Archive for the ‘TeleTrabalho’ Category

Do petróleo à informação

sábado, janeiro 5th, 2008
O xeque Yamani, ex-ministro do Petróleo da Arábia Saudita e um dos arquitetos fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), disse certa vez: “A idade da pedra chegou ao fim não por falta de pedras, e a era do petróleo terminará, mas não por falta de petróleo”. Os humanos deixaram de usar pedras porque o bronze e o ferro são materiais superiores. Mas será que realmente deixaremos de consumir petróleo quando outras tecnologias energéticas também proporcionarem benefícios mais vantajosos?
A ameaça de esgotamento dos escassos recursos energéticos mundiais mantém-se muito presente na percepção pública desde os choque do petróleo da década de 70. E nosso temor também não se limita ao petróleo. Por exemplo, o clássico best-sellers “Limites ao Crescimento”, publicado em 1972, previa que o mundo teria esgotado seu ouro em 1981, a prata e o mercúrio em 1985, e o zinco em 1990. Agora temos a vantagem da visão retrospectiva, porém mesmo hoje a maioria das discussões sobre o tema são baseadas na lógica de “Limites ao Crescimento”.
Além disso, a questão não se resume ao fato de não termos esgotado nossos recursos naturais. O economista americano Julian Simon supostamente lançou um desafio em 1980 a um grupo de ambientalistas, dizendo que se fosse o caso de a escassez ser mensurada em termos de encarecimento das commodities, eles deveriam investir em ações de companhias envolvidas no processamento de qualquer minério. Esses ambientalistas aplicaram seu dinheiro em cromo, cobre, níquel, estanho e tungstênio e decidiram-se por um prazo de 10 anos. Em setembro de 1990, o preço de cada um desses metais tinha caído: o cromo em 5%, o estanho em fantásticos 74%.
Os arautos do apocalipse perderam a aposta. O mais importante é que eles não poderiam ter ganho, mesmo se tivessem investido em petróleo, alimentos, açúcar, café, algodão, lã, minerais ou fosfatos: todas essas commodities tinham ficado mais baratas.
Hoje, o petróleo é a mais importante e valiosa commodity comercializada internacionalmente, e sua importância para nossa civilização é ressaltada pela preocupação recorrente com que estejamos esgotando as reservas. No entanto, as estimativas estatísticas de seu esgotamento ocultam muito mais do que revelam. Um campo petrolífero típico produz apenas 20% do reservatório, sendo que perto de 63% permanece no subsolo mesmo quando são usadas as tecnologias mais avançadas.
Além disso, os economistas sustentam que o consumo energético per capita está em queda, devido a seu uso mais eficiente. As eficiências no consumo de combustível no setor automobilístico cresceram mais de 60% nas últimas três décadas, ao passo que a riqueza em geral produzida por unidade de energia dobrou durante o mesmo período.

Mais de 80% do consumo de energia gerada pelo petróleo, seja na forma de eletricidade ou combustível, são usados em transportes casa-trabalho

Mas, embora os preços dos metais tenham caído, o preço do petróleo está atingindo altas recordes. A razão é simples: o emprego dos metais foi substituído por muitas alternativas, mas a maioria dos finalidades ainda necessita derivados de petróleo como insumos, e muitas décadas de esforços para desenvolver suficientes fontes alternativas de energia produziram escasso sucesso.
Portanto, sendo os substitutos para o petróleo não facilmente disponíveis, as sociedades modernas deveriam concentrar-se nas fontes de demanda, a maioria das quais é atribuível ao setor de transportes. De fato, mais de 80% do consumo de energia gerada pelo petróleo nas sociedades contemporâneas, seja na forma de eletricidade ou combustíveis, são usados em transportes casa-trabalho. Será todo esse consumo de petróleo realmente necessário?
Com a crescente contribuição do setor de serviços para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, agora é o momento para reavaliar a necessidade de viajar para o trabalho. Os trabalhadores no setor de serviços movimentam-se entre casa e trabalho diariamente apenas para estarem presentes num ambiente que não tem necessidade econômica deles, pois esses trabalhadores estão facilitando muito mais um intercâmbio de informações do que a troca de bens físicos. Será que realmente necessitamos reunir fisicamente tantas pessoas para tão pouco ganho e a custos tão altos?
O custo não é apenas em termos de recursos naturais, que deveriam ser sustentáveis e legados a gerações futuras – e não exauridos por nossa própria geração. O aumento na quantidade de tempo gasto entre casa e trabalho é um freio tanto à produtividade nacional como à qualidade de vida nas cidades modernas. Uma pesquisa realizada na cidade indiana de Bombaim revelou que a viagem ferroviária diária média entre casa e trabalho é de 22 quilômetros, e sua rápida urbanização, assim como em grande parte do mundo em desenvolvimento, provavelmente resultará no alongamento dos deslocamentos urbanos diários.
Analogamente, o transporte aéreo de passageiros é dominado pelas viagens a negócios. Mas em vista da capacidade de transmissão de dados em alta velocidade das atuais tecnologias de telecomunicações e informação, hoje é possível reduzir substancialmente as viagens a negócios. Se, por um lado, o fenômeno da terceirização para o exterior está atenuando a necessidade de migração da mão-de-obra, a migração doméstica pode ser limitada ainda mais mediante o uso de escritórios domésticos, que poderão reduzir as pressões de demanda sobre o solo urbano, as redes de transportes públicos, a rede viária e aeroportos. Futuramente, as viagens humanas em geral deverão limitar-se cada vez mais a viagens de turismo e passeio.
Hoje dispomos da infra-estrutura tecnológica para levar a maior parte das informações relacionadas ao trabalho até os trabalhadores, permitindo que eles trabalhem em íntima associação. Isso exige uma mudança no estilo de vida – uma mudança que os governos deveriam começar a incentivar empregadores e trabalhadores a assumir.
Se o fizerem, a era do petróleo não terminará. Mas a era da preocupação com sua escassez talvez tenha fim.
Karuna Raman é vice-diretor geral associado da BSNL, uma estatal indiana no setor de telecomunicações. © Project Syndicate 2006. www.project-syndicate.org

A ameaça invisível

quarta-feira, dezembro 20th, 2006

Segunda-feira, 06 de Novembro de 2006, 15h44

Mas quem poderia imaginar que New Orleans seria devastada por uma catástrofe, ou que seres humanos seqüestrariam um avião de carreira e, deliberadamente, o arremessariam contra o World Trade Center. Ou ainda que um tsunami causaria uma tragédia de tão grandes proporções em vários países?

Da mesma forma, um surto de gripe pandêmica poderia causar danos em uma escala bem maior que todos esses desastres juntos.

Para evitar crises dessa natureza, as empresas precisam oferecer um meio para que seus principais funcionários se comuniquem e executem suas tarefas quando e onde necessário, sem interrupções.

E isso é possível graças à continuidade das operações ou cooperação de vigilância remota (COOP).

O princípio básico da continuidade ininterrupta das operações é um sistema de “tele-trabalho” tecnicamente poderoso e com excelente custo-benefício, capaz de providenciar acesso imediato e altamente seguro a qualquer usuário remoto.

Há anos as empresas têm usufruído os benefícios do “tele-trabalho” ou “tele-comutação”, usando seu potencial para promover maior eficiência e melhor desempenho dos funcionários, permitindo que eles trabalhem em casa ou fora da empresa, com total flexibilidade operacional.

O tele-trabalho também é capaz de reduzir os custos do deslocamento e melhorar o estado de espírito dos funcionários.

Na verdade, a Internet foi concebida originalmente como uma iniciativa COOP, para possibilitar a comunicação, mesmo na eventualidade de uma guerra nuclear.

Hoje, ela figura como um dos pilares da economia global e das operações dos setores público e privado em todos os níveis. Mas não se pode contar apenas com a infra-estrutura básica da Internet para a oferta de acessibilidade.

Os quatro pilares da continuidade

Quatro áreas importantes devem ser consideradas para a implementação de iniciativas COOP na sua empresa:

1. Utilização da tecnologia atual futuramente

Durante uma crise, precisamos de um nível tecnicamente muito superior de disponibilidade da Internet do que simplesmente a capacidade de navegar na rede.

Felizmente hoje dispomos de softwares e hardwares capazes de atender a essa necessidade e criar uma rede de usuários remotos que, usando o telefone, a Internet e algumas ferramentas colaborativas, conseguiriam executar operações essenciais a partir de locais remotos.
Basicamente essa estrutura precisa de dois elementos.

Primeiro é necessária uma estrutura integrada e inteligente pronta para a transmissão de dados, com excelente “integração” de todos os componentes do sistema e a “inteligência” necessária para que isso aconteça.

A infra-estrutura de tele-trabalho é bem semelhante a que usamos diariamente para nos comunicarmos de casa: composta por fios, fibra e torres de transmissão.

No caso de cenários mais sofisticados, é bem provável que os sistemas de emergência precisem de comunicação via satélite.

O segundo requisito é a segurança da rede de ponta a ponta, de toda a infra-estrutura do tele-trabalho, para que o usuário tenha acesso aos recursos críticos. Os usuários precisam ser capazes de acessar arquivos com segurança e compartilhar informações da sede para qualquer lugar, quando necessário, com vários produtos trabalhando em diversas plataformas.

Já existem produtos necessários para criar e manter um sistema seguro como esse. A questão então não é se podemos criar um ambiente de tele-trabalho seguro e confiável, mas como e quando o sistema entrará em operação.

2. Foco nos funcionários críticos

O melhor ponto para iniciar uma implementação efetiva de tele-trabalho para COOP é começar pelos líderes e principais membros da empresa. As pessoas que planejam, organizam e executam as tarefas durante uma situação de desastre ou emergência.

Um sistema COOP bem-sucedido demonstrará a viabilidade do trabalho remoto também durante as operações do dia-a-dia. Os custos dos equipamentos e com instalação para a implementação de um sistema COOP não deverão ser uma limitação. A funcionalidade do sistema irá provar o valor do investimento em termos de custo-benefício.

Talvez o aspecto mais delicado para a efetividade de um sistema de trabalho remoto seja a definição de políticas e procedimentos que irão reger as operações e que complementam a capacidade das tecnologias atuais, possibilitando o compartilhamento seguro de informações auditáveis.

3. Manter a integridade da rede autenticando e autorizando os usuários

Os planos para o trabalho remoto efetivo possuem dois componentes básicos: regras que determinarão quem terá acesso a quais informações e em que circunstâncias, e o ambiente técnico que suporta essas regras.
Com avançadas tecnologias de tele-trabalho, as informações podem ser protegidas, gerenciadas e controladas de forma efetiva a partir de vários locais remotos e por qualquer número de usuários autorizados.

A chave é ter “vigilantes” qualificados nas portas que guardam essas informações: uma política abrangente de controle dos usuários e equipamentos em rede conhecida como “controle unificado de acesso”.

Há apenas alguns anos, a segurança das informações só podia ser garantida equipando os computadores com softwares e componentes que exigiam dispendiosas e constantes tarefas de manutenção e atualização. Hoje as redes podem fazer a mesma função, e de forma mais efetiva, por um custo menor e de forma bem mais prática para o usuário.

4. Os padrões abertos permitem o uso de avançadas tecnologias e redução de custos
Em uma situação de emergência, a comunicação virá necessariamente de várias origens. As tecnologias que governam a autenticação e o acesso à informação precisam ser capazes de reconhecer e operar tranqüilamente com uma ampla gama dessas tecnologias.

As próprias tecnologias administrativas precisam também operar sem problemas entre si e com tecnologias de inúmeros fabricantes, o que não somente ajudará na implementação de avançadas soluções como irá melhorar a eficiência e reduzir custos operacionais.

Conclusão

Nossas empresas precisam estar preparadas para permitirem que os funcionários possam trabalhar onde e quando necessário, sem interrupções. Precisamos estar preparados para uma ameaça iminente, garantindo uma infra-estrutura protegida, flexível e pronta, e devemos começar a providenciar isso desde já.

A capacidade de gerenciar efetivamente as informações e autorizar e autenticar usuários remotos e seus equipamentos já é possível e viável.

*Scott Kriens é presidente do conselho, presidente e principal executivo da Juniper Networks desde 1996. Antes de entrar para a Juniper Networks, Scott foi co-fundador e diretor da StrataCom, Inc., atuando nas áreas de operações e vendas de 1986 a 1996. Ele também exerceu o cargo de diretor da VeriSign, Inc., Equinix, Inc. e da Calient Networks, Inc. É formado em economia pela California State University

Tempo para deslocamento ao trabalho: incentivo ao teletrabalho

quarta-feira, junho 28th, 2006

Folha de São Paulo – 25/06/06

“1,6 milhão de pessoas perdem 15 dias do ano só para ir ao trabalho”

21% dos moradores da grande SP gastam pelo menos 1 h no caminho para o emprego

Seminário discute as questões do teletrabalho

terça-feira, maio 23rd, 2006

“Teletrabalho” – esse é um dos temas da grade de palestras do seminário “Mobilidade Corporativa”, que acontece no dia 25 de maio, quinta-feira. no Hotel Tryp (Meliá) Paulista, promovido pelas revistas TI Inside e Teletime,que debaterá a utilização da tecnologia e soluções aplicada à mobilidade.

Nos Estados Unidos, em companhias com mais de 500 funcionários, aproximadamente 40% trabalham remotamente. Isto representa um potencial de 50 milhões de usuários de serviços móveis no mercado americano, segundo pesquisa do Yankee Group

José Carlos Ferreira Júnior, mestre em Gerenciamento e Sistemas de Informação; professor da UNIP, Facamp e Policamp e consultor atuante na área de implementações tecnológicas, vai tratar de questões ainda a serem discutidas como o limite entre o espaço privado e o espaço profissional, o isolamento (falta de contatos sociais), a falta de programas de saúde e segurança no trabalho e ausência de Legislação Trabalhista específica.

Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), o teletrabalho tem mostrado um incremento na produtividade, estimada entre 20 e 100%, devido a algumas razões: a realização do trabalho de maneira ininterrupta e com maior concentração; maior motivação e satisfação dos funcionários no emprego; maior dedicação e ânimo, devido à eliminação das perdas de tempo nos trajetos domicílio-trabalho-domicílio.

Os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Espanha, a Suécia e a Holanda são alguns dos países que mais utilizam o teletrabalho. A França é pioneira na criação de uma rede de telecentros, que têm como objetivo agrupar empregados de empresas de serviços e administração pública em locais próximos das suas áreas residenciais, onde possam trabalhar através da utilização de avançados meios tecnológicos e sempre em contacto com as suas empresas.

No Brasil, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt), o número de teletrabalhadores é de 3,5 milhões, com crescimento médio de 10% ao ano. Os investimentos em tecnologia e soluções em comunicação móvel representam uma redução significativa nos custos de transmissão de dados e a atualização instantânea de relatórios gerenciais, entre outros benefícios às empresas.

Para ilustrar o tema, o seminário contará ainda com a presença de José Luiz A. Fonseca, analista de Sistemas de TI – Gás e Energia da Petrobras, que apresentará o caso prático da Petrobras, que utiliza estrategicamente os recursos de telefone celular e Pdas, envolvendo soluções como escritório remoto; qualidade, medição e supervisão em campo; acesso aos recursos da internet, resultando no aumento da produtividade dos executivos em trânsito.

O 2º Seminário de Mobilidade Corporativa terá palestra sobre:

Mobilidade a serviço da inteligência de negócios

CRM Móvel e Automação de Vendas – Informações sobre o MS-CRM 3.0 em primeira mão

Mobilidade da Informação: caso prático da Petrobras

Rede Wireless de Informações Médicas

Segurança em Mobilidade Corporativa

Para mais informações os interessados podem acessar o site (www.convergeeventos.com.br) ou entrar em contato diretamente com a Converge através do e-mail: info@convergeeventos.com.br ou telefone: (11) 3120-2351. Da Redação

Telecommuting: o paradigma de um novo estilo de trabalho

terça-feira, abril 18th, 2006

A busca de um melhor aproveitamento do espaço físico da empresa, impulsionado por constantes mudanças do mercado de trabalho, fez com que se abrisse a necessidade de estudos que minimizassem, em um curto espaço de tempo, as necessidades de se realizar a mesma quantidade de trabalho em um espaço físico menor, obtendo uma qualidade superior a atual e com o aumento crescente da motivação do empregado.

As vantagens dessa alternativa de trabalho devem ser ressaltadas tanto para o empregador como para o empregado. Também se deve incentivar a adoção de um projeto inicial, por parte dos funcionários, quebrando-se barreiras e mitos tais como a “perda de emprego”, “falta de contato com os colegas de trabalho”, “esquecimento, por parte da gerência, nas horas de promoções” etc.

1- Conceito de telecommuting
Telecommuting redefine o tradicional entendimento sobre espaço de trabalho. Atualmente, as organizações estão se focando em novos valores, tais como, inovações, satisfação, responsabilidades, resultados e ambiente de trabalho familiar.

A alternativa de telecommuting complementa esses princípios e oferece flexibilidade aos patrões e empregados. É um conceito que, a cada dia, ganha mais força ao redor do mundo. Grandes empresas escolheram o trabalho de telecommuting pelas facilidades que ele gera para o empregador.

A implantação do telecommuting determina regras para se trabalhar em casa, em dias específicos da semana e, nos demais dias, trabalhar no escritório. O local de trabalho pode ser a casa ou, temporariamente por motivo de viagem, outros escritórios.

A idéia do telecommuting não é nova. Ela começou a ser usada em formas primitivas durante anos por vendedores e representantes comerciais, que visitavam seus clientes em locais diferentes do local de trabalho. O que se alterou foi à adaptação a vários tipos de trabalho e o agendamento prévio dos dias de ausência ao local de trabalho. Computadores e outras novas tecnologias foram os responsáveis pelo crescimento e expansão do telecommuting.

Convém ressaltar que todos os vínculos devem ser mantidos entre a empresa e o funcionário, no que tange às garantias de emprego, bonificações e reconhecimentos.

2- O início

O trabalho remoto, ou o gerenciamento à distância, foi inventado em 1857 por J. Edgar Thompson, da empresa Penn Railroad, quando descobriu que poderia usar o sistema privado de telegrafia de empresa para controlar o uso dos equipamentos do laboratório.

O que torna o telecommuting possível é a tecnologia existente e o equipamento que permitem levar virtualmente o escritório e o trabalho com o profissional, num local mais confortável, e da mesma forma, levar também seus clientes, seus colegas e sua empresa. Esses ambientes de trabalho não-tradicionais permitem que os funcionários sejam tão acessíveis e produtivos como se estivessem na empresa.

Os contratos de telecommuting abrangem conceitos importantes de confiança e de autorização ao empregado e permitem que a companhia apóie os empregados, mantendo um equilíbrio saudável entre as pressões de trabalho e a família.

Deve-se considerar o fato de que um número crescente de usuários distantes estará usando TI em cadeia. É necessário um cuidado especial com a circulação das informações em rede, a segurança de acessos remotos e a confiabilidade das transferências de dados aos locais remotos.

Se esses pontos não forem bem avaliados e o telecommuting se desenvolver dentro da organização, partindo de cima para baixo, a empresa ficará sujeita aos seguintes problemas:

* a não-identificação dos trabalhos ou das pessoas adequadas para o telecommuting pode resultar na escolha de pessoas erradas.

* Processos empresariais não adaptados às necessidades de telecommuting.

*A falta de critérios satisfatórios de medição da produtividade do telecommuter.

*Administração inadequada dos telecommuters.

Outros problemas que poderiam surgir na ausência de uma abordagem planejada de implementação do telecommuting incluem:

*Dados de risco – usuários distantes que acessam dados centralizados que poderiam ser obsoletos, mas que continuam sendo usados.

*No trabalho, remotamente executado, não há modo algum de se verificar quais dados são usados no produto.

*Roubo de dados – é provável que os dados corram mais risco de roubo ou corrupção em uma casa/escritório.

*Pirataria de software – enquanto existem ferramentas para se fazer inventários de software em redes locais, é mais difícil de controlar software sem autorização em um ambiente distante.

3- Definindo o empregado de telecommuting

Telecommuting é uma atividade que requer certo tipo de pessoa. Esta forma de trabalho não é apropriada a todo mundo. Trabalhadores novos ou sem experiência, normalmente, não são satisfatórios. Nem pessoas que estão procurando soluções aos problemas de cuidar das crianças ou de si mesmas.

O telecommuter deve ser:

*Elegível por função de trabalho ou nível de responsabilidade.

*Independente.

*Familiar com as políticas de organização e procedimentos.

*Capaz de trabalhar períodos longos sem recompensa imediata.

*Persistente no contato com pessoas.

*Comunicador efetivo.

*Bem organizado.

*Ter boas habilidades de administração de tempo.

*Capaz de trabalhar sem realimentação constante.

*Ter três anos, no mínimo, de experiência nas suas funções.

Os principais fatores que determinam o crescimento de um telecommuter são: a necessidade de um equilíbrio na vida pessoal, a chance de alterar rotinas em sua vida e interesses particulares em novas filosofias de trabalho. É necessário ressaltar que a participação deve ser voluntária, nunca imposta.

4- Possíveis problemas

Algumas desvantagens admitidas pelos funcionários praticantes do projeto são:

*Sentem-se mais isolados sem o contato diário com os colegas no escritório.

*Encontram mais dificuldades em se auto motivar.

*Não possuem uma idéia clara da necessidade de parar de trabalhar no final do dia.

*Quando retornam ao escritório, sentem dificuldades de socializar-se.

*Não conseguem resistir à geladeira, televisão ou outras diversões em sua casa.

Alguns obstáculos comuns, listados a seguir, entre os empregadores e os empregados, sendo conveniente ressaltar que a maioria desses problemas resulta da falta de diálogo entre as partes envolvidas no projeto:

*Gerentes não acreditam em supervisão a distância.

*Telecommuters têm menos disposição às reuniões do que a exigida pela empresa.

*Há uma quebra de produção da equipe, quando há pessoas integrantes, praticando telecommuting.

*Telecommuters têm mais facilidades que os outros integrantes da equipe, segundo pensam os não participantes do projeto.

*As reuniões têm que ser planejadas com antecedência.

*As promoções podem ser afetadas para quem executa o telecommuting.

*Os gerentes têm que gastar mais tempo e diferentes métodos para supervisionar os telecommuters.

As opiniões sobre o telecommuting devem ser discutidas pelos participantes. É importante discutir as possibilidades do projeto com todo o time que está diretamente envolvido e, se possível, com todos os telecommuters.

5- Benefícios

Muitos empregadores observam um aumento significativo na produtividade dos funcionários, além de menos exigências quanto ao tamanho dos escritórios. Custos indiretos, como menor índice de faltas, também podem ser observados com a prática do telecommuting.

A retenção de mão-de-obra e facilidades para conseguir trabalhadores específicos também é notada em algumas empresas que adotam este projeto.

Os empregados podem ter uma redução em nível de tensão, ter o seu moral elevado e um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, como resultado imediato do telecommuting. Observam, também, uma melhora significativa em suas vidas particulares, podendo se dedicar à prática de esportes ou outras diversões. O aumento do contato familiar e o sentimento de confiança que o trabalhador sente, com relação à empresa, fazem com que intensifique sua satisfação pessoal e eleve seu moral.

6- Vantagens para o empregador

Algumas vantagens podem ser facilmente observadas após a implantação do telecommuting. Para o empregador, as principais vantagens estão listadas a seguir, segundo uma pesquisa realizada pela Valley Metro dos Estados Unidos.

*Aumento de produtividade.

*Redução da desatenção no trabalho.

*Continuidade no tempo de trabalho.

*Diminuição de tensão.

*Continuidade do trabalho em momentos de conflitos pessoais.

*Aumento da flexibilidade.

*Aumento da confiança e da responsabilidade do empregado.

*Queda no número de faltas.

*Menor rotatividade de funcionários.

*Maiores vantagens no recrutamento.

*Melhora das técnicas administrativas.

*Elevação do moral do empregado.

*Queda das demissões.

* Aumento de Produtividade: O telecommuting permite aos empregados trabalharem mais efetivamente – o programa piloto do Estado da Califórnia achou que os telecommuters realizam 10% a 30% mais do que os trabalhadores de escritório.

A satisfação pessoal, o aumento do ego, a capacidade de gerenciamento de seu próprio horário, a possibilidade de trabalhar nos momentos mais produtivos, acabam gerando este aumento de produtividade que pode ser notada em empresas que adotam o telecommuting.

Por que telecommuters ficam mais produtivos? Longe das distrações de um escritório ruidoso, ocupado – e com interrupções não planejadas – um telecommuter pode se concentrar completamente nas suas tarefas. Motivado, telecommuters podem envolver-se no que eles estão fazendo e ficar mais hábeis a trabalhar mais duro. Telecommuters devem ser lembrados, de fato, a dar um intervalo ocasional entre suas tarefas.

Pesquisas de telecommuters sugerem que o aumento em produtividade pessoal também seja devido, em parte, à sensação de autoridade pela confiança de um empregado trabalhar remotamente. O moral, normalmente, sobe muito e rapidamente.

Redução de Custos: Redução no tamanho da planta física e sua manutenção. Redução nos custos de produção, cópias, envio de fax, e entrega de informações impressas.

Flexibilidade Estratégica: Mobilidade para aproveitar oportunidades de mercado rapidamente, uso de recursos especializados e busca de parceiros na sociedade, sem levar em conta a localização. Disponibilização de informação e talento perto dos clientes.

7- Vantagens para o empregado

Os empregados que trabalham em regime de telecommuting também obtêm algumas vantagens, segundo a mesma pesquisa realizada pela Valley Metro dos Estados Unidos:

*Diminuição do nível de tensão.

*Diminuição ou eliminação do tempo e dos gastos com viagens diárias.

*Maior flexibilidade nos horários de trabalho e do convívio familiar.

*Aumento de satisfação com o trabalho.

*Melhora do ambiente de trabalho.

Aumento de satisfação do empregado: Reduzindo tensão causada pelas viagens e congestionamento de pessoas no escritório pode ajudar a ter mais baixos custos incorridos por baixa produtividade e diminui as despesas médicas.

Equilíbrio entre o Trabalho e Obrigações Familiares: Flexibilidade na escolha de horas de trabalho. Acomoda o dia segundo às necessidades (crianças doentes, férias etc.).

Qualidade de Vida: Elimina tensão de viagens. Trabalha com mais eficiência, mais relaxado e em um ambiente mais tranqüilo. Gasta mais tempo com a família.

8- Custo benefício

A AT&T implementou o conceito de telecommuting – livrando os empregados dos limites de um escritório e equipando-os para trabalharem a qualquer hora, em qualquer lugar/escritório – as necessidades de espaço foram reduzidas de modo significativo. Implementando arranjos de telecommuting, a AT&T economiza anualmente uma média, de US$3.000, por telecommuter, na comparação do espaço associado ao custo.

A ausência do empregado devido à baixa moral e tensão, ou enfermidade, é a relação de causa indireta, significando menos custos ao empregador. Dados do projeto inicial e estudos independentes chegaram à conclusão, por unanimidade, que um programa de telecommuting melhorou o moral e reduziu a tensão entre os praticantes. O resultado destes benefícios pode significar uma redução para o empregador devido às faltas, e resulta, assim, em uma troca de benefícios para o empregado e empregador.

Recursos mais produtivos e importantes reduções de custo podem aumentar o valor econômico de uma companhia. É uma medida chave de eficiência financeira nos negócios hoje em dia.

9- Políticas de Telecommuting

O salário do empregado, benefícios e cobertura de seguro, patrocinados pelo empregador, não mudarão como resultado da implantação do telecommuting.

Oferecer a oportunidade para trabalhar em casa é uma opção de administração. Telecommuting não é um benefício universal ao empregado. A participação de um empregado no programa telecommuting é completamente voluntária. O empregado, supervisor ou gerente podem terminar o telecommuting sem causa aparente. As condições do telecommuter de empregador para o empregado devem permanecer iguais aos empregados não praticantes de telecommuting.

Uma discussão completa dos assuntos sobre arranjos de telecommuting, inclusive a freqüência, medidas e expectativas, são aconselháveis e necessárias. Nesta política, devem-se definir todos os acordos entre o empregador e o empregado.

Conclusão

A implementação do projeto inicial de telecommuting deve ser iniciada de forma gradual e crescente na empresa. Devemos nos atentar às necessidades de treinamento dos participantes, tanto dos funcionários, quanto dos gerentes/supervisores.

Haverá uma alteração no comportamento do funcionário e da supervisão, principalmente no que se diz respeito às metas a serem atingidas. Não haverá mais o contato visual para se medir a produtividade do funcionário, que será medida por objetivos e não por produção. Haverá muito mais envolvimento do funcionário na execução dos cronogramas a serem cumpridos, pois o mesmo terá consciência da necessidade de se atingir a meta estabelecida pelo cronograma.

Não podemos esquecer de que não deve haver uma sobrecarga de funções aos praticantes do telecommuting. A distribuição das tarefas deve ser igual aos telecommuters e não-telecommuters.

O funcionário praticante de telecommuting consegue organizar sua vida pessoal com o trabalho, podendo se dedicar melhor ao relacionamento familiar. O telecommuting não deve ser usado para resolver problemas de cuidar de crianças ou idosos. Ele apenas deve ser visto como uma possibilidade de se aproveitar melhor o tempo antes gasto com as viagens de casa ao escritório.

A confiança depositada pela empresa no funcionário faz com que cresça sua auto-estima e, consequentemente, ele cumprirá os compromissos assumidos perante seu supervisor.

A economia de bens imóveis também foi verificada pelas empresas norte-americanas. Com o crescimento dos praticantes de telecommuting podemos diminuir até 30% dos bens imóveis da empresa. Apenas devemos nos atentar para os dias em que todos os funcionários, telecommuters e não-telecommuters, estiverem na empresa.

Os estudos também indicam a necessidade de participação dos funcionários telecommuters em todos os eventos da empresa. As reuniões departamentais devem, quando possíveis, ser marcadas com antecedência, para que possa haver a presença dos telecommuters. Com esta atitude o funcionário telecommuter não se sentirá excluído do grupo.

O acordo de telecommuting pode ser terminado a qualquer momento. Apenas deve-se tomar o cuidado para que isso não ocorra de forma brusca, mas sim decidido com certa antecedência. Isso deve ser feito para não haver o descrédito do projeto. Muitas vezes o funcionário preenche todos os pré-requisitos necessários à execução do telecommuting, mas, quando inicia o trabalho em casa, ele verifica que não se adaptou com a nova maneira de se trabalhar. Esse funcionário deve procurar a gerência e relatar seus problemas.

A gerência não deve punir os funcionários que tentaram realizar o telecommuting e não se adaptaram ao mesmo. A cada nova desistência devem ser analisados os conceitos de implementação de telecommuting na empresa. Não devemos permitir que o insucesso do telecommuting em um determinado departamento de uma empresa deixe um conceito negativo sobre essa filosofia.

Em alguns casos, a empresa decide terminar a utilização do telecommuting. Também nessas situações, o término deve ser avisado com antecedência. Muitos trabalhadores, como o exemplo dos norte-americanos, procuram empresas que adotam o telecommuting. Esses trabalhadores afirmam que, se houver uma desistência da empresa em se utilizar o telecommuting, eles procurarão outras, que adotem esta filosofia.

Referências Bibliográficas
BREDIN, Alice. The Virtual Office Survival Handbook. USA: Wiley, 1996.

KUGELMASS, Joel. Telecommuting. A Manager’s Guide to Flexibe Work Arrangements. USA: Lexington Books, 1995

NILLES, Jack. Making Telecommuting Happen. USA: VRN, 1994.

SHAW, LISA. Telecommute! Go To Work Without Leaving Home. USA: Jon Wiley & Sons, Inc., 1996.

AT&T – Telework Guide – http://att.com/telework

O autor: José Carlos Ferreira Júnior, mestre em Gerenciamento e Sistemas de Informação e professor das disciplinas “Administração de Sistemas de Informação” e “Metodologia de Desenvolvimento de Sistemas” nos cursos de Administração com Ênfase em Comércio Exterior na UNIP, Administração na FACAMP e Marketing na Policamp. Consultor atuante na área de implementações tecnológicas na região metropolitana de Campinas.
Contato: jose.carlosjr@directnet.com.br ou jose.carlos@facamp.com.br. Da Redação

Trabalho Remoto

terça-feira, abril 4th, 2006

Trabalhador remoto é mais produtivo, diz pesquisa

Segunda-feira, 03 de abril de 2006
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SÃO PAULO – O trabalho remoto traz benefícios para os funcionários e para as empresas. Foi o que apurou uma pesquisa realizada pela SonicWALL, fabricante americana de produtos de segurança, produtividade e mobilidade, com 900 profissionais que trabalham remotamente.

Segundo a pesquisa, tanto os funcionários que trabalham longe da sede quanto seus diretores acreditam que a atividade profissional remota os torna mais produtivos. Mais da metade dos entrevistados acessa diariamente de suas casas a rede da empresa.

No trabalho remoto, a aplicação mais popular é o e-mail. Cerca de 40% acessam e-mail via web, além de aplicações de software, como o Word e o Excel; 38% trabalham diariamente com aplicações específicas para as suas funções; 36% compartilham arquivos e 33% acessam os bancos de dados corporativos.

O levantamento mostrou que 58% dos entrevistados acessam a rede corporativa usando um laptop da empresa, enquanto 42% usam seus desktops pessoais. Apenas 22% dos entrevistados usam celular ou PDA, mas estima-se que esse número deva aumentar até o ano que vem.

Sobre os hábitos pessoais dos trabalhadores remotos, a pesquisa revela que 38% trabalham com roupas formais, enquanto 11% usam trajes informais ou não usam roupa alguma. 35% fazem suas refeições fora do horário habitual, 30% param para afazeres domésticos, como lavar roupa, e 21% tiram uma soneca à tarde.

O problema é que muitos funcionários remotos não tomam medidas de segurança para garantir a proteção das informações. De acordo com a pesquisa, 56% dos funcionários confiam na memória para lembrar das senhas da rede. Embora 12% dos funcionários criptografem os arquivos em seus computadores, muitos deles usam métodos perigosos. Entre os métodos de segurança duvidosos estão o uso da mesma senha para vários dispositivos, senhas armazenadas em celulares ou coladas em papeizinhos nos computadores.