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Modelo cooperativista viabiliza pequenos provedores na Paraíba
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Chama a atenção o número de associações que representam os pequenos provedores de Internet no Brasil. Em âmbito nacional existem pelo menos duas (Abramulti e Abranet), mas além delas existem pelo menos mais três associações em âmbito regional – a Aprova, de Pernambuco, a Aprove da Paraíba e a InternetSul. Muito mais do que lutar pelos interesses dos seus associados, a Aprove da Paraíba mostra que o modelo cooperativista pode ser a única forma de viabilizar o negócio em cidades pequenas com baixo poder aquisitivo.
A associação controla uma licença de SCM e atua como a prestadora do serviço de telecomunicações. Para os provedores fica o serviço de valor adicionado, ou seja, a autenticação e validação dos logins à Internet. Nei Camilo, que assumirá a presidência da associação em dezembro, explica que muitos empresários – especialmente aqueles que atuam em cidades com baixo poder aquisitivo – não conseguem arcar com o custo da infraestrutura de rádio e com o custo da licença, por isso a associação foi uma saída para viabilizar esses pequenos negócios. “As cidades do interior da Paraíba são menores e com baixo poder de compra. Hoje a Anatel cobre R$ 9 mil pela licença. Mais a parte de engenharia, o custo chegaria a R$ 15 mil. Muitas cidades não comportam um investimento deste porte”, explica Camilo.
A Aprove foi formada em 2006 por seis empresas e depois vieram mais 10. Camilo explica que, antes da associação, essas seis empresas trabalhavam sem outorga de SCM na faixa não licenciada de 2,4 GHz. Entretanto, com o surgimento de centenas de provedores pelo Brasil, a Anatel passou a ser mais rigorosa na fiscalização dessas empresas que no fundo prestavam não só o chamado serviço de valor adicionado, mas também o acesso. “Muitos provedores foram lacrados e outros foram notificados. A gente entendia que a faixa não licenciada não precisava de licença. A legislação é muito vaga sobre isso”, diz Camilo.
Cada associado da Aprove paga uma mensalidade e tem uma cota na associação de acordo com o investimento necessário para construir a infraestrutura na sua cidade. A Aprove é quem recebe as mensalidades dos assinantes e repassa aos provedores já descontando o valor correspondente à capacidade que cada um deles utiliza do link de dados. Camilo revela que a Anatel não está mais concedendo licença de SCM para associações porque existe um “conflito tributário”, uma vez que a associação não tem fins lucrativos, não recolhe Imposto de Renda etc. “Não conheço nenhum outro modelo como o nosso”, diz ele.
Acesso à Internet X PIB
Um estudo do Banco Mundial divulgado em novembro de 2008 indica que, para cada 10 pontos porcentuais de aumento no uso de internet rápida, há um crescimento de 1,38% do produto interno bruto (PIB) per capita de um país.
Operadoras de telecom expandem fronteiras de atuação São Paulo – Empresas avançam sobre mercado ocupado por companhias de tecnologia da informação
A entrada das operadoras de telecomunicações em nichos que antes eram dominados por companhias de tecnologia da informação é fato e vem se consolidando no Brasil nos últimos anos. As teles descobriram uma nova – e rentável – fonte de renda em serviços e produtos considerados, até alguns anos, tipicamente de TI.
“As operadoras estão buscando novos nichos para tentar compensar o processo de comoditização das redes. No varejo, o exemplo claro são os pacotes triple play”, avalia Jeferson Stabille, supervisor da prática Advisory Services – IT Effectiveness, da PricewaterhouseCoopers. “No âmbito corporativo, a tendência é investir na área de tecnologia da informação”, completa Kirtanananda Borrero, consultor da Pricewaterhouse.
A estratégia das teles é oferecer a seus clientes, além de um ponto de transmissão de dados, serviços como gerenciamento de redes e de segurança, hosting e acesso a hardware, por exemplo.
Aluguel
É o caso da Telefônica, que há dois anos lançou no País um serviço que já existia em sua sede na Espanha. Batizada de “Posto informático”, a solução oferece equipamentos de informática ou telefonia em modelo de aluguel para corporações usuárias do serviço de banda larga da operadora.
“O cliente paga uma mensalidade e não precisa se preocupar com a aquisição do equipamento, manutenção, seguro, atualização de antivírus, licença de software etc.”, enumera Mário Miloni, diretor de marketing de pequenas e médias empresas da operadora.
Miloni contabiliza 90 mil PCs em serviço neste modelo, mas diz que é difícil estabelecer a economia média que a solução pode gerar. “No caso de empresas novas, é um custo evitado. Para as já em funcionamento, a economia pode ser verificada na ponta do lápis”, observa.
Entre os grandes grupos, a operadora espanhola tem 2 mil clientes de seus “serviços tecnológicos”, que englobam hospedagem e terceirização total das áreas de telecomunicações e tecnologia da informação – excluindo-se, neste caso, desenvolvimento de software e BPO (Business Process Outsourcing), relata Maurício Trad, diretor de marketing do segmento empresas da Telefônica.
A versão do “Posto Informático” para os clientes graúdos chama-se “Posto de Trabalho”, que inclui tudo o que diz respeito ao computador e à conectividade. Ao todo, há 120 mil postos de trabalho vendidos em toda a América Latina, segundo dados da Telefônica.
Ao adotar uma solução que reúne em um único fornecedor voz, dados e TI, a empresa-cliente obtém uma redução média de 20% em seus custos, informa Trad. A diminuição não se dá apenas porque a operadora é capaz de criar uma oferta comercialmente mais interessante. Segundo o executivo, o compartilhamento de profissionais e de equipamentos entre diversos clientes também colabora para frear gastos.
“Temos um centro de comando que gerencia todos os equipamentos do Posto de Trabalho. Lá, compartilhamos ferramentas e profissionais especializados entre diversos clientes. Dessa forma, sou mais barato para o cliente e consigo solucionar problemas com mais rapidez”, detalha Trad.
Para pequenos e médios negócios, a Telefônica também oferece, além do aluguel de computadores, soluções de VPN (Virtual Private Network), co-location e web hosting – serviços de hospedagem da estrutura de servidores em seu data center. “Com o co-location, você coloca seu servidor no data center, mas o gerenciamento dele cabe a você. Já no web hosting, seus dados são armazenados digitalmente nos servidores da empresa de telecomunicações, você hospeda a sua rede ali”, explica Fernando Faria, analista sênior da Pyramid Research.
Entre o link e o BPO
A British Telecom (BT) atua no Brasil exclusivamente prestando serviços como gerenciamento de redes e de segurança, hosting, data center e soluções de conectividade via satélite para corporações e governo, duas áreas de foco da companhia. “A estratégia da BT, adotada há dez anos, foi se posicionar em um mercado não ocupado pelas empresas de commodity, que só forneciam links, e pelas que só forneciam BPO”, comenta Luiz Sanches, diretor geral da BT no Brasil.
Com uma carteira que contabiliza entre 550 e 600 clientes de todos os portes, a BT assumiu a posição de ASP (Application Service Provider), com a oferta de serviços de tecnologia da informação baseados em rede. “Posso oferecer até Windows sob demanda, colocando a licença no servidor que está no nosso data center em vez de instalá-lo em cada computador. Com isso, você vê o nível de integração que existe entre os nossos serviços e a TI”, ressalta.
Na contramão do caminho feito pela BT no Brasil, a Embratel conta, há cinco anos, com serviços como gerenciamento de redes, segurança e data center (com hosting e co-location) prestados para grandes corporações e governo. “Somos o hospital 24 horas da rede deles [os clientes]. A gente olha para a rede e diz se tem que expandir, otimizar, atualizar”, informa Danni Mnitentag, gerente de marketing corporativo da Embratel, sem citar o total de usuários das soluções.
Já a GVT soma cerca de 60 corporações de médio porte em seu serviço de gerenciamento de redes, que permite ao usuário acompanhar, pela internet, o status de sua infraestrutura. A operadora também presta serviços de co-location em grandes projetos e está desenvolvendo uma solução que possibilita ao assinante corporativo monitorar, em tempo real, os recursos de voz usados. “Já foi o tempo de se vender só link. Isso foi há 10 anos”, finaliza Mnitentag, da Embratel.
Dinamarca tem melhores teles do mundo

GENEBRA – A Dinamarca é responsável pela economia mais madura do planeta em termos de telecomunicações, revelou o Fórum Econômico Mundial (WEF).
A notícia coloca os países nórdicos em uma posição vantajosa para lidar com a crise econômica global.
A Suécia ficou em segundo lugar na Lista de Desenvolvimento em Redes do WEF, patrocinada pela Cisco Systems, que avalia a disponibilidade e o uso de tecnologias de informação e comunicação nas nações, como por exemplo o acesso a serviços móveis e internet.
Na terceira posição aparecem os Estados Unidos, seguidos por Cingapura e Suíça. Países pobres como Bangladesh, Burundi, Zimbabwe, Timor-Leste e Chad ficaram nas últimas colocações.
No relatório, o WEF ressalta que investir em infra-estrutura e serviços de telecom pode estimular “a competitividade de forma geral e o progresso”, além de auxiliar os países a retomarem um crescimento saudável após a superação da atual crise financeira.
O acesso à banda larga deve ser visto hoje em dia como “parte da infra-estrutura essencial de uma nação e uma das bases da economia do conhecimento”, acrescentou o estudo, alertando para a urgência dos últimos colocados aprimorarem suas redes de telecom.
“Comunicações móveis têm papel fundamental nos países emergentes, facilitando imensamente o desenvolvimento da economia e a melhora da qualidade de vida”, afirma o WEF.
Os países melhor classificados são: Dinamarca, Suécia, Estados Unidos, Cingapura, Suíça, Finlândia, Islândia, Noruega, Holanda e Canadá.
O Brasil ocupa a 59º posição do ranking.