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Archive for the ‘Mundo Financeiro’ Category

Como funciona a análise fundamentalista de ações

www.exame.com.br

Entenda como os investidores analisam balanços e fazem contas para avaliar se determinada empresa está ou não barata

O megainvestidor Warren Buffett é o mais célebre exemplo de sucesso entre os adeptos da análise fundamentalista

Nem todo mundo que investe por conta própria na bolsa é especialista em economia, negócios e finanças. Por isso mesmo, os relatórios de analistas de mercado acabam se tornando essenciais para ajudar na hora de escolher os melhores papéis e as empresas mais sólidas. Quem busca investimentos com boa rentabilidade no longo prazo – como forma de poupança ou mesmo de formação de uma previdência complementar – provavelmente vai se identificar mais com a análise fundamentalista, escola mais tradicional dos estudos de mercado. É claro que nem todo mundo será capaz de se transformar em um Warren Buffet ou um George Soros, grandes entusiastas dessa complexa vertente de análise. Mas vale a pena compreender alguns dos conceitos que a norteiam.

A análise fundamentalista busca, basicamente, avaliar a saúde financeira das empresas, projetar seus resultados futuros e determinar o preço justo para as suas ações. Para isso, os analistas levam em consideração os chamados fundamentos da empresa, isto é, todos os fatores macro e microeconômicos que influenciam no seu desempenho. A partir de uma minuciosa análise de todos eles, é possível projetar os resultados da companhia no longo prazo, em geral num período de cinco a dez anos. “A análise fundamentalista é uma foto do momento da empresa, que permite aos analistas projetar o futuro”, resume Samy Dana, professor de finanças da FGV-SP.

Por buscar entender todos os fatores que influenciam o desempenho dos negócios de uma companhia, a análise fundamentalista encara o investimento em ações de uma maneira especial: o investidor se torna sócio da empresa. Uma boa análise leva em conta tanto fatores macro quanto microeconômicos. “Nós sabemos que as empresas não dependem só delas mesmas. Em um momento de crise, por exemplo, mesmo aquelas que tomam atitudes acertadas podem ter problemas”, explica Dana.

Assim, de um lado, o analista avalia fatores como inflação, taxas de juros, câmbio, Produto Interno Bruto (PIB), finanças públicas e decisões governamentais; de outro, olha para as características do setor em que a empresa atua, seus concorrentes e para os resultados da empresa, como balanços, dividendos, lucro, governança corporativa etc. A análise da empresa leva em conta, portanto, tanto o lado quantitativo – seus números – quanto o qualitativo – seus controladores, executivos, a composição do conselho administrativo e assim por diante. “Damos cada vez mais ênfase ao lado qualitativo, pois muitas vezes é o motivo de as ações da empresa serem baratas”, alerta Rafael Rodrigues, diretor de renda variável da gestora de recursos Rio Bravo.

Mas como todos esses fatores impactam no preço das ações e nas perspectivas de rentabilidade dos investimentos? É relativamente simples. Esses dados ajudam os analistas a determinar o “preço justo” das ações e, com isso, identificar se elas estão super ou subavaliadas pelo mercado. Embora as informações usadas como base pelos fundamentalistas sejam todas públicas, análises profundas levam não só à identificação de bons negócios para seus acionistas, como também à descoberta do que o mercado não está precificando.

Por exemplo, uma empresa com saúde financeira impecável pode estar subavaliada devido a problemas de governança de conhecimento dos grandes investidores, ou simplesmente por causa de eventos atípicos que não se refletem nos balanços, mas que serão passageiros. Cabe ao bom analista saber diferenciar. A avaliação do “preço justo” da ação também permite identificar investimentos relativamente mais seguros. “Busca-se uma discrepância entre o valor intrínseco da companhia e seu preço de mercado. Quanto maior essa diferença, maior a margem de segurança do investimento”, explica Rafael Rodrigues.

A análise fundamentalista também fornece alguns indicadores que permitem ao investidor avaliar quanto valem suas ações, quanto elas podem gerar em dividendos, em quanto tempo ele pode recuperar o que investiu e assim por diante. É interessante conhecê-los para poder mensurar, na prática, os resultados de seu investimento. Os dados para calcular esses indicadores provêm dos demonstrativos financeiros das empresas, que também fornecem alguns conceitos que os investidores devem conhecer, como lucro operacional, ativo, passivo, patrimônio líquido, receita bruta e assim por diante.

Análise das demonstrações financeiras

Enraizada na tradição contábil, a análise fundamentalista no Brasil tem como um de seus pontos de partida a análise das demonstrações financeiras das empresas, também conhecida como análise de balanços. As principais demonstrações financeiras são o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Balanço Patrimonial (BP): reflete a posição financeira da empresa em determinado momento, em geral no fim do ano ou de um período prefixado. É formado por ativo (propriedade mensurável monetariamente), passivo (dívidas com terceiros) e patrimônio líquido (PL). O patrimônio líquido evidencia a riqueza da empresa, uma vez que é formado pelo capital investido pelos proprietários, acrescido do lucro retido, isto é, o lucro que não é distribuído pelos acionistas. Assim, a equação simplificada é ATIVO – PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO. E a leitura do balanço é feita da seguinte forma:

Balanço Patrimonial
Ativo

Bens (máquinas, terrenos, estoques, dinheiro, ferramentas, veículos, instalações etc.) + direitos (contas a receber, duplicatas a receber, títulos a receber, ações, depósitos em contas bancárias, títulos de crédito etc.).

Divide-se em:

- Circulante: contas que já são dinheiro (caixa, bancos etc.) + contas que se converterão em dinheiro rapidamente (títulos a receber, estoques etc.). É o ativo mais líquido.

- Realizável a Longo Prazo: contas que se transformarão em dinheiro mais lentamente (valores a receber no longo prazo). Menor grau de liquidez.

- Permanente: itens que dificilmente se tornarão dinheiro porque normalmente não são vendidos, mas que são usados para as atividades operacionais da empresa (prédios, máquinas etc.). Praticamente nenhuma liquidez.

Passivo

Contas a pagar, fornecedores de matéria-prima (a prazo), impostos a pagar, financiamentos, empréstimos etc.

Divide-se em:

- Circulante: contas pagas mais rapidamente (salários, impostos etc.).

- Exigível a Longo Prazo: contas pagas num prazo mais longo (financiamentos etc.).

Patrimônio Líquido (PL) (capital próprio)

Capital (injetado pelos proprietários) + Lucro reinvestido (resultante da atividade da empresa)

O PL seria, grosso modo, o equivalente, no lado do passivo, ao “Permanente” no lado do ativo. São as obrigações com os proprietários, que, evidentemente, não são exigíveis.

Demonstração do Resultado em Exercício (DRE): é o demonstrativo apurado ao final do exercício, em geral de um ano, que mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo. Não acumula de um exercício para o outro. A fórmula é simples: receita – despesa = resultado (lucro). Porém, existem vários “tipos” de lucros. Esses valores são obtidos à medida que são subtraídas determinadas espécies de despesas. Deste jeito:

Demonstração do Resultado em Exercício (DRE)
Receita bruta resultado das vendas ou prestações de serviços incluindo impostos e sem excluir possíveis devoluções ou descontos nos preços das mercadorias e serviços
(-) Deduções impostos sobre vendas, devoluções e descontos comerciais
(=) Receita líquida receita real da empresa, base de cálculo para o Lucro Bruto
(-) Custo das vendas custo da mercadoria ou serviço
(=) Lucro bruto
(-) Despesas Operacionais necessárias para administrar a empresa, vender os produtos ou prestar os serviços e financiar as operações
(=) Lucro operacional resultante apenas da atividade operacional da empresa
(-) Despesas não operacionais

(+) Receitas não operacionais

receitas e despesas resultantes de outras atividades que não a atividade operacional da empresa, como venda de ativos imobilizados, correção monetária etc.
(=) Lucro antes do imposto de renda (LAIR)
(-) Provisão para o Imposto de Renda (IR)
(=) Lucro depois do imposto de renda
(-) Participações de debêntures, empregados e administradores, partes beneficiárias, contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados
(=) Lucro líquido sobra líquida à disposição dos acionistas

Os analistas também costumam estudar a Demonstração de Origens e Aplicação dos Recursos (DOAR), a Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e a Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido. A primeira explica a variação do Capital Circulante Líquido da empresa, isto é, o fluxo de caixa. Esse demonstrativo ajuda o analista a entender como e por que a Posição Financeira mudou de um exercício para outro. O segundo apura o destino do Lucro Líquido, somando-o ao Lucro Acumulado (cujo destino ainda não foi definido) e definindo o saldo efetivamente disponível aos proprietários da empresa. Já o terceiro mostra todo acréscimo e diminuição do PL, assim como a formação de reservas, inclusive aquelas não originadas pelo lucro.

Os principais múltiplos

De posse das informações dos demonstrativos financeiros, os analistas podem verificar a saúde financeira de uma empresa, por exemplo, comparando os demonstrativos de um ano para outro, para ver a evolução das contas, ou comparando demonstrativos de empresas diferentes de um mesmo setor, para verificar qual delas teve um melhor desempenho naquele exercício. Aliás, a análise sempre é mais confiável quando se considera também os concorrentes da empresa analisada e o seu desempenho ao longo dos anos.

A partir dos dados dos balanços, é possível também calcular uma série de índices e múltiplos. É importante ressaltar que isoladamente nenhum desses indicadores é suficiente para avaliar se os papéis de uma empresa são “bons” para se investir ou não. É preciso, portanto, considerar o conjunto de dados para tentar traçar um cenário, comparar indicadores de diferentes empresas de um mesmo setor e a variação deles de um ano para outro.

Conheça alguns dos principais índices e múltiplos da análise fundamentalista:

Ebitda (na sigla em inglês, Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização): o Ebitda representa o Lucro Operacional, acrescido de depreciação e amortização inclusas no custo dos produtos vendidos e nas despesas operacionais. Ele é expresso em percentual do faturamento, ou seja, quanto de lucro restou de cada real gerado pela atividade operacional da empresa. Vale lembrar que para bancos não é possível calcular o Ebitda.

Esse indicador é considerado eficiente porque mostra o real potencial de geração de caixa de uma empresa, uma vez que indica quanto dinheiro é efetivamente gerado por sua atividade principal. Seu mérito é desconsiderar a dedução das despesas financeiras, de depreciação e de impostos. Isso porque, na hora de contabilizar essas deduções, é possível ser bastante flexível, o que não torna o Lucro Líquido o indicador mais consistente. Quando se compara empresas de países diferentes, então, o Ebitda se torna uma ferramenta ainda mais importante.

Considera-se que esse indicador pode medir com precisão a produtividade e a eficiência do negócio. No entanto, o Ebitda não considera o montante de reinvestimento requerido pela depreciação. Em outras palavras, não considera se a empresa reserva uma parte de sua receita para reinvestir, por exemplo, na renovação de suas máquinas e equipamentos que, com o tempo, certamente sofrerão desgaste. “Além disso, não mostra se a empresa está muito endividada, por exemplo. Ela pode estar em situação delicada”, acrescenta Paulo Esteves, analista da corretora Gradual.

Valor de empresa sobre Ebitda (VE / Ebitda): relaciona o valor de empresa com sua capacidade de geração de caixa, aferida pelo Ebitda. O valor de empresa equivale ao valor de mercado acrescido de sua dívida líquida, ou seja, o valor pertencente aos acionistas e aquele pertencente aos credores. O valor de mercado, por sua vez, é expresso pela cotação da ação multiplicada pela quantidade total de ações.

Margem Bruta: relaciona Lucro Bruto com as vendas em um determinado exercício. Demonstra quanto, de cada real vendido, permaneceu na empresa na forma de Lucro Bruto.

Margem Bruta = Lucro Bruto / Vendas Líquidas

Se o resultado for, por exemplo, 0,06, significa que, de cada real vendido ou de serviço prestado, 6 centavos sobram de lucro para a empresa. Pode-se fazer o mesmo cálculo utilizando-se, em vez do Lucro Bruto, o Lucro Operacional e o Lucro Líquido, obtendo-se, respectivamente, a Margem Operacional e a Margem Líquida.

Valor Patrimonial da Ação (VPA): representa o valor intrínseco da ação.

VPA = Patrimônio Líquido / Quantidade de Ações

Se as ações são negociadas acima de seu VPA, significa que o mercado tem boas expectativas em relação à empresa e, por isso, os investidores aceitam pagar mais do que a ação teoricamente valeria. Do contrário, significa que o mercado tem expectativas negativas em relação à empresa ou a seu setor. No entanto, o investidor não deve se enganar: ações negociadas a cotações muito acima de seu VPA podem indicar euforia. Quando isso acontece, pode ser que a empresa não consiga entregar os resultados esperados. No caso de uma crise, o choque no preço dessas ações é especialmente desastroso para o investidor.

Preço por Valor Patrimonial da Ação (P/VPA): indica a relação entre o preço da ação (sua cotação no mercado) e seu valor patrimonial.

Fórmula: Preço da ação / VPA

Se o resultado for acima de 1, significa que a ação está sobreavaliada pelo mercado. Abaixo de 1, indica que está subavaliada.

Rentabilidade sobre Patrimônio (RPL): representa a taxa de retorno do acionista, medindo a capacidade da empresa de gerar lucro a partir de seu patrimônio, ou seja, do capital investido.

RPL = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido

Quanto maior for esse indicador, melhor. Ao aumentar de ano em ano, esse múltiplo mostra que a performance da empresa foi melhor (pois mostra que o mesmo capital gerou mais lucro).

Preço / Lucro (P/L): é um dos múltiplos mais importantes da análise fundamentalista. Indica ao acionista o tempo de retorno do seu investimento, isto é, o número de anos necessários para que o investidor lucre a partir de sua aplicação.

Fórmula: Preço da ação / Lucro por ação

O Lucro por ação é obtido dividindo-se o Lucro Líquido pela quantidade de ações. Esse múltiplo é um bom indicador de “preço” da ação, pois, simplificadamente, quanto menor o P/L, menor o preço. Não se deve, no entanto, comprar uma ação só porque seu preço está “baixo”. Quando se compara papéis de empresas de um mesmo setor, por exemplo, um P/L mais elevado em relação a uma das companhias indica o otimismo do mercado em relação ao seu desempenho.

É bom verificar, no entanto, se houve alguma anormalidade no lucro do último ano, bem como a expectativa de lucro para o próximo exercício, a fim de definir se a relação entre os dois indicadores – preço e lucro – vai se manter ou não.

Taxa de retorno (TR): é o inverso do P/L. Assim, a TR mostra, percentualmente, o quanto se obtém em um ano.

TR = (L/P) x 100

Ou seja, se o P/L de uma empresa é de quatro anos, isso significa que o investimento só será inteiramente recuperado em quatro anos e que, a partir daí, teoricamente, o acionista começa a lucrar. Essa mesma empresa terá uma TR de 25%, o que indica que, em um ano, o acionista recupera 25% de seu investimento.

Dividend Yield (DY): indica o quanto a empresa distribui de dividendos a seus acionistas, em percentual sobre o valor de mercado da ação.

DY = (Valor total dos Dividendos / Cotação da Ação) x 100

Ou seja, se uma ação vale 100 reais e a empresa distribuiu, no último exercício, 8 reais em dividendos, o valor do DY será de 8%. Vale lembrar que empresas que mantêm um elevado DY possuem papéis de menor volatilidade, já que a maior parte dos retornos ao acionista vem na forma de dividendos e não pelo aumento no valor da ação. DYs elevados são mais característicos, portanto, de empresas em estágio mais maduro de negócios, que não investem pesadamente em expansões no médio prazo.

Outros indicadores importantes

Além dos índices de rentabilidade (Margem Bruta, Ebitda, Taxas de Retorno), os analistas fundamentalistas costumam usar outros indicadores para mensurar a saúde financeira das empresas. Conheça os outros três grupos de índices:

Índices de Liquidez: usados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, se a companhia terá como saldar seus compromissos. O principal índice é o de Liquidez Corrente, que mede a capacidade de pagamento de dívidas de curto prazo. Ele é calculado dividindo-se o Ativo Circulante pelo Passivo Circulante. Em geral, se estiver acima de 1 significa que a empresa tem dinheiro em caixa para saldar suas dívidas. É claro que isso depende da capacidade de os recebíveis se converterem realmente em dinheiro antes da quitação das dívidas. E também do ramo da empresa: uma companhia de transporte público não vende a prazo, não possuindo, portanto, recebíveis. Nesse caso, um índice ligeiramente menor que 1 pode não ser problemático.

Índices de Endividamento: permitem avaliar o nível de endividamento da empresa, sua capacidade de gerar caixa para pagar suas dívidas e para garantir o crescimento sustentado de suas atividades. É possível medir a percentagem de capital de terceiros no capital total (que idealmente não deve exceder muito a metade), o quanto de capital próprio existe em relação ao capital de terceiros (que, em geral, deve ser, no mínimo, de 1 para 1) e o percentual de dívidas de curto prazo no total do endividamento (que, se for muito elevado, pode comprometer o caixa da empresa).

Índices de Atividade: usados para medir a rapidez com que a empresa recebe pelas vendas para pagar suas compras e renovar seu estoque. Nesse grupo se inclui o Giro de Caixa, que mede a rapidez com que o dinheiro recebido pelas vendas ou serviços prestados é usado para financiar as atividades da empresa. Um giro de caixa alto e uma liquidez corrente baixa mostram que o dinheiro que entra é logo desembolsado.

Estudo nega falta de liquidez em mercado de acesso londrino

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Bolsa: Segmento para pequenas empresas, o AIM, tem negociação em linha com concorrentes.
Simon Dawson/Bloomberg

Sede da Bolsa de Londres, que possui um mercado voltado à negociação de ações de empresas de pequeno porte

A falta de liquidez e a ausência de cobertura por analistas independentes são duas das queixas mais comuns sobre as empresas constantes do AIM, mercado de acesso da Bolsa de Londres voltado a empresas de pequeno porte.No entanto, um estudo sobre o futuro do mercado júnior londrino publicado nesta segunda-feira pela empresa de contabilidade PwC sugere que as duas reclamações não passam de mitos.

O levantamento descobriu que os volumes de negociação no AIM estão amplamente em linha com outros mercados de empresas de menor porte.

O estudo sugere que liquidez é uma função do tamanho e que o segmento não é mais ilíquido do que o FTSE Fledgling e outros mercados ou setores de mercado que abrigam empresas de porte similar.

Tim Ward, da Quoted Company Alliance, diz que, embora a liquidez seja importante para pequenas empresas, reclamar sobre isso é “como ficar irritado com a chuva na Inglaterra”.

A atenção dos analistas da City para empresas de pequeno porte também é dependente de seu tamanho, diz o estudo. As cem maiores empresas do AIM foram analisadas assim como as pertencentes ao índice FTSE Small Cap.

Fora do AIM 100, as empresas no mercado júnior recebem cobertura similar às do índice FTSE Fledgling.

A solução para uma percepção de falta de liquidez e cobertura de análises está muitas vezes nas mãos das próprias empresas, sugere a pesquisa.

“As empresas que mais fortemente se queixam da falta de liquidez são as que deixam a vida correr e acreditam que o AIM deve lhes assegurar o sustento”, diz John Cowie, da Seymour Pierce.

“Você não pode esperar liquidez sem esforço. Você precisa se comunicar e fazer com que os investidores saibam o que você está fazendo.”

O estudo veio na esteira do 15º jantar de premiação anual do AIM, realizado em Old Billingsgate, em Londres, na quinta-feira.

O Prêmio Empresa do Ano foi ganho pela Asos, varejista de moda on-line, que na semana passada registrou aumento de 42% na receita do segundo trimestre, para US$ 118 milhões (73,8 milhões de libras).

A capitalização de mercado da Asos, fundada em 2001, cresceu a ponto de atingir 900 milhões de libras. Há 14 corretoras com previsões sobre seu desempenho futuro.

Outra preocupação dos investidores em potencial nas empresas listadas no AIM é a regulamentação branda.

As empresas podem tornar-se mais atraentes mostrando que têm boa governança corporativa e transparência, segundo o estudo da PwC.

“Temos cada vez mais procurado atuar como se fôssemos uma empresa comum”, diz Roger Withers, presidente da Playtech, provedora de software para jogos on-line que ganhou o International Company of the Year.

A empresa, que tem suas principais operações na Estónia e em Israel, cresceu até alcançar uma capitalização de mercado superior 1 bilhão de libras desde que ingressou no AIM, em 2005.

O estudo, intitulado “Assegurando o Futuro do Aim”, destaca que nos 12 meses até 30 de setembro o índice AIM All Share subiu 22%, enquanto o FTSE Small Cap subiu 4% e o FTSE Fledgling ganhou 5%.

O relatório conclui que há sinais de que o mercado deixou a recessão para trás e argumenta que ele é mais relevante do que nunca para a economia britânica e para os empresários.

Mas à medida que o número de companhias que entram para esse mercado começa a crescer, depois do marasmo de 2009, os conselhos de administração devem ter uma visão clara do que esperam com uma entrada na bolsa.

Eles devem considerar uma adesão ao AIM “como um catalisador para investimento e crescimento, e não um fim em si mesmo”.

conhecimento: alavancagem x risco

Conhecer bem um determinado mercado pode ser traduzido como:

“a capacidade de estruturar uma operação empresarial alavancada, com baixo risco!”

Quais os componentes de um bom projeto alavancado?

- previsibilidade de receitas

- faturamento pulverizado

- contratos de médio e longo prazos

- pouca sensibilidade a oscilações do mercado

Concentração de capital diminui valor de empresa, diz estudo

www.valor.com.br

Por Antonio Perez | De São Paulo

Quanto mais concentrado o capital de uma empresa listada na bolsa, menor tende a ser o seu valor de mercado. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto Assaf, especializado no mercado financeiro, sobre a concentração de capital no mercado acionário brasileiro.

O estudo levantou o percentual de capital das empresas na bolsa que estava nas mãos de seus três maiores acionistas entre 2005 e 2009. Foram consideradas no estudo todas as empresas listadas na Bovespa com publicação de demonstrações financeiras em dia.

Em seguida, esse percentual foi comparado ao valor de mercado das companhias, de acordo com os preços médios de suas ações em 2009. O resultado: quanto mais capital concentrado na mão dos três maiores acionistas, menor o valor de mercado da empresa. É o que no jargão estatístico se chama de correlação negativa, indicando que duas variáveis sempre se movimentam em direções opostas.

No caso do estudo, os chamados coeficientes de correlação, que indicam em que proporção a concentração de capital tende a prejudicar o valor de mercado, foram pequenos. Em 2009, por exemplo, o coeficiente encontrado foi de -0,132. Os coeficientes de correlação negativa variam entre 0 e -1. Quando mais perto de -1, maior o contraste entre as duas variáveis consideradas.

O coeficiente pode até ser pequeno, mas é relevante estatisticamente, afirma o professor de finanças Fábio Guasti Lima, pesquisador do Instituto Assaf e responsável pelo estudo. “Esse número serve de alerta ao mercado de que a alta concentração acionária em média diminui o valor da companhia”, diz Lima.

Segundo o pesquisador, quando mais concentrado o capital, menos transparentes são as decisões dos controladores. “E essa falta de transparência tende a aumentar o risco do investimento, o que diminui o valor que o mercado atribui a empresa”, afirma.

Já quando as ações com direito a voto estão distribuídas por vários acionistas, há perspectiva de maior controle sobre os caminhos da empresa, diz Lima. Mesmo sem deter a maioria do capital da companhia, ressalta o pesquisador, os acionistas minoritários podem se reunir e mostrar “grande força de voto” nas assembleias.

Essa força do minoritário acaba coibindo abusos dos controladores, o que eleva o valor das empresas, diz Lima. Ele lembra que em economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, o controle acionário de uma empresa pode ser exercido com menos de 10% do capital votante.

O pesquisador acredita, contudo, que o mercado brasileiro deve mostrar cada vez menos concentração acionária. Isso porque a maioria das ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) ocorre no Novo Mercado da Bovespa, em que há apenas ações ordinárias e se exige uma quantidade mínima de papéis em circulação (o chamado “free float”).

Além de apontar um correlação negativa entre concentração de capital e valor de mercado, o estudo também mostrou que o volume negociado na bolsa brasileira ainda está restrito a uma quantidade limitada de ações.

Em 2009, constatou o estudo, apenas 19 empresas foram responsáveis por 64,8% do volume negociado com ações no Brasil. Já na Bolsa de Nova York, 92 companhias responderam por 48,8% do valor negociado. “Isso mostra que, apesar de todo o avanço dos últimos anos, a liquidez de muitos papéis ainda é baixa, o que prejudica o investidor”, afirma.

Carteira de crédito do Gerador vai a R$ 53 mi

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Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador: atuação em mercados que os grandes bancos não entram

Com menos de um ano, o Banco Gerador, de Pernambuco, já acumula ativos de R$ 87,9 milhões e uma carteira de crédito de R$ 53,4 milhões no fechamento do ano. O rápido crescimento, de 38% no último trimestre, se deve em parte à recuperação da economia no pós-crise, que coincidiu com a inauguração da instituição, em março de 2009, mas também à ocupação de nichos esquecidos pelos grandes bancos.

O foco da instituição é o consignado, que concentra 75% da carteira. Em dezembro, o banco contava com 105 convênios com pequenas prefeituras do Nordeste e outros 25 com empresas privadas da região. Os 25% restantes do estoque de empréstimo são adiantamentos de recebíveis para companhias nordestinas com faturamento de até R$ 10 milhões e que estejam inseridas em alguma cadeia produtiva.

Segundo Paulo Dalla Nora, sócio e diretor-presidente do Gerador, a única forma de um banco pequeno sobreviver é atuando em nichos que os grandes não têm interesse. Ele conta que as transações de consignado com os funcionários dessas prefeituras são conferidas uma a uma, pois são governos pequenos, que não têm sistemas informatizados. “Os grandes bancos não atuam nesse mercado.”

Todo esse trabalho rende ao banco uma margem média líquida de 2,5% ao mês com a intermediação financeira, algo na casa dos 34% ao ano, entre operações com pessoas físicas e jurídicas, num total de 11 mil clientes. “No próximo semestre já vamos fechar o balanço com lucro e esperamos recuperar o investimento de R$ 4 milhões feito pelos sócios”, diz.

Com o crescimento acelerado de 2009, os sócios já mudaram os planos e pensam em buscar um parceiro a partir do meio do ano para aportar mais recursos e levar o banco “para outro patamar”, nas palavras do presidente. “Pode ser um fundo ou mesmo uma oferta de ações na bolsa”, afirma.

Junho é uma data estratégica, avalia Dalla Nora, pois nesse momento o banco poderá atingir números simbólicos de R$ 50 milhões em patrimônio líquido, estoque de crédito de R$ 100 milhões e ativos na casa dos R$ 150 milhões. “Hoje estamos mais limitados pelo funding do que pelo tamanho do mercado”, diz, lembrando que espera que os convênios com as prefeituras dobrem, assim como o número de empresas clientes.

Hoje o Gerador pertence aos empresários Paulo Sérgio Freire Macedo – dono do Grupo Nordeste, de transportes de valores, com faturamento anual próximo a R$ 1 bilhão – e Severino José Carneiro de Mendonça, dono também de uma empresa de correspondente de crédito consignado. O pesquisador Antonio Lavareda, sócio do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e que no fim do ano passado se filiou ao PSDB, completa o quadro.

Além da receita com crédito, o banco também fechou no fim do ano passado parceria com a Companhia Excelsior de Seguros e com a Finacap Consultoria Financeira, para venda cruzada de produtos. Ainda nas receitas de serviços, o Gerador estruturou R$ 34 milhões em Cédula de Crédito Bancário (CCB) para empresas, todas repassadas para fundos de crédito. Desde a inauguração, o banco dobrou de tamanho em termos administrativos, pulando de 22 funcionários para os 40 atuais, a maior parte alocada no back-office.

Fernando Travaglini, de São Paulo

Remessas ao exterior são isentas de IR

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Laura Ignacio, de São Paulo
27/04/2010

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) decidiu que não incide Imposto de Renda (IR) sobre a remessa de capital ao exterior para pagamento de prestação de serviços. É a primeira manifestação da Corte favorável ao contribuinte. O tema é de grande interesse do setor petroquímico. As indústrias utilizam máquinas importadas, que necessitam de assistência técnica do exterior. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já recorreu da decisão.

Se uma indústria petroquímica contrata serviço de assistência técnica e remete o pagamento ao exterior, o Fisco retém 25% de Imposto de Renda sobre o total enviado. Caso o contribuinte não pague, é autuado. Hoje, para afastar essa exigência, as empresas têm recorrido ao Judiciário. A discussão, no entanto, ainda não foi pacificada pelos tribunais superiores.

No TRF da 2ª Região, a petroquímica, que faz parte de um grupo holandês, alegou que todos os tratados internacionais dos quais o Brasil faz parte preveem que o valor relativo ao pagamento por serviço feito por prestador com sede no exterior só pode ser tributado no país da sede dessa empresa. No caso, a Finlândia. Por unanimidade, os desembargadores da 4ª Turma acataram o argumento da empresa.

Eles reconheceram a prevalência de um tratado internacional sobre o Ato Declaratório da Receita Federal do Brasil nº 1, de 2000, que prevê a retenção na fonte. “Essa receita é lucro da empresa estrangeira, de acordo com o artigo 7º do tratado da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do qual Brasil e Finlândia são signatários”, explica o advogado que representa a petroquímica no processo, Luiz Gustavo Bichara, do escritório Bichara, Barata, Costa & Rocha Advogados. O objetivo desse dispositivo é evitar a bitributação.

A PGFN já apresentou recurso no TRF fluminense, mas ele ainda não foi julgado. Por e-mail, a procuradoria alega que se trata de um caso isolado e que não representa a jurisprudência do tribunal. No processo, argumenta que deve prevalecer a Lei nº 9.779, de 1999. A norma determina o pagamento de IR na fonte sobre rendimentos remetidos para residentes ou domiciliados no exterior. Isso porque, de acordo com memorial da PGFN, a convenção celebrada entre o Brasil e os Países Baixos foi ratificada em 1991, por meio do Decreto nº 355. “Pelo critério temporal, a lei prevalece sobre o tratado, pois é posterior”, diz a Fazenda Nacional no processo.