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Archive for the ‘Mundo Financeiro’ Category

Grameen, o banco dos pobres, iniciará operações no Brasil

www.valor.com.br

Ana Paula Paiva/Valor

Latifee, do Grameen Trust, e a advogada Marina Procknor, do Mattos Filho, responsáveis pela chegada do banco ao Brasil

Depois de dois anos de olho no Brasil, o Grameen Bank anuncia hoje o início de seu processo de implantação no país. Fundado há 35 anos em Bangladesh pelo professor de economia Muhammad Yunus, o banco estabeleceu um programa de microcrédito para aquele país que foi replicado pelo mundo. Com o trabalho realizado no Grameen Bank, Yunus, já mundialmente conhecido como o banqueiro dos pobres, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2006.O modelo do Grameen é emprestar quantias pequenas para pessoas que vivem na pobreza e estimulá-las a criar uma espécie de autoemprego. Em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, as atividades relacionadas ao campo predominam.

“Não fazemos caridade. A pessoa pega o empréstimo e tem que pagar por ele, com juros, inclusive”, afirma H. I. Latifee, diretor-gerente do Grameen Trust, empresa-irmã do Grameen Bank. Ele está no Brasil, com Tamim Islam, diretor de desenvolvimento. Vieram assinar um empréstimo de US$ 6 milhões contraído de um banco doméstico, cujo nome e condições devem ser conhecidos hoje. A partir daí iniciam-se os trabalhos para estabelecer o Grameen no Brasil.

Os empréstimos concedidos pelo Grameen Bank deverão ser, em média, de US$ 200, seguindo modelo já adotado em outros países da América do Sul. Os juros cobrados ao ano vão variar de 20% a 25%. A cada semana, quem tomou os empréstimo deve prestar contas de suas atividades, pagar juros e direcionar um outro pedaço para a poupança.

Latifee está ao lado de Yunus desde o começo do negócio. A filosofia do banco de Bangladesh é “disciplina, união, coragem e trabalho duro”, o que faz com que população do país consiga melhorar seu padrão de vida. “Acreditamos no potencial das pessoas. Em nossa visão, se dermos as condições, elas vão ter iniciativas e ideias para melhorar suas vidas”, diz. “Se os mais pobres conseguirem o acesso ao capital, irão fazer o seu melhor. Mas precisam de alguém que confie neles e lhes dê a oportunidade para mostrar que podem e manter a esperança no futuro.”

O Grameen, portanto, foca os menos favorecidos, mas, como qualquer outro banco, foi criado para dar lucro – que é reinvestido no próprio negócio para alimentar a concessão de empréstimos. “O nosso verdadeiro lucro é o impacto social que causamos. É melhorar a vida das pessoas.”

O Grameen vai chegar ao Brasil, inicialmente, controlando uma sociedade de crédito ao microempreendedor (SCM), que precisará de autorização do Banco Central e um decreto presidencial para começar a funcionar, o que pode levar até seis meses. O mesmo modelo de sucesso em Bangladesh será replicado por aqui. O Brasil um dos poucos países da América do Sul em que o banco ainda não iniciou as operações. Latifee diz que não sabe dizer exatamente por quê. “Temos uma imagem do Brasil como um país rico, que está crescendo muito. Mas sabemos dos problemas de distribuição de renda”, conta.

Ele reconhece que um fator decisivo para a vinda do banco ao país foi o envolvimento da advogada Marina Procknor, 33, sócia do escritório Mattos Filho, com 15 anos de experiência com o mercado financeiro. Em outubro do ano passado, Marina passou três semanas em Bangladesh estagiando no Grameen. E de lá acertou que o Mattos Filho seria o escritório do banco no Brasil. A associação foi estabelecida dentro do programa de “pro bono” (sem remuneração) do escritório brasileiro. “Marina mostrou ser uma pessoa muito comprometida a nos ajudar a auxiliar os mais pobres”, diz Latifee.

Agora, os executivos d e Bangladesh vão estudar com dedicação o Brasil para definir os critérios do banco por aqui, mas eles deverão seguir os moldes de programas já implementados na Colômbia, México ou Argentina, daí a estimativa de que os empréstimos por aqui serão da ordem de US$ 200. “A lógica é que a pessoa passe a ter noção de seu fluxo de caixa e aprenda a lidar com as finanças”, diz Marina. Ela explica que o Grameen quer chegar às pessoas que hoje não são atendidas pelos bancos no país. Elas podem começar com alguma atividade simples, por exemplo uma mulher que inicie uma produção caseira de doces.

“À medida que for aprendendo a lidar com o dinheiro, pode contrair empréstimos maiores, até conseguir montar seu próprio negócio”, diz a advogada.

Quando já tiverem melhorado o padrão de vida, a ideia é que saiam da carteira do Grameen e passem a ser atendidos pelos bancos de varejo tradicionais.

Um executivo virá de Bangladesh para a gestão das operações por aqui. Também haverá treinamento para os agentes de campo, que entrarão em contato com os clientes e serão brasileiros. Um conselho de administração será formado. Latifee não faz previsões para o início das operações. “Começarão assim que for possível.” Ele diz que está entusiasmado com o Brasil, assim como com outros lugares do mundo – ele divide suas viagens internacionais entre os 40 países onde o Grameen já está e aqueles em que pode ingressar. “Nós podemos ter sucesso em qualquer lugar em que exista a pobreza”, conta.

Provavelmente, as atividades no país se iniciarão no Sudeste. Depois de viabilizar a ideia, a intenção é espalhá-la pelo país, até que a operação ganhe volume e o Grameen funcione aqui também como um banco.

A maior parte dos clientes do bancos pelo mundo é formada por mulheres, 97%. Segundo Latifee, a experiência mostra que, nas camadas mais pobres, as mulheres têm menos acesso a financiamentos do que os homens. “Quando elas conseguem esse empréstimo, se dedicam muito para aproveitar a oportunidade e manter essa linha aberta e contínua”, diz, acrescentando que a mulher tende a ser mais preocupada com o futuro, especialmente o dos filhos.

Microcrédito no país tem baixa concessão

O microcrédito no Brasil ainda caminha a passos curtos. O estoque total de concessões atingiu R$ 2,373 bilhões em outubro do ano passado, último dado divulgado pelo Banco Central (BC). Desse total, a maior parte, R$ 1,447 bilhão, é destinada ao financiamento do consumo da população de menor renda. A parcela destinada ao chamado microcrédito produtivo soma saldo ainda menor, de R$ 925,682 milhões.

O volume poderia ser maior, já que os bancos são obrigados, por lei, a destinar 2% do volume dos depósitos à vista para a concessão de microcrédito. Sem conhecimento desse mercado e com medo da inadimplência, as instituições financeiras usam apenas 75%, em média, do total exigido pelo BC. Eles preferem repassar esses recursos para outros bancos, especialmente os públicos, como o Banco do Nordeste, ou mesmo deixar o dinheiro parado, sem rendimento.

Em média, são concedidos pelos bancos cerca de R$ 113 milhões por mês em microcrédito ao consumo e outros R$ 189 milhões em empréstimos aos microempresários. São quase 980 mil de contratos fechados todo mês, com tíquete médio de R$ 310 para o consumo e de R$ 1.384 para o setor produtivo, segundo dados do BC de 2010. O prazo médio é de um ano para consumo e de seis meses para os microempreendimentos.

Um alento está nas taxas de crescimento. O estoque em outubro era 60% superior ao patamar do mesmo mês de 2009. O avanço das linhas para consumo foi de 65%, enquanto o saldo do microcrédito produtivo teve expansão de 50%.

Plano de previdência privada versus faça você mesmo

www.valor.com.br

Mauro Calil

Émuito fácil vender previdência privada no Brasil. Há uma série de decisões públicas que favorece o vendedor. Durante os cursos e palestras, constato claramente essa facilidade. Sempre que o tema surge, faço duas observações bem simples:

1) Quem deseja pagar menos IR, por favor, levante a mão. E todos levantam as mãos

2) Quem tem certeza de que terá uma aposentadoria digna contando apenas com o sistema público, por favor, levante a mão. E ninguém a levanta.

É justamente na voracidade fiscal e na lacuna governamental que atuam os fundos de previdência privada. A vontade de matar dois coelhos com uma cajadada é tão forte que o preço pago pelo cajado acaba sendo menosprezado.

Para ter o benefício fiscal, o plano de previdência precisa ser o chamado PGBL, no qual o IR é calculado sobre todo o patrimônio e não somente sobre o rendimento. O PGBL permite abater 12% da renda anual tributável no cálculo do IR. Ou seja, uma pessoa que recebe R$ 100 mil por ano deverá pagar 27,5% de IR (retidos na fonte). Caso tenha um PGBL, poderá investir 12% da renda total recebida no ano (neste caso, R$ 12 mil) no fundo e, deste valor, poderá restituir R$ 3.300,00 do IR retido (27,5% dos 12 mil).

No primeiro momento, economizar R$ 3.300,00 pode parecer um bom negócio. No entanto, para avaliar mais precisamente, é preciso considerar o cenário em um prazo mais longo. Vamos considera o prazo de 10 anos, com os R$ 12 mil investidos em um plano de previdência que renda 12% ao ano. É preciso considerar as taxas também. No nosso exemplo, a taxa de carregamento será de 2,5%, a taxa de administração de 2,5% (que calculo no início do período). Com o regime regressivo de IR, no resgate a alíquota será de 10%.

Eis as contas: investimento (R$ 12 mil), taxa de carregamento (R$ -300,00), investimento efetivo (R$ 11.700,00), taxa de administração dos 10 anos (R$ -4.486,57). Temos, então, o valor bruto já descontada a taxa de administração (R$ 25.188,03). O IR, após 10 anos, será de R$ -2.518,80 (portanto, o IR de fato economizado foi de R$ 781,20). Com isso, o valor líquido final será de R$ 22.669,23.

Se, em vez de investir na previdência privada, o investidor optar por aplicar o mesmo valor (R$ 12 mil) em um fundo de renda fixa com a mesma taxa de administração (2,5%) e mesmo rendimento bruto (12%), o IR seria de 15% somente sobre o rendimento. Obviamente, a inflação para um único período é a mesma.

Assim, teríamos o seguinte cenário: investimento (R$ 12 mil) taxa dos 10 anos (R$ – 4.601,62), valor bruto já descontada a taxa (R$ 25,833,88) e IR no fim de 10 anos (R$ – 2.075,08). O valor líquido final seria de R$ 23.758,80.

Ao fim de 10 anos, o benefício fiscal de 5 pontos percentuais, bem como o IR compensado, seria minimizado. Outro ponto que merece destaque é que o fundo de renda fixa poderia gerar uma renda vitalícia de R$ 237,58. Muitos planos de previdência não oferecerem renda vitalícia. Ou não permitem passar o patrimônio para os herdeiros.

Mas como melhorar a rentabilidade do investimento? Uma forma é economizar a taxa de administração do fundo administrando diretamente a previdência por meio da aplicação direta em títulos do tesouro (Tesouro Direto) e em ações de empresas pagadoras de dividendos (setor elétrico, por exemplo), mantendo a rentabilidade de 12% ao ano (80% em TD e 20% setor elétrico pode gerar essa rentabilidade).

Sem a taxa de administração, teríamos: investimento (R$ 12 mil), taxa dos 10 anos (zero), valor bruto (R$ 33.276,95), IR ao final de 10 anos (R$ – 4.99,42). Com os custos de R$ 1.320 (1% de corretagem na compra dos títulos e R$ 10,00 ao mês de custódia). Com isso, o valor líquido final de R$ 26.965,40

Ou seja, ao final de 10 anos, são capitalizados R$ 4.296,17 a mais que o plano de previdência comprado. E esse é o custo de oportunidade do investidor. Ao contratar um plano, haverá a conveniência, mas deixará de ganhar R$ 4.296,17 e uma renda vitalícia de 269,65 ao mês. Tudo isso a partir de R$ 12 mil. Se fossem R$ 120 mil, bastaria multiplicar todos os números por 10, tendo, ao final, R$ 2.696,50 ao mês de renda com apenas 10 anos de aplicação. Para R$ 60 mil, é só multiplicar por cinco. E assim por diante.

Lembro também que para turbinar a aposentadoria é importante economizar nas taxas de administração e carregamento, fazer aportes mensais regulares (o ideal é 10% da renda líquida). E quanto mais tempo melhor. Porém, 10 anos é um prazo já bastante razoável para começar a pensar no assunto.

Mauro Calil é professor, educador financeiro e fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil&Calil

E-mail mauro@calilecalil.com.br

Acontecimentos recentes e seus significados

1- Auditorias tradicionais = confiabilidade próxima de zero

Não bastassem os “ricos”  exemplos de um passado recente (WorldCom etc) o caso do Banco Panamericano reforça a percepção da inutilidade das auditorias tradicionais; o meu sentimento é que o caráter e a trajetória profissional dos acionistas majoritários e principais executivos dizem muito mais que os valorosos trabalhos de auditoria executados por companhias de nomes pomposos e desculpas ligeiras.

2- Empresa pequena: é mandatória a presença dos empreendedores no seu dia-a-dia

Este me parece um pressuposto que deve ser sempre seguido; novamente o exemplo do Banco Panamericano e seus super executivos profissionais (mode ironic on): se para uma pequena empresa a presença dos empreendedores no seu dia-a-dia é quase obrigatória, imagine em um pequeno banco!

Uma indústria, por exemplo, onde seus balanços apontem  crescimento no faturamento e nos lucros, geralmente oferce mostras visíveis que justificam este resultado:  expansão de capacidade produtiva, exportação, crescimento no número de representantes etc….Agora pense em uma pequena instituição financeira, onde tudo são registros em um banco de dados, dentre os pricipais executivos encontram-se profissionais de educação física (?) e o empreendedor, longe do dia-a-dia da empresa, busca a incessante revelação de novos Tiriricas….

Como funciona a análise fundamentalista de ações

www.exame.com.br

Entenda como os investidores analisam balanços e fazem contas para avaliar se determinada empresa está ou não barata

O megainvestidor Warren Buffett é o mais célebre exemplo de sucesso entre os adeptos da análise fundamentalista

Nem todo mundo que investe por conta própria na bolsa é especialista em economia, negócios e finanças. Por isso mesmo, os relatórios de analistas de mercado acabam se tornando essenciais para ajudar na hora de escolher os melhores papéis e as empresas mais sólidas. Quem busca investimentos com boa rentabilidade no longo prazo – como forma de poupança ou mesmo de formação de uma previdência complementar – provavelmente vai se identificar mais com a análise fundamentalista, escola mais tradicional dos estudos de mercado. É claro que nem todo mundo será capaz de se transformar em um Warren Buffet ou um George Soros, grandes entusiastas dessa complexa vertente de análise. Mas vale a pena compreender alguns dos conceitos que a norteiam.

A análise fundamentalista busca, basicamente, avaliar a saúde financeira das empresas, projetar seus resultados futuros e determinar o preço justo para as suas ações. Para isso, os analistas levam em consideração os chamados fundamentos da empresa, isto é, todos os fatores macro e microeconômicos que influenciam no seu desempenho. A partir de uma minuciosa análise de todos eles, é possível projetar os resultados da companhia no longo prazo, em geral num período de cinco a dez anos. “A análise fundamentalista é uma foto do momento da empresa, que permite aos analistas projetar o futuro”, resume Samy Dana, professor de finanças da FGV-SP.

Por buscar entender todos os fatores que influenciam o desempenho dos negócios de uma companhia, a análise fundamentalista encara o investimento em ações de uma maneira especial: o investidor se torna sócio da empresa. Uma boa análise leva em conta tanto fatores macro quanto microeconômicos. “Nós sabemos que as empresas não dependem só delas mesmas. Em um momento de crise, por exemplo, mesmo aquelas que tomam atitudes acertadas podem ter problemas”, explica Dana.

Assim, de um lado, o analista avalia fatores como inflação, taxas de juros, câmbio, Produto Interno Bruto (PIB), finanças públicas e decisões governamentais; de outro, olha para as características do setor em que a empresa atua, seus concorrentes e para os resultados da empresa, como balanços, dividendos, lucro, governança corporativa etc. A análise da empresa leva em conta, portanto, tanto o lado quantitativo – seus números – quanto o qualitativo – seus controladores, executivos, a composição do conselho administrativo e assim por diante. “Damos cada vez mais ênfase ao lado qualitativo, pois muitas vezes é o motivo de as ações da empresa serem baratas”, alerta Rafael Rodrigues, diretor de renda variável da gestora de recursos Rio Bravo.

Mas como todos esses fatores impactam no preço das ações e nas perspectivas de rentabilidade dos investimentos? É relativamente simples. Esses dados ajudam os analistas a determinar o “preço justo” das ações e, com isso, identificar se elas estão super ou subavaliadas pelo mercado. Embora as informações usadas como base pelos fundamentalistas sejam todas públicas, análises profundas levam não só à identificação de bons negócios para seus acionistas, como também à descoberta do que o mercado não está precificando.

Por exemplo, uma empresa com saúde financeira impecável pode estar subavaliada devido a problemas de governança de conhecimento dos grandes investidores, ou simplesmente por causa de eventos atípicos que não se refletem nos balanços, mas que serão passageiros. Cabe ao bom analista saber diferenciar. A avaliação do “preço justo” da ação também permite identificar investimentos relativamente mais seguros. “Busca-se uma discrepância entre o valor intrínseco da companhia e seu preço de mercado. Quanto maior essa diferença, maior a margem de segurança do investimento”, explica Rafael Rodrigues.

A análise fundamentalista também fornece alguns indicadores que permitem ao investidor avaliar quanto valem suas ações, quanto elas podem gerar em dividendos, em quanto tempo ele pode recuperar o que investiu e assim por diante. É interessante conhecê-los para poder mensurar, na prática, os resultados de seu investimento. Os dados para calcular esses indicadores provêm dos demonstrativos financeiros das empresas, que também fornecem alguns conceitos que os investidores devem conhecer, como lucro operacional, ativo, passivo, patrimônio líquido, receita bruta e assim por diante.

Análise das demonstrações financeiras

Enraizada na tradição contábil, a análise fundamentalista no Brasil tem como um de seus pontos de partida a análise das demonstrações financeiras das empresas, também conhecida como análise de balanços. As principais demonstrações financeiras são o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Balanço Patrimonial (BP): reflete a posição financeira da empresa em determinado momento, em geral no fim do ano ou de um período prefixado. É formado por ativo (propriedade mensurável monetariamente), passivo (dívidas com terceiros) e patrimônio líquido (PL). O patrimônio líquido evidencia a riqueza da empresa, uma vez que é formado pelo capital investido pelos proprietários, acrescido do lucro retido, isto é, o lucro que não é distribuído pelos acionistas. Assim, a equação simplificada é ATIVO – PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO. E a leitura do balanço é feita da seguinte forma:

Balanço Patrimonial
Ativo

Bens (máquinas, terrenos, estoques, dinheiro, ferramentas, veículos, instalações etc.) + direitos (contas a receber, duplicatas a receber, títulos a receber, ações, depósitos em contas bancárias, títulos de crédito etc.).

Divide-se em:

- Circulante: contas que já são dinheiro (caixa, bancos etc.) + contas que se converterão em dinheiro rapidamente (títulos a receber, estoques etc.). É o ativo mais líquido.

- Realizável a Longo Prazo: contas que se transformarão em dinheiro mais lentamente (valores a receber no longo prazo). Menor grau de liquidez.

- Permanente: itens que dificilmente se tornarão dinheiro porque normalmente não são vendidos, mas que são usados para as atividades operacionais da empresa (prédios, máquinas etc.). Praticamente nenhuma liquidez.

Passivo

Contas a pagar, fornecedores de matéria-prima (a prazo), impostos a pagar, financiamentos, empréstimos etc.

Divide-se em:

- Circulante: contas pagas mais rapidamente (salários, impostos etc.).

- Exigível a Longo Prazo: contas pagas num prazo mais longo (financiamentos etc.).

Patrimônio Líquido (PL) (capital próprio)

Capital (injetado pelos proprietários) + Lucro reinvestido (resultante da atividade da empresa)

O PL seria, grosso modo, o equivalente, no lado do passivo, ao “Permanente” no lado do ativo. São as obrigações com os proprietários, que, evidentemente, não são exigíveis.

Demonstração do Resultado em Exercício (DRE): é o demonstrativo apurado ao final do exercício, em geral de um ano, que mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo. Não acumula de um exercício para o outro. A fórmula é simples: receita – despesa = resultado (lucro). Porém, existem vários “tipos” de lucros. Esses valores são obtidos à medida que são subtraídas determinadas espécies de despesas. Deste jeito:

Demonstração do Resultado em Exercício (DRE)
Receita bruta resultado das vendas ou prestações de serviços incluindo impostos e sem excluir possíveis devoluções ou descontos nos preços das mercadorias e serviços
(-) Deduções impostos sobre vendas, devoluções e descontos comerciais
(=) Receita líquida receita real da empresa, base de cálculo para o Lucro Bruto
(-) Custo das vendas custo da mercadoria ou serviço
(=) Lucro bruto
(-) Despesas Operacionais necessárias para administrar a empresa, vender os produtos ou prestar os serviços e financiar as operações
(=) Lucro operacional resultante apenas da atividade operacional da empresa
(-) Despesas não operacionais

(+) Receitas não operacionais

receitas e despesas resultantes de outras atividades que não a atividade operacional da empresa, como venda de ativos imobilizados, correção monetária etc.
(=) Lucro antes do imposto de renda (LAIR)
(-) Provisão para o Imposto de Renda (IR)
(=) Lucro depois do imposto de renda
(-) Participações de debêntures, empregados e administradores, partes beneficiárias, contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados
(=) Lucro líquido sobra líquida à disposição dos acionistas

Os analistas também costumam estudar a Demonstração de Origens e Aplicação dos Recursos (DOAR), a Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e a Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido. A primeira explica a variação do Capital Circulante Líquido da empresa, isto é, o fluxo de caixa. Esse demonstrativo ajuda o analista a entender como e por que a Posição Financeira mudou de um exercício para outro. O segundo apura o destino do Lucro Líquido, somando-o ao Lucro Acumulado (cujo destino ainda não foi definido) e definindo o saldo efetivamente disponível aos proprietários da empresa. Já o terceiro mostra todo acréscimo e diminuição do PL, assim como a formação de reservas, inclusive aquelas não originadas pelo lucro.

Os principais múltiplos

De posse das informações dos demonstrativos financeiros, os analistas podem verificar a saúde financeira de uma empresa, por exemplo, comparando os demonstrativos de um ano para outro, para ver a evolução das contas, ou comparando demonstrativos de empresas diferentes de um mesmo setor, para verificar qual delas teve um melhor desempenho naquele exercício. Aliás, a análise sempre é mais confiável quando se considera também os concorrentes da empresa analisada e o seu desempenho ao longo dos anos.

A partir dos dados dos balanços, é possível também calcular uma série de índices e múltiplos. É importante ressaltar que isoladamente nenhum desses indicadores é suficiente para avaliar se os papéis de uma empresa são “bons” para se investir ou não. É preciso, portanto, considerar o conjunto de dados para tentar traçar um cenário, comparar indicadores de diferentes empresas de um mesmo setor e a variação deles de um ano para outro.

Conheça alguns dos principais índices e múltiplos da análise fundamentalista:

Ebitda (na sigla em inglês, Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização): o Ebitda representa o Lucro Operacional, acrescido de depreciação e amortização inclusas no custo dos produtos vendidos e nas despesas operacionais. Ele é expresso em percentual do faturamento, ou seja, quanto de lucro restou de cada real gerado pela atividade operacional da empresa. Vale lembrar que para bancos não é possível calcular o Ebitda.

Esse indicador é considerado eficiente porque mostra o real potencial de geração de caixa de uma empresa, uma vez que indica quanto dinheiro é efetivamente gerado por sua atividade principal. Seu mérito é desconsiderar a dedução das despesas financeiras, de depreciação e de impostos. Isso porque, na hora de contabilizar essas deduções, é possível ser bastante flexível, o que não torna o Lucro Líquido o indicador mais consistente. Quando se compara empresas de países diferentes, então, o Ebitda se torna uma ferramenta ainda mais importante.

Considera-se que esse indicador pode medir com precisão a produtividade e a eficiência do negócio. No entanto, o Ebitda não considera o montante de reinvestimento requerido pela depreciação. Em outras palavras, não considera se a empresa reserva uma parte de sua receita para reinvestir, por exemplo, na renovação de suas máquinas e equipamentos que, com o tempo, certamente sofrerão desgaste. “Além disso, não mostra se a empresa está muito endividada, por exemplo. Ela pode estar em situação delicada”, acrescenta Paulo Esteves, analista da corretora Gradual.

Valor de empresa sobre Ebitda (VE / Ebitda): relaciona o valor de empresa com sua capacidade de geração de caixa, aferida pelo Ebitda. O valor de empresa equivale ao valor de mercado acrescido de sua dívida líquida, ou seja, o valor pertencente aos acionistas e aquele pertencente aos credores. O valor de mercado, por sua vez, é expresso pela cotação da ação multiplicada pela quantidade total de ações.

Margem Bruta: relaciona Lucro Bruto com as vendas em um determinado exercício. Demonstra quanto, de cada real vendido, permaneceu na empresa na forma de Lucro Bruto.

Margem Bruta = Lucro Bruto / Vendas Líquidas

Se o resultado for, por exemplo, 0,06, significa que, de cada real vendido ou de serviço prestado, 6 centavos sobram de lucro para a empresa. Pode-se fazer o mesmo cálculo utilizando-se, em vez do Lucro Bruto, o Lucro Operacional e o Lucro Líquido, obtendo-se, respectivamente, a Margem Operacional e a Margem Líquida.

Valor Patrimonial da Ação (VPA): representa o valor intrínseco da ação.

VPA = Patrimônio Líquido / Quantidade de Ações

Se as ações são negociadas acima de seu VPA, significa que o mercado tem boas expectativas em relação à empresa e, por isso, os investidores aceitam pagar mais do que a ação teoricamente valeria. Do contrário, significa que o mercado tem expectativas negativas em relação à empresa ou a seu setor. No entanto, o investidor não deve se enganar: ações negociadas a cotações muito acima de seu VPA podem indicar euforia. Quando isso acontece, pode ser que a empresa não consiga entregar os resultados esperados. No caso de uma crise, o choque no preço dessas ações é especialmente desastroso para o investidor.

Preço por Valor Patrimonial da Ação (P/VPA): indica a relação entre o preço da ação (sua cotação no mercado) e seu valor patrimonial.

Fórmula: Preço da ação / VPA

Se o resultado for acima de 1, significa que a ação está sobreavaliada pelo mercado. Abaixo de 1, indica que está subavaliada.

Rentabilidade sobre Patrimônio (RPL): representa a taxa de retorno do acionista, medindo a capacidade da empresa de gerar lucro a partir de seu patrimônio, ou seja, do capital investido.

RPL = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido

Quanto maior for esse indicador, melhor. Ao aumentar de ano em ano, esse múltiplo mostra que a performance da empresa foi melhor (pois mostra que o mesmo capital gerou mais lucro).

Preço / Lucro (P/L): é um dos múltiplos mais importantes da análise fundamentalista. Indica ao acionista o tempo de retorno do seu investimento, isto é, o número de anos necessários para que o investidor lucre a partir de sua aplicação.

Fórmula: Preço da ação / Lucro por ação

O Lucro por ação é obtido dividindo-se o Lucro Líquido pela quantidade de ações. Esse múltiplo é um bom indicador de “preço” da ação, pois, simplificadamente, quanto menor o P/L, menor o preço. Não se deve, no entanto, comprar uma ação só porque seu preço está “baixo”. Quando se compara papéis de empresas de um mesmo setor, por exemplo, um P/L mais elevado em relação a uma das companhias indica o otimismo do mercado em relação ao seu desempenho.

É bom verificar, no entanto, se houve alguma anormalidade no lucro do último ano, bem como a expectativa de lucro para o próximo exercício, a fim de definir se a relação entre os dois indicadores – preço e lucro – vai se manter ou não.

Taxa de retorno (TR): é o inverso do P/L. Assim, a TR mostra, percentualmente, o quanto se obtém em um ano.

TR = (L/P) x 100

Ou seja, se o P/L de uma empresa é de quatro anos, isso significa que o investimento só será inteiramente recuperado em quatro anos e que, a partir daí, teoricamente, o acionista começa a lucrar. Essa mesma empresa terá uma TR de 25%, o que indica que, em um ano, o acionista recupera 25% de seu investimento.

Dividend Yield (DY): indica o quanto a empresa distribui de dividendos a seus acionistas, em percentual sobre o valor de mercado da ação.

DY = (Valor total dos Dividendos / Cotação da Ação) x 100

Ou seja, se uma ação vale 100 reais e a empresa distribuiu, no último exercício, 8 reais em dividendos, o valor do DY será de 8%. Vale lembrar que empresas que mantêm um elevado DY possuem papéis de menor volatilidade, já que a maior parte dos retornos ao acionista vem na forma de dividendos e não pelo aumento no valor da ação. DYs elevados são mais característicos, portanto, de empresas em estágio mais maduro de negócios, que não investem pesadamente em expansões no médio prazo.

Outros indicadores importantes

Além dos índices de rentabilidade (Margem Bruta, Ebitda, Taxas de Retorno), os analistas fundamentalistas costumam usar outros indicadores para mensurar a saúde financeira das empresas. Conheça os outros três grupos de índices:

Índices de Liquidez: usados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, se a companhia terá como saldar seus compromissos. O principal índice é o de Liquidez Corrente, que mede a capacidade de pagamento de dívidas de curto prazo. Ele é calculado dividindo-se o Ativo Circulante pelo Passivo Circulante. Em geral, se estiver acima de 1 significa que a empresa tem dinheiro em caixa para saldar suas dívidas. É claro que isso depende da capacidade de os recebíveis se converterem realmente em dinheiro antes da quitação das dívidas. E também do ramo da empresa: uma companhia de transporte público não vende a prazo, não possuindo, portanto, recebíveis. Nesse caso, um índice ligeiramente menor que 1 pode não ser problemático.

Índices de Endividamento: permitem avaliar o nível de endividamento da empresa, sua capacidade de gerar caixa para pagar suas dívidas e para garantir o crescimento sustentado de suas atividades. É possível medir a percentagem de capital de terceiros no capital total (que idealmente não deve exceder muito a metade), o quanto de capital próprio existe em relação ao capital de terceiros (que, em geral, deve ser, no mínimo, de 1 para 1) e o percentual de dívidas de curto prazo no total do endividamento (que, se for muito elevado, pode comprometer o caixa da empresa).

Índices de Atividade: usados para medir a rapidez com que a empresa recebe pelas vendas para pagar suas compras e renovar seu estoque. Nesse grupo se inclui o Giro de Caixa, que mede a rapidez com que o dinheiro recebido pelas vendas ou serviços prestados é usado para financiar as atividades da empresa. Um giro de caixa alto e uma liquidez corrente baixa mostram que o dinheiro que entra é logo desembolsado.

Estudo nega falta de liquidez em mercado de acesso londrino

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Bolsa: Segmento para pequenas empresas, o AIM, tem negociação em linha com concorrentes.
Simon Dawson/Bloomberg

Sede da Bolsa de Londres, que possui um mercado voltado à negociação de ações de empresas de pequeno porte

A falta de liquidez e a ausência de cobertura por analistas independentes são duas das queixas mais comuns sobre as empresas constantes do AIM, mercado de acesso da Bolsa de Londres voltado a empresas de pequeno porte.No entanto, um estudo sobre o futuro do mercado júnior londrino publicado nesta segunda-feira pela empresa de contabilidade PwC sugere que as duas reclamações não passam de mitos.

O levantamento descobriu que os volumes de negociação no AIM estão amplamente em linha com outros mercados de empresas de menor porte.

O estudo sugere que liquidez é uma função do tamanho e que o segmento não é mais ilíquido do que o FTSE Fledgling e outros mercados ou setores de mercado que abrigam empresas de porte similar.

Tim Ward, da Quoted Company Alliance, diz que, embora a liquidez seja importante para pequenas empresas, reclamar sobre isso é “como ficar irritado com a chuva na Inglaterra”.

A atenção dos analistas da City para empresas de pequeno porte também é dependente de seu tamanho, diz o estudo. As cem maiores empresas do AIM foram analisadas assim como as pertencentes ao índice FTSE Small Cap.

Fora do AIM 100, as empresas no mercado júnior recebem cobertura similar às do índice FTSE Fledgling.

A solução para uma percepção de falta de liquidez e cobertura de análises está muitas vezes nas mãos das próprias empresas, sugere a pesquisa.

“As empresas que mais fortemente se queixam da falta de liquidez são as que deixam a vida correr e acreditam que o AIM deve lhes assegurar o sustento”, diz John Cowie, da Seymour Pierce.

“Você não pode esperar liquidez sem esforço. Você precisa se comunicar e fazer com que os investidores saibam o que você está fazendo.”

O estudo veio na esteira do 15º jantar de premiação anual do AIM, realizado em Old Billingsgate, em Londres, na quinta-feira.

O Prêmio Empresa do Ano foi ganho pela Asos, varejista de moda on-line, que na semana passada registrou aumento de 42% na receita do segundo trimestre, para US$ 118 milhões (73,8 milhões de libras).

A capitalização de mercado da Asos, fundada em 2001, cresceu a ponto de atingir 900 milhões de libras. Há 14 corretoras com previsões sobre seu desempenho futuro.

Outra preocupação dos investidores em potencial nas empresas listadas no AIM é a regulamentação branda.

As empresas podem tornar-se mais atraentes mostrando que têm boa governança corporativa e transparência, segundo o estudo da PwC.

“Temos cada vez mais procurado atuar como se fôssemos uma empresa comum”, diz Roger Withers, presidente da Playtech, provedora de software para jogos on-line que ganhou o International Company of the Year.

A empresa, que tem suas principais operações na Estónia e em Israel, cresceu até alcançar uma capitalização de mercado superior 1 bilhão de libras desde que ingressou no AIM, em 2005.

O estudo, intitulado “Assegurando o Futuro do Aim”, destaca que nos 12 meses até 30 de setembro o índice AIM All Share subiu 22%, enquanto o FTSE Small Cap subiu 4% e o FTSE Fledgling ganhou 5%.

O relatório conclui que há sinais de que o mercado deixou a recessão para trás e argumenta que ele é mais relevante do que nunca para a economia britânica e para os empresários.

Mas à medida que o número de companhias que entram para esse mercado começa a crescer, depois do marasmo de 2009, os conselhos de administração devem ter uma visão clara do que esperam com uma entrada na bolsa.

Eles devem considerar uma adesão ao AIM “como um catalisador para investimento e crescimento, e não um fim em si mesmo”.

conhecimento: alavancagem x risco

Conhecer bem um determinado mercado pode ser traduzido como:

“a capacidade de estruturar uma operação empresarial alavancada, com baixo risco!”

Quais os componentes de um bom projeto alavancado?

- previsibilidade de receitas

- faturamento pulverizado

- contratos de médio e longo prazos

- pouca sensibilidade a oscilações do mercado