nada menos do que a metade do volume de negócios – permitem aos investidores lucrar principalmente com operações de arbitragem de ativos. Nos mercados mais desenvolvidos, os gestores costumam fazer arbitragem com o uso de um software que dispara automaticamente ordens de compra e venda de ações ou outros ativos sempre que determinadas condições de mercado forem atingidas. Para isso, o software obedece a uma fórmula matemática desenvolvida pelos gestores.

Em um exemplo bastante didático de arbitragem, se a ação da Petrobras estiver valendo 30 reais na bolsa brasileira e 31 na Bolsa de Nova York, esse software é programado para disparar uma ordem de compra do papel no pregão paulista e revendê-lo o mais rápido possível nos EUA, ganhando 1 real por ação numa operação de baixíssimo risco. Nesse caso, a única forma de o gestor perder dinheiro é com a demora na execução das ordens. Se comprar o papel a 30 reais e revendê-lo um minuto depois quando ele tiver caído para 29,50 reais em Nova York, por exemplo, haverá um prejuízo de 0,50 reais por ação. Esse exemplo mostra que o sucesso de uma operação de arbitragem depende não apenas do desenvolvimento de uma fórmula matemática correta para identificar distorções que possam gerar lucros mas também de um sistema de negociações que suficientemente rápido no envio de ordens.

No Brasil, a Alpes Corretora deu um passo à frente das rivais no mercado de negociações de alta freqüência ao desenvolver o primeiro serviço de “colocation”. Na prática, trata-se da instalação de servidores de clientes dentro do data center da BM&FBovespa. Como a internet reuniu milhões de computadores em uma única rede, pode parecer irrelevante ter um servidor dentro na bolsa – mas não é. Quando a fórmula matemática indica a hora certa para comprar um papel, a ordem sai do servidor da Alpes e chega ao da BM&FBovespa localizado a três metros de distância. O servidor da bolsa, então, realiza a operação em um processo que leva 0,007 segundos. Quem opera fora do sistema de “colocation” demora, em geral, entre 0,1 e 0,15 segundo – uma eternidade para quem deseja lucrar com operações de arbitragem. “Como a ordem que entra primeiro no sistema é executada antes, o cliente da Alpes leva vantagem para conseguir realizar o negócio”, explica Mateus Cosac, diretor de negociações eletrônicas da corretora.

Hoje o serviço funciona apenas para a negociação de derivativos na BM&F e aguarda a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para começar a operar também com ações na Bovespa. Procurada, a CVM informou por meio de sua assessoria de imprensa que não poderia comentar o assunto durante esse período de análise. Mas, de acordo com a bolsa, a aprovação deve ser concedida ainda neste ano.

Alto custo, retorno garantido

Tanta tecnologia custa caro. Para manter o servidor dentro da bolsa, a corretora Alpes tem de desembolsar 15.000 reais mensais. Já para o investidor, os gastos podem somar milhões. “Há a conexão de Internet e computadores de alta tecnologia, mas o mais caro é o ‘capital intelectual’ envolvido. É preciso melhorar cada vez mais a eficiência das fórmulas matemáticas que executam as ordens”, explica Irene Aldrige, sócia da canadense Able Alpha Trading, especializada em transações eletrônicas, e autora do livro High-Frequency Trading: A Practical Guide to Algorithmic Strategies and Trading Systems (Transações em Alta Freqüência: um guia prático para estratégias de algoritmos e sistemas de transações, em tradução livre). Por esse motivo, as negociações de alta frequência acabam sendo realizadas apenas por grandes bancos e gestores de recursos.

Como esses investidores costumam ter um ganho muito pequeno a cada negócio realizado, a Alpes cobra uma taxa bem menor que a tabela de preços da bolsa. O investidor de alta frequência também tem um custo alto para o envio de milhões de ordens, para que os pequenos ganhos de cada uma somem uma quantia que justifique a aposta nesse tipo de operação. Apesar de o pequeno investidor ser, aparentemente, preterido se tiver de competir em velocidade com as negociações automatizadas feitas a partir de servidores instalados dentro da bolsa, isso também pode ser saudável para o mercado local. Segundo André Demarco, diretor de operações da BM&FBovespa, os investidores de alta freqüência contribuem para aumentar a liquidez dos papéis e, com isso, reduzir possíveis distorções de preços.

“Além disso, para o pequeno investidor a velocidade é bem menos importante que para o gestor que trabalha com alta freqüência”, explica Demarco. “O pequeno investidor não liga tanto para variações de um centavo, por exemplo. Ele costuma investir num momento para revender o papel bem depois. Já os grandes investidores têm de se preocupar com isso porque, no final das contas, esses centavos podem resultar em milhões.”

Polêmica

Nos Estados Unidos, as principais críticas às ordens de alta freqüência concentram-se na possibilidade de assimetria de informação. As corretoras responsáveis por essas operações podem colocar no sistema ordens conhecidas como “flash”, que são capazes de verificar se alguém está disposto a vender uma ação por determinado preço antes mesmo que a ordem de compra seja enviada. “É como se o investidor espiasse a lista de ordens antes do mercado. Aí ele avalia o que é mais interessante para seu negócio”, diz Irene, da Alpha Trading.

As ordens “flash” estiveram no centro de uma polêmica nos EUA em julho, quando um ex-funcionário do Goldman Sachs foi preso acusado de roubar informações do sistema da empresa. O banco não dá detalhes sobre o caso, mas a possível fraude já foi suficiente para que o senador democrata Charles Schumer exigisse que o órgão regulador do mercado de capitais nos EUA banisse as ordens “flash”. “Isso só é possível nos Estados Unidos porque as negociações são feitas por meio de diversas bolsas e até mesmo diretamente entre corretoras”, diz o Roberto Lee, diretor de marketing da Win, o home broker da Alpes Corretora. Logo, ao menos enquanto a BM&FBovespa tiver o monopólio das transações em bolsa no Brasil, as negociações de alta freqüência devem aumentar, mas as ordens “flash” continuarão banidas.

Banco tem programas para empresas inovadoras

quinta-feira, abril 2nd, 2009

Em 2008, a BNDESPar se dividiu em duas áreas de atuação. Uma área de mercado de capitais (AMC) que cuida de grandes empresas onde o banco participa com faturamento anual acima de R$ 250 milhões. Esta área fica a cargo do superintendente Caio Melo. A outra, uma nova área de atuação denominada de Área de Capital Empreendedor (ACE), fica sob a batuta de Fábio Sotelino, e cuida de pequenas e médias empresas com receita inferior a R$ 250 milhões/ano.

A ACE concentra atividades de renda variável de operações diretas com pequenas e médias empresas e operações indiretas através de fundos fechados de investimento. Para Eduardo Rathfingerl, a ACE traz à diretoria de mercado de capitais novos desafios, como criar empresas que um dia irão para a Bovespa. A ACE administra 35 fundos fechados de investimento, através dos quais o banco participa indiretamente em 120 empresas. O banco tem fundos de infraestrutura, além de um programa de participação (de R$ 1,5 bilhão) para investir em 10 fundos em fase de escolha de gestores, e o Criatec, fundo de capital-semente que investe em empresas nascentes.

O Criatec tem um ano e 15 meses de existência e já conta com 15 empresas selecionadas no Brasil para investir. A meta do BNDES é ter entre 40 a 50 empresas neste fundo, o único onde o banco tem maioria, participando com R$ 80 milhões ante R$ 20 milhões do BNB. O Criatec tem um gestor nacional e oito gestores regionais (quatro localizados no Norte e Nordeste) encarregados de buscar empresas nascentes com projetos inovadores para o BNDES e o BNB investirem. O banco busca apoiar principalmente empresas que desenvolvem projetos de inovação.

Na semana passada, a Amazon Dreams, uma empresa paraense, foi escolhida para receber investimento do Criatec. Ela atua de maneira inovadora retirando componentes antioxidantes de frutas como muruci, ingá e açaí para combater doenças como câncer. (VSD)

Fontes de financiamento

segunda-feira, agosto 11th, 2008

Como escolher o seu porquinho

Quais são as principais alternativas para a obtenção de recursos ao alcance das pequenas e médias empresas que precisam se expandir — e o que levar em conta para identificar a que melhor se ajusta às suas necessidades

Por Gladinston Silvestrin

EXAME Esses tempos melancólicos deram lugar a um cenário mais animado.“Não falta dinheiro para pequenas e médias empresas com bons planos de negócios e perspectivas reais de crescimento”, diz Kan Wakabayashi, da Cypress Associates, consultoria especializada nesse mercado.

Como não é de hoje que se diz isso e a maioria dos empreendedores brasileiros continua sofrendo para conseguir recursos, vamos aos números:

• Os empréstimos a empresas cresceram 21% entre 2006 e 2007, atingindo um recorde de 342,2 bilhões de reais no ano passado.

• Segundo estimativas da Abvcap, entidade que reúne capitalistas de risco no Brasil, os fundos de venture capital reservaram 500 milhões de reais para investir em pequenas e médias empresas em 2008 — o triplo do ano passado.

• Em fevereiro deste ano, o Bovespa Mais, segmento para emissões inferiores a 100 milhões de reais em ações, tornou-se uma realidade com a abertura de capital da Nutriplant — empresa de fertilizantes com pouco mais de 40 milhões de reais de faturamento anual. Apesar da recente turbulência no mercado de ações, há outras na fila. Só um banco, o Modal, tem o mandato de quatro pequenas e médias companhias interessadas em estrear na bolsa nos próximos meses.

Robinson Shiba
Trend Foods
Rede de fast food de comida oriental, São Paulo, SP
Não aos fundos de investidores
O criador da rede de franquias China in Box analisou — e descartou — uma negociação com fundos de capital de risco e se decidiu pela fusão com um concorrente. “Primeiro vamos dobrar de tamanho com o modelo de negócios já existente”, diz. “Estaremos prontos para abrir o capital nos próximos três anos.”

• As fusões e aquisições — outra forma de conseguir recursos para crescer — nunca envolveram tantas empresas de pequeno e médio porte. No ano passado, segundo um estudo da consultoria Deloitte, a participação desses negócios no total de fusões e aquisições cresceu de 7,9% para 8,4%.

Nesse cenário, empreendedores que se vêem diante de mais de uma opção para obter dinheiro ficam cheios de dúvidas. É hora de abrir o capital na bolsa ou é melhor receber um fundo de capital de risco? Faz sentido aliar-se a um concorrente e depois pleitear um sócio capitalista? Não é mais rápido e simples pegar empréstimo num banco? “Somos cada vez mais procurados para ajudar a resolver esses questionamentos”, diz Wakabayashi, da Cypress.

A escolha correta depende de contas que incluem fatores como custo do capital e prazo para o investimento dar retorno. Mas elas dão apenas uma parte da resposta quando se levam em conta objetivos estratégicos para o médio e o longo prazo. Os empréstimos podem ser práticos para necessidades pontuais e crescimentos quase orgânicos, como comprar um equipamento. Mas, se o que se procura é dar um salto no crescimento ou fazer mudanças na estratégia ou na gestão, receber apenas dinheiro pode não bastar.

Os motivos que levam pequenos e médios empresários a criticar a atuação dos fundos de capital de risco são, em vários casos, procedentes. Mas é um fato que, com o aporte deles, o dinheiro costuma vir acompanhado de apoio para melhorar a gestão. Em setores em consolidação, como tecnologia ou saúde, juntar-se a um concorrente pode ser não só uma forma de crescer como também uma questão de sobrevivência. E, dependendo do humor do mercado, o lançamento de ações pode representar uma boa relação custo-benefício.

A Senior Solution, empresa de TI de São Paulo, usou todas essas alternativas nos últimos seis anos. No início, quando o crescimento dependia de novos produtos, a empresa recorria a linhas de crédito do BNDES para desenvolver softwares. Em 2004, quando foi necessário ganhar escala e conquistar novos mercados, a Senior fundiu suas operações com um concorrente, a NetAge. Mais encorpada, recebeu em seguida recursos dos fundos BNDESPar e Stratus.

Com o dinheiro dos fundos, a Senior pôde, então, fazer três aquisições que foram decisivas para sua expansão — o faturamento passou de 7 milhões de reais em 2005 para 30 milhões no ano passado. “Agora chegou a hora de abrir o capital”, diz Bernardo Gomes, presidente da Senior, que está se preparando para entrar no Bovespa Mais. Por quê? Segundo Gomes, será preciso um porquinho cheio de dinheiro à mão, que possa ser acionado muitas vezes. “Na bolsa poderíamos fazer várias emissões”, diz Gomes. O objetivo, segundo ele, é obter recursos para adquirir concorrentes.

Abrir o capital na bolsa é como se classificar numa espécie de primeira divisão. Significa que o empreendimento foi capaz de passar pelo escrutínio de advogados, auditores e do banco contratado para a operação. “O mercado de capitais é uma alternativa viável apenas para negócios que estão prontos para abrir suas informações ao mercado e para conviver com a pressão dos investidores”, diz Reinaldo Grasson de Oliveira, da consultoria Deloitte.

Depois de dois anos de reflexão, os irmãos Eduardo e Ricardo Pansa, controladores da Nutriplant, chegaram à conclusão de que a empresa, que produz fertilizantes em Paulínia, no interior de São Paulo, estava preparada para o teste da bolsa. Em fevereiro, a empresa captou 20,7 milhões de reais ao abrir o capital — cerca de metade de seu faturamento anual. “Estudamos também a possibilidade de receber aportes de fundos de capital de risco”, diz Eduardo. Os acionistas descartaram os fundos por considerar que eles não teriam como dar uma de suas principais contribuições: apoio para melhorar os processos de gestão, tornando a operação mais eficiente e rentável.

Caminho certo

Antes de ser adquirida pela família Pansa, em 2004, a Nutriplant pertencia a um grupo americano. “Como ex-filial de uma grande empresa, a Nutriplant já estava com sua gestão em ordem e tinha uma governança transparente”, afirma Eduardo. “Sempre estivemos prontos para abrir o capital.” O dinheiro captado está sendo utilizado para modernizar a fábrica de Paulínia e há planos para construir uma nova unidade.

Marcelo Madalozzo
Tedesco
Softwares para serviços jurídicos, São Paulo, SP
O dinheiro estava em casa
Para analisar os prós e os contras de receber o aporte de fundos de capital de risco, ele fez uma radiografia dos negócios. O resultado foi uma surpresa. “Descobri que, no estágio atual, não precisamos de recursos de fora para crescer”, diz. “Depois poderemos fechar uma negociação mais vantajosa com os investidores.”

A operação da Nutriplant deu uma idéia concreta sobre o custo que espera as pequenas e médias empresas que pretendem abrir o capital. Somados os gastos com assessoria jurídica, elaboração de prospecto, comissões para os bancos coordenadores da oferta e road shows, a despesa chegou a 7,07% do valor captado. “Foi um custo baixo se comparado ao de um empréstimo bancário”, diz Marcio Iavelberg, consultor financeiro para pequenas e médias empresas. “Seria quase impossível para uma empresa do tamanho da Nutriplant levantar mais de 20 milhões de reais em empréstimos.” Ainda que conseguisse, a Nutriplant teria de reservar algo como o lucro dos próximos seis anos só para honrar a dívida.

José Domingues dos Santos
Rosatex
Fabricante de produtos de limpeza, Guarulhos, SP
Empréstimos até quando?
Em 20 anos de vida da empresa, ele recorreu apenas a empréstimos para financiar o crescimento. A opção manteve o negócio inteiramente sob o controle da família — mas também não trouxe nada de novo para a gestão. “É provável que em algum momento tenhamos de fazer diferente”, diz. “Para dar saltos maiores, precisaremos trazer alguém que tenha muito dinheiro para colocar aqui.”

A perspectiva de entrada rápida de recursos a um custo razoável é um dos principais motivos que têm tornado a bolsa atraente aos olhos de tantos empreendedores. Há, porém, o outro lado da história. Os custos de manter a empresa listada no Bovespa Mais podem chegar a 500?000 reais por ano. Além disso, abrir o capital dá um trabalhão, que começa meses antes de as ações serem negociadas. O empreendedor precisa ler pilhas de documentos e sair em viagens para se reunir com possíveis investidores e analistas para mostrar o potencial da empresa. É preciso se preparar para ser sabatinado e falar dos riscos claramente e sem medo. E se a empresa pertencer a um setor que não desperta a atenção dos analistas de investimento, responsáveis por recomendar aos investidores a compra dos papéis, a operação pode não render muito.

Gilmar Batistela
Resources
Integradora de sistemas, São Paulo, SP
Em busca do capital de risco
Em um mercado em consolidação, ele achava que teria de vender o negócio a um concorrente maior. Depois de ouvir propostas que não o deixaram satisfeito, se decidiu pelo contrário — fortalecer a Resources com a aquisição de empresas menores. “Para isso, vou conseguir aporte com um fundo”, diz. “Depois das aquisições, os recursos poderão vir da bolsa.”

Para as pequenas e médias empresas que conseguirem transpor todos esses obstáculos — e ainda estrearem num dia de bom humor nos mercados —, a bolsa pode valer a pena no longo prazo. “Abrir o capital pode ajudar a trazer mais dinheiro a um bom custo, além do obtido no dia da captação”, diz Oliveira, da Deloitte. “A empresa que foi à bolsa passou pelo teste da transparência nas informações, o que significa redução de risco. Por sua vez, a percepção do risco mais baixo ajuda a diminuir o custo de novos financiamentos.”

Muitos especialistas acreditam que os pequenos e médios empresários que desejam colocar seus negócios na bolsa estão no caminho certo. “À medida que mais pequenas e médias empresas abrirem o capital, os bancos e advogados responsáveis por coordenar e assessorar esses IPOs podem baratear os custos, cobrando menos e ganhando no volume de operações”, diz Humberto Tupinambá, diretor do banco Modal. Foi o que aconteceu na última década, por exemplo, com o segmento da Bolsa de Valores de Londres voltado para as emissões de pequenas e médias empresas.

O dentista Robinson Shiba, fundador da empresa de comida chinesa China in Box, acredita que, qualquer que seja o cenário, não é bom ir para a bolsa quando se é pequeno e não há um motivo bem claro para que os investidores se interessem pelo negócio. Essa foi uma das razões que o fizeram percorrer outras fontes de recursos antes do IPO, previsto para acontecer daqui a três anos. Em 2006, Shiba começou a procurar recursos para acelerar o crescimento da China in Box, que fatura anualmente 50 milhões de reais. Com 130 franqueados, as receitas então avançavam em média 7% ao ano. Apesar de não ser uma taxa de crescimento ruim, Shiba queria correr mais — do contrário, ele achava que havia o risco de ser engolido. “Nos Estados Unidos e no México, o mercado de fast food oriental já se consolidou em grandes grupos”, diz ele. “Nos próximos anos, isso também deve acontecer no Brasil.”

Shiba acredita que, no mercado nacional, a China in Box tem vocação para ser a líder — desde que encontre uma forma de encorpar rapidamente para, daí sim, buscar dinheiro no mercado de ações e comprar outros restaurantes. Shiba, então, se reuniu com gestores de fundos de capital de risco. Nessas ocasiões, ele explicava seus planos — tornar a China in Box uma versão brasileira da mexicana Alsea, companhia de capital aberto com participações em grandes cadeias de alimentação, como as americanas Starbucks e Burger King.

Em julho do ano passado, Shiba desistiu dos fundos e deu início a uma fusão da China in Box com a Gendai, rede de restaurantes de comida japonesa que pertencia a um amigo de infância, o empresário Carlos Kaidei. Dois motivos afastaram Shiba da possibilidade de vender parte da empresa a fundos de investimento. De um lado, os gestores não pareciam dispostos a pagar o que Shiba considerava justo — motivo que freqüentemente inviabiliza acordos entre empreendedores e fundos. De outro, Shiba não se sentia preparado para ter um sócio com o perfil que os gestores revelaram ter nessas conversas. “Vi que não estava pronto para ter alguém me cobrando metas de crescimento agressivas demais”, diz ele.

A fusão com a Gendai resultou na Trend Foods, empresa de 100 milhões de reais de faturamento — além da China in Box e da Gendai, a Trend Foods controla a Teppan House, que pertencia a Shiba, e a Owan e a Domburi, de Kaidei. “Nossa meta é dobrar de tamanho nos próximos três anos”, diz Shiba. Com a fusão, os caixas foram somados e os custos racionalizados, o que deu mais fôlego para investimentos. Para 2009, está previsto um investimento de 3 milhões de reais em recursos próprios para abrir cinco restaurantes da Gendai. “Até 2011 deveremos estar prontos para a bolsa”, diz Shiba.

O trajeto percorrido pelo matemático Gilmar Batistela inclui, como Shiba, uma passada nos fundos e outra nos concorrentes. E, como Shiba, Batistela está preocupado com o futuro de sua empresa, a paulista Resource, integradora de sistemas de tecnologia — setor em que empresas de todos os tamanhos atualmente parecem destinadas a comprar ou ser compradas. Batistela acredita que, com um faturamento de 75 milhões de reais em 2007, a Resource é pequena demais para se contentar em ficar onde está. Por outro lado, é grande o suficiente para ambicionar a compra de concorrentes. Sozinho e sem dinheiro para dar um passo tão grande, Batistela viu-se numa encruzilhada. “Eu precisava decidir se valia mais a pena vender a empresa a concorrentes maiores ou conseguir recursos para adquirir companhias menores”, diz.

Descobertas surpreendentes

Depois de conversar com competidores interessados, Batistela se decidiu pela segunda opção. “Não ouvi nenhuma proposta que eu achasse compatível com o valor da Resource”, diz ele (também aqui se vê que o preço da empresa é uma das partes mais difíceis de acertar em qualquer negociação). Começou, então, outra fase na busca por um montante de 20 milhões de reais que Batistela julga necessários para crescer por aquisições. Abrir o capital foi uma hipótese analisada — e adiada. “Não temos tamanho nem estrutura para isso agora”, afirma ele. Resolvido esse ponto, o empreendedor passou a procurar um fundo de risco que aporte recursos na Resource em troca de participação.

Embora tenham percorrido caminhos diferentes, os empreendedores desta reportagem têm algo importante em comum. Para conseguir recursos que possibilitem uma evolução rápida de seus negócios, todos sentiram a necessidade imperiosa de se preparar para dividir a gestão com outras pessoas — novos sócios ou seus representantes, no caso dos fundos — e dar satisfações de seus atos publicamente, no caso da bolsa. O empreendedor José Domingues dos Santos, que sempre recorreu a empréstimos bancários para financiar o crescimento da Rosatex, fabricante de produtos de limpeza de Guarulhos, na Grande São Paulo, parecia uma exceção. Como bancos raramente se interessam em interferir na gestão de empresas pequenas e médias, Santos deveria, ao menos teoricamente, estar dispensado de conflitos sobre autonomia e prestação de contas.

Foi assim até pouco tempo atrás. Mas, no começo de julho, ele estava negociando um empréstimo com um fundo de investimento. É uma parceria que no futuro pode resultar na venda de uma participação na Rosatex, negócio de 90 milhões de reais anuais, para os investidores. “Além das garantias comuns em qualquer empréstimo, o fundo de capital de risco com quem estou conversando pede a preferência se eu decidir vender uma parte da empresa”, diz Domingues. Caso isso aconteça, Domingues terá recursos suficientes para adquirir um concorrente e fazer a Rosatex dobrar de tamanho. Ele acha que o dia de dividir as decisões com um sócio capitalista vai acabar chegando mais cedo ou mais tarde. “Se continuarmos crescendo, a necessidade de capital vai aumentar a um ponto em que não vai ser possível seguir apenas com dinheiro emprestado”, afirma Domingues.

Da análise dos prós e contras envolvidos em empréstimos, aporte de fundos, fusões ou abertura de capital, pode sair uma radiografia mais precisa dos negócios, que permita a seus donos revisar suas estratégias. Às vezes, esse período pode levar os empreendedores a descobertas surpreendentes — como a de que não há necessidade de trazer dinheiro nenhum, afinal. Foi o que aconteceu com Marcelo Madalozzo, sócio da paulista Tedesco Informática, desenvolvedora de softwares para departamentos jurídicos.

Madalozzo contratou os consultores da Cypress para ajudá-lo a avaliar propostas de fundos de capital de risco que manifestavam interesse em comprar uma participação na empresa. Vender uma fatia da Tedesco poderia injetar recursos para a aquisição de concorrentes, por exemplo. Mas uma olhada mais atenta nos números revelou que, com a empresa crescendo a um ritmo de 40% por ano, é cedo para aceitar uma proposta de compra que não seja realmente muito boa — e não era o caso das que Madalozzo vinha recebendo. “Chegamos à conclusão de que não precisamos fazer aquisições agora”, diz ele. “Ainda não crescemos tudo o que é possível com nossas próprias pernas.” No ano passado, por exemplo, saíram do caixa da Tedesco 500?000 reais de investimento para atender contratos com unidades da InBev em 32 países, num volume de negócios que vai elevar de 5% para 15% a participação das exportações no faturamento da empresa. “Ainda podemos gerar muito valor com nossos próprios recursos”, afirma Madalozzo. “O dinheiro de fora só vai entrar quando sentirmos que chegou o momento certo.”

O que vem com a capitalização
Identificar a fonte de financiamento mais adequada é uma necessidade para a maioria dos donos de empreendimentos em expansão. A assessoria Cypress Associates, que atende pequenas e médias empresas, preparou com EXAME PME uma lista das principais fontes de capital para negócios em crescimento — e o que é preciso saber antes de optar por uma delas
Fonte de recursos
Fundos de capital de risco
O que a empresa ganha
Além do dinheiro, em geral os fundos levam para os negócios em que investem práticas de gestão que aceleram o crescimento. É comum, por exemplo, que os fundos indiquem profissionais de mercado que assumem a responsabilidade de administrar as finanças e os controles da empresa
Algumas das práticas trazidas pelos fundos estão relacionadas ao exercício da governança corporativa: os balanços passam a ser auditados, ampliando a transparência dos negócios para outros eventuais provedores de crédito
Acesso à rede de relacionamento dos gestores dos fundos, que inclui bancos, outros capitalistas e empresas. Também fica mais fácil construir alianças estratégicas com negócios que integram o próprio portfólio do fundo para conquistar novos clientes e fornecedores
O outro lado
Alguns fundos só adquirem participações superiores à metade do capital, tirando o controle dos fundadores
Os empreendedores passam a prestar contas dos resultados, o que pode aborrecer aqueles acostumados à total independência
Há pressão para obter resultados dentro do prazo estipulado para o fundo deixar o negócio, que geralmente vai de cinco a seis anos. Dependendo das intenções do empreendedor no longo prazo, isso
pode ser uma fonte de conflitos
Vários fundos exigem a contratação das auditorias e dos bancos mais caros do mercado como forma de garantir credibilidade na hora de negociar com grandes clientes e fornecedores
A captação
A lógica dos fundos prevê que, ao final do contrato, seus participantes recebam muito mais do que foi investido, ao vender o pedaço deles na empresa. O risco que eles tomam é alto — sobretudo se o empreendimento estiver no início. Por isso, seus gestores costumam ser muito duros nas negociações para pagar o menor valor possível na hora de entrar na sociedade
Fonte de recursos
Fusões e aquisições
O que a empresa ganha
Como as empresas que se unem passam a fazer parte de uma instituição maior, uma das grandes vantagens é o ganho de escala, que permite negociar taxas e preços mais competitivos com clientes e fornecedores
O empreendedor pode ganhar capacidade de expansão para mercados que seriam difíceis de conquistar sem ajuda externa
Possibilidade de incorporar produtos e serviços complementares aos que já existiam no portfólio
Da consolidação, pode surgir um grupo apto a abrir o capital ou a receber investimento de risco
O outro lado
A integração entre equipes com culturas e estilos diferentes raramente acontece rapidamente e de forma harmoniosa
Os pontos negativos são compartilhados — um assume o histórico do outro, incluindo os erros cometidos pelo parceiro no passado
Para muitos empreendedores, o ponto mais delicado pode estar na chegada de sócios, o que os obriga a dividir a tomada de decisões
Os custos com escritórios de advogados e consultorias financeiras e contábeis podem ultrapassar 5% do valor da operação
A captação
A maneira mais simples de concluir um processo desse tipo é quando uma participação da companhia menor é adquirida por uma empresa maior. Existe ainda a possibilidade de que seus acionistas troquem ações entre si. Chegar a um valor considerado justo pelos dois lados pode ser um trabalho complexo, sobretudo nos casos em que nenhuma das duas empresas tiver papéis listados na bolsa de valores
Fonte de recursos
Abertura de capital no Bovespa mais
O que a empresa ganha
Com a cotação dos papéis na bolsa, os empreendedores podem saber periodicamente qual é o valor de mercado de sua empresa
A necessidade de atualização contínua das informações que vão para investidores e analistas funciona como uma cobrança para que o empreendedor e seus funcionários fiquem sempre atentos ao desempenho, o que estimula a busca constante por eficiência
Há mais opções de remuneração dos executivos, como distribuição de ações de acordo com resultados. Com isso, é mais fácil atrair os melhores profissionais do mercado
O outro lado
A pressão dos investidores por resultados no curto prazo é intensa. Para muitos empreendedores, essa postura é incompatível com seus planos para o futuro
Os concorrentes têm acesso a informações estratégicas
A entrada de uma empresa no Bovespa Mais gira em torno de 5% a 9% do valor total da captação. As despesas com a manutenção da empresa na bolsa podem chegar a 500 000 reais por ano
Os analistas podem não se interessar em acompanhar o desempenho de uma pequena ou média empresa, o que dificulta a precificação dos papéis
A captação
Uma das características da abertura de capital é que o valor da captação acaba sendo definido apenas no dia da operação, quando os compradores realizam as compras. Manter um bom trabalho de relações com investidores no período que antecede a abertura de capital é importante para convencer o mercado do valor da empresa. Mas há fatores que fogem ao controle — uma queda geral nas bolsas, por exemplo, pode jogar o volume de captação para baixo
Fonte de recursos
Empréstimo em banco
O que a empresa ganha
Empreendedores que gostam de ter autonomia na tomada de decisões preferem essa opção porque ela permite que as ações da empresa não mudem de mãos
A interferência de profissionais dos bancos no negócio geralmente é nenhuma
É permitido quitar a dívida antes do prazo previsto inicialmente e, com isso, amortizar o custo com juros — dependendo do instrumento utilizado
Trata-se de um tipo de fonte de recursos ao qual o empreendedor pode recorrer várias vezes em curtos períodos de tempo
O outro lado
Em geral, os bancos não aceitam como garantia recursos que a empresa irá obter no futuro. Os bancos querem bens que já existem e podem ser comprovados, como imóveis, carros e máquinas, ou fontes de receita recorrentes da empresa, como recebíveis
A gestão do fluxo de caixa, que já costuma ser complicada em muitas empresas, passa a ser uma questão de vida ou morte
O empréstimo bancário não costuma trazer mais nada além de dinheiro. Embora alguns bancos ofereçam assessorias, ajudar o empreendedor a melhorar a gestão do negócio não é o foco deles
A captação
Se a empresa estiver com o cadastro em dia, o empréstimo pode sair em um prazo muito inferior ao necessário para obter dinheiro de outras fontes. As taxas irão variar de acordo com a instituição financeira e com a percepção dos bancos sobre a capacidade da empresa de honrar ou não o débito. Há linhas de crédito especialmente baixas se a intenção for apenas comprar novas máquinas, por exemplo

Empréstimos e Captações ao estilo faça você mesmo

terça-feira, março 4th, 2008

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Google oferece correio de voz gratuito para sem-teto em São Francisco

sexta-feira, fevereiro 29th, 2008

Por Redação do IDG Now!

Publicada em 29 de fevereiro de 2008 às 11h51

Atualizada em 29 de fevereiro de 2008 às 11h52

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São Paulo – Empresa quer que todos os desabrigados da cidade tenham seu próprio número e correio de voz até o final do ano.

O Google anunciou na última quarta-feira (27/02) um plano para fazer parcerias com todos os abrigos de sem-teto de São Francisco, nos Estados Unidos, para oferecer números gratuitos de telefone e caixas postais para pessoas que não têm moradia na cidade.

A idéia é permitir que os sem-teto possam distribuir seus números de telefone e possam recolher suas mensagens de voz quando quiserem, segundo uma reportagem do jornal San Francisco Chronicle.

Essa facilidade permitirá que os sem-teto possam se comunicar com familiares, amigos e até potenciais empregadores.

No ano passado, o Google comprou uma startup de São Francisco, chamada Grand Central, que criou um serviço que permite direcionar todas as chamadas de diversos telefones – celular, residencial, comercial – para um único número.

O plano de prestar serviços aos sem-teto foi iniciado pela Grand Central, mas o Google planeja ampliá-lo, dando a cada desabrigado de São Francisco seu próprio número. Eles poderão resgatar suas mensagens de voz a partir de qualquer telefone e a conta nunca expira.

Até o final do ano, a empresa espera contar com a adesão de todos os abrigos de São Francisco.